Capítulo 17

NICK

Fiquei impressionado que Mason tenha conseguido manter um grupo pequeno. Olhei para a porta o tempo todo esperando que Isabella chegasse. Ela não estaria preparada para visitas. Devia estar cansada depois da noite de ontem. Queria deixar a musica baixa e as pessoas longe da escada para que ela conseguisse dormir. Pensei em transferi-la para um dos quartos de hospedes apenas naquela noite, então ela poderia descansar. E as pessoas talvez ficassem até tarde.

Não. Não! Eu não seria capaz de ficar longe dela. Não era uma boa ideia. Ela precisava ficar embaixo da escada. Era mais seguro. E eu cuidaria para que ela conseguisse dormir.

- Ei, Carter! – alguém chamou e eu me virei. Que diabos ele estava fazendo aqui? Eu não o convidaria, e Mason teria dito se o tivesse feito. Ele sabia que eu não estava a fim de falar com Carter.

Fui até a janela e olhei para fora, vendo a picape de Isabella parada no fundo da entrada de carros. Isso me incomodou. Eles não deveriam tê-la encurralado eu devia ter pensado nisso. Mas ela estava ali. Assim como Carter. Porra.

Ignorei as pessoas e passei por Carter. Andei direto até a despensa. Isabella estava lá. Estava se trocando? Ela havia convidado Carter? O que eu poderia fazer se tivesse? Nós éramos amigos agora. Cacete. Amigos, o caralho. Isso nem parecia possível. Parei na despensa e a vi saindo do quartinho. Talvez fosse ver Carter.

- Nick? O que aconteceu? – perguntou ela, parecendo sincera.

- Carter está aqui. – falei com toda a calma que consegui.

- Que eu saiba, ele é seu amigo. – retrucou Isabella.

- Não, ele não veio por mim. Veio encontrar outra pessoa. – comentei.

Isabella passou de confusa a irritada. Ela cruzou os braços embaixo dos seios, o que não deveria fazer se quisesse manter meus olhos longe deles.

- Talvez tenha vindo mesmo. É algum problema os seus amigos se interessarem por mim?

- Ele não é bom o suficiente. É um babaca. Não deveria ter o direito de tocar em você. – respondi sem pensar. Só de imaginar ele fazendo qualquer coisa com ela, fez meu sangue ferver.

Isabella parecia estar avaliando o que eu acabara de dizer. Caramba, ela era encantadora quando ficava frustrada.

- Não estou interessada em Carter desse jeito. Ele é meu chefe e, talvez, um amigo. Só isso.

Não soube direito como responder. Eu não podia mandar que ela ficasse ali embaixo da maldita escada.

- Não consigo dormir com tanta gente subindo e descendo a escada. Fico acordada. Em vez de ficar no quarto sozinha me perguntando quem você está comendo hoje lá em cima, pensei em conversar com Carter na praia. Bater um papo com alguém. Eu preciso de amigos.

- Não quero você conversando com Carter lá fora. – falei. Na verdade queria lhe dizer que não comeria ninguém lá em cima. De qualquer forma, ela tinha acabado comigo e tudo o que eu fiz foi beijá-la.

- Bom, talvez eu não queira você comendo uma garota qualquer, mas você vai comer. – retrucou ela. Seus olhos intensos me deram vontade de rir e beijá-la ao mesmo tempo.

Ela estava me provocando e eu quase me esqueci de que isso seria uma ideia ruim. Então me aproximei e ela recuou, até que nos encontramos novamente dentro do quarto. A salvo de Carter. Eu queria mantê-la ali.

- Não quero trepar com ninguém hoje. – avisei. Não consegui tirar o ar divertido do rosto. Porque era mentira. – Não é bem verdade. Deixe eu esclarecer: não quero trepar com ninguém fora deste quarto. Fique aqui e converse comigo. Juro que também sei conversar. Eu disse que podíamos ser amigos. Você não precisa do Carter como amigo.

Ela me empurrou com muita força.

- Você nunca conversa comigo. Eu faço a pergunta e você vai embora puto.

- Agora não. Nós somos amigos. Eu vou falar e não vou embora. Mas, por favor, fiquei aqui. – Ela tinha dito que éramos amigos. Eu usaria esta carta a noite toda se fosse preciso. Ela olhou ao redor e franziu a testa.

- Não tem muito espaço aqui dentro. – respondeu, ainda batendo as mãos espalmadas no meu peito. Talvez ela pudesse sentir meu coração batendo. Estava tão forte que eu conseguia ouvi-lo na minha cabeça.

- Podemos nos sentar na cama. Não vamos nos tocar, só conversar. Como amigos. – garanti. Queria fazer qualquer coisa par que ela ficasse ali, longe do Carter.

