...ISABELLA...
Depois de uma bela noite de sono, eu me espreguicei, me sentei e puxei minha mala que estava embaixo da cama. Eu precisava de um banho e, se todo mundo ainda estivesse dormindo, eu poderia usar um dos banheiros sem ninguém perceber. Mas onde ficava o banheiro? Mason não me mostrou onde ficava. Nick me ofereceu apenas o quarto, mas esperava que estava incluso pelo menos uma ducha rápida.
Peguei roupas limpas e, se eu tivesse sorte, conseguiria tomar meu banho e iniciar a faxina sem Nick perceber. Quando saí para a cozinha, a única claridade que havia dentro da casa era o sol que invadia o cômodo pelas amplas janelas que davam para o mar.
A casa estava silenciosa. Tinha copos e restos de comida espalhados pelos cômodos. Pensei que, se me mostrasse útil e limpasse aquilo, talvez me deixassem ficar ali até eu arrumar um emprego.
Encontrei, depois de um bom tempo procurando, um pequeno banheiro com um box embaixo da casa. Tinha um banquinho com shampoo, condicionador e sabonete. Tinha até uma toalha pendurada, que eu imaginei ser da empregada.
Depois de tomar meu banho, fechei a porta, subi os degraus e me deparei com aquela vista. A maresia tinha um cheiro maravilhoso. Quando me aproximei e coloquei meus pés na areia, fiquei parada junto ao guarda-sol e olhei para o mar. Era a coisa mais linda que eu já tinha visto.
Mamãe e eu estávamos cogitando, um dia, viajar para ver o mar. Ela me disse que tinha ido quando ainda era criança e as suas lembranças não eram lá grandes coisas. Todo inverno nós duas ficávamos em frente à lareira planejando nossa viagem para a praia. Infelizmente, nunca conseguimos concretizar. Primeiro, porque mamãe não tinha dinheiro. Depois, porque não tinha mais sua saúde. E agora ali estava eu, olhando para as ondas quebrando na areia branca, com as quais sonhara. Não era nossa viagem, mas eu estava ali vendo o mar por nós duas.
- Essa vista nunca fica velha. – A voz grave de Nick me assustou.
Me virei e o vi encostado no batente da porta com uma caneca na mão. E ele estava sem camisa. Não consegui articular nenhuma palavra. O único peito nu de um homem que eu tinha visto na vida era do meu ex-namorado, David, antes mesmo que minha mãe ficasse doente, quando eu ainda tinha algum tempo para namorar e me divertir.
Acontece que o peito do David não exibia aqueles músculos largos e definidos. David não tinha aquela barriga tanquinho que eu via diante de mim.
- Está gostando da vista?
Pisquei os olhos e tornei a ergue-los para o sorriso irônico nos lábios de Nick. Droga, ele tinha me pegado secando seu corpo e senti meu rosto queimar. Sabia que devia estar vermelha como um pimentão. Sem saber o que fazer, decidi me virar e voltar a encarar o mar. Que vergonha, Isabella.
Ouvi mais alguns passos se aproximando e a curiosidade me venceu, fazendo com que eu me virasse. Uma menina que usava apenas calcinha e sutiã se aconchegava em Nick e corria uma unha comprida e rosa choque pelo seu peito. Não podia culpa-la por querer tocar nele, até porque eu mesma estava bem tentada.
- Está na hora de você ir embora. – Retrucou ele, tirando a mão dela do próprio peito e se afastando. – Você conseguiu o que queria: que eu te comesse, agora já deu pra mim, pode ir embora.
Sua voz fria me deixou espantada. Será que ele estava falando sério? Até a garota estava com uma cara de quem não estava entendendo nada. Nick balançou a cabeça e tomou mais um gole do seu café.
- Você não pode fazer isso comigo, Nick, nossa noite foi incrível. – Ela estendeu a mão para o braço dele, mas ele rapidamente se esquivou do seu toque.
- Eu avisei ontem quando você chegou implorando e tirando a roupa: a única coisa que iria acontecer seria uma noite de sexo e só.
Eu prestava atenção nas reações da garota. Sua expressão era de pura raiva. Ela abriu a boca para protestar, mas tornou a fechá-la. Com mais uma batida no pé, ela retornou para dentro da casa. Eu olhava tudo aquilo sem acreditar. Era assim que as pessoas daquele tipo costumavam se comportar?Aquilo era totalmente cruel.
