Bianca
Depois daquele dia, foi uma enxurrada de ventos contrários, a família dele se levantou contra nosso relacionamento, e a minha, também não era muito á favor. Gabriel lutou contra a família dele com todas as forças, parecia que quanto mais as pessoas criticavam e tentava nos separar, mais unidos e apaixonados ficávamos. Eu amava aquele homem demais, chegava a doer no peito, e ele me venerava, era grande e avassalador o nosso amor. A gente era jovem, nos amávamos com ímpeto e vigor. E em meio essa veemência do nosso amor, veio a imaturidade, em meados do último ano do curso, descobri a gravidez. Eu fiquei fora de mim, chorei horrores, com medo, já tínhamos que lidar com a família, agora teríamos um bebê. Gabriel, me consolou, ele aceitou a gravidez com muito amor, e quando descobrimos que teríamos gêmeos, ele me pediu em casamento. O casamento foi algo simples, que contou com alguns membros da família dele, e apenas meus pais e irmãos. Da parte dele, eu tinha certeza que o pai dele não queria nada estrondoso, pois seu filho casar com uma nordestina qualquer, não fazia bem a sua imagem política. Estávamos remando contra a maré, mas ainda assim, nada nos impediu, nos amávamos e isso que importava.
Depois do casamento veio a colação de grau, o baile de formatura, e poucos meses depois, o nascimento dos gêmeos. Era tão inocente na época, pensava que ele ainda me amava como sempre havia sido. Com os bebês, o trabalho dobrou, Gabriel e eu estudavamos que nem loucos para o exame da OAB, e ele tinha que trabalhar na empresa do pai, enquanto eu tentava conciliar estudo com dois bebês, Miguel e Ariele. Não foi fácil, mas ambos conseguimos nosso número na Ordem dos Advogados do Brasil, agora só precisava começar minha jornada trabalhista. Ele quis que eu entrasse na empresa do pai, mas rejeitei na hora, não queria dever favor ao pai dele, queria dar meus próprios passos, e defender empresários ricos e corruptos, não faziam parte do que desejava para mim, não era apenas pelo dinheiro, eu queria fazer justiça. Ele ficou decepcionado, e acabamos nos afastando um pouco. Ele trabalhava demais, e eu era uma jovem mãe, frustrada. O tempo passou, tudo que havia conseguido foi trabalhar como gerente de banco. Não era meus planos, mas servia para meu currículo. Nessa fase, meus pais estavam mais receptivos, com os netos, tudo ficava mais fácil, mas a família dele continuava resistentes, e sempre que podiam, achavam algo para criticar, seja em mim, ou nas crianças. Sabia que eram consequências do amor jovem e obstinado, mas me peguei pensando várias vezes se valia a pena, eu e Gabriel parecíamos tão distantes. Quando os bebês fizeram seis meses, Gabriel mudou radicalmente, se tornou mais presente, ajudava com os bebês e voltou a ser aquele homem intenso e amoroso. Foram meses de puro amor, fui facilmente conquistada, já não me via longe dele. As crianças fizeram um aninho, e foi tão maravilhoso, éramos uma família feliz, cheia de amor. Mas tenho certeza que olhos do mal nos observavam, e não gostavam de ver nossa felicidade.
Três meses mais tarde, recebi um vídeo anônimo que mudou a minha vida. Naquele dia, todo castelo de princesa, toda magia que me envolvia com Gabriel, foi quebrada. No vídeo em questão, Gabriel estava fazendo sexö com uma das advogadas juniores da empresa do pai. Ele tinha seu próprio escritório, e segundo as datas, ele estava com aquela rapariga desde que estava com sete meses de gestação.
Com lágrimas nos olhos, e o coração partido em mil pedaços, eu ainda vejo na minha mente, as posições, as expressões do rosto dela, as coisas que ele fazia, quando achava que era exclusividade minha. Quão tola eu havia sido!
Naquele momento, se eu tivesse recebido a notícia que ele havia sido morto, não doeria tanto quanto foi vê-lo tocar outra mulher tão intimamente.
Estava arrasada, tudo passou pela minha cabeça, pensei em matá-lo, depois cogitei tirar minha própria vida, tal era a dor e raiva que sentia. Estava envergonhada, me sentia baixa, suja, mal amada, enganada, TRAÍDA!
Olhei para meus filhos, e foi aí que chorei mais, eles eram tudo de bom que me restava daquele casamento, e por eles, não valia a pena cometer assassinato ou suicídio, eu precisava ser forte, e dar um jeito de recomeçar.
Quando ele chegou, depois que os bebês dormiram, eu mostrei o vídeo, que assim que iniciou, fez ele arregalar os olhos e ficar assustado. Ele não quis continuar, mas eu o obriguei a ver até acabar. No fim, eu estava tão entorpecida de dor, que nenhuma lágrima saía mais, e ele não merecia nem minhas lágrimas. Mas ele chorou, disse que já havia terminado o caso, que se arrependia, que me amava, que faria de tudo para provar o amor dele e blá blá blá...
As palavras dele, já não significavam nada para mim, já tinha pedido para uma colega entrar com o divórcio, e nada faria eu mudar de idéia. Ele insistiu inúmeras vezes, chorava, chegou a implorar ajoelhado, mas foi tudo em vão, estava magoada demais, não ia dar certo perdoá-lo, estava com muita raiva, e nem era dele, mas de mim mesma, por ter acreditado em um conto de fada.
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Atualizado até capítulo 105
Comments
Rosilene Oliveira
traição não tem perdão a não ser que foi armação,que não é o caso até porque ele não negou 🤔🤔😕
2025-02-26
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Gabrielle Lopes
acho q houve armação
2024-12-02
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Anonymous
Comecei hj 30/10/2024 e estou amando tudo
2024-10-31
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