Capítulo 12

...NICK...

Caminhei sorrateiramente até onde Isabella estava deitada e me sentei ao seu lado. Antes de abrir a bora, fiquei admirando seu corpo, sua pele, suas curvas... Deus, ela era linda.

- Espero que esteja usando protetor.

Isabella abriu os olhos, assentiu em resposta enquanto se sentava sobre sua toalha de banho que estava forrando a areia.

- Sim, estou.

- Ótimo. Detestaria ver sua pele lisa e branca ficando vermelha. – Falei, sem conseguir me conter.

Era impossível desviar meus olhos dos olhos dela, por mais que eu soubesse que deveria olhar para o outro lado. se ela fosse qualquer outra mulher, eu não teria nenhum problema em ir pra cima dela, tirando seu minúsculo biquíni até ver seus mamilos. Os seios dela estavam bem ali, saltando pra mim. Cacete! Eu precisava me concentrar em outra coisa.

- Não vai trabalhar hoje? – Perguntei, tentando mudar os ares.

- Estou de folga.

- E como vai o emprego?

Percebi que ela demorou mais para me responder. Fiquei segurando seu olhar sobre mim, enquanto ela me encarava. Ela estava prestando menos atenção à minha tentativa de puxar conversa do que no meu rosto. E eu gostei disso. Gostei

demais.

Ela se endireitou e tentou parecer menos interessada em mim, me fazendo sorrir.

- Bem, estou gostando.

- Aposto que está. – Comentei, sabendo que os caras que flertavam com ela lhe davam gorjetas absurdas.

- Como assim? – Ela perguntou e eu percorri o corpo dela com o olhar.

- Ah, Isabella, você sabe que é bonita. Isso sem contar nesse seu rostinho encantador. Aposto que os golfistas de lá estão te pagando uma nota.

Ela poderia me xingar. Ela poderia ter ficado irritada com o meu comentário. Mas ela pareceu surpresa. Voltei meus olhos para o mar. Eu não precisava olhar pra ela. Isabella me distraía e eu me esquecia de todo o resto.

Só de lembrar a razão pela qual ela estava ali e que eu tinha participação em sua dor, deveria bastar pra me manter focado, mas Isabella me fazia esquecer tudo. Bastava um piscar de olhos dela que eu me sentia perdido.

Eu devia ter perguntando para James o motivo pelo qual ele estava tão disposto a deixar seu casamento de dezesseis anos para estar ao lado de uma filha que ele havia ignorado por mais tempo que isso. Mas não perguntei. Apenas fiquei agradecido quando ele apareceu. Nunca iria imaginar que o filho da puta abandonaria a família, deixando uma garota sozinha cuidando da mãe doente.

- Quanto tempo faz que sua mãe morreu? – De repente me senti curioso em saber desde quanto ela estava lutando sozinha. Eu sei que não poderia mudar o curso da história, mas eu estava curioso.

- Trinta e seis dias. – Ela respondeu.

Puta merda. Pouco mais de um mês. Ela perdeu a mãe e não teve a oportunidade nem de ficar de luto.

- Seu pai sabia que ela estava doente? – Perguntei.

Eu tinha vontade de matar aquele desgraçado do James. Alguém precisava fazer o cretino pagar. Ele prejudicava tudo o que tocava.

- Sim, sabia. Também liguei pra ele no dia em que ela morreu, mas ele não atendeu. Então apenas deixei um recado na caixa postal.

- Você odeia o seu pai? – Quis saber.

Certeza que ela deveria odiar. Eu estava odiando ele. Que inferno, eu estava odiando ele por nós dois. Se um dia tivesse a oportunidade de bater nele, seria por ela e pela mãe dela. e não sei se conseguiria parar.

- Às vezes.

É como se eu sentisse um soco no estômago. Eu não estava esperando que ela fosse tão sincera. Deve ser bastante difícil admitir odiar seu próprio pai. Não conseguindo me conter, eu enganchei meu dedo mindinho no dela. ela precisava saber que não estava sozinha, mesmo que eu fosse a ultima pessoa que merecesse estar ali pra ela, eu poderia ser esse alguém.

Eu só teria que encontrar uma forma de fazer isso e tentar consertar o inferno que eu tinha criado. Eu precisava fazer alguma coisa.

- Eu vou dar uma festa de aniversario para a minha irmã, Mia, hoje a noite aqui em casa. Pode não ser a sua praia, mas está convidada, se quiser.

