...ISABELLA...
A boca de Nick tinha gosto de hortelã. Meus joelhos enfraqueceram e eu estendi minhas
mãos para segurar os seus ombros e me equilibrar. Sua língua acariciou a minha como
se pedisse pra entrar na brincadeira. Fiz um pequeno movimento com a língua dentro da boca dele, depois mordi de leve o seu lábio inferior. Um fraco grunhido escapou da sua garganta e, quando percebi, ele já estava me deitando sobre a pequena cama atrás de mim.
O corpo de Nick caiu sobre o meu e algo duro, que eu sabia ser uma ereção, pressionou o espaço entre as minhas pernas. Meus olhos se reviraram nas orbitas e ouvi um gemido incontrolável escapar da minha boca.
Nick murmurou algo em minha boca e se afastou, dando um pulo para longe de mim. Ele cravou os olhos na minha roupa, me fazendo perceber que minha saia estava levantada e a calcinha estava aparecendo.
- PUTA QUE O PARIU! – ele xingou antes de dar um soco com força na parede, abrir a porta com violência e sair do quarto como se estivesse sendo perseguido. A parede chegou a tremer, tamanha a força com que ele bateu a porta.
Não me mexi. Não conseguia me mexer. Meu coração estava disparado e eu sentia uma aflição entre as pernas. Já tinha ficado excitada antes, mas nunca com aquela intensidade. Estava quase gozando.
Ele não queria gostar do que fizera, mas tinha gostado. Eu sentira isso, mas também o tinha visto transando com outra menina. Além do mais, sabia que na noite passado ele tinha transado com outra garota e depois a mandara embora. Deixar Nick de pau duro não era um grande feito, afinal. Na verdade, eu não tinha conquistado nada. Ele só
estava bravo, porque fui eu quem o deixara excitado.
Pensar nisso doía. Saber que eu o desagradava tanto que ele não queria pensar que eu era bonita. O latejar entre as minhas pernas foi diminuindo aos poucos conforme a realidade se firmava. Nick não queria me tocar. Ficara furioso por ter feito isso. Mesmo excitado, ele tinha conseguido se afastar de mim.
Eu tinha a sensação de pertencer a uma minoria. A maioria das meninas que o queria, conseguia. Mas comigo ele não era capaz de se forçar a transar. Eu era a pobretona que ele precisava aguentar até conseguir dinheiro suficiente para se mudar dali.
Rolei para o lado e me encolhi em posição fetal. Talvez nunca mais voltasse a usar aquela roupa. Ela agora carregava ainda mais lembranças tristes. Talvez a guardasse para sempre. Mas essa noite eu dormiria com ele. Aquele seria o meu “adeus” a um sonho: o sonho de que eu era boa o suficiente para algum homem me querer.
Na manhã seguinte, quando acordei, a casa estava mais uma vez de pernas para o ar. Mas, dessa vez, deixei a bagunça e saí depressa para o trabalho. Não queria chegar atrasada e eu precisava do emprego mais do que de qualquer outra coisa.
Usando o short e a polo do uniforme, subi os degraus da sede administrativa até a porta da frente para bater o ponto e pegar uma chave do carrinho de bebida.
Darla já estava lá dentro. Eu estava começando a pensar que ela morava ali. Sempre estava lá quando eu saía e quando chegava de manhã. Ela parecia um tufão e eu tinha medo dela. Quando gritava uma ordem, a pessoa batia continência. Hoje ela estava com o cenho franzido para uma menina que eu nunca tinha visto. Com o dedo apontado, praticamente gritava.
- Você não pode sair com os sócios. Essa é a regra número um. Você assinou os documentos Bethann, sabia quais eram as regras. Eu só tenho três garotas para servir as bebidas e, se não puder confiar que você não vai dormir com os sócios, eu terei que te mandar embora. Esse é o seu último aviso, entendeu?
- Entendi, Tia Darla. – balbuciou ela. – Sinto muito.
Os longos cabelos ruivos dela estavam prendidos num rabo de cavalo e sua polo exibiam seios bastante generosos. Havia também as pernas compridas e um bumbum bem redondinho. E ela era sobrinha da Darla. Isso era interessante. Os olhos irados da Darla se moveram em minha direção e ela deixou escapar um suspiro de alívio.
