Bianca
Afastei meu notebook, já estava de noite, as meninas estavam brincando no quarto. Por mais que não tenha dado a resposta oficial, sabia que jamais recusaria aquela oportunidade, mesmo que significasse relembrar tudo o que havia sofrido, ou arriscar ver meu filho que sentia tanta falta. Imediatamente lembrei que seria um grande desafio, se Gabriel descobrisse que estava de volta, e soubesse da Priscila? A única solução seria dizer que era de outro homem. Sim, faria isso, se por acaso acabasse se encontrando com Gabriel. Mas as chances eram baixas, São Paulo é muito grande para encontros do acaso.
Levantei da cadeira do meu cantinho, onde chamava de pequeno escritório, e fui até o quarto das meninas. Ariele estava naquela fase, onde não sabe se quer ser criança e brincar de boneca com a irmã, ou se preocupa em ser uma mocinha. Ultimamente ela só quer bonecas da Barbie, trocar os vestidos, a vaidade está crescendo nela. Priscila ainda tinha toda doçura de menina, e sempre acabava brincando com as bebês sozinha.
Encostei no batente da porta, e sorri, esperando elas me verem.
— Mãe, vamos brincar com as Barbie? Elas podem ser uma advogada que está numa reunião de negócios.— Ariele falou empolgada.
*Ariele Garcia Salazar, 11 anos*
— Será que não poderia ser uma cozinheira? Estou cansada de ser advogada!— falei me sentando no chão, ao lado delas.
— Pode ser!— Priscila falou sorridente.
*Priscila Diniz Garcia, 9 anos*
— Prefiro advogada... como a senhora!— Ariele reclamou.
— Só se você for a advogada.— respondi dando uma piscada.
Sabia da importância de interagir com as meninas, minha vida sempre era tão cheia, e sabia que não era presente o suficiente na vida delas. Depois de brincar um pouco, resolvi entrar no assunto, que com certeza a Ariele não ia gostar.
— Meninas, tenho uma novidade. Sabe aquele prova que eu fui em São Paulo fazer?— tentei parecer o mais animada possível.
— Sim. Aquela para promotor da justiça, que foi um milhão de vezes?— Ariele indagou revirando os olhos.
— Essa mesmo. Bom, eu consegui uma vaga!— exclamei com um sorriso.
Havia ido em São Paulo vária vezes, para fazer todas as cinco etapas do concurso, que foram cinco fases, prova objetiva, provas discursivas, (aí eles já analisam de forma prática a sua habilidade para uma petição) investigação social e conhecimento técnico, prova oral e conhecimento técnico e prático e por fim, a análise de títulos.
— Que legal, mãe!— Priscila me abraçou, acho que ela não tem noção de tudo o que envolve.
— A senhora vai aceitar?— Ariele perguntou.
— Ainda não sei... mas seria loucura rejeitar. É uma ótima oportunidade, eu vou ter muitos benefícios, e o salário é: Uau! Poderia pagar uma escola melhor, e estaria realizando o meu sonho. Lutar pela justiça!— falei empolgada.
— Mas a gente vai ter que mudar?— Ariele perguntou.
— Sim. Teríamos que mudar pra São Paulo.— falei apreensiva.
— Mas eu gosto daqui, não pode apenas continuar no seu emprego atual?— Ariele murmurou.
— Ari... eu também não gosto de mudanças, mas vai ser para uma coisa melhor, entende?— falei o mais compreensiva possível.
— Eu quero ir pra São Paulo!— Priscila exclamou feliz. Para ela tudo é motivo de festa.
— Vai ter mais tempo para nós?— Ariele perguntou.
Engoli em seco, como ia prometer algo assim, logo no início? Sabia que a princípio seria apenas uma promotora substituta, mas meu objetivo era ser mais que isso, me tornar uma promotora oficial, onde poderia escolher e definir quais casos mereciam ter atenção da justiça. Isso com certeza exigiria tempo, mais tempo do que as 5 horas diárias, de segunda a sexta. Ia precisar encontrar uma forma de compensar com minhas filhas, elas iam precisar do meu apoio, pois estariam mudando drasticamente.
— Eu não sei, meu amor... mas vou tentar. Sei que não vai ser fácil...
— Prefiro morar com a vovó!— Ariele cruzou os braços emburrada.
Sem chance! Jamais mudaria sem levar minhas filhas, mesmo que seja para ficar com minha mãe. Isso era inegociável.
— Querida, eu sou sua mãe! Onde eu for, você vai comigo até que seja maior de idade.— falei firme.
— Nem somos uma família de verdade! Onde está nosso pai?— ela respondeu irritada.
De novo essa conversa? Suspirei fundo e a encarei nos olhos.
— Seu pai, ele te ama. Mas não deu certo. Já conversamos sobre isso.
— Porque nem me diz quem ele é?— ela indagou confusa.
— Tem o tempo certo para tudo, querida. No momento certo, você vai saber quem é seu pai. Ainda não está preparada para isso. Eu não estou preparada.
— Mas mãe...
— Ariele, não insista! Não vale a pena, entendeu? Encerra esse assunto!— falei me levantando.
Ariele deitou na cama, sabia que ela estava frustrada, essa insistência veio antes do que imaginei. Priscila ficou quietinha e pensativa.
— Ele morreu, né?— Priscila falou entristecida.
Como gostaria de confirmar e me livrar do problema, mas não era do meu feitio mentir.
— Claro que não, sua burra!
— Ariele! Não fala assim!— a repreendi.
— Tá na cara que ele tá vivo em algum lugar, fala que ele nos ama só para nos tranquilizar, mas a verdade é que ele nos abandonou, e nem se lembra de nós!— Ariele gritou e chorou.
Fechei os olhos e suspirei. Como explicar tudo o que envolvia ela e o pai?
As vezes eu gostaria que fosse tão simples como elas imaginam. Definitivamente, elas não estavam prontas para a verdade, eram muito infantis para entender a complexidade adulta.
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Ely Ana Canto
conta a verdade , fala que o pai e um crápula, tirou o irmão gêmeo dela e traiu você 😡😡😡😡😡
2025-04-01
0
F Valeria Feliciano
Ariela esta com 11anos ja tem idadde para entender o crápula q o pai dela foi com ela e a mãe
2024-05-03
5
imaculada lima
eu não sabia que existia esses acordos, de cada um ficar com um filho
2024-05-03
0