Bianca
Quando eu pensei que não poderia ficar pior, minha advogada veio com a notícia que Gabriel estava exigindo a guarda total das crianças. Aquilo foi um choque maior do que saber que ele tinha me traído. Como assim ele queria separar a mãe dos filhos? Estava fora de cogitação! Eu ia lutar, como uma mãe ursa, eu lutaria por meus filhos, nesse ponto nem guarda compartilhada eu queria. O processo foi longo, e foi aí que eu vi que estava sangrando num aquário de tubarões. O pai dele é quem fazia as reuniões, e no fim, para não perder meus dois filhos, tive que fazer um acordo insano, que acabou de moer o meu coração despedaçado. Eu ficaria com a guarda total da Ariele, e Gabriel ficaria com a guarda de Miguel. Era isso, ou nada... eu tentei, juro que tentei... mas perdi aquela batalha, e tinha que achar um jeito de sobreviver com minha filha, já que não aceitei um real do que pertencia aos Salazar, eu que não ia querer o dinheiro sujo deles. O processo foi finalizado, Gabriel ainda veio transtornado para me implorar não sair da vida dele e deixá-lo sem a filha. A cena era cômica! Será que ele não se tocava que uma mãe estava sendo privada de ver seu filho? Estava sendo condenada a nunca nem chegar perto daquele que havia gerado!
De tudo que eu já tinha sofrido, de tudo que havia passado e doía, nada se comparou quando tive que me despedir daquele bebezinho, que não saberia o que seria o meu amor, que não poderia vê-lo crescer e pendurar seu desenho na geladeira, além de separa-lo da própria irmã que havia sido gerados juntos. Cheguei a cogitar deixar a Ariele também, mas estaria condenando meu coração, e o que eles diriam no futuro? Que eu havia rejeitado os filhos?
Mesmo sem querer, deixei que aquela mulher levasse um pedacinho meu, que jamais seria substituído. Chorei amargamente, eles mandaram uma babá buscar o menino? Como seria a vida do seu Miguel? Destinado a ser corrupto e infiel como toda família?
Tudo que me restou, foi interceder por ele, e pedir aos céus que o protegesse do mal, e o fizesse um menino de bom coração e alma pura. E ele está nas minhas preces até os dias de hoje. Um garoto lindo e encantador.
Depois desse arraso, eu não tinha mais nada que me prendia naquela cidade, e ficar ali, seria sinônimo de angústia e humilhação. Nessa horas, a gente quer estar com aqueles que te amam, sem julgamentos, que te acolhem, e tenta aliviar suas dores. Então juntei minhas coisas, a Ariele, e voltei para minha cidade em Caruaru PE, para minha família, e nem olhei para trás, na minha concepção, jamais voltaria para São Paulo.
Fiquei uns dias de luto, processando tudo o que havia acontecido na minha vida. Decidi que seguiria em frente, não iria deixar esse fato horrível definir a minha vida. Assim que cheguei na minha terra, descobri que estava grávida, entrei em pânico. Sem pensar duas vezes, decidi que nunca falaria para Gabriel, talvez fosse Deus me dando um consolo. Durante a gestação, eu não conseguia arrumar emprego na minha área, as pessoas tinham preconceito por estar grávida e ter um bebê tão novo ainda. Tive que voltar a fazer bicos de costura com minha mãe, e somente quando a Priscila fez seis meses, consegui uma oportunidade de trabalho numa empresa de advocacia em Recife. Era corrido, ir e vir todos os dias, era uma hora de viagem, mas não reclamava, e minhas filhas estariam em boas mãos na casa dos meus pais, tinha minha irmã que já tinha 13 anos e sabia cuidar bem das meninas. Foram cinco anos nessa luta, indo e vindo de Recife para Caruaru todos os dias. Até que resolvi mudar para Recife, minhas meninas já estavam grandinhas, Priscila tinha 5 anos e Ariele 7. Consegui uma boa escola, e uma senhora que cuidava de crianças. Como estava estabilizada, comprei um apartamento, e podia pagar a escola sem passar apertado.
A empresa que trabalhei, não tinha o que reclamar, me pagavam bem, recebia aumentos e já havia subido de cargo, mas não era o meu sonho. Então, nos últimos dois anos, eu voltei a estudar, fiz cursos preparatórios, e me preparei para um possível concurso na promotoria. Queria que fosse por perto, se não em Recife, pelo menos em algum lugar por aqui. Mas o primeiro edital foi em São Paulo. Parecia que estava testando a minha superação. Quais as chances de uma nordestina passar nesse concurso?
Parecia um sonho meio inalcançável, mas seria a oportunidade perfeita para fazer tudo o que sempre sonhei, promover justiça, e São Paulo seria o melhor lugar.
A vida de uma mãe solteira, que tem que trabalhar, não é nada fácil, minha vida social é péssima, quase não saio com ninguém, salvo pelos dias que acompanho os colegas de trabalho num barzinho, em sextas feiras. Relacionamento, nada sério, carrego uma desconfiança e medo de me machucar. Ficar com os caras, se tornou apenas um passa tempo temporário.
Olhando para a tela do notebook outra vez, acabo voltando à realidade. Eu consegui uma vaga, fiquei em sétimo lugar, em 70 vagas. Basta eu aceitar, e farei parte da promotoria de São Paulo.
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Atualizado até capítulo 105
Comments
tuca
o mínimo que ele deveria ter feiro era deixar a guarda total dos dois filhos com.ela que sofreu a traicao agora sofre com os filhos separados
2025-03-11
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Rosilene Oliveira
vc vai conseguir seu filho de volta tenha fé
2025-02-26
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Marilza Motta
mulher de fibra mesmo machucada não perdeu o foco
2025-02-16
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