Capítulo 05

...NICK

...

Assim que Mason se aproximou de mim e de Isabella, eu expliquei a ele onde ela iria passar a noite e pedi que ele a mostrasse o lugar. Eu precisava ficar longe daquela garota e precisava conversar com a Mia. Ela não iria gostar nada de saber que permiti que a garota passasse a noite em minha casa, mas de jeito nenhum iria deixa-la passar a noite dentro daquela picape. Ela chamaria a atenção. Ela era maravilhosa e incapaz de cuidar de si mesma.

Droga! Porque eu tinha de permitir que James Wynn entrasse para nossas vidas? Ele era o único responsável por todo essa problema.

Como era esperado, Mia estava esperando na porta com os braços cruzados sobre o peito, me encarando. De certa forma, eu a queria irritada. Pelo menos enquanto ela estava irritada, ela não chorava. Eu não conseguia lidar com ela quando chorava.

- Nick, porque aquela garota ainda está aqui?

- Precisamos conversar. – Disse enquanto passava por ela e fechava a porta para que ela não visse que Mason estava vindo com Isabella. – Lá em cima. Eu não quero escândalos.

Mia franziu a testa e caminhou atrás de mim pisando duro, como uma criança de cinco anos de idade. Eu a segui e fiquei aliviado quando ela entrou em seu antigo quarto.

- Fala serio, Nick, você não engoliu o papo dela, né? Ou Mason convenceu você?

- Ela vai ficar no quartinho embaixo da escada até que eu consiga encontrar e falar com James e descobrir o que fazer. A camionete dela não tem gasolina e ela não tem dinheiro para ficar num hotel. E se você quiser descontar sua raiva em alguém, desconte no maldito do seu pai.

Eu tentei manter a calma em minha voz, não queria me exaltar com a Mia, mas quanto mais eu pensava na merda que James fez, fugindo pra Paris sabendo que a filha estava vindo pra cá numa picape caindo aos pedaços e sem dinheiro, mais puto da vida eu ficava. Alguma coisa poderia ter acontecido com ela. Ela era tão frágil, tão carente...

- Você está querendo comer ela, eu vi o jeito que você a olhou. Eu não sou burra, Nick. – Disparou Mia. – A presença dele me magoa e você sabe disso. Ela teve o papai por dezesseis anos e agora é a minha vez.

Eu não estava acreditando no que Mia estava falando. Ela achava mesmo que tinha James agora? Ele estava viajando, aproveitando Paris com o dinheiro da nossa mãe, e a minha irmã achando que ela havia vencido?

- Mia, seu papai não passa de um fracassado! Isabella teve aquele imbecil por dezesseis anos e não significa que ela ganhou alguma coisa. Ele a mandou vir pra cá prometendo ajuda-la. Ele sabia que ela era uma garotinha indefesa com olhos tristes da qual qualquer homem poderia tirar vantagem.

Mia arregalou os olhos e eu vi que tinha falado demais.

- Puta merda! Nick, você não vai comê-la, está me ouvindo? Não tenha nada com ela! Ela vai embora assim que você tiver oportunidade para expulsá-la. EU NÃO A QUERO AQUI.

Era impossível conversar com minha irmã. Ela era muito teimosa e eu não aguentava mais. Ela podia fazer todas as exigências, mas a casa era minha, o apartamento que ela morava era meu, tudo na vida dela era meu. Eu estava no controle e não ela.

- Apenas volte para seus amigos e para a sua festa, Mia. Eu vou para o meu quarto deitar. – Quando cheguei na porta do quarto, me virei pra ela novamente. – E me deixe lidar com a situação do jeito certo.

- Mas você vai comê-la, não vai? – Mia perguntou atrás de mim.

Eu não respondi. Eu não iria comer Isabella Wynn. Eu ficaria o mais longe possível dela, mas Mia também não me daria ordens. Eu fazia as minhas próprias escolhas.

Enquanto me dirigia para meu quarto, a musica estava bombando no andar de baixo, o que me levou a agradecer pelo fato do meu quarto possuir isolamento acústico. Não estava a fim de toda aquela merda.

- Aí está você, Nick.

