Capítulo 07

...ISABELLA...

Depois de trocar de roupa, eu peguei minhas coisas e sai da casa. Fui até minha picape pra ver se eu tinha algum galão para trazer cheio de gasolina. Quando me aproximei, vi que havia um bilhete debaixo do limpador de para-brisa. Peguei o papel e li:

O tanque está cheio. Mason.

O que? Mason tinha enchido o tanque do meu carro? Own...sua atitude fez com que eu sentisse um calor repentino dentro do peito. Era muita gentileza da parte dele, mas eu precisava reembolsá-lo o mais rápido possível. Eu não podia passar por aproveitadora como o meu pai.

Decidida a encontrar um emprego em Rosemary mesmo, a fim de economizar com o combustível, eu entrei na picape e saí de marcha ré. Quando mais economizasse, mais rápido eu conseguiria sair da casa de Nick.

Encontrei um jornal nas redondezas e circulei vários anúncios: garçonete em restaurantes próximos; caixa numa farmácia aos arredores; recepcionista num consultório de pediatria, mas mesmo passando em todos eles, nenhum me deu retorno.

Deixei por ultimo o cargo de garçonete no country clube local. Eles estavam pagando US$7,00 a mais por hora e as gorjetas seriam bem melhores. Era perfeito pra mim e para o meu plano de me virar sozinha num curto espaço de tempo. Isso sem contar que o emprego tinha benefícios como um seguro saúde, o que seria ótimo.

Segui as instruções do anuncio e estacionei perto da sede administrativa, atrás do pavilhão do campo de golfe. Pelo retrovisor, dei uma ultima conferida no meu visual: tinha passado um rímel que comprei na farmácia, o que estava me ajudando bastante, fazendo com que eu parecesse mais velha.

Desci da picape e caminhei até a porta do escritório. Eram poucos degraus. Respirei fundo pela ultima vez e abri a porta, dando de cara com uma mulher de cabelos castanhos e óculos. Ela olhou de relance pra mim e parou, conferindo rapidamente o resto do meu visual, maneando a cabeça pra mim.

- Você veio se candidatar para o emprego de garçonete? – Perguntou, autoritária.

- Sim, senhora.

Ela deu um sorriso bastante gentil e me analisou mais uma vez dos pés à cabeça. Eu estava começando a ficar um pouco incomodada.

- Maravilha, você tem a aparência certa e, com um rostinho assim, os sócios não vão prestar atenção nos erros. Você sabe dirigir um carrinho de golfe e abrir uma garrafa de cerveja com abridor, minha querida?

- Sim, eu sei.

- Então, sem mais. Você está contratada. Só que eu preciso dos seus serviços imediatamente. Venha comigo. Vamos arrumar um uniforme pra você.

Eu nem abri minha boca, apenas caminhei atrás dela. E duas horas mais tarde eu havia parado duas vezes ao lado de cada um dos dezoito buracos do campo e as minhas bebidas tinham acabado. Todos os golfistas queriam me perguntar se eu era nova e elogiar o meu serviço. Mas eu não era burra. Conseguia ver o jeito como os homens mais velhos me secavam, contudo estava feliz, pois todos pareciam tomar cuidado para não avançar nenhum sinal.

Finalmente consegui descobrir o nome da mulher que me contratou. Era Darla e cuidava da contratação dos funcionários. Vi que ela também era um furacão. Ela me disse pra voltar dali a quatro horas ou quando as bebidas do meu carrinho acabassem. O que acontecesse primeiro. Quando entrei no escritório, Darla espichou a cabeça pra cima do monitor do seu computador.

- Já? – Estranhou, se levantando e levando as mãos à cintura.

- Minhas bebidas acabaram.

- Todas? – Ela disse com as sobrancelhas arqueadas.

- Sim, senhora.

- Ora, quem diria? – Ela disse com um sorriso no rosto. – Eu sabia que eles iriam gostar de você. Aqueles tarados fariam de tudo para mantê-la por perto por mais tempo. Venha, vou mostrar pra você onde reabastecer.

Eu não estava certa se Darla estava certa em seu argumento. Estava fazendo muito calor e toda vez que eu parava junto a algum buraco, os golfistas faziam cara de aliviados.

