...ISABELLA...
No dia seguinte, quando abri os olhos e vi as horas no despertador sobre a mesa de cabeceira, vi que eu tinha dormido demais. Já passava das nove horas da manhã. Com o que tinha juntado das minhas gorjetas durante a semana, decidi que iria começar a procurar um apartamento pra morar.
Espreguicei-me e estendi a mão para acender a luz. Me sentei na cama, passei a mão pelos cabelos tentando domá-los antes de me levantar. Era meu primeiro dia de folga e acabei decidindo passar a manha na praia. Ainda não tinha feito isso e queria aproveitar um pouco o mar e o sol.
Procurei na mala meu biquíni rosa. Era o único que eu tinha. Quando o vesti, pensei que o biquíni era menor do que eu me lembrava. Ou isso ou meu corpo tinha mudado muito desde a ultima vez que eu tinha usado ele. Coloquei uma blusa sem mangas por cima e peguei o protetor solar que havia comprado.
Com tudo o que fosse necessário em mãos, apaguei a luz, saí da despensa e entrei na cozinha. Tomei um susto ao encontrar um rapaz mais jovem parado no cômodo.
- Caramba, quem é essa?
Olhei pra ele e depois pra geladeira, onde Mason estava em pé, sorridente. Voltei meus olhos pro rapaz e ele estava me encarando com a boca aberta.
- Você sai desse quarto vestida assim todo dia de manhã, Isa?
Eu senti meu rosto queimar de vergonha. Eu realmente não estava esperando encontrar ninguém ali. Consegui encontrar minha voz pra responder à pergunta do Mason.
- Não. Geralmente estou com a roupa do trabalho. – O menino deu um assovio. Olhando pra ele, não parecia ter mais do que uns dezesseis anos de idade.
- Ignore esse pivete cheio de hormônios. O nome dele é Will e a mãe dele é irmã da Charlotte. Portanto, de um jeito bem indireto, ele é meu primo mais novo, que apareceu aqui ontem a noite depois de fugir de casa. Nick me ligou pra vi busca-lo e leva-lo de volta.
Porque só de ouvir a menção ao nome de Nick meu coração começava a disparar? Será que era pelo simples fato dele ser perfeito? Com certeza. Balancei a cabeça para tentar espantá-lo dos meus pensamentos.
- Prazer, Will. Meu nome é Isabella. Nick teve pena de mim e me acolheu até eu conseguir arrumar um lugar pra morar.
- Opa, você pode vir pra casa comigo, se quiser. – ofereceu Will. – juro que não te farei dormir debaixo da escada. – eu não consegui segurar o riso.
- Obrigada, mas acho que sua mãe não aprovaria. Estou bem onde estou. A cama é confortável e não preciso dormir armada. – a referencia à minha pistola, fez Mason soltar um sorriso e Will arregalar os olhos.
- Caraca, você anda armada? – perguntou Will, assombrado.
- Pronto, é melhor eu tirar esse menino daqui antes que ele se apaixone mais ainda. Vamos lá, Will, antes que eu vá acordar Nick e você tenha que lidar com aquele coisa ruim. – Disse Mason pegando a xícara que acabara de encher de café e se encaminhava para a porta.
Acenei para me despedir de Will. Depois que a porta da frente se fechou, eu fui até as portas que davam para a varanda. Estava na hora de aproveitar o meu primeiro dia de verdade na praia.
Estiquei a toalha que pegara emprestada no banheiro e estendi sobre a areia. A praia estava bem tranquila. As outras casas ficavam afastadas, de modo que aquele trecho era bem vazio.
Sentindo-me corajosa, tirei a camiseta e a embolei debaixo da cabeça. Fechei os olhos e deixei o barulho das ondas me ninar até eu adormecer.
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...NICK...
A porta do meu quarto abriu e eu me sentei na cama. Esfreguei meus olhos e tentei bloquear a luz do sol que estava entrando pela janela.
- Pronto, levei o Will pra casa. – Disse Mason.
- Obrigado. O merdinha é uma peça. Não acredito que ele tenha fugido de casa novamente.
- Você não iria acreditar era nele tentando levar Isabella pra casa com ele. – Mason disse entre risos.
