...O tempo cura tudo, mas essa é a maior...
...mentira já contada pelos humanos....
...Pois a tristeza trás a dor, a dor caminha junto a solidão; a solidão trás a raiva, e a raiva vira ódio....
...Um ciclo vicioso de caos, que não se esgota nunca, pois nossas almas já se acostumaram a viver degustando o doce sabor da agonia....
...A maior verdade é que o caos vicia, e agora, eu não consigo viver de outro jeito....
...— Boutrix Pedwell...
A escuridão impregnava em nossas peles; o garoto ia e vinha, desaparecendo como fumaça; seu pai o arrastava como quem puxava uma mala a caminho do aeroporto.
O garoto fora jogado frente a uma menina com longas massas vermelhas e cabelo Rosa; Beatriz caminha lentamente até o mesmo, e pisando em sua cabeça ela fala
— Levanta daí irmãozinho! Eu preciso treinar — Ela sorria enquanto mantinha o garoto ao chão.
O menor chorava incessantemente; levantando com muita dificuldade, mas antes que pudesse se recompor; Beatrix acerta um chute bruto em sua barriga, fazendo o mesmo voar para trás, e bater abrupto na parede.
— Ah é! Antes que eu me esqueça, parabéns maninho...
A lembrança se foi logo em seguida.
— O que? — Disse me virando para o demônio — Era seu aniversário?
— Era sim Jimmyzinho! Mas papai só se importava com minha irmã, mesmo que ela não fosse filha dele. Ela nasceu perfeita, e eu, eu não devia nem ter nascido.
Rapidamente outra lembrança se materializou atrás de nós, e sem perceber, guiado pela curiosidade e pela tristeza, me desvencilhei das mãos de Petter, e segui sozinho.
Nos segundos seguintes, nada. Petter não estava mas lá, mas não era hora para isso, pois o menino aparecera novamente.
Já haviam se passado dois meses desde o aniversário de Boutrix, e tudo só parecia ter piorado; seu pai ficava cada dia mais agressivo, seus castigos pioraram cada vez mais.
E neste dia, Boutrix, finalmente juntara coragem suficiente para perguntar a seu pai o que havia acontecido a sua mãe.
— Papai, por que à mamãe foi embora?— Perguntou tristonho
— Quantas vezes eu vou ter que te falar em? — Ele grita — Esqueça que ela existiu, ela nunca mais vai voltar, seu pirralho maldito!
— Mas....
Ele não o deixou responder, e direcionando toda sua raiva, ele dá um tapa na cara do menor.
— Cale a boca! — Gritou mais um vez. — Nunca mais fale dela, você entendeu? Entendeu?
Ele gritava enquanto dava chutes e mais chutes; Boutrix agora estava ao chão, chorando e implorando por sua vida
— Quer saber, à culpa é sua! Ela foi embora por sua causa! — Ele grudou em seu cabelo o levantando a força — Ela não conseguiu aguentar o fato de ter um filho inútil.
— Não... papai por favor, me perdoe! — Tentou fazê-lo parar.
— Você vai aprender a me obedecer, quando eu falar para esquecer, você esquece!
O demônio maior arrastou o garoto pelo cabelo até à pia da cozinha do grande castelo de pedra; ele fecha o ralo, e começa à enche-lá, afundando sua cabeça na água, quando estava totalmente submersa.
— Você entendeu? — Ele grita enquanto o afoga — Fala que entendeu?
Não havia como responder, pois ele não o dava tempo para isso, continuou afundando sua cabeça na pia repetidas vezes até se cansar. Chorar e implorar não adiantavam em nada, pois ele o arrastou mais uma vez até as celas de tortura, no subterrâneo do Castelo
— Não, papai, não, por favor, lá embaixo não, eu prometo que vou parar, por favor me perdoe! — Ele entra em desespero.
Inútil, foi inútil, ele o chutou lá para baixo, e o menor rolou as escadas de pedra, gritando e chorando muito; imediatamente ele tenta subir e implorar para que seu pai o tirasse dali.
