Meus olhos mal podiam acreditar no que estava bem a minha frente, quer dizer, Petter estava mesmo lá, e não era um sonho. Eu não pude esperar mais, corri em sua direção, o vendo abri seus braços para mim; um abraço desesperado e cheio de saudades fora dado ali, em frente a todas aquelas pessoas, que se mentiam fixados em nós.
Eu podia sentir uma vez mais, as lágrimas de Petter, molharem o tecido fino e transparente da camiseta branca que eu vestia, e quando ele se afastou para me encarar, seus olhos rondavam por cada detalhe da minha face, como se pedisse uma prova, uma confirmação de que eu estava mesmo ali, e eu dei.
O beijei depois de tanto tempo, mas dessa vez mais apressado, eu tinha pressa e necessidade de sentir aquilo outra vez, e quando nós nos afastamos, eu o abracei, tão apertado, e ambos nos deleitamos com a sensação maravilhosa que o amor trazia. Pois agora tinhamos certeza, que estávamos apaixonados.
Eu queria permanecer em seus braços, o frio na barriga gritava para não deixá-lo ir, não, não se afaste dele, por nenhum segundo, era o que cada músculo de meu corpo implorava, e pela primeira vez, minha mente, corpo e alma concordavam com algo.
— Espera, espera! O que está acontecendo aqui? — Jenevivi pergunta confusa.
E todos riem.
— Jimmy estava conosco, a três anos atrás, quando tudo aconteceu. Não podíamos perdê-lo, então o mandamos de volta a seu mundo — Responde Bermac
— E porquê eu só descubro agora, que dá para sair desse inferno?
— Dava! Não dá mais, se esqueceu, que Beatrix controla absolutamente tudo?
— É verdade! — Ela lamenta.
— Como você está? Como chegou aqui? E porquê seus olhos e cabelos estão brancos? — Petter falava enquanto acariciava a pele de meu rosto.
— Eu estou bem! Mas quanto as outras perguntas, eu não sei te responder, um segundo eu estava no meu quarto, no outro no chão de Lakemare — Paro e penso — Tinha um homem, um homem estranho no meu quarto.
— OUTRO HOMEM? NO SEU QUARTO? — Petter me interrompe aos berros
— É! Ele apareceu do nada! Com o tronco desnudo, tinha tatuagem por todo o corpo, e seus olhos, possuíam duas íris cada. Ele era sublime, como se carregasse toda a paz do mundo.
Por suas reações ao meu comentário, estava mais do que óbvio, que todos conheciam, e sabiam se tratar de Teledom, o Deus da vida.
— Ótimo! A droga de um Deus! Ainda por cima pelado — Ele parecia bravo
— Petter! Não seja assim. Ele não estava pelado — O repreendi
Todos apenas escutavam tudo em silêncio.
— Certo, cerro! E o que esse "Deus" lhe falou?
Suspirei profundo passando a mão em meus cabelos os jogando para trás, antes de falar. Havia me esquecido do quanto Petter era ciumento.
— Ele me chamou de escolhido! — Todos os olhos se arregalaram em minha direção — Disse que muita coisa dependia de mim, falou sobre uma tal era negra, e que eu deveria assumir meu destino e voltar. Logo depois ele, apareceu atrás de mim, segurou meu pescoço, e com sua mão, derramou sua luz em mim, foi como se alguma coisa despertasse em meu interior.
Enquanto eu falava, podia ver Petter bufar de raiva, a cada palavra dita.
— Petter! Não fique assim, não houve nada de mais, logo após isso, ele falou uma frase e eu acordei aqui.
— "Volte ao teu destino" — Derek se pronuncia.
— Como você sabe? — Estranhei.
— É verdade! Você não acha que já chegou esse tal hora? Você passou os últimos três anos, insistindo em esperar Jimmy, ponto, aqui está ele, agora desimbucha? — Petter diz impaciente
— "Quando luz e escuridão se encontrar, em trevas o mundo ruirá, mas dos céus ele descerá, para o ouro espalhar"
— Idaí para esse velha profecia? — Petter diz.
Derek suspira pesado antes de continuar
— É sério que vocês não percebem o que está acontecendo?
Todos nós olhávamos, com cara de paisagem. Então ele se ajeita na cadeira da pequena mesa arredondada bem a nossa frente, e começa a contar.
— A muito tempo atrás, quando Nightmare não passava de uma pequena Ilha isolada das três grandes Nações de Ethahan, os deuses viviam em nossa realidade, mas alguém achou de bom tom, ressuscitar Boru e libertá-lo de sua prisão, matando o primogênito do grande Deus da vida e da deusa da sabedoria. O sangue do escolhido o trouxe de volta, gerando assim, a segunda e mais sombria era negra da história. Pra salvar nossa realidade, Teledom teve que lutar com suas próprias mãos, conseguindo baní-lo outra vez. Para garantir que nada assim acontecesse outra vez, Teledom confiou Nightmare aos Itaxhak, como eu, e aos guardiões dos portões do tempo, criou os escolhidos, depositando neles um terço do seu poder, e se isolou em sua realidade original, depois nomeou um escolhido para cada Itaxhak. E eu fiquei com Jimmy, o protegi desde que nasceu. Você é nosso plano b, não contávamos com uma terceira era negra, mas tudo caminha para que ela ocorra. E temos que impedir antes que isso aconteça.
