O tempo passou sem que eu percebesse; Boutrix ainda não havia voltado, a única saída, estava trancada, só me restando a janela. Me aproximei da mesma, abrindo-a devagar, percebendo a altura elevada entre a janela e o solo, imediatamente sinto minha visão turva e minha respiração descompasar
— Que merda, é muito alto! — Respirei fundo — Tudo bem, é agora ou nunca.
Passei devagar, apoiando meus pés em uma pequena e estreita passagem de pedra, que se seguia ao redor de todo o Castelo. Caminhei passo a passo, de frente para a parede, o vento soprava quente, a próxima janela dava para o lado de fora do quarto; estava aparentemente vazio e silencioso, então rapidamente, abri a mesmas adentrando o cômodo; e sorrateiramente, segui até o corredor, que se encontrava vazio.
Chegando em seu final, respirei fundo, olhando de lado, para me certificar que o outro corredor estava livre; e após dar dois passos, sinto mãos agarrarem os meus ombros, no segundo seguinte, estava eu, encostado a parede, com um ser a minha frente; sua forma era sombria, mas logo fora ganhando forma.
Um demônio trajando apenas, uma calça e um casaco preto aberto, seu tronco estava desnudo, seus olhos eram profundos negros com um brilho avermelhado, seus cabelos partidos ao meio, levemente caídos em sua face desenhada. Ele tampou minha boca com uma mão, enquanto a outra, permanecia escorada a parede; ele aproxima sua face do meu rosto, parecia inalar o perfume de minha pele, e arfando levemente ele fala
— Que cheiro maravilhoso — Ele diz com seus olhos fechados — Um celestial, perdido nesse antro de condenados? Acho que é meu dia de sorte — Sua voz soava como um suspiro.
Ele se aproxima ainda mais, e aproveitando a oportunidade, acertei uma cabeçada em seu rosto, o fazendo se distanciar o suficiente, para que eu corresse na direção oposta a ele; mas de repente, o demônio surge a minha frente, e o susto me fizera cair.
O demônio me encarava sorridente, levou uma de suas mãos até a parte de sua cabeça que sangrava, e provando de seu próprio sangue ele diz.
— Selvagem — Sorriu sórdido — Eu gosto disso.
Tentei levantar e correr, mas o demônio era mais rápido; apareceu atrás de mim, segurou meu pescoço e me arrastou até um pequeno cômodo a direita dele.
— Não faça barulho! — Diz com a mão tampando minha boca.
Alguém passava pelo corredor, somente os passos podiam ser ouvidos, até desaparecerem por completo. Permanecemos no mesmo lugar, o demônio atrás de mim, aproximava seus lábios do meu rosto, e sussurrava seu nome em meu ouvido.
— Me chamo Garamol, a víbora negra, a seu dispor.
Enquanto Garamol me mantinha próximo a ele, Boutrix retornava para seu quarto; retirou a chave escura com detalhes vermelhos de seus bolsos, e abriu a porta outrora trancada, seus olhos se arregalarão assim que constatou que eu havia sumido.
— Seu idiota, eu falei para não sair — Ele resmunga enquanto corre — Alot?Apareça seu demônio maldito.
— Sim, senhor? — Surge imediatamente
— O escolhido fugiu! Eu quero que vire o submundo de ponta cabeça se for preciso, mas ache-o. Eu mato quem encostar nele. VÁ! ESTÁ PARADO AÍ POR QUÊ? — Boutrix se descontrola.
— S-sim senhor! Agora mesmo.
Alot partiu em imediato, voou o mais depressa possível a minha procura. Enquanto isso, Garamol ainda me mantinha preso a ele.
— Como veio parar aqui? — Ele pergunta ainda me segurando — Você pertence a quem?
— Eu não pertenço a ninguém, Boutrix me sequestrou — Respondi me debatendo em seus braços.
— Aquele maldito! O jovem príncipe sempre fica com os melhores — Sorriu de lado — Acho que ele não vai se importar, se eu roubar só um, afinal, ele tem tantos.
— Ele vai te matar, quando te encontrar, demônio! — Esbravejei mordendo sua mão.
