Lakemare, Torre Sheldorn, alguns minutos depois
— Tente segurar a onda, está bem? Eu sei que é difícil, mas nós esperamos muito por você.
Esse parecia ser o problema; repentinamente toda uma nação dependia de mim, e eu não sabia o que fazer.
— Eu sei Petter, mas — Suspirei pesado — Eu não sei o que fazer, como posso salvar todos desse jeito, se mal consigo vencer uma simples luta?
— Não se cobre tanto, lembra que a três anos, todos contavam comigo para salvar Nightmare? E o que eu fiz? Destruí tudo. Se você não estivesse comigo, tudo teria sido muito pior, você sempre foi o melhor de nós, e por isso, todos contam com você, porquê sabem, que não vai cometer os nossos erros.
— Mas saber que todos tem expectativas exacerbadas sobre mim, não ajuda em nada, só me deixa mais nervoso.
— Eu sei meu amor — Ele para e deixa um leve selar em minha testa — Só tente confiar mais em si mesmo, do mesmo jeito que nós confiamos. Agora vamos, é melhor irmos o mais breve possível.
Não era hora para titubear, nem para duvidar do meu potencial, o tempo corria contra nós, Boutrix já estava com o livro sagrado, só restavam dois ingredientes para trazer a era negra; e teríamos que correr se quiséssemos impedí-lo.
Ao voltarmos para sala, a questão era como chegaríamos a Oldport sem que Beatrix nos notasse.
— Precisaremos de um barco — Egar comenta.
— Vai chamar muita atenção, pensa antes de falar — Leon rebate
— Pelo menos eu to tentando ajudar, o que você está fazendo? — O Moreno se irrita
— Eu já fiz muito mais que você — Leon grita levantando abruptamente
— JÁ CHEGA COM ESSA MERDA — Petter se exalta ao ouvir a briga — Nenhum dos dois vai.
— O QUE? — Ambos questionam
— Eu não to nem aí para o que os dois fazem, mas dessa Torre, vocês não saem.
Ambos se calaram, sem questionar.
— A missão é muito perigosa, mas um grupo grande só vai atrasar e levantar mais suspeitas; além de mim, Derek e Jimmy, somente Bermac vai, o resto fica e cuida de localizar a adaga Graccion, antes do Demônio.
As ordens de Petter causaram um certo alvoroço e descontentamento, mas ninguém ousou questionar. O resto do plano, ficara decidido que viajaríamos separados, para levantar o mínimo de suspeitas dos olhos da rainha; e nos encontraríamos na entrada de Oldport.
— Eu vou com Jimmy — Derek comenta surpreendendo a todos
— Como é que é? — Petter aparenta descontentamento.
— Acho que eu não preciso da sua permissão, para proteger o meu escolhido, essa é a minha missão, é não a sua, demônio.
Não precisou de mais, Petter se enfureceu partindo para cima de Derek; mas Leon e Bermac o seguram, impedindo o confronto, enquanto Derek se mantinha sereno em sua cadeira.
— Eu ainda te mato guardião — Ele diz pisando forte e saindo da sala.
— Estou ansioso por isso — Responde sorrindo.
— Derek! Pega leve, você sabe como ele é.
— Certo, certo, me desculpa!
— Por que não vai com Bermac providenciar os barcos? Eu falo com Petter
— Sim senhor! — Ele sorri.
Apenas sorrio de volta, enquanto observo os dois se retirarem, antes de ir falar com Petter.
— O que foi aquilo? — Pergunto o vendo observar o nada através da janela.
— O que? Eu nunca confiei nele, e você sabe — Responde sem se virar.
— Eu sei, mas, desde quando vocês dois brigam assim? Você sabe o que aconteceria se enfrentasse Derek.
— Não houve nada, está bem? Vamos, seu guardião lhe espera.
Ele não me deixou falar, se virou rapidamente, passando por mim sem ao menos me encarar.
— Petter? Não aja assim...
Alguns minutos haviam se passando, e Derek já havia voltado com os barcos, então sem falar nada, Petter saí a frente com Bermac, nos deixando para trás.
