...ISABELLA...
Nick ergueu os olhos e me encarou. Minha vontade era me enroscar naquele colo e passar horas só fitando aqueles olhos. Ele abriu a boca para dizer alguma coisa, depois fechou, mas não antes de eu ver algo prateado lá dentro.
Fiquei de joelhos na cama e me aproximei dele.
- O que é isso na sua boca? – perguntei, olhando para os seus lábios e esperando que ele tornasse a abri-los.
Ele abriu a boca e esticou a língua para fora devagar. Havia um piercing de prata na ponta. Nunca tinha visto ninguém com piercing na língua.
- Dói? – perguntei, estudando a sua língua de perto.
Ele tornou a pôr a língua pra dentro e sorriu.
- Não.
Eu me lembrei das tatuagens nas suas costas da noite em que ele estava transando com aquela garota.
- Que tatuagens são essas nas suas costas?
- Uma águia de asas abertas na base das costas e o símbolo da banda do meu pai. Quando eu tinha cerca de 16-17 anos, meu pai me levou pra assistir a um show deles em Los Angeles e depois fiz minha primeira tatuagem. Queria a marca dele gravada no meu corpo. Todos os integrantes da banda têm a mesma tatuagem no mesmo lugar: logo atrás do ombro esquerdo. Papai estava doidaço nessa noite, mas mesmo assim é uma ótima lembrança. Não tive muita oportunidade de conviver com ele quando era pequeno, mas sempre que o via ele acrescentava mais uma tatuagem ou mais um piercing ao meu corpo.
Ele tinha outros piercings? Estudei o seu rosto e baixei os olhos para o seu peito. O pai dele era coberto de tatuagens e piercings como todos os outros integrantes da banda. Será que aquilo era algo que Nick não quisera fazer? Será que seu pai o havia forçado?
- O que foi que eu disse para deixar você com a testa franzida? – perguntou ele, pondo um dedo sob o meu queixo e movendo minha cabeça até eu encará-lo.
Eu não queria responder com a verdade. Estava gostando daquele nosso tempo juntos. Sabia que, se fosse fundo demais e depressa demais, ele sairia correndo.
- Quando você me beijou ontem a noite, eu não senti esse negocinho prata.
- É que eu não estava usando.
- Quando você beija alguém, dá pra sentir?
Nick sorveu uma inspiração rápida e aproximou a sua boca da minha ainda mais. Se ele estava a ponto de me beijar, eu não iria lhe fazer nada para impedi-lo. Queria que ele ficasse ali. Também queria beijá-lo com aquele negócio na boca.
- Você teria sentido. Em todos os lugares que eu quisesse beijá-la, você sentiria. E adoraria. – sussurrou ele no meu ouvido antes de me beijar no ombro e inspirar fundo.
Será que ele estava me cheirando?
- Você... você vai me beijar outra vez? – perguntei, quase sem ar, enquanto ele afundava o nariz no meu pescoço e inspirava.
- Eu quero. Quero muito, mas estou tentando ser legal. – murmurou ele contra a minha pele.
- Daria pra não ser legal só por um beijo? Por favor? – pedi, chegando mais perto. Faltava pouco pra subir no seu colo.
- Como você é doce, Isabella. – disse ele e os seus lábios tocaram a curva do meu pescoço e ombro. Se ele continuasse com aquilo, eu iria começar a implorar.
Ele pôs a língua pra fora e deu uma lambida rápida na pele macia do meu pescoço, depois seguiu beijando a linha do meu maxilar até ficar com a boca bem por cima da minha. Comecei a pedir outra vez, mas ele me deu um selinho de leve e me impediu.
Então recuou, mas só uns poucos centímetros. Ainda podia sentir nos lábios o seu hálito quente.
- Eu não sou um cara romântico, Isabella, não beijo e fico abraçadinho. Pra mim, tudo o que importa é o sexo e você merece alguém que beije e fique abraçadinho. Não eu. Eu só trepo e você não foi feita para ficar com alguém como eu. Eu nunca neguei a mim mesmo nada que quisesse, mas você é doce demais. Desta vez tenho que dizer “não” a mim mesmo.