- Você tem uma irmã? – Eu achei que ela já soubesse, até que me lembrei que no dia de sua chegada, Mia manteve distancia e não a havia conhecido.

- Tenho.

- Mason disse que você era filho único. – Comentou ela.

Então Mason estava falando sobre mim para Isabella. Ele não precisava se explicar a ela por mim, eu iria protege-la da verdade. Afastei minha mão da dela.

- Mason não deveria ficar contando as minhas coisas, por mais que ele queira te levar pra cama. – Retruquei, enquanto me levantava e voltava pra dentro de casa. Por que aquilo estava me afetando tanto?

...—xx—xx—xx—xx—...

...ISABELLA...

Sentada na cama, fiquei ouvindo os risos e a música que tomavam conta da casa. depois de sair da praia, passei o restante do dia decidindo se aceitaria o convite de Nick ou não.

Passando os olhos sobre minhas roupas, encontrei o único conjunto bonito que eu tinha. Era todo preto. A blusa tinha um decote razoavelmente discreto, justa na cintura, e caimento como se fosse uma bata. A saia era curta e reta, que chegava à metade das coxas. Eu o comprei para usar no baile de formatura do colégio.

Pelos padrões daquelas pessoas, era uma roupa comum. Na verdade, era simples. Baixei os olhos para o único sapato de salto que tive na vida, agradecendo ao meu bom senso de ter comprado eles na cor preta. Desde o dia em que eu os vi na vitrine, eu amei.

Eu corria o risco de aparecer na festa e ser humilhada? Tinha. Até porque eu não me encaixava no meio daquela gente. Minha vida era um eterno constrangimento. Eu precisava aprender a fazer o social, me encaixar, a me afastar da garota desengonçada que era excluída no ensino médio.

Levantei da cama, alisei minhas roupas na tentativa de remover os amassados, calcei meus sapatos e decidi sair do quarto. Eu pegaria uma bebida e esperaria pra ver se alguém viesse falar comigo. Se fosse um completo desastre, eu

poderia a qualquer momento voltar pro meu quarto, vestir meu pijama e me encolher na cama.

Entrei na cozinha e me senti grata por não ter ninguém por ali vendo eu sair da despensa. Meus olhos passearam pelo local e eu pude ver Mason rindo e conversando com alguém na sala. Ele era alguém que poderia conversar comigo e, quem sabe, me ajudaria a enturmar.

Caminhando em direção a ele, vi a porta da frente se abrir. Vi os olhos escuros de Carter encararem os meus. Senti meu rosto queimar enquanto ele dava uma longa e vagarosa olhada por mim, como se estivesse me avaliando.

- Isabella! – Carter disse enquanto voltava seus olhos para o meu rosto e caminhava na minha direção. – Não achei que fosse possível você ficar mais linda. Estou vendo que estava enganado.

- Obrigada. – consegui dizer, timidamente. Aquela era a oportunidade de me enturmar e eu precisava aproveitar a chance.

- Não sabia que Nick tinha voltado a jogar golfe ou você veio com outra pessoa? – fiquei confusa com a sua pergunta, até que me dei conta do que ele queria dizer.

- Eu não vim com ninguém... Nick é... Bem, a mãe do Nick é casada com o meu pai. – expliquei.

- É mesmo? – O sorriso nos lábios de Carter se abriram mais ainda enquanto ele diminuía a distância entre nós. – Não acredito que ele está obrigando a irmã postiça a trabalhar no country Club... Esse rapaz não tem modos mesmo... Se

você fosse minha irmã, eu a manteria trancafiada em casa. – Ele disse e acariciou a minha bochecha com o polegar. – Claro que eu te faria companhia

pra que você não se sentisse tão sozinha.

Ele estava me cantando, isso não havia dúvidas. E estava me cantando pesado. Carter estava num nível muito mais elevado que o meu. Ele era experiente demais e eu estava precisando de um pouco mais de espaço. A voz dele ficou

mais baixa.

- Essas suas pernas tinham que vir com um aviso: “impossível não tocar”.

- É... você é amigo do Nick ou da irmã dele, Mia? – perguntei, tentando desviar o foco dele sobre mim.

- Nick e eu nos conhecemos a vida inteira. Mas eu posso apostar que Mia não deve ser nada sua fã. – respondeu Carter colocando a mão nas minhas costas.