- Ela ainda está aqui? – perguntei, e Mason respondeu com um aceno de cabeça na direção das janelas.
- Está lá fora, usando a porra de um biquíni. Eu posso ficar aqui o dia inteiro olhando pra ela, ao invés de ir trabalhar, se você assim permitir. Além disso, você esta me devendo uma por ter levado Will pra casa e lidado com a mãe dele.
Peguei um moletom e me vesti rapidamente antes de ir conferir a janela. Isabella estava lá deitada com os olhos fechados e o rosto virado na direção do sol. É... Mason ia trabalhar. Eu jamais permitiria que ele ficasse aqui admirando a vista o dia inteiro.
Tirando meus olhos de Isabella, percebi que Mason estava ao meu lado olhando fixamente pra ela com a mesma reverencia que eu.
- Não olhe! – disparei empurrando ele de perto da janela.
- Como assim, “não olhe”? – Mason deu uma gargalhada.
- Você sabe quem ela é... é que... eu não... ela vai nos odiar e daqui a pouco vai embora. Então, não olhe.
Eu não sabia o que diabos estava falando. Só não queria que ele ficasse olhando pra ela com aquele olhar de predador. Porra, Isabella mal estava vestida e toda a sua pele macia estava exposta para que qualquer um a visse. EU não queria que ninguém a visse.
- Ela não vai me odiar. Eu não fiz porra nenhuma contra ela. – retrucou Mason. – Ela vai odiar você, a Mia, o James e a Charlotte.
Fechei meus olhos e respirei fundo para controlar meus punhos na lateral do corpo. Mason estava fazendo isso de proposito. Ele estava me provocando. Ele queria ver minha reação. Estava tentando me irritar.
- Você não tem que ir para o trabalho? – perguntei, calmamente, tirando Isabella do assunto. Mason deu uma espiada nela pela janela e deu de ombros.
- Cara, eu trabalho para o meu pai. Não vejo problema nenhum em tirar uma folga um dia ou outro.
Eu estava perdendo a paciência com Mason. Eu sabia que ele estava me testando, mas não conseguia me conter quando o assunto era Isabella.
Caminhei até meu armário e peguei uma bermuda de surfe. Eu iria até a praia. Vai que ela não passou o protetor solar. Ela iria queimar sua pele e eu detestaria que ela se queimasse.
- Vá trabalhar, Mason. E não se esqueça da festa da Mia a noite. – respondi batendo a porta do banheiro.
- Você está brincando com fogo, Nick. Labaredas imensas vão te devorar. Você sabe que deveria ter deixado ela comigo, não sabe? Não quero nem ver o que pode acontecer. Não será nada bonito.
- Você é que não sabe o que está falando, irmão. Ela já está indo embora. Ninguém fica com ela.
Mason deu uma risada que desapareceu quando ele saiu do meu quarto. Ele tinha razão, Isabella era uma fogueira da qual eu não conseguia me manter longe. Se eu não tomasse cuidado ao me aproximar, eu seria consumido. Mas eu não conseguia raciocinar no que estava fazendo.
Apenas me troquei e saí para conferir como ela estava.
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...ISABELLA...
- Espero que esteja usando protetor.
Sua voz se derramou sobre mim, fazendo com que eu inclinasse meu corpo na sua direção. Seu cheiro másculo entrou em minhas narinas e era uma delícia. Quando abri meus olhos, pisquei por causa da luz forte do sol e vi Nick sentado ao meu lado.
Ele estava me observando. Lutei contra o impulso de pegar a camiseta e vesti-la por cima do biquíni. Eu não tinha o corpo escultural das mulheres com quem o vira e não gostava de sentir que ele estava me comparando a elas.
- Sim, estou. – respondi sua pergunta, me levantando até ficar sentada.
- Ótimo. Detestaria ver sua pele lisa e branca ficando vermelha.
Oi? Pele lisa? Branca? De onde estava vindo isso? Suas palavras soavam como elogios, mas não tive certeza se deveria agradecê-lo por isso.
- Não vai trabalhar hoje? – perguntou ele depois de um tempo me encarando.
- Estou de folga.