Quando me virei, uma das amigas da minha irmã vinha na minha direção. A saia dela era tão curta que a bunda estava quase a mostra.

- Está perdida?

Não gostei do fato dela ter subido até ali. Tinha imposto a regra de manter a festa longe dos meus espaços. Ela empinou os peitos e mordeu o lábio inferior antes de piscar os olhos pra mim. Ela tinha longos cílios postiços. Não eram nada parecidos com os de Isabella. Pera...porque diabos eu estava pensando na Isabella?

- Já ouvi falar muito sobre como você sabe uma mulher se sentir. Como você sabe fazer com que ela dê gritos de prazer. Me faça gozar, Nick. – Ela disse enquanto esfregava seus seios contra meu peito e descia a mão até o meu pênis, apertando-o suavemente.

Segurei uma mecha dos cabelos loiros dela. Não eram tão loiros quanto os da...não. Caralho, eu estava fazendo de novo. Será que agora tudo eu teria que comparar com ela? eu precisava me controlar imediatamente.

Empurrei a garota para o quarto de hóspedes que eu usava para o sexo. Garotas não eram bem-vindas ao meu quarto. Era um lugar só meu e eu não queria lembranças de mulheres lá em cima.

...—xx—xx—xx—xx—...

Eu estreitei os olhos contra o sol, amaldiçoando a mim mesmo por ter deixado as cortinas abertas. Rolei na cama e o corpo nu ao meu lado fez um barulho. Eu odiava quando não iam embora. eram as típicas grudentas, as que pensavam que era mais do que apenas uma trepada.

Levantei, encontrei minhas roupas e me vesti. Resolvi sair do quarto enquanto dava tempo. Esperava que ela entendesse a indireta quando não me encontrasse. Eu poderia ir à praia dar uma corrida, mas antes precisava urgente de uma xícara de café.

Depois de preparar uma xícara de café, segui em direção às portas francesas que davam para a varanda. Assim que cheguei na porta, eu a vi. Seus cabelos compridos e sedosos balançavam com a brisa, enquanto ela admirava o mar. Aquela vista me deixava em paz. Mas o que será que ela estava pensando? Será que achava que James não voltaria pra casa? estaria pensando num jeito de ir embora? Fiquei ali parado imaginando.

Fiquei pensando em como me aproximaria dela depois de uma noite de sexo com uma amiga sem nome da minha irmã. Ela não se atiraria pra cima de mim e com certeza não iria me chupar se eu mandasse. Por que será que a ideia da sua inocência me atraía? Eu não gostava de nada complicado e isso era complicado. Mas simplesmente não conseguia ignorá-la. Precisava ver o rosto dela de novo e constatar se era sincero.

- Essa vista nunca fica velha. – comentei, fazendo-a virar, boquiaberta.

Comecei a rir quando fitei seu olhar descendo pelo meu peito nu e parando no abdômen. Ela estava me conferindo? Talvez não fosse tão inocente assim, afinal. Só de pensar nisso, meu estomago embrulhou.

- Está gostando da vista? – perguntei, tentando disfarçar minha decepção.

Tomei um gole de café e ela se voltou de frente para o mar. Porque o simples fato de que ela tenha sido flagrada e ter ficado com vergonha me deixou tão feliz? Não consegui deixar de esboçar um sorriso. Quando a grudenta resolveu aparecer, eu achei bom. Isabella precisava saber o babaca que eu era pra poder manter a distância de mim.

- Está na hora de você ir embora. – eu disse pra grudenta, afastando as mãos dela de cima de mim. – Você conseguiu o que queria: que eu te comesse, agora já deu pra mim, pode ir embora.

- Você não pode fazer isso comigo, Nick, nossa noite foi incrível. – choramingou a grudenta, estendendo a mão para o meu braço, que eu logo dei um jeito de afastar.

- Eu avisei ontem quando você chegou implorando e tirando a roupa: a única coisa que iria acontecer seria uma noite de sexo e só. – falei irritado.

Depois disso, olhei de novo para o mar e tomei alguns goles do café, como se a grudenta não estivesse mais ali. Ela saiu pisando duro e a expressão horrorizada no rosto da Isabella fez com que eu logo me recuperasse.

