Bianca
— Eu não sei... existe uma cláusula, um contrato que me separa dele. Não posso passar por cima disso...— dei com os ombros e soltei um riso nervoso — Além do mais, o que eu diria pra ele? Mesmo não tendo alternativa, eu sinto que eu fracassei como mãe, poderia ter lutado mais.
— Tata, não fala assim, é uma mãe incrível! Olha pra você? Não se sinta culpada pelo o que o seu ex-marido fez, estava sem saída na época. Falando na peste, pretende falar com ele? De repente vocês podem fazer um novo acordo...— Bia sugeriu.
— Sem chance! Jamais vou conversar com aquele homem! No que eu puder evitar, vou fazer de tudo para não encontrá-lo.
— E se ele descobrir sobre a Priscila?— ela tocou na ferida.
— Vou dizer que ela é filha de outro, muito simples. Ele não vai insistir. Isso se por um acaso, acabar esbarrando nele e não tiver saída.
— Sabe que te admiro demais, né Tata? Vai dar tudo certo, vai se tornar uma promotora fodástica!— ela sorriu orgulhosa.
Sorri de volta e nos abraçamos, as lágrimas foram inevitáveis. No outro dia, a despedida foi iminente, apesar da separação, meus pais entendiam que era por uma boa causa. De pé no hangar de embarque, eu olhei meus pais e senti um aperto no coração. Estava tão acostumada a vê-los nos finais de semana, era o ponto alto da minha semana. Abracei meu pai com afeto, ele chorou, e eu chorei junto, não havia nem palavras para serem ditas. As meninas choravam muito também, queria ser forte por elas, mas se tratando dos meus pais, eu não conseguia, então me deixei levar, e embarquei num choro de saudade. Quando minha mãe me abraçou, eu já não tinha fôlego, e soluçava, nem quando eu fui para universidade foi assim, me senti mais vulnerável do que gostaria, mas talvez fosse só o apego que eu tinha a minha família. Me afastei da minha mãe, ela me olhou com olhos serenos, segurou minhas mãos e sorriu.
— Brilhe, minha filha! Você nasceu para isso! Tenho certeza que vai ser feliz, e lutar por um pouco de justiça, nesse mundo tão cruel! Quando se sentir só, venha nos visitar, me ligue, mas não fique sozinha, ok? Sabe que eu te amo, né?— ela tentou limpar a enxurrada de lágrimas que escorriam no meu rosto.
*Rosana Diniz Garcia, 56 anos*
— Eu vou ligar todos os dias, se não puder conversar, pelo menos um "oi" eu vou mandar. Amo vocês! Preciso ir.— falei tentando recuperar meu fôlego.
Abracei minhas filhas, e enquanto caminhava no aeroporto de Recife, olhei para trás uma última vez. Meu pai estava abraçado com a minha mãe, eles sorriram e acenaram. Acenei de volta e apertei minhas meninas mais forte. Poderia ser solitário, mas dessa vez, eu tinha minhas filhas, e não estava perdida como a primeira vez, ia ter um emprego que seria o máximo, um salário de aproximadamente 30 mil, com muitos benefícios. Estava indo em rumo a uma vida melhor, e estava pronta para enfrentar os desafios de ser promotora, sabia que não seria fácil, esse tipo de posição, provoca ódio e revolta, principalmente em ricos e corruptos. Mas não ia me intimidar por isso, a vida já havia sido cruel o suficiente para eu aguentar os trancos delas, meu objetivo sempre foi promover a justiça, e faria isso, independente das circunstâncias. Estava empenhada nisso.
✈️
O vôo foi tranquilo, e quando aterrissamos, veio aquele frio na barriga, típica ansiedade do que estava por vir. Minha amiga querida, estava nos esperando. Como senti falta dela.
— Biaaaa! Amiga, como você tá linda! Meu Deus! Como não se casou de novo?— Brenda veio de braços abertos.
— Contando que estava numa viagem de três horas e antes de embarcar chorei pra caramba, acho que é um elogio bem grande! Casamento, já tive um, não me vejo em outro tão cedo.— falei sorrindo.
Ela riu e nos abraçamos. Nos afastamos e ela abraçou as meninas.
*Brenda Lima, 40 anos*
— Tenho uma filha que vai amar conhecer vocês. Como vocês cresceram! Vamos, vocês vão almoçar em casa, já está tudo certo. Depois levo vocês para o apartamento.— ela falou me ajudando a colocar as malas no carrinho.— Eu mandei dedetizar o apartamento e também paguei uma faxineira para esterelizar, quem sabe os tipo de sujeiras e secreções os antigos inquilinos deixaram.
Dei risada da Brenda, ela é do tipo que fala bastante, por isso se deu bem com a loja de roupas, mas tem uma certa obceção por limpeza.
— É um condomínio muito bom, tem muitas famílias, acho que por serem apartamentos grandes. Tem área de esportes, piscina climatizada, área kids, parque, academia... vai ser ótimo pra vocês!— Brenda continuou falando enquanto saímos do aeroporto de São Paulo.
É claro que deve ser bom, estava me custando um preço bem alto. O aluguel do meu apartamento em Recife, não ia bancar nem metade do que aluguei aqui. Fora a taxa de condomínio. Respirei fundo, agora eu podia, é difícil acompanhar o novo poder de aquisição que teria. Não queria nem ver quando matriculasse as meninas, ia ser outra facada no coração.
O almoço foi muito bom, a filha dela, Ana Lívia, apesar de já ter 13 anos, recebeu bem as meninas e até brincaram.
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Marilza Motta
nesse capítulo foi um chororô só, do pai das meninas e meu também
2025-02-16
0
Telma Jesus
Chorei com essa despedida😥😥😥
2024-10-03
0
Jucileide Gonçalves
Bola pra frente mulher, levanta sacode a poeira e ergue a cabeça sem remorso e deixa que o tempo é quem vai te dizer o que fazer.
2024-07-12
4