- Carter, você chegou! – guinchou uma mulher morena que usava um vestido digno de seu corpo curvilíneo. Aquela seria sua distração. Comecei a me afastar e a voltar para a direção da cozinha, mas Carter segurou o meu quadril com força, mantendo-me firme ao lado dele.

Os olhos da garota se desviaram dele e pousaram em mim. Observei enquanto ela me analisava da cabeça aos pés, sem poder fazer nada. Quando ela viu a mão de Carter pousada no meu quadril, eu senti que ela não tinha gostado muito.

- Quem é essa? – disparou a garota, me olhando com raiva.

- Essa é a Isabella, a nova irmã do Nick. – respondeu Carter, parecendo estar entediado com o questionamento.

- Não pode ser. Ela está usando uma roupa vagabunda e sapatos mais vagabundos ainda. Não sei quem ela pensa que é, mas certeza que está

mentindo pra você.

- Por que você não volta para a festa e encontra algum homem idiota o bastante pra permitir que você afie suas garras sobre ele? – Disse Carter, ainda segurando firme os meus quadris e me obrigando a ir com ele em direção à porta.

- Acho que eu deveria voltar para o meu quarto, de onde eu realmente não deveria ter saído. – Algo me dizia que era uma péssima ideia entrar na festa ao lado de Carter.

- Excelente ideia, eu também gostaria de fugir dessa festa. Por que não me mostra o seu quarto?

- Melhor não... preciso ir embora. Não acredito que Nick me queira aqui na festa da irmã dele.

Carter riu e abaixou a cabeça para dizer alguma coisa no meu ouvido. Nesse instante meus olhos cruzaram com o olhar de Nick, que me observava com atenção. Ele não parecia contente ou será que eu estava entendendo tudo errado?

Eu me virei, ergui os olhos para Carter e me afastei do seu abraço.

- Que bobagem, Isabella, aposto que Nick está bastante ocupado para se preocupar com o que você esteja ou não esteja fazendo.

- Na verdade, ele não me assume como membro da família. Sou apenas a parente indesejada do novo marido da mãe dele. Eu só estou aqui até conseguir um novo lugar pra morar. – disse enquanto forçava um sorriso na esperança de

que Carter entendesse a situação e me deixasse sair dali.

- Nada em você é indesejado, Isabella. – Disse ele se aproximando-se de mim mais uma vez. Eu dei alguns passos para trás, até que minhas costas

encontraram uma parede e eu fiquei presa ali. - Nick também não deve ser tão cego assim.

- Isabella, venha aqui! – a voz autoritária de Nick veio de algum canto e sua mão grande segurava meu braço e me puxava para perto de si. – Não pensei que você fosse vir hoje. – será que eu tinha entendido errado o convite? Parece que sim. – Eu não imaginava que você fosse aparecer vestida assim.

- Desculpa. Pensei que você tivesse dito que eu poderia aparecer. – sussurrei num completo constrangimento. O que havia de errado com a minha roupa?

Nick ainda estava encarando Carter. Eu me esquivei do aperto de Nick em meu braço e voltei para a cozinha. Se ele não me queria ali e tinha vergonha do que os seus amigos pensariam, simplesmente deveria ter dito. Ele me fez fazer papel de idiota perante as pessoas da festa.

- Porra, Nick, qual é o seu problema? – perguntou Carter, num tom zangado.

Eu não olhei pra trás. Torci para que Carter quebrasse o nariz empinado de Nick, mas duvidava que isso de fato aconteceria.

- Espera, Isabella. – Mason me chamou e, apesar de querer muito ignorá-lo, ele era a única pessoa ali mais próxima de um amigo que eu tinha. Deixei que ele me alcançasse quando estava a salvo, longe de todos os olhares curiosos. – O que aconteceu ali não é nada do que você possa estar pensando.

- Não tem importância, Mason. Eu simplesmente não deveria ter aparecido. Deveria ter entendido que o convite dele não era sincero. Só que ele poderia ter sido mais direto. Eu não entendo esse joguinho de palavras. – retruquei e voltei a caminhar em direção à cozinha.

- Ele tem problemas, Isa, mas do jeito torto do Nick, ele estava tentando te proteger. – Disse Mason quando eu abri a porta da despensa.

- Continue acreditando no melhor dele, Mason, é isso o que os bons irmãos fazem. – Entrei no meu quarto e bati a porta atrás de mim. Respirei fundo

algumas vezes tentando aliviar a dor no peito e desabei na cama.

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