Eu podia sentir seu ódio, por ficar naquela cela horrível, era tão escura e fria, me dava medo, mas ele ficou lá a noite toda...
— Espera! Por que ele fazia isso com você? — Meus olhos já lacrimejavam
— Ele odiava o fato de eu ter nascido sem poder. Eu era uma vergonha para a família Pedwell, e ninguém ligou quando eu sumi
Meus olhos se arregalarão, outra visão aparecera a minha frente.
— Como assim sumiu?
Uma semana, seu pai o deixou trancado na cela por uma semana, ele quase não comia, só quando seu pai lembrava que o mesmo estava lá.
Ele se sintia tão fraco, seu corpo inteiro tremia, ele iria morrer ali...
Era o que pensava
Será que a sua mamãe fora embora, por sua culpa?
Mesmo daqui de baixo, caído em meio aos seus próprios fluidos, ele pode ouvir a portar bater, acho que seu pai chegou. Ouviu a porta da cela ser destrancada.
— Aqui sua comida seu merdinha! — Joga o prato lá de cima.
A comida se espalhou, o prato se quebrou em pedacinhos, e mesmo misturado aos cacos, levantou correndo até ela, e começou à comer os restos do chão.
Depois de saciar sua fome porcamente, ele ouvira algo vindo das paredes de trás dele; sussurros confusos vindos de uma grossa voz.
— Não aceite mais isso... eles não merecem viver..
A voz ecoava por toda cela.
— Q-quem está aí? — O menino sentia seu corpo tremer pelo medo.
— Vingue-se deles! Todos eles! Mate todos eles.
— Eu não posso... eu não consigo, não tenho poderes, eu não sirvo para nada
— Venha aqui! Encoste suas mãos na parede, e eu lhe darei meu poder. Mas em troca, terá que obedecer...
— Eu farei qualquer coisa...
O garoto faz o que a voz mandou; encostou suas mãos na parede, e logo seu corpo se eletrificou, ele fora tomado por uma luz vermelha gigantesca, e depois de minutos, seu corpo caira ao chão abrupto.
A lenda do Dragão vermelho começara ali.
Tudo estava um silêncio lá em cima, e se aproximando lentamente da porta, ele percebe que seu pai à esquecera aberta, era sua chance de fugir.
Caminhando devagar, vê que o demônio mais velho estava repousando na sala do trono; o pai de Beatrix não se encontrava. Pois eram irmãos apenas por parte de mãe.
Várias garrafas de vinho vazias estavam espalhadas no chão do Castelo, uma em sua mão esquerda e na direita um fumo feito de uma erva demoníaca ainda aceso.
Ficou o observando por um tempo, não sabia o que fazer, e menor tentou, mas só conseguia sentir raiva dele por tudo o que fizera consigo; então tomado por essa raiva, foi até à cozinha que se encontrava ao lado; abriu à gaveta e pegou à maior faca que tinham. Ainda tremendo pela desnutrição, caminhou lentamente até o corpo desacordado de seu pai, sem saber como agir, lágrimas escorriam pelo seu rosto, e lembrando de tudo o que aconteceu, ele rasgou a garganta de seu pai em uma só passada.
Seu sangue jorrava, e ele havia acordado na hora, colocando as mãos no pescoço para tentar parar o sangramento, em um último impulso ele se vira para o garoto, tentando roubar à faca, mais em uma reação de puro ódio e medo, ele enfia a mesma no olho esquerdo do Demônio, retirando e esfaquiando diversas vezes a barriga do mais velho ao chão
Quando Boutrix finalmente teve coragem para parar, se deu conta do que havia feito; ele havia matado seu pai. Seus olhos se arregalarão, e as lágrimas começaram a o culpar
— E-eu m-matei meu p-pai — Sussurrou consigo mesmo
O sangue escorria cada vez mais, e completamente chocado, tentou dar passos para trás, tentando fugir daquilo, mas seu corpo não o obedecia, estava com muito medo para fazer alguma coisa...
