Capítulo 08

...ISABELLA...

Assim que retornei pra casa, já estava escuro, e eu tinha passado o dia inteiro fora de casa. Tomei o maior cuidado para estacionar minha picape fora do caminho das garagens da casa, caso Nick desse alguma festa e fosse receber seus amigos. Eu estava exausta, querendo apenas ir pra cama.

Assim que adentrei, o hall estava vazio e surpreendentemente limpo. O piso chegava a brilhar. A TV estava ligada na sala de estar e não havia muitos outros barulhos. O cheiro de comida fez meu estomago roncar e eu lembrei que tinha um pacote de pão e um litro de leite na mochila, que eu havia comprado mais cedo com o dinheiro que havia recebido das gorjetas.

Chegando na cozinha, tinha uma panela tampada em cima do fogão e uma garrafa de vinho vazia em cima da bancada ao lado de duas taças e dois pratos usados, o que indicava que Nick estava acompanhado.

Ouvi um gemido vindo lá de fora, seguido de um barulho mais alto. Caminhei até a janela e vi a bunda nua de Nick com a luz do luar. Eu congelei. Subindo os olhos por seu corpo nu, vi que ele tinha uma tatuagem nas costas, mas não consegui ver direito o desenho. Seu movimento, me fez reparar nas duas pernas compridas que o apertavam junto as laterais do seu corpo. Mais um gemido alto foi dado e Nick acelerou seus movimentos. Dei alguns passos para trás e tapei minha boca ao perceber que Nick estava transando do lado de fora, na varanda.

Pior é que eu não conseguia desviar os olhos. Eu não deveria estar vendo aquilo, mas também não conseguia mexer meus pés. Sacudindo a cabeça e voltando a domar meus pensamentos, me virei e entrei depressa na despensa e no meu quartinho escondido. Eu não poderia ter pensamentos sobre Nick desta forma. Ele era um gato? Era.

Vê-lo transando causava sensações estranhas no meu coração? Sim. Ver o seu corpo daquele jeito, me deixava com um pouco de inveja das garotas com quem ele ficava, mas não invejava o fato dele descarta-las no dia seguinte. Eu não sabia o que era aquilo, estar com um homem. Sim, eu era virgem aos dezenove anos.

Tentando esfriar os meus pensamentos, fechei a porta do meu quarto e caí na cama. Precisava dormir pra conseguir estar no trabalho amanha às nove horas. Eu estava grata por ter um emprego e uma cama para dormir, mesmo que temporariamente.

...—xx—xx—xx—xx—...

...NICK...

Caralho, ela tinha me visto. Eu não ficava com uma mulher pensando na outra, mas foi fácil pra mim fechar os olhos e usar a Blaire enquanto imaginava Isabella me olhando. A boca ligeiramente aberta e sua pele rosada. A respiração rápida enquanto eu a preenchia em estocadas sucessivas. Quando acabou eu estava muito fraco, de tanto que eu tinha ficado duro.

Também não consegui olhar pra Blaire, porque eu estava me sentindo um escroto. Era errado o que eu estava fazendo com ela, mas senti que Isabella me olhava e sua presença fazia com que eu ficasse mais duro do que nunca. Por que ela estava me afetando desta forma?

Quando entrei na cozinha pela manhã, depois de me despedir de Blaire, notei que estava tudo limpo e eu não havia deixado as coisas daquele jeito, o que significava que Isabella tinha limpado a bagunça que eu e Blaire havíamos feito. Detestei pensar nela limpando as coisas vendo eu e Blaire transando. Detestei mais ainda saber que isso me incomodava.

Comecei a fazer meu café batendo as portas dos armários e fechando as gavetas com mais força do que necessário. Até que a voz de Mason me assustou, fazendo que eu derrubasse um pouco de café quente nas mãos.

- Que diabos te mordeu?

- Para de aparecer de surpresa, cacete. – Resmunguei.

- Eu bati na porta quando entrei. Qual é o seu problema, porra? – Mason soou um pouco perturbado pela minha explosão de raiva.

- Eu queimei minha mão. – Rosnei furioso por estar distraído que nem havia visto Mason chegar em casa.

- Você está agindo feito um babaca. Pensei que, depois de passar a noite com Blaire e seus talentos orais, você estaria de bom humor agora pela manhã.

- Como você sabe que a Blaire esteve aqui ontem a noite?

- Ela me ligou querendo saber quem era a garota que estava morando na sua casa. – Mason disse dando de ombros, mas eu não gostei nada daquilo. Como Blaire sabia sobre Isabella se eu não tinha contado nada pra ela? – Não faça essa cara de intrigado, que eu acho ela irritante. Ela viu Isabella chegando na noite passada enquanto vocês estavam “ocupados” lá fora, mas Blaire conseguiu ver a loirinha por cima dos seus ombros e ficou curiosa quando a viu desaparecer embaixo da escada.

Permaneci em silencio achando que havia mais coisas a serem ditas. Como ele não disse mais nada, acabei dando a ele um olhar irritado, que ele respondeu com uma risada, dando de ombros.