À medida que ia registrando o que ele dizia, comecei a gemer de tão eróticas que soavam aquelas palavras que se derramavam da sua língua. Foi só quando ele se levantou e segurou a maçaneta que entendi que ele iria me deixar ali. De novo, iria me deixar ali daquele jeito.
- Não posso mais conversar. Hoje não. Não sozinho aqui com você.
A tristeza na voz dele deixou o meu coração um pouco apertado. Então ele saiu e fechou a porta.
Recostei-me na cabeceira e grunhi de tanta frustração. Por que o deixara entrar ali no quarto? Aquele joguinho de quente e frio que ele estava fazendo era demais pra mim.
Perguntei-me para onde ele iria agora. Havia muitas mulheres lá fora que ele poderia beija. Mulheres que ele não via problema em beijar, caso lhe suplicassem.
Os passos de pessoas subindo a escada soavam acima da minha cabeça. Eu não iria dormir tão cedo. Não queria ficar ali e Carter estava me esperando. Não havia motivo nenhum para lhe dar um bolo. Eu não estava com disposição para conversar com ele, mas poderia pelo menos lhe dizer que tinha mudado de ideia.
Saí para a cozinha e andei discretamente pela porta dos fundos, torcendo para não ser notada e não dar de cara com uma sessão de amassos.
- Achei que não fosse aparecer. – disse Carter; sua voz vindo da escuridão.
Eu me virei e o vi apoiado no guarda-corpo, olhando pra mim. Senti-me culpada por não ter ido logo lá e avisado que não viria encontra-lo. Não conseguia tomar nenhuma decisão sensata quando Nick estava envolvido.
- Desculpe, surgiu um imprevisto.
- Vi Nick saindo do cubículo em que deixa você dormir. – retrucou ele – Ele não ficou muito tempo. Foi uma visita amigável ou estava expulsando você?
- Foi só uma conversa entre amigos. – expliquei.
- Por que será que eu não acredito? – Carter soltou uma gargalhada sem humor e balançou a cabeça. – Nosso passeio na praia ainda está de pé?
- Não, estou cansada. Vim respirar um pouco de ar fresco e estava torcendo pra encontrar você e poder explicar.
Ele me deu um sorriso desapontado, se afastou do guarda-corpo e andou em direção às portas.
- Bom, tudo bem. Não vou implorar.
- Não imaginava que fosse. – respondi.
Esperei Carter entrar na casa antes de soltar um suspiro de alívio. Não tinha sido tãoruim. Talvez agora ele me desse um pouco de espaço. Até eu entender o que fazer com aquela atração que sentia por Nick, não precisava de ninguém para me confundir ainda mais.
Esperei alguns minutos, então me virei e entrei na casa atrás de Carter em direção à porta da despensa, quando Nick saiu da cozinha seguido por uma morena aos risos. Pendurada no braço dele, ela estava fingindo que não conseguia andar direito.
Os olhos de Nick encontraram com os meus. Ele a beijaria nessa noite. Ela nem sequer teria que implorar. E também estaria com gosto de cerveja. Será que ele ficaria excitado com isso?
Olhei para baixo e comecei a andar em direção à porta da despensa quando a morena finalmente notou a minha presença.
- Ei, aquela menina vai roubar a sua comida.
Meu rosto corou. Que droga. Por que é que esse comentário me deixava envergonhada? Eu estava sendo idiota. A menina estava caindo de bêbada. Que importância tinha o que ela achava?
- Ela mora aqui, pode comer o que quiser. – retrucou Nick.
Tornei a erguer o rosto e ele ainda estava me encarando.
- Ela mora aqui? – repetiu a menina.
- Não deixe ele mentir pra você. Eu só a hóspede indesejada que mora debaixo da escada, já quis algumas coisas, mas ele só me diz “não”.
Não esperei a resposta dele. Abri a porta e entrei na despensa.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 22
Comments
Nalu Correa
AH PELO AMOR DE DEUS ELE VAI POR QUANTO TEMPO NESTA FREDCURA6SE ELES SÃO DE MAIORES ELES NÃO PRECISAO DA APROVACAO DE NINGUÉM ELE VAI ACABAR PERDENDO PRO CARDER COM ELE SEMPRE NÃO TEM FRESCURA TALVEZ ELE PRECISA DE UM CHOQUE
2023-10-05
1