E repentinamente aquela mesma voz, ecoou em si; como um acalento
— Não foi culpa sua, ele mereceu isso... agora vá, mostre seu poder a todos, e quando chegar a hora, começaremos nosso plano. Use quem tiver que usar, mate a todos que se oporem a você, mas poupe sua irmã e o rei por hora.
E o garoto obedeceu.
Faria qualquer coisa por aquele que lhe deu a vida novamente.
Mesmo sem entender quem era naquela hora.
O demônio fora crescendo, a fama do Dragão vermelho só crescia; ninguém sobrevivia se ele decidisse matar.
Não existia um só demônio, que não o temesse.
Quando as lembranças se foram, Boutrix apareceu atrás de mim, tão perto que eu podia sentir sua respiração bater contra minha nuca.
— Você ainda acha que eu sou mal? — Ele sorria sórdido
— Você sofreu muito, eu entendo, mas culpar todo o mundo por isso é errado.
O demônio sorria levemente, e antes de continuar sua fala ele agarra em minha cintura, me obrigando a encará-lo.
— Não! Errado é condenar alguém a viver uma vida de dor e sofrimento, só por não ser igual aos outros — Sua voz saiu furiosa — Eu sei que concorda comigo, eu sinto isso; venha comigo, vamos governar esse mundo juntos.
— Nunca! O que você quer é loucura! Eu não vou permitir que libere Boru e traga a era negra novamente — Disse tentando me livrar de seus braços — O que você faz com Petter?
— É uma pena ouvir isso, eu adoraria que viesse comigo por conta própria, mas você não me dá escolhas. Ah! E Petter, ele está ali — Terminou apontando para esquerda.
Quando me virei, Petter estava acorrentado de joelhos ao chão, sua boca sangrava, ele gritava e esbravejava, tentando se soltar, mas era inútil.
— PETTER NÃO! — Tentei correr, mas falhei.
— Não! — O demônio tampa minha boca — Eu tenho um presente para você.
Assim que terminou, ele levou sua mão até o bolso de sua calça, retirando de lá, um colar negro com uma pedra vermelha que brilhava.
— Essa é a pedra Hallyn, bom, uma parte dela pelo menos — Ele sorri — Permitá-me colocá-lo em você.
Petter se mexia e gritava por mim, o demônio coloca o colar em meu pescoço, e repentinamente meus olhos antes brancos, ganharam um brilho avermelhado, lá no fundo de minha íris. Todas as memórias de minha vida em Nightmare passaram bem diante dos meus olhos
Mas algo estava diferente.
O que antes fora uma vida com Petter
Agora eram lembranças compartilhadas com Boutrix.
— Como se sente, meu amor? — Ele sorri orgulhoso.
— NÃO! JIMMY, MEU AMOR, NÃO! O QUE VOCÊ FEZ COM ELE, SEU MALDITO?
— Não fale assim dele, demônio — Falo cortando parte de sua face com sua espada
— Esse é meu garoto.
Boutrix se vira para me olhar, desliza sua mão em meu rosto. Fixa seus olhos nos meus, e me beija, calmamente.
— NÃO, JIMMY, NÃO FAZ ISSO! POR FAVOR, NÃO VÁ COM ELE.... NÃO
Tudo voltou ao normal, todos estavam de volta, sem entender nada do que havia acontecido ali.
Petter corre pelas redondezas da torre, gritando e procurando por mim, mas nós já não estávamos lá.
— Não! — Ele chora passando a mão em seus cabelos — Jimmy... não me deixe...
O demônio caí prostrado ao chão, e chorando descompassado, ele fica, pois percebera que havia perdido seu grande amor.
— O que? — Bermac aparece confuso — Onde ele está?
Mas nada fora dito...
Petter não soube explicar, não conseguia explicar, o que havia acontecido ali?
Ele havia perdido amor da sua vida, para sempre?
Ou
Ainda restava alguma esperança?
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 56
Comments