...ISABELLA...
Quatro horas mais tarde, quando chegamos ao terceiro buraco pela terceira vez, reconheci Carter e os seus amigos. Bethy se endireitou no assento e a expressão animada no seu rosto me deixou em alerta total. Ela parecia um filhote de cachorro
esperando alguém lhe atirar um osso. Se eu não gostasse tanto dela, não me daria ao trabalho de ajuda-la a manter aquele emprego. Ser a sua babá não fazia parte das minhas atribuições.
Carter franziu o cenho ao nos ver encostar o carrinho ao seu lado.
- Por que você está passeando com a Bethy? – perguntou no mesmo instante em que paramos.
- Porque ela está ajudando a me impedir de trepar com os seus amigos e deixar você puto. Por que você contou para a Tia Darla? – perguntou ela com um biquinho, cruzando os braços diante dos seios fartos.
- Eu não pedi pra ela fazer isso. Pedi pra ela promover Isabella, não para colar você nela. – falou ele, ríspido, e sacou o celular do bolso.
- Para quem você está ligando? – perguntou Bethy em tom de pânico, se endireitando no assento.
- Para Darla. – rosnou ele.
- Não! – dissemos Bethy e eu ao mesmo tempo.
- Não ligue, está tudo bem. Eu gostei da Bethy. Ela é boa companhia. – falei pra ele.
Carter me observou por um instante, mas não desligou o telefone.
- Darla, aqui é o Carter. Mudei de ideia. Quero a Isabella no salão quatro dias por semana. Pode usá-la no campos às sextas e sábados, porque o movimento é maior e ela é a melhor que você tem, mas durante o resto do tempo eu a quero no salão.
Sem esperar resposta, ele encerrou a ligação e devolveu o telefone ao bolso do short xadrez engomado. Em qualquer outra pessoa aquela roupa ficaria ridícula, mas um cara como Carter conseguia usá-la. Sua camisa polo branca também estava passa de forma perfeita. Não ficaria espantada se fosse novinha em folha.
- Tia Darla vai ficar brava. Ela falou pra Isabella ser a minha babá pelos próximos quinze dias. Quem vai segurar as minhas rédeas agora? – perguntou Bethy com um olhar provocante na direção de Jace.
- Bethy, não faça isso. – pedi baixinho ao seu lado. – Na minha noite de folga a gente sai e vai pra algum lugar com caras que valham a pena. Não perca o emprego por causa do Jace.
- Sério? Você sairia comigo para azarar? No meu território?
Respondi que sim e ela abriu um sorriso.
- Fechado. Vamos a um bar de música country. Espero que você tenha as armas.
- Eu sou do Alabama. Tenho as botas, a calca jeans justa e até a pistola – retruquei com uma piscadela.
Ela de uma sonorosa risada e tirou os pés do console.
- Certo, rapazes, o que vão querer beber? A gente também precisa passar para o próximo buraco. – disse ela, saltando do carrinho e indo até a traseira do veículo.
Juntas, servimos as bebidas e recolhemos o dinheiro. Jace até tentou agarrar a bunda da Bethy algumas vezes e cochichar no seu ouvido. Por fim, ela se virou e sorriu pra ele.
- Cansei de ser o seu brinquedinho. Neste fim de semana vou sair com a minha amiga aqui e nós vamos arrumar uns homens de verdade. Do tipo que não tem fundo de investimento, mas calos nas mãos de tanto trabalhar. Tenho a sensação de que eles sabem como fazer uma garota se sentir realmente especial.
Tive de engolir a risada ao ver a expressão chocada do Jace. Liguei o carrinho enquanto Bethy tornava a subir ao meu lado.
- Caraca, como foi bom fazer isso. Por onde você andou durante toda a minha vida? – perguntou ela, batendo palma enquanto eu me afastava, sorrindo e acenando para Carter a caminho do buraco seguinte.
Percorremos o resto do campo, depois paramos para abastecer. Não houve novos incidentes. Eu sabia que tornaríamos a ver Carter e os seus amigos, mas tinha fé de que Bethy aguentaria firme. Ela havia falado animadamente sobe todos os assuntos, da tinta que usava nos cabelos até os últimos sustos envolvendo gravidez ocorridos na cidade.
