Subterrâneo Sheldorn, alguns minutos antes
— Sim, ficam sim. Mas Red não conta logo a verdade a ele...
— É! Ele deveria aproveitar o curto tempo que nos resta...
Fora só o que ouvira, no segundo seguinte, Derek e Jimmy, não estavam mais ali, e com os olhos abertos, estava Win, a escutar tudo.
O moreno levantou-se calmamente, tentando não acordar o ser que repousava sossegado a seu lado; ele parou por instantes, apenas a admirar a feição suave da raposa, passou a mão em suas madeixas vermelhas levemente bagunçados pela noite, mas percebendo seus pensamentos, ele para; e abrupto, se levanta a balançar a cabeça em negação.
Mas seus movimentos desesperados fizeram o ser que dormia do outro lado da cela despertar. Dalgaren, apenas acompanhou os passos apressados do menor, ele parecia confuso, perdido; então o demônio levanta, e se aproximando dele, ele fala.
— Teve um pesadelo? Você levantou tão desesperado — Ele sussurra apenas para que o menor ouvisse.
— Não, eu não estava dormindo...
Fora só o que ele disse, e logo se retirou do local. Subiu para a superfície, e saiu pela porta dos fundos, parou na beira do precipício que se situava a Torre, e perdido nos sons das ondas do mar morto, ele ficou, por horas...
Sem perceber que alguém o observava
— Você está bem? Dalgaren disse que levantou atordoado — Bermac diz aparecendo repentinamente
— Red — Win o observa lembrando das palavras ouvidas antes — Bermac, você...
— Bermac? — Ele estranha — Eu to encrencado?
— Me desculpe! Red, por acaso você tem algo para me contar?
Eles se olham fixamente, seus olhos profundos conversavam; como se eles vissem a alma um do outro. Bermac sabia do que o menor estava a falar, mas o medo da rejeição congelou todo o seu ser, então contrariando cada pedido seu, ignorando os gritos de sua alma, que implorava para que ele se libertasse de uma vez, e seguisse a direção que seu coração apontava.
Mas ele não seguiu.
— Eu? Não, não tenho nada para lhe contar. Não pense de mais, sim? — Diz com um sorriso fingido
— Tem certeza? Red, por favor, eu preciso saber...
Seus olhos já lacrimejavam, Win encarava fixamente o homem a sua frente, mas Bermac fugia do contato visual, como sua forma Shakko fugia do banho.
— Red? Red está me ouvindo?
Mas nada fora dito, Bermac apenas encarava um ponto fixo do chão, apertando os olhos em repreensão dos próprios pensamentos.
— Tudo bem! Se não há nada a dizer, então eu vou embora. Temos muito a fazer.
Win dera uma última olhada na feição descontraída de Red, antes de começar a caminhar em direção a entrada; mas assim que passou por Bermac, seus braços se encostaram, e a raposa segura em sua mão, impedindo o menor de partir.
— Não vá! — Ele entrelaça suas mãos.
— Então me fale Red, me fale o que está escondendo de mim — Diz ainda de costas.
— Mas eu... eu não quero que me odeie.
— O que você fez de tão errado assim, para me fazer odiá-lo? — Win se vira para encará-lo.
— Eu... eu... — Red tentava encontrar as palavras, e suspirando pesado ele fala — EU ME APAIXONEI POR VOCÊ
Red mal percebera que sua única oportunidade de fazer Win amá-lo, fora confessada aos berros, e somente a feição assustada do menor fora o suficiente, para fazê-lo entender que havia o perdido ali, naquele exato segundo.
Não havia mais voltas, Win não disse uma única palavra, apenas deixou algumas lágrimas escorrerem, retirou suas mãos, e caminhou para longe de Red.
— Win? Win? Por favor, me perdoe — Ele corre para alcançá-lo — Fale alguma coisa, por favor
Win para abrupto, e ainda de costas, ele suspira profundamente.
— Red você não está pensando direito. Nós somos melhores amigos — Ele se vira para olhá-lo — E além de tudo, nós somos homens, isso não é certo.
— Esse é o problema? Petter e Jimmy são homens, e são felizes juntos.
— Não nos compare a eles — Win se irrita — Eles foram criados para isso, nasceram para ficar juntos, eles não tem escolha.
— ELES SE AMAM WIN, ASSIM COMO EU AMO VOCÊ.
— N-não d-diga b-besteiras — Ele cora ao ouvir aquelas palavras — Você está confundindo as coisas Red.
— Eu nunca tive tanta certeza em toda minha vida, eu já amo você a tanto tempo.
Win estava transtornado, balançava a cabeça em sinal de negação, não conseguia aceitar aquilo de nenhuma maneira.
— Red, não..
Ele não conseguira terminar a fala, pois Bermac em uma tentativa de fazê-lo mudar de ideia; segura na cintura do menor, o puxando com força para perto de si, e contra a sua vontade, Red o beija.
Calmamente no começo, um beijo desajeitado, que não fora correspondido por alguns longos minutos. Mas aos poucos o menor fora consentindo suas investidas, seu corpo sedia cada vez mais, e ele leva sua mão direita até a nuca de Red, enroscando seus dedos nos fios vermelho da raposa.
Bermac segurava a cintura do menor com certa possessão, era o momento que ele mais agradava desde que conheceu o garoto; Win estava finalmente em seus braços, e sentir seu beijo era como estar no céu
E mesmo que o vento gélido batesse em sua pele como milhares de mini facas, seu corpo ainda queimava, queimava como o inferno. Mas de repente, Win se desvencilha de seus braços, empurrando a raposa abruptamente.
— NUNCA MAIS FAÇA ISSO! — Win grita com lágrimas nos olhos — Não encoste em mim.
— Mas você gostou, não diga que não me quer, porquê eu vejo a mentira nos seus olhos.
— N-nunca, n-não seja idiota! E-EU NÃO GOSTEI NADA — Ele passava a mão em sua boca — Nós somos amigos, não haja como um maluco.
Win se atrapalhava ainda mais, todas as vezes que tentava negar seus próprios sentimentos.
— Não se aproxime de mim — Caminhava para trás tentando fugir da raposa.
Red insistia em suas investidas, e continuava a se aproximar do menor, até ficar tão próximo a ele, que o mesmo não conseguira fugir. Win estava tão perdido, que mal sabia a direção da porta. E mais uma vez, eles se beijaram, intensamente dessa vez, desesperados, apressados para por a prova seus próprios sentimentos.
Mas um estrondo, roubara a atenção, uma parte da torre havia explodido frente a todos; os escombros voaram por todos os lados, Win se vira com os olhos arregalados para Red, e ambos correm juntos, desesperados procurando saber o que havia acontecido.
No interior, pessoas machucadas e poeira espalhadas, e parado sereno a frente de todos, estava ele, Boutrix o príncipe do submundo.
— Boutrix — Bermac grita com os olhos arregalados
— Me perdoem a intromissão, mas eu estou cansado de esperar, eu vim buscar o escolhido, e entreguem a chave dos portões do tempo também, sim?
— Perdeu o juízo? Tente pegá-lo se for capaz — Red se coloca a frente de todos.
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Atualizado até capítulo 56
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