Bianca
Quando chegamos no condomínio, fiquei admirando, era mais bonito que nas fotos, e as meninas ficaram bem empolgadas. Subimos até o nosso andar e quando entrei, senti um cheiro característico de consultório de médico, Brenda não exagerou quando disse que havia mandado esterilizar. As caixas estavam empilhadas por todo lado, trouxe alguns móveis como sofá, camas, colchões, e todos eletrodomésticos, ia ser muita coisa comprar tudo novo, pagar pela mudança compensou. Mas agora, vendo tudo bagunçado, senti um desejo enorme de não ter trazido nada. Levaria semanas para conseguir arrumar tudo, e nem sabia por onde começar.
Pela cozinha? Precisavam comer... Pelos quartos? Precisavam dormir... mas onde estavam os lençóis?
Me joguei no único móvel disponível, no meu sofá, e fiquei encarando a bagunça, tentando encontrar o início.
🏵️
Estava super em cima, em dois dias iniciava meu trabalho, e tinha um turbilhão de coisas para fazer. Mas eu encarnei a mulher-maravilha, e arrumei metade das coisas no apartamento, visitei três escolas, e ainda fui conhecer meu ambiente de trabalho e levar o últimos documentos. Procurei transporte para as duas, fui atrás de materiais, livros, fiz compras no supermercado... Dormi umas três horas por noite, mas sobrevivi. Minhas filhas estavam matriculadas numa excelente escola, que como eu imaginei, me custou um "rim", mas estava preparada para vender meus "órgãos" pelas minhas filhas. A Brenda se ofereceu para ficar com as meninas até o término do meu horário, não seria muito, já que a carga horária é apenas 5 horas por dia, e finais de semana e feriados, folga, além de 60 dias de férias remuneradas, é o emprego dos sonhos. Elas poderiam ficar no apartamento, é bem seguro, mas não quero colocar essa responsabilidade nas costas da Ariele ainda.
De manhã, ia poder levar minhas filhas, outro detalhe que ia ter que ir atrás, era comprar um carro, pagar Uber todos os dias não ia ser vantajoso. Levantei cedo, havia separado uma roupa, mas olhei as minhas opções, e voltei a ficar na dúvida. Tomei um banho, sequei meu cabelo, fiz uma maquiagem para cobrir as olheiras e o cansaço dos últimos dias, e sem olhar muito, acabei optando por uma calça de linho midi, uma blusa rosé, conjunto com o blazer. Calcei o clássico scarpin, combinando ao blazer, bolsa de couro, colar que deu um charme no look, relógio e um bracelete, alguns anéis e brincos. Me olhei no espelho (que ainda não tinha pendurado), e tentei visualizar a mulher que gostaria que os outros enxergassem, séria, mas elegante. Saí apressada, mas estava dentro do horário, é só a ansiedade do primeiro dia. Chamei as meninas e fui preparar o café. Esquentei uns pães de forma na lancheira e fiz café. Estava em um dos meses mais frios de São Paulo, Junho. As meninas estranhou demais, mas as preparei comprando umas roupas de inverno.
Elas vieram juntas, estavam com um misto de apreensão e empolgação. Sabia bem o que estavam sentindo, sentia a mesma coisa, só que multiplicado muitas vezes.
— Nossa, mãe! Está linda!— Priscila elogiou com um sorriso.
— Oh, obrigada, querida!— respondi colocando os mistos quentes num prato.
— Como se sente, Ari? Nervosa?— perguntei entregando a caneca dela.
— Não sei... eu fico com medo... mas também estou ansiosa para conhecer a escola... — ela falou sentando na cadeira.
— Ari, seja educada, mantenha a sua gentileza, e seja você mesma. Tenho certeza que vão te adorar!— dei um beijo na cabeça dela, e pisquei para Priscila.— O mesmo vale pra ti!
Tomamos café, chamei um Uber, e quando chegamos na escola, desci com elas. Ia me atrasar um pouco, mas elas precisavam disso. A monitora foi bem gentil e acompanhou as meninas, para orientá-las sobre onde ir. Elas acenaram e sumiram da minha vista. Por sorte havia adicionado a parada na corrida, voltei para o carro e respirei profundamente. Fechei os olhos e pedi a Deus a proteção dos meus três filhos.
O Uber parou de frente aquele prédio alto e imponente, desci do carro e a passos lentos me aproximei da placa onde dizia: "Ministério Público do Estado de São Paulo". Esbocei um sorriso involuntário, consegui um cargo altamente disputado, que muitas vezes acaba nem sendo preenchido por falta de nota. Peguei meu celular e tirei uma selfie, tinha que registrar esse dia. Tomei uma postura mais séria, e andei elegantemente até a recepção, apresentei meu crachá e subi até o andar que me foi destinado. Uma assessora jurídica me recebeu, apresentou a minha sala, e me deixou a par de tudo, as secretárias, auxiliar técnico ministerial, analista ministerial, entre outros. O primeiro dia nunca é fácil, seria uma promotora substituta, me enturmar é difícil, a maioria já estavam ali a muito tempo, eu era novata. Em um momento, um homem bem afeiçoado, na verdade, era lindo, bateu na porta do meu escritório (que estava aberto) e se apresentou como "Procurador da Justiça", embora não tinha hierarquia na promotoria, existem as melhores posições, e acima do promotor, está o procurador da justiça. Me levantei rapidamente.
— Nova? Bianca Garcia?— ele falou lendo meu crachá.
— Sim, senhor. Prazer...
— Wilson Marques.— ele respondeu estendendo a mão.— É sempre bom um rosto novo e tão lindo. Seja bem vinda!
*Wilson Marques, 40 anos*
— Obrigada.— respondi tímida.
— Como a nova substituta, vou ser obrigado a passar um caso para você.— ele balançou uma pasta na mão fazendo uma careta engraçada.— Um colega meu, precisou entrar de licença, por motivo de saúde. Ele estava num caso importante, que vai ter a primeira audiência em dois dias. Ótimo para um começo! Dá uma olhada.
— Claro.— respondi aceitando a pasta.
Abri e folheei rapidamente, e paralisei quando vi o nome do advogado de defesa.
— Gabriel Salazar?!— exclamei aterrorizada, acabou soando mais alto do que imaginei.
— Conhece o nome, também? Pois é... aqui quando se fala Salazar, já sabemos que te sujeira!
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Rosilene Oliveira
o bicho vai pegar kkk
2025-02-26
0
Anonymous
Eiiitaaaa
2024-10-31
0
Dilma Melachos
vai lá e acaba com esse escroto.
2024-04-25
6