Gabriel
Abaixei a cabeça, como defender o homem escroto que fui? Os anos não apaziguou o coração dela, devia estar me xingando e odiando com todas as letras.
— É... Eu sei... Fui merdä!— falei envergonhado.
— Preciso ir. Como o Miguel está?— ela já estava de saída, mas por uns instantes ela hesitou e me encarou.
— Ele está bem, é um garoto muito lindo e carinhoso. E a Ariele?— aproveitei e entrei no embalo da conversa.
— Ela tá bem. É um amor, um pouco tímida.— ela sorriu ao falar da nossa filha, e lembrei de como o sorriso dela me deixa abalado.
— Já que está de volta, podemos combinar de nos encontrar e conversar sobre os nossos filhos. Dez anos é uma vida. O que acha? Eu tenho tantas coisas para contar...— precisava ser rápido, odiava usar nosso filhos pra ter uma chance de aproximação, mas realmente eu queria saber da Ariele e teria o bônus de poder falar com a Bianca.
Ela suspirou e baixou o olhos.
— A culpa é toda sua! Foi você que nos separou! Agora vem com esse "papinho" de vamos conversar, dez anos é uma vida?— ela falou com muito ódio, mas extremamente elegante.— Porque não foi atrás de mim? Porque não voltou atrás do acordo insano que me fez assinar por medo de perder meus dois filhos?! Você não mudou nada! Me dá nojo!
Eu bem sabia que nunca quis fazer aquilo, mas não ter lutado contra me tornou mais canalha do que ter aceitado separar nossos filhos, porque além de tirar um filho de uma mãe traída, eu fui um covarde e não impedi, mesmo sabendo que ela não merecia isso, jamais. Olhando ela agora, depois de tantos anos, de pé na minha frente, ela está provando que me superou, mais que isso, ela provou que nunca precisou de mim, na verdade, sempre fui eu o necessitei dela a vida toda.
Apenas assenti, que palavra me inocentaria? Que argumento ao meu favor eu poderia usar que não fosse pura mentira? Eu realmente era tudo de ruim na vida dela. Tive um diamante raro nas mãos, e não valorizei, uma família estruturada, uma família que eu nunca tive, e joguei fora.
— Fique com o meu cartão, se resolver falar comigo, estarei à disposição. Vou adorar saber sobre sua vida e também da Ariele.— falei abrindo a carteira e entregando o cartão, numa última tentativa.
Minha vontade era de pedir o contato dela, de abraçá-la, de ver e saber daquela garotinha que sorria e passava a mão na minha barba. Precisava ir devagar, tinha que deixá-la à vontade, tinha que reconquistar a confiança dela, e não seria com palavras, ia ter que provar com uma mudança, atitudes de um homem verdadeiro. Teria de repensar a vida que estava levando, e fazer por merecer, ia ser um processo lento, ou colocaria tudo a perder.
Ela assentiu e guardou o cartão na bolsa.
— Não é tão simples, sabe disso, né? Mas eu vou pensar á respeito. Tchau! — ela respondeu e saiu.
Enquanto ela caminhava graciosamente, fiquei observando a beleza daquela mulher. O corpo estava cheio de curvas tentadoras, ela estava divinamente definida. Tudo nela emanava poder, elegância e beleza sem igual!
— Chefe, tu não perde tempo, hein?— Vicente falou ao meu lado.
— Lembra que é um homem comprometido.— minha irmã falou do outro lado.
Revirei os olhos.
— É a Bianca, Talita!— exclamei impaciente.
— A Bianca, sua ex?— ela falou de olhos arregalados, enfatizando o "ex".
— Sim. Ela mesmo.— confirmei.
— Você tá ferradooooo!— Talita exclamou.
*Talita Fontes Maciel, 25 anos*
— O senhor tem ex-namorada?— Vicente indagou confuso.
— Não. É a ex-esposa.— Rafaela respondeu.
— Não! Você perdeu uma mulher daquelas? Tá ferrado mesmo!
A conversa dos dois não me intimidaram em nada, eu me sentia vivo novamente, vou dar um jeito de ser merecedor da Bianca outra vez. Ela estar de volta, foi um sinal que eu não preciso acabar com a minha vida, ainda pode haver esperança, por ela, eu iria ao inferno buscar minha alma para me redimir. E instantaneamente, tudo que movia minha vida, como meu trabalho, se tornou secular e não me importo mais. Eu perco tudo, na verdade acho que a única perda significativa, foi ela e minha filha.
Eu não queria, mas acabei sendo transportado há dez anos atrás, quando descobri o plano de divórcio do meu pai.
*Flashback On*(10 anos antes)
Eu estava tão transtornado com o pedido de divórcio, e em não poder ver Bianca e meus filhos durante o processo, que nem me importei com o andamento do divórcio, meu pai tomou as rédeas e quando ela apareceu na minha porta, chorando desesperada, por um instante eu pensei que teria uma chance, ela sentia minha falta e poderia me perdoar. Com muito custo ela conseguiu me encarar, foi ali que eu vi o tamanho da dor que havia causado a ela, aqueles olhos meigos e amorosos, só tinha sofrimento, profundas olheiras, vermelhos, inchados e muita dor...
— Eu só quero saber o que eu fiz para merecer isso, Gabriel! Você está destruindo meu coração! Se você não me ama mais...
— Eu te amo, Bi! Te amo do mesmo jeito!— a interrompi desesperado.
— Não fala assim!— ela gritou— Não ouse falar que me ama! Que amor é esse, que planeja tirar os filhos da mãe?
Eu arregalei os olhos surpreso. Que merdä meu pai estava fazendo?
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Maria Aparecida Santos
muito triste. realmente deve ser uma estória imitando a vida. vi esse sofrimento de perto. mas o perdão depois de muito sofrimento venceu
2025-03-31
0
Marilza Motta
Gabriel sempre viveu à sombra do pai, vai ser difícil reconquistar este mulherão
2025-02-16
0
Maria Rosa Soares Vitorio
Queria que no final do livro ele morresse para salvar os filhos e ela se apaixonasse pelo promotor que conheceu. Perdoar um cara desse é entregar a alma pro capeta.
2025-01-30
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