Bangkok, Tailândia 2006
O uivo do vento assombrava o cômodo escuro, uma pequena fresta aberta na janela prateada trazia o álgedo da noite.
Um pequeno corpo repousava descoberto sobre a cama; o cobertor vermelho fora parar no chão, o travesseiro do outro lado do quarto. O pequeno garoto, com apenas oito anos de idade, dormia despojado tranquilamente.
No relógio marcava exatas três horas da madrugada, e abrupto o menor desperta repentinamente; seus olhos tentavam se acostumar com a penumbra do ambiente, lentamente, ele senta esfregando os olhos.
Algo chamava sua atenção, em meio a escuridão, agachado no canto esquerdo do quarto; uma visão pavorosa que quase se mesclava com o ambiente, exceto pelos brilhantes e chamativos olhos vermelhos; saltavam por si só.
O menino custou a se acostumar com aquilo, aquele ser que já virara companhia certa da madrugada, aparecia sempre quando o relógio marcava três horas; e não diziam nada, apenas ficam se olhando, um ir e vir de perguntas silenciosas que só rodavam nos pensamentos de ambos; para eles, palavras eram obsoletas.
— Quem é você? — Perguntou o pequeno garoto, mas nada fora ouvido.
— Apenas um amigo — Era tudo o que dizia, noite após noite.
Sua resposta sempre causava uma insatisfação, mas nada se podia fazer, ele vinha, o observava dormir, e ia embora as quatro da manhã.
O menor aguardava eufórico o dia inteiro a visita de seu estranho e querido amigo, que surgia da escuridão de seu quarto.
Inocentemente
Mal sabia ele, que esse querido amigo, de querido não tinha nada; assumira a forma de criança apenas para se aproximar do garoto
Não era um fantasma, um demônio, uma assombração; não, de fato, não era isso. O ser que o visitava, era algo muito pior do que isso.
Mas ele não descobriria tão cedo.
Dois meses se passaram, e mais uma vez, a noite assolava a pequena casa dos Thongkham, e sem dormir, andando com apenas uma pequena lanterna, estava o único filho da família Thongkham. Ele desce as escadas lentamente, percebendo que havia uma luz ainda acesa, o vislumbre passava atravessava do batente da porta.
Ele se aproxima, e pela fresta aberta, espiã seu pai, parecia atordoado, papéis e mais papéis em sua mesa, o mais Velho lia com rapidez, passava a mão em seus cabelos, preocupado. O garoto vendo aquilo, decide fazer uma surpresa a seu pai, afim de lhe trazer um alívio; então ele sobe as escadas com presa, vai até seu quarto, e pega seu ursinho favorito, dado pelo mais velho em seu aniversário de cinco anos.
Ele abre a porta devagar, seu pai mau havia percebido sua presença, então o garoto, abraçado em seu ursinho marrom com uma roupinha vermelha, caminha até a mesa, e tenta chamar a atenção do pai.
— Pai, Jimmy não consegue dormir! — Fala erguendo o ursinho para o mesmo.
— Ora Khan! Meu pequeno ursinho, o que faz acordado a essa hora? — Ele sorri terno — Venha! — Pega o garoto no colo — Eu vou colocar os dois na cama.
O mais velho cessa seu trabalho, e caminha até o quarto do menor, o colocando na cama.
— Pronto! Agora durma — Diz sorrindo largo.
— Jimmy quer beijo de boa noite — Comenta levando o ursinho até o mais velho
O senhor Kun deixa um leve selar na testa do ursinho, e o garoto gargalha alegremente, logo em seguida, o mais velho faz o mesmo com o garoto, o cobrindo.
— Durma. Boa noite pequeno ursinho. Ah! E amanhã, vamos passear naquele parque que adora. — Diz já na porta.
— Eh! — O menor pula de alegria.
Khan demorou a dormir naquela noite, se sentia ansioso para o dia de amanhã, fazia tempo que não saía com seu pai, somente os dois, pois o mesmo se afundava mais e mais em seus papéis e segredos.
Nasceu o dia, com raios de Sol tímidos por hora, o céu azul sem a presença das nuvens, uma temperatura amena. Perfeito para um passeio no parque. Khan acordou eufórico, fez sua higiene rapidamente, e correu alegre pelas escadas; sua mãe já estava a preparar o café, seu pai lia o jornal do dia, e ele se sentou a mesa, balançando os pés, mau conseguia se conter.
— O que deu em você, Khan? — Pergunta a senhora próxima ao fogão.
— Conte a sua mãe o que faremos hoje, pequeno ursinho — Seu pai disse sorrindo enquanto bebericava uma xícara de café.