Quando cheguei em casa do trabalho, havia alguns carros parados em frente à casa de Nick. Pelo menos eu não iria surpreende-lo transando. Agora que eu sabia como seus beijos eram bons e como era gostoso sentir as suas mãos em mim, não tinha certeza se conseguiria aguentar vê-lo fazendo isso com outra pessoa. Parecia ridículo, mas era verdade.
Abri a porta da frente e entrei. Uma musica sexy tocava bem alto no sistema de som com caixas em todos os quartos. Bem, exceto no meu. Comecei a caminhar em direção à cozinha quando ouvi uma mulher gemendo. Meu estomago embrulhou. Tentei ignorar aquilo, mas os meus pés estavam firmemente plantados no chão de mármore. Eu não conseguia me mexer.
Senti ciúmes na hora e isso me deixou com raiva. Eu não deveria ligar. Ele tinha me beijado uma vez e ficado com tanto nojo que saíra correndo. Eu avançava em direção ao som mesmo sabendo que aquilo era algo que eu não queria ver. Era como um acidente de trem. Mesmo que não quisesse aquela imagem gravada no meu cérebro, não conseguia deixar de testemunhar.
Tentei recuar, mas continuei andando naquela direção. Ao entrar na sala, encontrei-os no sofá. Ela estava sem blusa e com um dos mamilos na boca dele, que movia a mão entre as suas pernas. Eu não conseguia ver aquilo. Precisava sair dali. Imediatamente.
Girei nos calcanhares e sai correndo pela porta da frente, sem me importar se estava sendo discreta ou não. Subira na picape e sairia dali antes de qualquer um dos dois conseguir se acalmar o suficiente para perceber que foram vistos. Ele estava transando bem ali no sofá para qualquer um entrar e ver. Sabia que eu chegaria em casa a qualquer momento. A verdade era que ele queria que eu os visse. Estava me lembrando de que aquilo era algo que eu jamais iria experimentar. E, nesse momento, eu nem queria mesmo.
Fui até a cidade com raiva de mim mesma por desperdiçar gasolina. Precisava economizar. Procurei um telefone público, mas não encontrei nenhum. Telefones públicos eram coisa do passado. Quem não tinha celular se dava mal. De toda forma, eu não sabia muito bem para quem poderia ligar. Eu tinha o telefone de Mason guardado na mala. Mas, pensando bem, por que eu ligaria pra ele? Seria estranho. Na verdade, eu não tinha nada a lhe dizer.
Entrei no estacionamento do único café da cidade e parei a picape. Podia ir tomar um café e passar algumas horas folheando revistas. Quem sabe a essa altura, Nick já teria encerrado a festinha na sala. Se ele estivesse tentando me mandar um recado, eu o recebera em alto e bom som.
Não que precisasse de um: á havia me resignado ao fato de que caras com dinheiro não eram pra mim. Gostava da ideia de arrumar um cara do bem, com emprego fixo, que soubesse dar valor em mim.
Saltei da picape e a maresia fez cócegas no meu nariz. Atravessei a rua e, em vez de ir para o café, segui na direção da praia. Lá poderia ficar sozinha. As ondas que batiam na praia escura me acalmaram. Comecei a caminhar e me lembrei da minha mãe. Eu me permiti até me lembrar da minha irmã, coisa que eu raramente fazia, porque a dor às vezes era demais.
Mas essa noite eu queria essa distração. Precisava me lembrar de que já tinha sofrido muito mais antes. Uma atração idiota por um cara que não fazia o meu tipo não era nada. Deixei as recordações de dias melhores inundarem os meus pensamentos e caminhei.
Quando tornei a encostar com a picape em frente à casa de Nick, já passava da meia-noite e não havia nenhum carro do lado de fora. Quem quer que tivesse estado lá já tinha ido embora. Fechei a porta da picape e subi os degraus da frente. A luz da entrada estava acesa, tornando a casa alta e intimidadora no céu escuro. Igualzinha a Nick.
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Atualizado até capítulo 22
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