- Você tem que continuar servindo até o por do sol. Depois você volta aqui pra que eu possa preencher a papelada.

...(Darla)...

...—xx—xx—xx—xx—...

...NICK...

Quando voltei pra dentro de casa, subi direto para o quarto, peguei meu telefone e disquei o numero da minha mãe. Deixei que o telefone tocasse três vezes antes de desligar e ligar de novo. Ia ligar até que ela me atendesse. Seria melhor que ela não brincasse comigo ou eu desligaria a porcaria do telefone e cancelaria todos os seus cartões de crédito.

- Sério mesmo, Nick? Realmente é necessário ficar me ligando sem parar? Se eu não puder te atender, deixe recado que eu retorno assim que me for conveniente.

- Estou cagando pra sua conveniência. Eu quero é falar, agora, com o filho da puta do seu marido.

- Eu não vou admitir que meu filho se dirija a mim desta forma, ou a meu marido. Ligue quando estiver pronto pra se dirigir a mim com respeito...

- Mãe, eu juro por Deus que, se você não colocar esse homem na linha agora eu vou cancelar todos os seus cartões e seu celular em menos de dez minutos. Não brinca comigo, que você não sabe do que eu sou capaz.

Minhas palavras fizeram minha mãe recuar. Ela ficou muda. Eu só sabia que ela estava na linha pela sua respiração forte. Ouvi sussurros abafados antes de escutar o pigarrear da garganta de James.

- Alô! – James atendeu, como se tivesse alheio ao que estava acontecendo.

- Saiba de uma coisa, James, eu controlo tudo: o dinheiro, minha mãe, os carros, as casas, e tudo o que cerca todos da minha família. É tudo meu. Se você foder comigo, está fora. Eu só te trouxe pras nossas vidas, porque eu amo a minha irmã. Acontece que você está demonstrando que não vale o tempo dela. Me explica uma coisa: porque você falou pra sua outra filha vir até a minha casa e depois simplesmente saiu da porra do país?

- Esqueci que ela ia até aí. – Ele respondeu depois de fazer uma pausa e respirar fundo algumas vezes.

- O cacete que esqueceu. Ela está aqui agora, seu bosta, e precisa de ajuda. Acho bom você e minha mãe pegarem o primeiro avião de volta pra cá e agora.

- Acho melhor não... eu não a vejo há cinco anos... não saberia nem o que dizer a ela. Ela é adulta agora, consegue dar um jeito e se virar. Eu sei que não deveria ter dito a ela para ir à sua casa, mas quando ela me ligou, ficou implorando por ajuda, e eu tinha que dizer alguma coisa. Nick, se não a quiser aí, mande-a embora. Ela é uma garota inteligente e vai sobreviver.

Vai sobreviver? Sério que ele tinha dito isso mesmo? De verdade? Ao ouvir aquelas palavras, minha cabeça começou a latejar e precisei colocar os dedos nas têmporas para aliviar a dor.

- Você só pode estar brincando comigo. – Eu ainda estava em choque. – Ela acabou de perder a mãe, seu merda. Não me venha dizer que ela vai sobreviver, porque a garota que apareceu na porta da minha casa ontem a noite parecia totalmente destruída e sozinha.

- Não posso ajuda-la, Nick. Não posso ajudar nem a mim mesmo. – Nesse exato momento eu vi que James não dava a mínima para a filha.

Com o sangue fervendo nas veias, eu encerrei a ligação e larguei o telefone no sofá antes de olhar pela janela à minha frente. Era isso, James estava se recusando a voltar e resolver a situação da filha. Isabella foi trazida pra cá pra ser ajudada ou ser expulsa. Ele simplesmente não se importava com ela.

Ouvi a porta do quarto se abrir e só havia uma pessoa que subiria até o terceiro andar, que era todo meu, e entraria ali sem bater.

- Abasteci a picape da Isabella. Não precisa me pagar. – Disse Mason.

Não olhei pra ele. Mason e eu fomos irmãos quando nossos pais ficaram casados por um curto período. Naquele momento, eu precisava de alguém em quem me apoiar e Mason se tornou um amigo.

