Gabriel
Fiz coisas sem pensar nas consequências, apenas dizia: "Que se fodä, vou fazer isso agora e depois vejo no que dá!" Meu pior erro, só mostrou o quanto precisava amadurecer, o quanto era inconsequente. Achei que alguns sexös sem compromisso, não ia abalar meu casamento. "Ela nem ficaria sabendo, ela estava no final da gestação, não podíamos fazer sexö." Depois, "ela está de resguardo", aí você já está viciado na adrenalina de ser descoberto, do prazer que aquilo que é errado te proporciona, e mesmo amando Bianca, eu não respeitei os limites da nossa relação, eu não a honrei, não fui fiel. Na verdade, naqueles três meses que mantive o caso extra-conjugal, eu sempre dizia para mim mesmo, vai ser a última vez, mas aquela mulher dava um jeito de dispertar meu lado animal, e depois que cedi uma vez, foi difícil rejeitar as outras. Bianca descobriu após um ano, quando eu havia terminado o caso e estava profundamente arrependido. Mas não tinha argumentos, nem mesmo atitudes que provasse para ela que o que eu fiz foi apenas uma "diversão", nunca houve amor. A verdade é que eu fui um canalha e não tinha como provar o contrário. Agora o que restava era lamentar a minha triste vida, e me conscientizar que jamais amaria outra mulher, e jamais encontraria uma do nível da Bianca. Por isso, nas atuais circunstâncias, qualquer coisa me servia, como se fosse um castigo pelos meus erros grotescos.
Terminei meu expediente, e sabia que deveria ir para casa e ficar com meu filho, mas o dia havia terminado pior que o normal. Então eu fui repetir os meus erros outra vez, só que agora, eu não me sinto culpado, sou um canalha sem solução. Realmente não dou a mínima se Janaína descobrir, na verdade acho que até quero, uma forma de me livrar da relação sem que meu pai me cobre.
Fui até um "clubinho" de homens que querem privacidade,(indicação do meu pai, e aqui encontro muitos colegas casados) e já fui beber uma, logo as garotas se aproximaram, escolhi a morena que mais me agradou, e quando estou com algumas delas, prático um ritual nada saudável, obrigo as meninas a ser outra, e fantasio que estou com a Bianca. Isso é sujo e baixo, eu sei, mas estou tão podre, que nada mais me impede de piorar.
Quando saí do lugar, já passava da meia noite, e mesmo sabendo que seria outra noite solitária e fria, eu continuava a tentar afogar minhas frustrações no sexö, um ciclo vicioso e insano, que me deixava mais vazio e sem propósito na vida.
Pedi um táxi, estava sem condições de dirigir, e quando cheguei em casa, Janaína me esperava sentada na sala, pela roupa de trabalho, havia chegado a pouco tempo.
*Janaína Limeira, 36 anos*
— Boa noite, Gabriel.— ela falou cruzando as pernas.
— Boa noite...— respondi fechando a porta atrás de mim.
— Onde estava?
— Bebendo. Tive um dia difícil.— respondi indo até a cozinha.
Peguei uma garrafa de água e ela se aproximou. Me abraçou por trás, mas sabia que não era carinho, ela apenas queria sentir o meu cheiro, identificar onde estive.
— Chegou agora?— perguntei pegando um copo.
— Uns dez minutos. Estou exausta!— ela colocou a mão na cabeça e se afastou.— Vou tomar um banho, também deveria, está fedendo a álcool!
Assenti e ela subiu as escadas, esperei uns minutos e depois fui também, ela estava na banheira, então fui para o chuveiro.
— Não quer me acompanhar?— ela falou levantando a perna.
— Me desprezou, disse que estava fedendo.— respondi levantando a sobrancelha.
— Agora pode vir.— ela falou sedutoramente.
Como é difícil viver de aparências! Embora não quisesse, dei um jeito de fazer companhia, era só focar no prazer dela, e não daria espaço para desconfiança. Dei logo dois orgasmøs pra ela, nisso eu era muito bom. Depois do banho ela se jogou na cama e dormiu. Eu estava cansado, mas nunca dormi sem passar no quarto do meu filho, e quando eu cheguei até ele, dei um beijo. Miguel abriu os olhos. E sem querer, senti meu coração partir mais uma vez. Que tipo de vida estava dando ao meu filho? Que tipo de exemplo? Mesmo sabendo que ele não sabia da vida pecaminosa que eu levava, me senti envergonhado, estava sendo exatamente como meu pai, um homem sem escrúpulo algum.
— Pai?
— Boa noite, filhão! Só passei para te ver, volta a dormir.— sussurrei passando a mão no cabelo dele.
— Pode ficar comigo?— ele pediu com os olhinhos meigos dele.
— Claro!
*Miguel Garcia Salazar, 11 anos*
Me deitei ao lado dele, e fiquei olhando aquele rosto inocente, que sorria para mim. Ele me abraçou, e eu o abracei de volta. Miguel é um menino doce e educado, sabia que não era por meus esforços, mas graças a Maria, uma senhora de coração nobre, que praticamente criou o meu filho. Talvez a alma dele fosse como a da mãe, por isso Miguel era o único pedacinho de luz que possuía e ainda protegia do mundo cruel e corrupto que vivia. O único que ainda o fazia encontrar força para prosseguir, e refletir sobre sua vida tão errada e vazia.
Quando ele dormiu, dei um beijo nos cabelos dele, me levantei e o cobri novamente. Então, percebi que ele estava segurando algo na mão, devagar eu olhei, e não pude evitar as lágrimas.
Há alguns meses ele começou a perguntar pela mãe, então resolvi dizer que ela havia morrido, peguei uma foto dela e entreguei. Desde então ele tem andado por todo lado com essa foto. Sei que menti, mas foi a maneira mais fácil que encontrei, assegurei ele do amor da mãe, e encerrei o assunto (pelo menos eu achava). Segurei a foto, e com as lágrimas escorrendo como enxurrada, toquei o rosto dela, era o mais perto que eu tinha. Poderia tentar ir atrás, mas não me sentia digno disso e temia a segurança dela. Depois de tudo, o melhor era deixá-la ir, e não fazer parte do meu mundo sombrio e corrupto.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 105
Comments
Marilza Motta
nossa cara como pode haver um rato em forma de ser humano
2025-02-16
1
tuca
nossa parei de ler depois dessa ainda falar que a mae do menino morreu aff que lixo de história que nojo
2025-03-11
0
Sonia Souza
Sabe que está errando mas continua no erro e um covarde mesmo ela merece encontrar alguém melhor
2024-08-29
2