Ela relaxou e se sentou, afastando as mãos de mim. Tive vontade de agarrá-las e pressioná-las contra meu corpo de novo.

- Então vamos conversar. – disse ela, sentando-se na cama e cruzando as pernas.

Sentei-me na cama e me encostei na parede. Não estávamos distantes, mas era o máximo que o quarto permitia. Ficou uma situação engraçada.

- Não consigo acreditar que acabo de implorar para uma mulher se sentar e conversar comigo.

- Sobre o que nós vamos falar? – perguntou ela, olhando atentamente para mim. Percebi pela expressão em seu rosto que ela esperava que eu saísse correndo a qualquer instante.

- Que tal: por que raios você ainda é virgem aos dezenove anos? – perguntei, sem pensar. Ela era linda demais para ser tão inocente. Não fazia sentido.

- Quem disse que eu sou virgem? – perguntou, parecendo irritada. Soube que ela era virgem desde a primeira vez que a peguei olhando pra mim. As bochechas rosadas foram tudo o que eu precisei para ter certeza. A garota era inocente.

- Eu sei identificar uma virgem quando a beijo. – disse.

Ela relaxou de novo, então deu de ombros, como se não fosse grande coisa. Quando era uma coisa imensa. Eu não conhecia virgens de dezenove anos lindas como ela.

- Eu já me apaixonei. O nome dele é Cain. Ele foi o meu primeiro namorado, primeiro beijo, primeiro amasso, por mais recatado que tenha sido. Dizia que me amava e afirmava que eu era a mulher da vida dele. Mas minha mãe adoeceu e eu passei a não ter mais tempo para sair e me dedicar a ele nos finais de semana. Ele precisava se libertar, precisava de liberdade para conseguir esse tipo de relacionamento com outra pessoa. Então eu o deixei ir embora. Depois dele, não tive tempo para sair com mais ninguém.

Mas que diabos? Ela amava esse cretino e ele a deixou?

- Ele não ficou do seu lado quando sua mãe adoeceu?

- A gente era jovem. Ele não me amava, só achou que amasse. Simples assim. – ela o estava defendendo. Foda-se. Ele precisava levar uma surra.

- Você ainda é jovem. – falei, mas estava tentando lembrar isso a mim mesmo mais do que qualquer outra coisa.

- Tenho dezenove anos, Nick. Cuidei da minha mãe por três anos e a enterrei sem ajuda nenhuma do meu pai. Pode acreditar, na maior parte dos dias eu me sinto com quarenta. – disse ela. O cansaço em sua voz me deu um aperto no peito. Eu estava

querendo dar uma surra em um garoto desconhecido, quando toda essa merda era culpa minha. Senti um nó no estomago que me lembrou de como eu havia participado da sua dor.

Peguei a mão dela, porque precisava tocá-la de alguma forma.

- Não deveria ter passado por tudo isso sozinha.

Ela não disse nada inicialmente. A testa franzida relaxou antes que Isabella desviasse os olhos da minha mão sobre a dela para o meu rosto. Eu precisava de distância. Podia sentir o cheiro dela de novo. E, puta merda, como ela cheirava bem. Voltei para o meu lado na cama. A hora de tocar havia acabado.

- Quantos anos você tem? – ela perguntou.

- Sou velho demais para estar neste quarto com você e, com certeza, velho demais para o jeito como penso em você. – respondi.

- Lembre-se que eu tenho dezenove anos. Farei vinte daqui a seis meses. Não sou um bebê. – provocou. Ela não pareceu nenhum pouco nervosa com o fato de eu ter acabado de admitir que fantasiava a respeito dela.

- Não, doce Isabella, você com certeza não é nenhum bebê. Eu tenho vinte e quatro anos e estou cansado. Não tive uma vida normal e, por causa disso, tenho algumas questões bem bizarras.

- Acho que você está se subestimando. Eu vejo algo de especial em você. – aquelas palavras fizeram a dor no meu peito incendiar. Ela não me conhecia. Não de verdade.

Mas, caramba, como foi bom ouvi-la dizer que ela via em mim algo além do filho do astro do rock.

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Comments

Fernanda T.

Fernanda T.

boa noite, meninas... apos muito tempo fora por problemas de saude bastante serios, estou retomando a escrita do livro e em breve volto a publicar com frequencia a continuação desta historia 🥰🥰🥰

2023-09-29

5

DALILA

DALILA

autora , não sei o que aconteceu com você , mas não desista de uma história maravilhosa, espero que você leia meu comentário , fico aguardando você atualizar .

2023-09-23

1

Ramona Pereira

Ramona Pereira

autora cadê vc mulher por favor continua a história

2023-06-10

1

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