- Você vai deixa-la dormir naquele quartinho embaixo da escada igual aos filmes do Harry Potter? – Ele perguntou enquanto sentava ao meu lado no sofá.

- Vai ser melhor pra ela se permanecer embaixo da escada. Pelo menos estará bem longe de mim.

- Eu sabia que você não ia ignorar o fato da Isabella ser gostosa pra caralho. Aqueles olhos inocentes a deixam ainda mais tentadora.

- Fique longe dela, Mason. – Assim como eu, Mason não seria bom pra ela. Éramos dois escrotos e Isabella precisava de alguém que lhe desse segurança. Nenhum de nós dois poderíamos dar isso a ela.

- Relaxa, mano, eu não vou tocar nela. Ela é mais do tipo que a gente observa a uma segura distância, mas não posso prometer que não vou admirar. Afinal, a mina é gata demais.

- Conversei um pouco com ela hoje mais cedo. A mãe dela morreu. – Eu ainda não estava acreditando que James sabia esse tempo todo que a mãe dela estava doente e não fez nada.

A expressão preocupada de Mason me lembrou do quanto ele era sensível. Eu não podia correr o risco e permitir que ele cometesse um erro e magoasse Isabella. Sei que ele não faria de proposito, mas acabaria magoando.

- Recentemente? – Mason perguntou e eu assenti.

- Sim. Ela não tem ninguém. Ela veio pra Rosemary porque James prometeu que iria ajudar, mas o filho da puta viajou pra fora do país.

- Maldito filho da puta. – Eu concordei com ele. – Você já falou com o James?

- Ele simplesmente disse que não pode ajudar. – A indignação na minha voz era evidente.

Antes da minha conversa com James, eu já o desprezava. Depois de conversar com ele e ouvir o que eu ouvi, eu simplesmente o odiava. Odiava o fato de eu ter levado ele pra casa e deixa-lo entrar na minha família. Ninguém mais poderia ser culpado por isso.

- Você vai ajuda-la, né? – Perguntou Mason.

Eu soltei o ar dos meus pulmões. A minha vontade era responder que eu não tinha nada a ver com essa situação, que aquilo não era problema meu. Mas, a partir do momento em que eu trouxe aquele homem pra dentro da minha casa, Isabella se tornou um problema meu, sim. Passando as mãos no cabelo, olhei pra Mason.

- Vou ver se consigo um emprego pra ela, que pague bem e seja seguro. Enquanto isso, ela continua usando o quarto embaixo da escada. Quando ela conseguiu juntar um bom dinheiro e conseguir ter a própria casa, vou ajuda-la a encontrar um lugar acessível.

- Ufa! – Mason soltou um suspiro de alívio. – Quero dizer, eu sabia que faria isso, mas é bom ouvir você dizer.

Apenas Mason mesmo pra esperar que eu fizesse a coisa certa. Normalmente eu era visto como o filho mimado da lenda do rock, mas Mason via mais. Na verdade, ele sempre viu.

- Acho que o melhor lugar pra ela é no clube. – Comentei, já pegando o telefone.

Eu era membro do country clube da cidade, o eixo da pequena cidade turística de Rosemary Beach. Acredito que um emprego lá pagaria bem e seria seguro pra Isabella.

- Só não liga pro Carter. Você sabe que ele é um cretino. Vai ficar secando ela e terá como meta comer a Isabella. – Disse Mason.

Carter era o filho do proprietário do clube. Só de imaginar ele tocando na Isabella, me deu calafrios na espinha. Ele era um cara legal, mas ele adorava as mulheres, desde que fosse apenas por uma noite, porque depois se livrava delas. Eu não estava fazendo nenhum tipo de julgamento, até porque eu fazia o mesmo. Só não pretendia deixar que Carter tocasse na Isabella.

Depois de falar com Darla ao telefone, ela me disse que Isabella já tinha conhecido o clube e arrumado um emprego. Quando vi, estava sorrindo. Talvez ela realmente fosse mais forte do que aparentava. Mas por que diabos eu estava todo feliz com o fato de Isabella ter conseguido um emprego? Eu não devia sentir nada em relação a ela. Isabella era a estranha que eu desprezara durante boa parte da minha vida.

...(Carter)...

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