— Você está dizendo, que há alguém tentando trazer Boru de volta? — Petter pergunta abismado com a história.
— Eu não sei! Mas Teledom acha que sim, então...
— Espera, espera, você fala com ele? — Bermac é quem diz.
— Sim — Derek sorri.
— E porquê ele não diz logo quem é, para gente poder matar, e acabar logo com isso?
— Porquê as coisas não funcionam assim! A história já foi escrita. Só Jimmy pode mudar o rumo das coisas. Teledom não pode fazer nada dessa vez, e eu não posso interferir, até que ele me peça isso.
— Espera! Você disse, escolhidos? Então quer dizer que existem mais como eu? — Disse me sentindo um pouco aliviado.
— Sim! A muitos escolhidos, espalhados por todos os planetas e realidades.
Sem que eu percebesse o destino dessa realidade fora jogado sobre meus ombros, desde o meu nascimento, até o presente momento. Toda minha vida foi orquestrada, para que eu pudesse estar aqui agora. Não houve se quer uma escolha, Derek disse que a história já estava escrita, então o que eu posso fazer?
— Mas se existem mesmo outros escolhidos, porquê eu? Por que eu tenho que fazer isso?
— Voce não é igual aos outros escolhidos Jimmy. Você é especial...
— Porquê? Especial como?
— A única coisa que você precisa saber agora, é que você é mais poderoso que todos eles, o resto saberá na hora certa!
Mas enquanto nós conversávamos algo estranho acontecia longe daqui, mas um brilho avermelhado invadiu, e fora visto até mesmo de onde estávamos. Petter se sentiu inquieto, como se tivesse sentido algo, mas não sabia explicar o que; alguma coisa acontecia na floresta vermelha.
Já na floresta vermelha, o solo se rachava, e se contorcia, até formar uma passagem, e de lá, do submundo, ele surgiu e não houve uma só pessoa em toda Nightmare, que não tivesse sentido sua chegada. A criatura desconhecida logo se dirigiu ao reino de Kirkin, em um piscar de olhos, causando grande comoção no reino elfico, que já estava com seus arcos e espadas preparados para proteger seu reino do desconhecido.
— Só me entreguem o livro, e poderão viver — Disse sereno a criatura.
— Nirya aliatay naryat urmanar (Não terá nada demônio) — Diz um dos soldados.
— Como quiser! — Ele sorri sórdido.
Sem que ele mexesse um músculo, todos os elfos a sua frente caíram de joelhos perante ele, o demônio possuía o poder da ilusão e o controle sobre qualquer ser vivo, podendo neutralizar e obrigar qualquer um a realizar os seus desejos com apenas um olhar. E foi o que ele fez. Aos olhos dos elfos, sobre aquele Reino, pairou uma escuridão mais densa do que qualquer outra coisa, mãos saíam de todos os lados, os obrigando a se afundarem cada vez mais em trevas, enquanto gritavam em agonia.
Do lado de fora, o demônio, passou pela guarda sem maiores preocupações, caminhou pelos corredores iluminados, até se deparar com o rei Grethiel, protegendo a portão do salão oval, onde permanecia o livro sagrado.
— Não seja tolo elfo, apenas me entregue o livro, e eu permitirei que vivas em meu novo mundo.
— Volte para o antro de sofrimento de onde você saiu, demônio!
— Para seres que possuem uma orelha tão grande, vocês nunca escutam, não é? Então morra junto com seu reino.
O rei correu com sua espada erguida, na direção do demônio, que apenas o esperava sorrindo, e em um movimento hiper veloz, roubou a espada do elfo, e a usou para decepar a cabeça do rei. A cabeça rolou pelo chão frio e agora encharcado pelo sangue que jorrava do corpo desfalecido do elfo; que permaneceu em pé, por alguns segundos, e logo caiu, ao lado de sua cabeça decepada. Grethiel Sultasar estava morto.
— Eca, sujou meu torno com esse sangue imundo! Alot, cuide dos outros, sim? Eu vou pegar o livro — Ele ordena e logo se dirige ao salão.
— Sim majestade! — Se curva em reverência.
Alot se transformou em uma densa fumaça negra, e logo partiu, para matar os elfos restantes, em um genocídio sem precedentes. O sangue se espalhou por toda parte, corpos desfalecidos, e elfos tentando lutar com as sombras, eram vistos por todos os lados daquele reino. Mas nada podia ser feito, eles morreram sem que pudessem ao menos ver o rosto de seu assassino. Gargantas cortadas, cabeças decepadas, e sangue, muito sangue manchou o solo sagrado e límpido do reino que zelava pela aliança com os deuses, os progenitores da esperança, os primeiros povos a serem criados em Nightmare, agora não existiam mais. Mortos, um à um, sem que ninguém percebesse.