- Ah, Isabella, que bom que você chegou. Quem sabe você consegue dar um jeito nessa minha sobrinha. Ela está de sobreaviso, porque não consegue parar de transar com os sócios durante o expediente. Ela vai trabalhar com você na próxima semana; fique de olho nela. Espero que ela aprenda alguma coisa com você. O Sr. Carter é só elogios quando cita o seu nome e está muito satisfeito com o seu trabalho. Ele me pediu pra
deixar você trabalhar no salão de jantar pelo menos dois dias por semana. Eu só não te liberei ainda, porque estou procurando outra menina para pilotar o carrinho de bebidas. Então não posso me dar ao luxo de demitir Bethann.
A garota baixou a cabeça, envergonhada, e eu senti pena dela. Deixar Darla zangada me apavorava. Eu não podia imaginar ninguém gritando comigo daquele jeito.
- Sim, senhora. – respondi, enquanto ela me estendia as chaves do carrinho.
- Vá com ela agora, menina. Não fique aí de cara amarrada. Eu deveria ligar pro seu pai e contar o que você anda aprontando, mas não tenho coragem de fazer isso com o meu pobre irmão. Então vê se aprende alguns valores morais.
Eu não esperei mais, saí depressa e desci os degraus. Iria pegar o carrinho de bebidas e esperar Bethann lá.
- Ei, espere aí. – disse a menina atrás de mim. Parei e olhei para ela, que corria para me alcançar. – Desculpa, aquilo lá foi meio brutal. Preferiria que você não tivesse visto nem escutado.
- Tudo bem.
- A propósito, as pessoas me chamam de Bethy, não de Bethann. – Ela parecia simpática. – Só o meu pai me chama assim, então a minha tia Darla faz igual. Então você é a famosa Isabella Wynn de quem tanto ouvi falar.
- Sinto muito se a sua tia me enfiou pela sua goela abaixo.
- Ah, eu não estava me referindo à minha tia. Estava me referindo aos rapazes. Carter, principalmente, gosta muito de você. – Olhei rapidamente para ela e os seus lábios bastante vermelhos e carnudos se curvaram em um sorriso. – Soube que você causou uma pequena confusão ontem à noite na festa daquela babaca da Mia. Queria ter presenciado, mas os empregados não são convidados para esse tipo de evento.
- Não tem muito o que falar sobre isso. Eu só fui a essa festa, porque estou dormindo debaixo da escada na casa do Nick até conseguir dinheiro suficiente para me mudar, coisa que deve acontecer muito em breve. Ele não gostou de eu aparecer. Foi um erro, apenas isso.
Dei de ombros e, depois de abastecer o carrinho, dei a volta até o lado do motorista. Bethy sentou-se no banco ao meu lado e cruzou as pernas.
- Bem, não foi isso que eu escutei. Jace, um dos amigos de Carter, falou que o Nick ficou louco quando viu que Carter estava com a mão em você.
- Jace entendeu errado, acredite em mim. Nick está pouco ligando para quem põe ou não a mão em mim.
- Ser pobre é uma merda, né? – Bethy suspirou. – Os caras gatos nunca nos olham a sério. Nós somos só mais uma trepada.
Seria mesmo assim as coisas para Bethy? Será que ela tinha cedido e se transformado na menina que eles descartavam? Ela era bonita demais pra isso. Na minha cidade, os caras babariam por ela. Eles podiam até não ter milhões de dólares no banco, mas eram caras legais de famílias bacanas.
- Será que não tem nenhum cara gato por aqui que não seja podre de rico? Não é possível que os frequentadores deste clube sejam a única alternativa. Com certeza dá pra achar um cara que não vai jogá-la para escanteio no dia seguinte.
- Sei lá. – Bethy franziu o cenho. – Eu sempre quis fisgar um milionário, sabe? Levar uma vida de luxo, mas estou começando a entender que esse não é mais o meu destino.
- Bethy, você é linda. Merece mais do que está recebendo. Comece a procurar homens em outro lugar. Encontre um que não a queira só para transar. Encontre um que a queira e pronto. Só você.
- Caramba, Bella, é capaz de eu ter me apaixonado por você também. – retrucou ela, provocadora, e deu uma risada.
Levantou os pés até o console enquanto eu me aproximava dos primeiros jogadores da manhã. Não vi rapazes jovens em lugar nenhum. Eles em geral não eram madrugadores. Durante algum tempo, eu não precisaria me preocupar em impedir Bethy de fazer sacanagem atrás dos arbustos, ou onde quer que ela estivesse fazendo isso durante o expediente.
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Atualizado até capítulo 22
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