- Então, dormiu bem? – perguntei.

- Você faz isso sempre? – Isabella questionou, com uma expressão irritada no rosto, que a deixava ainda mais linda.

- O que, perguntar se as pessoas dormiram bem?

- Transar com garotas e depois jogá-las fora como lixo? – retrucou.

Eu não ia deixar aquele rostinho me afetar. Ela iria embora assim que eu conversasse com James. Ela era problema dele, não meu e o fato de eu estar gostando de olhar pra ela era mais uma razão pra que ela fosse embora.

Seus olhos se arregalaram e eu tive vontade de rir. Ela estava dificultando as coisas pra eu manter o foco. Larguei a xicara e deitei na espreguiçadeira.

- E você, sempre mete o nariz onde não é chamada? – disparei.

- Não, em geral, não. Desculpa.

Eu estava sendo um babaca e eu sabia disso. Ela não devia se sentir culpada por ter me chamado a atenção por causa da merda que eu tinha feito. E serio que ela estava me pedindo desculpas? De onde vinha essa garota? As mulheres que eu conhecia não costumavam agir daquele jeito.

Eu iria ligar pra James naquela manhã. Precisava tirá-la da minha casa.

- Isabella, sobre você ficar aqui em casa, precisamos conversar direito.

- Está bem.

- Eu não gosto do seu pai. pra mim, ele é um aproveitador, mas minha mãe sempre arruma homens assim, é um talento dela. mas acho que você já sabe isso sobre ele. O que me intriga é o seguinte: por que você veio pedir ajuda dele se sabia como ele era?

Eu precisava escutar a verdade ou flagrá-la em uma mentira. Não poderia mantê-la aqui por muito mais tempo. As pernas compridas e os grandes olhos claros dela estavam me deixando maluco.

- Minha mãe acabou de morrer de câncer. Os três anos de tratamento que ela precisou fazer custaram caro e a única coisa que tínhamos era a casa que minha avó deixou pra gente. Então eu tive que vender a casa e todo o resto para pagar as contas do hospital. Eu não vejo meu pai desde que ele nos abandonou há cinco anos atrás. Mas, felizmente ou infelizmente, ele é meu único parente vivo e não tenho mais ninguém a quem recorrer. Eu preciso de um lugar pra ficar até que consiga arrumar um emprego e receber alguns salários, aí vou conseguir arrumar meu próprio canto pra ficar. Nunca tive a intenção de ficar aqui por muito tempo e eu sabia que meu pai não iria querer que eu ficasse, mas jamais pensei que ele iria fugir antes mesmo de eu chegar.

Ela deu uma risada cheia de dor, o que só revirou o meu estomago. Eu ia matar o James. O desgraçado abandonou a filha enquanto ela cuidava da mãe com câncer? Que tipo de homem faz esse tipo de merda? Eu não poderia expulsá-la, não depois do que eu acabara de ouvir.

- Sinto muito pela sua mãe. Deve ser difícil. Você disse que ela passou três anos doente, então ela foi diagnosticada quando você ainda tinha dezesseis anos? – consegui dizer enquanto o sangue pulsava fervendo em minhas veias. – você está planejando arrumar um emprego e uma casa para morar? – Alguém precisava ajuda￾la. Ela estava sozinha. – Bem, o quartinho é seu por um mês. Nesse tempo você precisa arrumar um emprego e juntar dinheiro suficiente para alugar um apartamento, ok?

- Obrigada. – foi perceptível quando ela relaxou os ombros.

- Tenho umas coisas pra fazer. Boa sorte na caça ao emprego. – disse antes de me afastar e voltar pra dentro de casa.

Não consegui olhar pra ela. Eu tinha vontade de matar o James com as minhas próprias mãos. Naquele exato momento eu não conseguia colocar Mia e a sua carência de pai em primeiro lugar. O homem que ela queria como pai era um tremendo de um filho da mãe, que eu ia fazer pagar por toda a merda que ele fez.

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Comments

Salete gorete Borges

Salete gorete Borges

gostando da história,mas coloca mais foto deles em ocasiões especiais 🥰

2024-01-12

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