- Então, dormiu bem? – Perguntou Nick pra mim, como se nada tivesse acontecido e eu me obriguei a examiná-lo.
- Você faz isso sempre? – Perguntei sem mesmo pensar e ele ergueu as sobrancelhas.
- O que, perguntar se as pessoas dormiram bem
Ele sabia sobre o que eu estava perguntando e mesmo assim estava desconversando. Abri a boca para repreendê-lo, mas acabei mudando de ideia. Aquilo não era da minha conta e, pra ele me deixar ficar ali, eu precisava ficar na minha e não me meter onde não era chamada.
- Transar com garotas e depois jogá-las fora como lixo? – Retruquei, horrorizada com as palavras que estavam saindo da minha boca.
- E você, sempre mete o nariz onde não é chamada? – Rebateu e eu queria ficar brava com ele, mas não conseguia. Ele tinha razão. Quem era eu para julgá-lo? Eu nem o conhecia.
- Não, em geral, não. Desculpa.
De certa forma, não queria dar motivo pra ele me expulsar. Eu precisava daquela cama debaixo da escada por pelo menos umas duas semanas. Sem querer encará-lo, eu comecei a catar as sujeiras que estavam jogadas ao redor. Aquela casa estava precisando de uma boa faxina e eu poderia cuidar disso antes de sair pra procurar um emprego.
- Isabella, sobre você ficar aqui em casa, precisamos conversar direito.
Pronto, lá vem...uma noite era tudo o que eu conseguiria?
- Está bem. – Respondi e Nick franziu o cenho. Eu sentia minha pulsação acelerar. Era certo que ele não tinha boas noticias.
- Eu não gosto do seu pai. Pra mim, ele é um aproveitador, mas minha mãe sempre arruma homens assim, é um talento dela. Mas acho que você já sabe isso sobre ele. O que me intriga é o seguinte: por que você veio pedir ajuda dele se sabia como ele era?
Eu tinha a vontade de responder que isso não era da conta dele. Mas eu não poderia esperar que ele me deixasse ficar na casa dele sem saber de nada. Ele merecia saber quem ele estava ajudando e a razão pra eu precisar da sua ajuda. Eu não queria que ele tivesse a mesma visão do meu pai sobre a minha pessoa, porque eu não era nenhuma aproveitadora.
- Minha mãe acabou de morrer de câncer. Os três anos de tratamento que ela precisou fazer custaram caro e a única coisa que tínhamos era a casa que minha avó deixou pra gente. Então eu tive que vender a casa e todo o resto para pagar as contas do hospital. Eu não vejo meu pai desde que ele nos abandonou há cinco anos atrás. Mas, felizmente ou infelizmente, ele é meu único parente vivo e não tenho mais ninguém a quem recorrer. Eu preciso de um lugar pra ficar até que consiga arrumar um emprego e receber alguns salários, aí vou conseguir arrumar meu próprio canto pra ficar. Nunca tive a intenção de ficar aqui por muito tempo e eu sabia que meu pai não iria querer que eu ficasse, mas jamais pensei que ele iria fugir antes mesmo de eu chegar.
O olhar de Nick permanecia fixo em mim. Deve ser porque eu falei demais e acabei dando informações que eu preferiria que ninguém soubesse. A perda da minha irmã e do meu pai tinha sido dura pra mim e pra minha mãe. Depois tive de tomar conta da minha mãe doente. Mas olhando nos olhos de Nick e vendo a sua expressão, percebi que eu não queria a pena dele, só queria um lugar pra ficar.
- Sinto muito pela sua mãe. Deve ser difícil. Você disse que ela passou três anos doente, então ela foi diagnosticada quando você ainda tinha dezesseis anos? – Respondi que sim, sem saber muito mais o que dizer. – Você está planejando arrumar um emprego e uma casa para morar? Bem, o quartinho é seu por um mês. Nesse tempo você precisa arrumar um emprego e juntar dinheiro suficiente para alugar um apartamento, ok?
- Obrigada. – Soltei um suspiro de alívio e engoli o bolo que bloqueava a minha garganta.
- Tenho umas coisas pra fazer. Boa sorte na caça ao emprego. – Disse Nick afastando-se e voltando pra dentro da casa.
Ainda sem palavras pra expressar a minha gratidão, eu fui depressa até o quartinho pegar a minha bolsa e as minhas chaves. Eu não tinha gasolina na picape, mas tinha uma cama e US$20,00. Eu precisava arrumar um emprego o quanto antes.
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Atualizado até capítulo 22
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