Bianca
Minha respiração mudou automaticamente, estremeci dos pés à cabeça. Não esperava isso, jamais!
Meu primeiro instinto foi recusar, mas fazer isso logo de primeira, ia acabar me mostrando fraca, como se não quisesse aceitar desafios, quando na verdade, só queria evitar ter que olhar meu ex-marido.
— Está bem?— Wilson perguntou preocupado.
— Sim... claro...— balbuciei retomando a postura.
— Se achar que é demais, posso te aliviar. Mas seria uma ótima oportunidade, o Valter descobriu umas coisas bem incriminadoras. Acho que essa eles não ganham.— Ele tentou me animar.
— Eu vou aceitar, e vou dar o meu melhor, prometo.— respondi com um sorriso.
— Ótimo! Vou avisar a equipe deles. Ou prefere fazer a sua?— ele perguntou.
— Não. Pode ser a equipe do seu colega, vai ser melhor, já estão inteirados do caso.— respondi.
— Assim que se fala! Não quero ensinar seu trabalho, mas quando a gente entra na promotoria, confunde ser advogado com ser promotor. Lembra que você tem que investigar e usar os parâmetros da lei, estudar os casos, participar das audiências. O foco é apurar os fatos e punir os crimes. Deixa a defesa para os advogados públicos, ok?— ele sorriu e piscou.
— Bem lembrado, Wilson. Preciso me despir da advogada.
— Sabia que era advogada! Que área?— ele sorriu vitorioso, enquanto segurava a maçaneta da porta. Ele é bem espontâneo.
— Área trabalhista.— respondi.
— Então vai tirar de letra! É uma ação coletiva de trabalhadores da construtora. A gente se vê!— ele assentiu e fechou a porta.
Me apoiei na mesa, larguei a pasta e suspirei profundamente.
Só podia ser um teste do universo!
Sentei na minha cadeira e enquanto folheava os documentos, pensei que seria inevitável não encontrá-lo, e isso abalou minha estrutura, não vou negar. Comecei a ler aqueles papéis, e não deveria ficar surpresa com aquilo, mas fiquei. Funcionários que faziam serviços que não faziam parte do que estava assinado na carteira, baixo salário, atrasos de pagamento, péssimas condições de trabalho, e até suspeita de lavagem de dinheiro. Quanto mais eu lia, mais sujeira encontrava. Quando eu li umas anotações pessoais do promotor Valter, fiquei pasmada. Ele estava suspeitando de propinas na eleição do deputado federal Laércio Salazar, o pai do Gabriel. Sabia que era apenas uma teoria, mas não duvidava que fosse verdade. Políticos! Sempre Sujos!
Alguns minutos mais tarde, recebi na minha sala a equipe que ia trabalhar no caso, a assessora jurídica, Deise, o auxiliar da promotoria, Enzo, o técnico ministerial, Sebastian, analista ministerial, Diogo, a secretária jurídica, Joana D'arc, e a advogada pública, Ana Carolina.
Depois das apresentações, percebi que todos estavam apreensivos e desconfiados, então resolvi dar uma palavrinha para quebrar o gelo.
— Bom, antes da gente começar o trabalho, eu quero dizer que eu espero que sejamos uma boa equipe. Sou nova aqui, vocês estão há mais tempo, conhecem o caminho, alguns "macetes", então espero que me ajudem, não estou aqui para ficar mandando, tenho certeza que cada um sabe seu trabalho, então vamos compartilhar nossos conhecimentos, ok?— eles continuavam temerosos, então abri um sorriso.— Não precisam ficar apreensivos, eu sou uma nordestina arretada! Podem falar o que quiserem que eu aguento!
Eles finalmente riram, e conforme fomos conversando, o clima tenso foi ficando para trás, sempre que podia fazia umas brincadeira para aliviar, na verdade eu mesma queria me descontrair, porque olhar para aquele caso agora, era como estar lutando com o meu ex-marido, sentia que a construtora era dele, e não daquele empresário infame.
As cinco horas passaram num estalar de dedos, e no fim estávamos nos dando bem, cada um com suas peculiaridades. Estava sentindo que nos daríamos muito bem. Em relação ao caso, daria o meu sangue para vencer, e se depender de mim, ia seguir a linha de investigação que o Valter estava fazendo, e descobrir todos os podres que aquela construtora tentava esconder.
Saí do trabalho duas horas mais tarde, precisava me inteirar do caso e inclusive pedi uma reunião no outro dia com os funcionários requerentes do processo.
Passei no mercado, precisava comprar algumas coisas que estavam faltando e parti para a casa da minha amiga, onde minhas filhas deviam estar esperando. Definitivamente eu precisava de um carro, não ia aguentar pedir Uber para tudo.
A Brenda quis que eu entrasse e tomasse um cafézinho, mas eu precisava ir para casa, metade das minhas coisas precisavam ser arrumadas. Durante o trajeto, Priscila falou sobre a escola, como fez amigos, e tudo que tinha gostado. Ariele estava mais quieta, sabia da dificuldade dela em se enturmar e fazer amigos novos, ela é mais tímida.
— Querida, vai dar tudo certo. O começo às vezes não é fácil, mas vai ser bom pra nós.— falei acariciando os cabelos de Ariele.
Ela assentiu e deu com ombros.
— Sabe que pode falar o que está sentindo e tudo o que aconteceu, né? De repente eu posso ajudar. Como foi na escola?— tentei extrair algo dela.
— A escola foi normal. Uns meninos riu de mim quando eu falei... disse que eu falava engraçado.— ela falou chateada.
— Oh, querida! É assim mesmo... não ligue pra isso. Logo eles se acostumam. Tenha orgulho das suas raízes!— falei orgulhosa.
— Sim...— Ariele sorriu.— teve um menino que me defendeu, disse que gostava do meu sotaque.
— Tá vendo? Já está arrasando corações!— exclamei empolgada.
Me abracei com elas e suspirei profundamente, sabia que muitas adversidades viriam pela frente, e queria aproveitar esse momento inocente e puro, enquanto ainda existia.
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Ely Ana Canto
quem defendeu deve ser o irmão
2025-04-01
0
Rosilene Oliveira
deve ser o gêmeo dela kkk
2025-02-26
0
Nice Biscola
com certeza é o irmão
2025-02-25
0