Por alguns segundos ele desvia sua atenção de mim, mas ao tentar fugir, ele gruda sua mão esquerda em meus cabelos, os puxando de volta a ele.
— Ai! — Seu sorriso cresceu
— Você tem razão, ele com certeza vai me matar, mas até lá, eu já terei tido você, e morrerei feliz.
— Seu porco! Eu...
Um barulho estrondoso roubou a atenção, ecoou por todo submundo, e sem que Garamol percebesse, me desvencilhei de seus braços e corri o máximo que pude para fora da sala escura; o demônio caminhava lentamente, se divertindo com a sensação da caçada. E correndo sem direção, acabo esbarrando em outro demônio.
— Ora, ora ora, o que nos temos aqui? De onde você saiu? — Ele parecia alegre e confuso com minha presença
— Hey, Dalgaren, tira suas patas desse celestial, ele é meu — Garamol surge aos berros atrás de mim.
— Seu? Que estranho! Não vejo sua marca nele — O demônio me olhava como se procurasse algo.
Eu estava no meio do corredor, com dois demônios discutindo para ver quem me mataria primeiro. Tentei correr inutilmente, pois o demônio loiro e alto me segurou.
— Não tenha medo, eu não vou deixar ele te machucar.
Sua voz ecoou doce e gentil, Dalgaren parecia disposto a me ajudar por algum motivo desconhecido.
— Por que está me ajudando? — Estranhei.
— Não há tempo para isso, fique atrás de mim, quando eu mandar você correr, você corre!
— Qual é Dalgaren! Não seja egoísta, você já ficou com o último celestial que esteve no submundo, é a minha vez agora.
— Eu não vou permitir, que façam com ele, o que fizeram com Benjamin
Ao ouvir aquele nome, meus olhos se arregalarão, então ele conheceu Sr Benjamin?
— Não faça besteira, você sabe quem o trouxe?
— Não me importa! — Dalgaren parecia convicto
— Então, você não me deixa escolha.
Garamol se preparava, mas quando parecia que iam lutar, alguém surge atrás de nós, gritando meu nome, e logo aquele corredor se escureceu ainda mais.
— JIMMY?
— Droga! — Reclama Garamol.
Ao me virar assustado para trás, vejo Boutrix na companhia de Alot, seus olhos estavam enraivecidos, rapidamente, Dalgaren, crava suas garras em meu pescoço, me puxa até ele e sussurra em meu ouvido.
— Apenas me siga — Ele volta sua atenção a Boutrix — E isso que está procurando?
— O que eu te falei, Jimmyzinho? Não saía por ai sem mim — Diz balançando a cabeça em negação — Eu deveria te punir por isso. Dalgaren, por favor, me entregue o escolhido, sim?
— Então você o quer mesmo? Pode vir PEGAR!
Dalgaren, subitamente, joga ao ar, uma substância avermelhada, como algum tipo de fumaça ou um gás.
— Não respira! Essa fumaça pode te matar — Diz tampando minha respiração — Aguenta só mais um pouquinho.
Quando abri meus olhos, não estávamos mais no Castelo, o lugar era mais escuro e úmido, como uma caverna ou algo do tipo.
— Me desculpe, foi o único lugar que consegui pensar de última hora.
— Está tudo bem, e obrigada por ter salvo minha vida.
— Não me agradeça, está preso ainda! — Ele diz se assentando em uma pedra — Podemos ficar aqui por hora, Boutrix não vai nos achar.
— Por que está fazendo isso?
— Eu só não quero que aconteça de novo — Seu semblante se entristeceu
— O que houve com Sr Benjamin?
Sua feição mudou ao mero citar no nome de Benjamim, denunciando que ele sabia o que acontecera em seus anos de exílio no submundo.
— Eu tentei ajudá-lo, mas falhei, Benjamin era como uma espécie de troféu para ele, não se descuidava dele nem por um segundo, o tempo todo, Benjamim sempre estava com ele, não importava o que ele fosse fazer. Carregava Ben como a um cachorrinho na coleira.
— Ben? Como você o conheceu?
— Quando ele tentou fugir — Ele para subitamente — Tudo começou quando Boru o trouxe para cá...
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Atualizado até capítulo 56
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