- Tá bom, tá bom... eu não queria dizer sobre a parte em que você olhou pra Isabella e depois comeu Blaire como se não houvesse amanhã. Cara, a Blaire percebeu que você ficou mexido com a presença da Isabella. Me desculpa, Nick, mas você não é muito bom em esconder suas emoções.

Merda! Eu tenho que mandar algum presente para a Blaire. Ela sabia que eu tinha ficado mexido com a presença da Isabella e isso só comprovou o quanto eu conseguia ser ainda mais escroto do que pensava.

- Cara, não pensa demais... é a Blaire... ela não se importa e você sabe disso. Ela só quer saber do sexo, igual você. A minha sugestão é que você encontre um jeito de se recompor, e rápido. – Ele veio e tocou nos meus ombros. – Se você está começando a se interessar pela Isabella, aconselho você a parar com isso agora. Ela não é das mulheres com as quais você está acostumado a sair e você sabe disso. Além disso, ele é intocável. Você sabe que ela vai odiar você quando tudo vier à tona. O pai dela, a Mia, toda essa merda.

Mason tinha razão e eu odiava admitir isso. Isabella não era alguém de quem eu poderia me aproximar. Em breve, seriamos inimigos e ela me odiaria tanto quanto eu a odiei no passado.

- Bem, preciso ir pro trabalho. Só passei aqui, porque eu me achei na obrigação de te contar sobre o telefonema da Blaire. – Disse Mason, enquanto caminhava em direção à porta.

- Obrigado, irmão.

- É para isso que estou aqui, Nick, para manter seu traseiro no caminho certo. – Ele deu um tapa nas minhas coisas e foi embora.

Esperei a porta se fechar e me dirigi para as escadas. Eu precisava de um banho. Tinha um dia cheio pela frente e uma das primeiras coisas seria mandar um presente para Blaire e um cartão de desculpas. Eu não poderia mais fazer isso com ela, mesmo ela não se importando. O que significava o fim das nossas trepadas.

Quando desci as escadas, Mia estava me esperando na sala de estar. Ela sabia que Isabella ainda não tinha ido embora e eu imaginei por mais quanto tempo ela ficaria fazendo birrinha pro meu lado.

- Isabella ainda esta aqui? – Ela perguntou num tom de voz irritado.

- Não, ela está no trabalho. – Respondi, me fazendo de desentendido.

- Trabalho? Ela está trabalhando? Você só pode estar brincando com a minha cara!

Minha querida irmã, Mia, não estava acostumada me ver não atender aos seus caprichos. Afinal, eu era a única pessoa do seu convívio que movia montanhas para fazê-la feliz. Exceto nesse caso... esse caso era diferente. Eu não poderia magoar uma pessoa inocente. Até pra isso existem limites. Ela acabara me forçando a estabelecer um desta vez e eu não estava disposto a ceder.

- Por que ela ainda está aqui, Nick? Por que ela está trabalhando? Você ligou pra mamãe?

Acho que a Mia não entendeu a indireta. Será que eu teria mesmo que dizer que não cederia desta vez? Ela ia perder a discussão. Eu não expulsaria a Isabella. Não por ela... não por ninguém. A garota precisava de ajuda... da minha ajuda.

- Ela conseguiu um emprego, Mia. Ela precisa de dinheiro para sobreviver. A mãe dela morreu. Ela acabou de enterrar a mãe sozinha. Completamente sozinha, caralho. E o pai de vocês está em Paris com a nossa mãe, aproveitando a vida. Eu não vou expulsá-la.

- Nick, ela não é ninguém pra nós. Ninguém. A mãe dela morreu, mas não estou nem aí. A mãe dela acabou com a minha vida. Azar o dela. Mas nada disso é sua ou nossa culpa. Para de tentar salvar o mundo.

Agora eu me dei conta de que havia criado uma mulher sem coração. Mia fora rejeitada quando criança e eu tinha feito um esforço tremendo para recompensar isso, mas acabei criando uma adulta insensível e vingativa. Não sabia como, mas eu tinha que achar um meio de mudar isso.

- É TUDO CULPA MINHA, MIA! Os problemas da Isabella e os seus. – Gritei.

Peguei a carteira da mesa de centro e segui para a porta. Eu precisava me afastar de Mia. Ela não estava ajudando em nada o meu humor.

- Onde ela está trabalhando? – Ela perguntou.

- Eu não sei. – Menti. – Vá visitar suas amigas, Mia. Vá jogar tênis. Vá fazer compras. Apenas vá viver a sua vida e esqueça que a Isabella está aqui. Ela não é problema seu. Ela é problema meu e eu vou cuidar das coisas como acho que devem ser cuidadas.

Abri a porta e saí antes que ela pudesse falar mais alguma coisa. Eu havia encerrado aquela conversa. Pode ser que Mia acabe descobrindo onde Isabella está trabalhando por ela mesma, mas eu não contaria. Ela não saberia por mim. Isabella precisava de mais tempo para se estabelecer antes que minha irmã fosse atrás dela e eu queria estar presente quando isso acontecesse.

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Comments

Gislaine De Almeida

Gislaine De Almeida

Nossa essa Mia tem que acordar pra vida, Isabela não tem culpa do pai dela ser o que é...

2023-10-05

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