- E como vai o emprego? – Até que ele estava sendo educado. Pelo menos não estava me evitando como nos dias anteriores.
Por mais idiota que parecesse, eu ansiava por sua atenção. Me sentia atraída de uma forma que não conseguia colocar em palavras. Quanto mais ele se distanciava, mais eu queria me aproximar.
Ele me olhava de um jeito como se estivesse esperando uma resposta minha. Mas qual teria sido a pergunta? Eu não lembrava... Ah, sim, sobre o meu emprego.
- Bem, estou gostando. – ele sorriu e voltou seu olhar em direção ao mar.
- Aposto que está. – o que será que ele quis dizer com isso? Passei alguns segundos refletindo sobre.
- Como assim? – perguntei e Nick deixou seus olhos passarem pelo meu corpo. Depois voltou a me encarar.
- Ah, Isabella, você sabe que é bonita. Isso sem contar nesse seu rostinho encantador. Aposto que os golfistas de lá estão te pagando uma nota.
Passamos alguns minutos sentados em silencio. A forma como ele me olhava estava me tirando o ar. Queria que ele gostasse do que via, mas ao mesmo tempo me sentia apavorada em não poder estar a altura e do que poderia acontecer. E se ele mudasse de ideia quanto a mantermos distancia um do outro?
Nick mantinha seu olhar à frente e pude ver que ele estava pensando em alguma coisa. Seu maxilar estava contraído e tinha uma expressão sombria. Quando ele tornou a olhar pra mim, perguntou:
- Quanto tempo faz que sua mãe morreu? – será que eu poderia ignorar sua pergunta ou seria grosseria da minha parte? Eu não queria falar sobre a minha mãe, pelo menos não com ele.
- Trinta e seis dias. – simplesmente achei mais conveniente responder de uma vez.
Vi pelo canto do olho que ele trancou o maxilar como se estivesse com raiva de alguma coisa. Seu semblante também ficou mais carregado.
- Seu pai sabia que ela estava doente? – essa era mais uma pergunta do rol que eu não gostaria de estar respondendo.
- Sim, sabia. Também liguei pra ele no dia em que ela morreu, mas ele não atendeu. Então apenas deixei um recado na caixa postal.
- Você odeia o seu pai? – Nick queria saber.
- Às vezes. – respondi com sinceridade. Desde o dia em que a minha irmã morreu, ele só me causara dor. Eu queria odiá-lo, mas ela difícil. Ele era o único parente que eu tinha.
Nick assentiu com a minha resposta, estendeu a mão e enganchou seu dedo mindinho no meu. Ele não disse nada, mas nessa hora nem precisava. Aquele pequeno gesto dizia tudo. Eu não conhecia muito bem o Nick, mas estava me afeiçoando a ele.
- Eu vou dar uma festa de aniversario para a minha irmã, Mia, hoje a noite aqui em casa. Pode não ser a sua praia, mas está convidada, se quiser.
- Você tem uma irmã? – pensei que fosse filho único. Mia não tinha sido aquela garota que tinha sido grossa comigo na noite da minha chegada?
- Tenho. – Nick respondeu dando de ombros.
- Mason disse que você era filho único.
Senti que as minhas palavras o deixaram tenso. Ele balançou a cabeça e desenganchou seu mindinho do meu. Ele não tirava seus olhos do mar à nossa frente.
- Mason não deveria ficar contando as minhas coisas, por mais que ele queira te levar pra cama.
Ele se levantou, sacudiu o short pra tirar a areia e, sem olhar pra mim, se virou a tomou novamente o rumo de casa. Percebi que havia algo de proibido em relação a Mia. Eu não sabia o que era, mas com certeza era proibido.
Levantei-me e fui até o mar. Estava calor e eu precisava de algo que me distraísse. Sempre que baixava a guarda em relação a Nick, ele me lembrava porque era melhor manter distancia dele. Ele era estranho. Gostoso, lindo e delicioso, mas não deixava de ser estranho.
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Atualizado até capítulo 22
Comments
Ramona Pereira
já tô até imaginando o Hot deles autora kkk vc tem q detalhar em mulher pelo amor de Deus usa bastante emoção e tesao na descrição da cena em ansiosa por mais capítulos
2023-05-31
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