— Deixe ele, se concentre em sua missão. Quando chegarmos a Oldport, você terá que falar com o guardião sozinho, ninguém mais pode saber do que ele irá contar, além de você, nem mesmo eu ou Petter.
Apenas concordei com a cabeça, sentindo uma leve aflição em meu peito e um peso enorme em meus ombros.
— Vamos?
Caminhamos depressa pelas ruas de Lakemare, com alguns olhares duvidosos sobre nós.
— Você está chamando atenção de mais — Comenta Derek olhando os arredores — É melhor se disfarçar, vamos por aqui.
Adentramos uma pequena Rua que levava a uma casa com cercado branco, um extenso Jardim e roupas entendidas em uma corda; Derek adentrou sorrateiramente o Jardim, roubando dali uma boina marrom simples e um casaco da mesma cor, em contraste com a calça preta de algodão, botas de cano médio, também marrom, e uma blusa larga simples branca, posta para dentro da calça, seguidos do colete e o casaco.
— Pronto! Um típico Nightano — Ele diz sorrindo.
Com tudo resolvido, conseguimos chegar aos barcos sem maiores preocupações; Petter e Bermac já nos esperavam.
— Finalmente! — Bermac grita ao nos ver.
— Me desculpe! Mas Jimmy chama mais atenção do que eu imaginei, tivemos que parar, para roubar um disfarce.
— Tudo bem, mas vamos antes que anoiteça.
O caminho até Oldport levaria cerca de uma hora, e chegaríamos lá ao anoitecer. E assim foi, o Rio das Almas estava escuro desde o dia em que o guardião das almas morrera, e assim permanecerá até que alguém tome seu posto.
Atravessamos o Rio sem maiores problemas, e ao avistamos Oldport, a cidade estava ainda mais lotada do que costumava ser; cheia de guardas da rainha, demônios e outras criaturas.
— Merda! Devíamos ter imaginado isso. — Bermac reclama.
— Não se preocupe, agora é comigo.
Derek nos levaria até a Catedral, exatamente como fizera na floresta. E após atravessarmos todos, seguimos uma Rua reta; a Catedral ficava bem a frente, escura e tenebrosa por causa do clima, com duas longas torres, cujo em suas pontas, ficavam ostentadas a runa Férlit, símbolo da deusa da fertilidade. Conforme íamos nos Aproximando da Catedral, Petter ficava cada vez mais inquieto, até ele para abruptamente.
— Minha pele está queimando — Ele sentia a dor enquanto aproximava uma de suas mãos da porta.
— É claro! A Catedral é protegida, demônios menores nunca conseguiriam entrar — Derek explicava.
— O que você quer dizer com isso guardião?
— Petter, agora não! O que isso significa? Que ele não pode entrar?
— Exatamente pequeno.
Ninguém soube o que dizer, o clima pesou por alguns estantes, até Petter romper a tensão.
— Está tudo bem, vá você, eu te espero aqui!
— Tem certeza? Você vai ficar bem?
— Sim, apenas vá — Ele tenta sorrir mais falha — Eu ficarei com ele.
Bermac se oferece para ficar ao lado de fora com Petter, enquanto Derek e eu entramos na Catedral. Seu interior era ainda mais sombrio, com um tapete vermelho ao chão, gárgulas de pedra nos cantos, e uma porta de madeira a esquerda. Aonde Derek dizia ser lá, onde o guardião aguardava; e eu teria que ir sozinho.
— Não se preocupe, eu estarei aqui esperando por você, se precisar de mim, apenas grite e eu irei.
— Obrigada.
Apenas concordei com a cabeça, e caminhei lentamente até a porta, retirando a boina que antes cobria meus cabelos; paro a centímetros dela, respiro fundo e então bato duas vezes; ouvindo uma voz rouca e falha logo em seguida.
— Entre criança.
Minhas mãos iam trêmulas até a maçaneta preta arredondada da porta de madeira, abrindo-a devagar; um senhor já de idade estava assentado em uma das duas únicas cadeiras do cômodo, e quando fitou seus olhos em mim, sua expressão vazia logo se encheu de surpresa.
— Eu estive esperando você, por muito tempo escolhido, finalmente, a profecia começou...
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Atualizado até capítulo 56
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