— Mãe! Mãe! Nos vamos ao parque King Rama IX
A morena sorri carinhosamente, esfrega sua mão nos cabelos do menor e diz
— Que maravilha, meu filho.
O resto do tempo passou lentamente para Khan, ele contava os segundos para sair logo. E por volta das onze da manhã, eles saíram, de carro até o famoso parque. Não demorou muito até chegarem, e Khan saltou do carro e correu na frente.
— KHAN! KHAN! NÃO CORRA! — O senhor Kun diz indo atrás do menor.
Ao alcançá-lo, Kun pega o mesmo no colo, ambos sorrindo, gargalhando; o mais velho fazia cócegas, e mordia o menor. O momento nunca fora tão feliz. Eles caminharam juntos, as margens do Lago, e quando achou que o momento era propício, o senhor Kun disse
— Ouça meu filho, as vezes acontecem certas coisas na vida, que nós não podemos controlar. Mas mesmo que pareça que tudo está contra você, lembre-se meu pequeno ursinho, você sempre pode cortar o fio vermelho do destino.
O menor não entendeu o porquê daquelas palavras, tão desconexas e aleatórias para si.
— Tudo bem pai!
— Amanhã, quando eu voltar do trabalho, iremos conversar. Certo pequeno ursinho? — Disse fazendo cócegas no mesmo
— Certo, certo... — Fala com dificuldades.
Após uma hora juntos, eles retornam para casa, o senhor Kun ainda iria trabalhar naquele mesmo dia; e por volta das uma da tarde, ele saiu...
O tempo passou, e nada do senhor Kun voltar. Foram quatro, cinco horas e fio, sem nenhuma notícia.
As oito da noite, a preocupação tomou conta da casa dos Thongkham, a senhora Mina estava presa ao telefone, andava de um lado para o outro, suas lágrimas escorriam pelo seu lindo rosto. Khan assistia sua mãe, sem entender o que acontecia, o pequeno Jimmy estava em seus braços, e alguns minutos depois, a mulher desmoronou.
Caiu prostrada ao chão, chorando descompassado, o telefone fora para longe dali. Khan corre até sua mãe, assustado, com lágrimas nos olhos, querendo entender o que se passava ali.
Mas a mulher não diz nada, apenas agarra seu filho, e o abraça forte, chorando, chorando e chorando.
Alguns minutos depois, a Polícia chegou, fazendo perguntas, de rotina, mas a mulher não entendeu o porquê daquelas perguntas para um simples caso de acidente de carro.
Havia alguém querendo o fazer mal? Ele sofria ameaças? Agia estranho recente?
Nada fazia sentido para a senhora Mina, afinal, fora só um acidente, não fora?
Três dias se passaram, o enterro já havia sua feito; Mina estava sentada em uma pequena mesa que ficava no Jardim, encarando o nada, fixamente, Khan observava sua mãe, aérea, distante, e com Jimmy nos braços, ele se aproxima, com lágrimas nos olhos, temeroso...
— Mãe... quando o papai vai voltar?
Sua pergunta era compreensível, pois Khan ainda não sabia da morte de seu pai. Mina não tivera coragem de contar a ele, que seu amado pai jamais voltaria, após três dias, nem ao enterro ele pudera ir.
Ela não disse nada, apenas o pegou no colo, beijando sua bochecha...
— Jimmy, meu pequeno ursinho, não se preocupe com isso, sim? — Ela tentou parecer o mais normal possível.
Uma semana se passou, Mina, passou a chamar seu filho Khan de Jimmy, igual a seu ursinho. O mesmo não ligou, pois isso o fazia lembrar seu pai, e após duas semanas, ela contou a verdade a ele.
Seu pai havia morrido...
E nao viajado como ele pensava.
Mas algo ficou por fora, escondido por debaixo dos panos, uma informação misteriosa sobre a morte do senhor Kun ficara escondida dos olhos de Jimmy.
Minutos antes de morrer, Kun fora visto com um homem, um homem misterioso, de cabelos longos próximos ao ombro.
Fora a última vez que caminhava com vida.
Kun fora achado já morto em seu carro batido, no banco do motorista.
Mas algo estranho acontecia...
Pois nenhuma câmera pegou o carro de Kun, ele simplesmente havia saído do estacionamento do prédio onde trabalhava, direto para o local da batida.
Algo tenebroso rondava a morte do patriarca da família Thongkham.
E quem seria aquele misterioso homem, que fora visto com ele, minutos antes de morrer.
E porquê ele não apareceu em nenhuma câmera?
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Atualizado até capítulo 56
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