E na torre, Petter se sentia cada vez mais inquieto, insistia que havia algo acontecendo na floresta.
— Eu sinto que deveríamos ir checar, tem algo muito errado! — Petter dizia enquanto caminhava de um lado a outro.
— E como você sugere que cheguemos a floresta sem sermos vistos? E pior, como atravessar sem que alguma criatura da rainha nos entregue? — Leon se pronuncia
— Derek! — Fora só o que ele disse
— O que? Eu?
— Sim! Se esqueceu que foi você que nos levou ate de lá, a três anos trás, quando Jimmy estava morrendo?
O ex guardião suspira exagerado antes de falar
— Não senhor! Aquilo foi uma questão de vida ou morte! — Diz cruzando os braços
— Derek! — Chamei sua atenção — Por favor!
— Merda! Tudo bem, eu levo, mas apenas duas pessoas por vez.
— Fechado! Mas não precisaremos de todos — Petter diz agora indo em direção a Egar — Você fica aqui, com Theoia, e em minha ausência, você manda.
— Sim senhor! — Ele sorri
— Bermac e Leon, vocês nos acompanharam. Pronto? Vamos?
— Pronto!
Derek apenas posicionou uma de suas mãos em nossos ombro, ficando entre nós, e em questão de segundos, desaparecemos, e aparecemos na floresta vermelha, onde um grande buraco no chão podia ser visto, no local que outrora surgiu aquele brilho avermelhado. Petter se aproxima do buraco, enquanto Derek, volta para buscar os outros.
— Acho que temos companhia! — Ele fala sorrindo
— Como assim? Você acha que algo ou alguém saiu daí? — Perguntei espantado
— Eu tenho certeza pequeno.
— Vamos apenas esperar os outros e vasculhar o local mais próximo daqui! O reino dos elfos
— Tudo bem! — Digo enquanto analiso os arredores — Havia me esquecido do quão fria era essa floresta.
De fato, mas ela parece duas vezes mais fria agora, mais densa, como se a saída da rainha demônio, ou o fim da aliança, tivesse mexido com o equilíbrio da mesma.
— Venha aqui! — Ele me chama erguendo seus braços — Não gosto da ideia de você andando por aí, só com essa blusinha fina e transparente, da para ver tudo — Fala enquanto me abraçava.
Sorrio com sua alegação
— Eu não tive tempo de trocar de roupa, vim de pijama mesmo.
Ao final de minha frase, Derek apareceu com os outros, e logo nós seguimos a trilha, em direção ao reino kirkin; e de longe, já dava para ver os corpos jogados na entrada do reino, a trilha de sangue e corpos, se espalhava por todos os lados, denunciando um genocídio em massa bizarro.
A visão era perturbadora, e não havia sinais de pessoas ou criaturas por perto. Petter estava certo, realmente algo muito grave havia acontecido, se ao menos tivéssemos percebido antes.
— Quem seria capaz de fazer uma barbaridade dessas? — Pergunto completamente espantado.
Até que do interior do castelo, ele surge, com trajes finos, longos cabelos acinzentados, uma cartola com um pingente de coração em esmeralda, igual ao que Beatrix usa, um terno preto com luvas de couro nas mãos e seus olhos possuíam a escuridão mais densa e perturbadora, com um brilho avermelhado no direito, e no esquerdo uma íris branca como a neve, igualzinho a Petter. O estranho apenas parou singelamente a nossa frente, encarou a todos, e ao perceber minha presença ali, logo ele falou.
— Ora, ora! O que nós temos aqui! Parece que é o meu dia de sorte, o livro sagrado e o escolhido no mesmo lugar. Acho que é meu aniversário, e eu não sabia — Ele termina gargalhando
— Quem é você, esquisito? — Petter diz ríspidamente
— Isso é jeito de falar com seu tio, garoto? Minha irmã não lhe ensinou a respeitar os mais velhos?
— Tio? — Todos dizem ao mesmo tempo
— Me perdoem pela bagunça, meu criado andou exagerando um pouquinho! Mas permita-me desfazer esse mau entendido e me apresentar, Me chamo Boutrix, Boutrix Pedwell ao seu dispor — O estranho se curva, retirando a cartola em cumprimento — Já que todos vieram aqui só para me ver, é justo que esse mero anfitrião, lhes conceda um entretenimento.
Seu sorriso era sórdido, e seu terno estava levemente manchado de sangue, com um só movimento de suas mãos, eu já não estava atrás de Petter, agora, sua mão direita, pressionava com força meu pescoço, enquanto me mantinha, preso a seu corpo, frente aos outros
— Jimmy — Petter grita tentando se aproximar
— Se der um passo, eu o mato, não preciso dele vivo mesmo, apenas seu sangue me interessa!
Porquê sou sempre eu?
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Atualizado até capítulo 56
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