O vapor quente do submundo já podia ser sentido, batia contra a pele do meu rosto; era como estar mergulhando de cabeça em um vulcão.
Minha alma estava agitada, por razões que eu não podia compreender; por mais que eu tentasse enxergar além do que meus olhos podiam ver, havia algo que nublava minha compreensão da verdade.
Lá no fundo do meu ser, algo gritava por mim, implorando para que eu me lembrasse de alguma coisa, eu sentia como se eu precisasse procurar por algo, ou alguém.
Mas o que poderia ser?
O amor da minha vida já estava bem aqui, Boutrix caminhava ao meu lado, por aquele longo corredor de pedra, então porquê um vazio me tomava, o que poderia estar faltando? Nossos planos logo se concretizariam, Boutrix se tornaria o novo rei do submundo; só pode ser coisa da minha cabeça.
O demônio caminhou a minha frente, com suas mãos entrelaçadas as minhas todo o tempo, nos seguimos para o quarto do mesmo, sem que ninguém nos visse, tudo já estava preparado; demônios guardavam todas as saídas do Castelo, ninguém entraria, nem sairia vivo, se não cooperasse.
Devido a escassez de confiança no submundo, todos os artefatos que poderiam matar demônios, foram terminantemente proibidos, tornando minha espada a única coisa capaz de ceifar a vida de um demônio, principalmente se tratando do rei.
O pai de Beatrix estava assentado em seu trono, resolvendo seus problemas, sem desconfiar de nada. Ele mau notou quando as portas foram fechadas, trancando o rei e mais dois demônios ali.
— O que está acontecendo? — Ele se exalta caminhando até a porta — ABRAM ISSO! AGORA.
— Majestade, mantenha a calma, pode ser uma armadilha — Fala um dos demônios
— Ah! Você acha — Esbraveja apertando o pescoço do menor — Seus inúteis, façam alguma coisa — Empurra o mesmo
Os demônios imediatamente tentaram de tudo para abrir a portal. Mas após várias tentativas falhas, o rei já esgotara toda sua paciência
— IMPRESTÁVEIS! SAÍ DAÍ — Grita caminhando até a porta.
Mas assim que o rei ergue sua mão para tentar abrí-la, a mesma se abre abruptamente, assustando a todos; expressões de surpresa e raiva vieram dos três.
— VOCÊ! CLARO... SÓ PODIA SER VOCÊ.
— Ora, meu tio! decepcionado? — Boutrix aparece sorrindo.
— Eu já falei para não me chamar de tio, sua aberração.
— Cuidado com o que fala — Rapidamente retirei minha espada apontando para o mesmo.
A pele do Demônio queimava só com o menor tocar na lâmina dourada da espada. Sua expressão arregalada, denunciava que o mesmo não tinha conhecimento algum sobre tal objeto.
— Fique calmo meu amor — Ele segura em minha cintura — Meu tio só está irritado, acho que ele merece uma explicação, antes de morrer, você não acha?
— MORRER? — Grita transtornado — Quem você pensa que é? Eu sou o rei do submundo, o demônio mais forte de todos.
— Não seja tão orgulhoso, você não é nada, perto do meu escolhido.
O demônio se descontrola, e tenta lutar, mas é impedido pelos dois demônios, que ele julgara estar ao seu lado. De joelhos, ele é mantido perante Boutrix, agora com correntes demoníacas em suas mãos, as mesmas que mantinham Boru confinado, ao exílio nos confins do inferno.
— Olha só para você! Tão patético, de joelhos perante aquele que discriminou a vida inteira. Você sempre foi assim, orgulhoso, fraco, um arrogante prepotente; estava tão preocupado consigo mesmo, que nem percebeu o que estava acontecendo no seu próprio reino.
A voz de Boutrix saiu carregada de mágoa, raiva e pesar.
— Nenhum dos seus súditos e leal a você. Eu tomei seu reino, e você nem percebeu — Conclui com um largo sorriso — Mas não vamos adiar mais essa despedida, e não se preocupe, sua filhinha logo irá te encontrar.
— NÃO, FIQUE LONGE DELA, É SUA IRMÃ — Se debatia tentando escapar
— IRMÃ? COMO VOCÊ TEM CORAGEM, DE ME DIZER ISSO? — O demônio se descontrola apertando a garganta do maior — Por que não pensou nisso quando mandava ele me torturar por horas, huh? Por que não dizia que eu era da família, quando mandava meu próprio pai me espancar quase até a morte? — Ele aperta ainda mais forte — E por que em? Só porque eu não era igual a você.
A feição de Boutrix, era de puro ódio, como se finalmente, estivesse se libertando, e dizendo tudo o que sempre quis.
— Está tudo bem, meu amor. Vamos acabar logo com isso — Digo tentando fazê-lo se acalmar
— Você está certo, como sempre querido — Termina selando meus lábios — Últimas palavras?
O demônio encarava Boutrix, parecia pensar, e por longos minutos, se manteve calado, até encontrar as palavras.
— Não vai conseguir, seja lá qual for seu planinho sujo, não vai conseguir.
— Sempre muito gentil! Você não percebeu? Olhe ao seu redor — Fala abrindo os braços.
Neste mesmo instante, todas as portas se abriram, e todos os demônios entraram, cercando o rei; o mais Velho observava as feições de satisfação de todos, bufando de raiva.
— SEUS TRAIDORES...
— Eu já venci — Boutrix dera um sorriso orgulhoso — Faça as honras meu amor
O portal se abriu frente a todos; expressões sorridentes e curiosas surgiram, todos queriam ver seu rei finalmente cair.
Então colocando minha mão no portal, retiro de lá a besta dourada. Caminhei lentamente até o demônio, parando próximo a ele; ergui minha espada, e sorrindo cortei de uma vez, a cabeça do rei demônio.
O sangue negro escorreu, a cabeça rolou pelo chão de pedra; todos ficaram eufóricos, e rapidamente, a coroa fora retirada da cabeça decepada do Demônio. Um cervo, caminha orgulhoso, e coroa a Boutrix
O submundo estava sob nova direção.
O Dragão vermelho finalmente se tornar a o rei do inferno; então, ele pega em minha mão, e beijando seu dorso, nos caminhamos lentamente; todos o ovacionavam; o novo rei fora assistido, se assentar em seu trono dourado; aplausos e gritos orgulhosos não cessaram tão cedo.
Boutrix se manteve grudado a minha cintura, e após se assentar em seu trono, ele me puxa com força, me colocando em seu colo; me beijando intensamente frente a todos.
O submundo estava em festa.
E na superfície, Petter e os outros, andavam de um lado para o outro, a Torre estava destruída, e ninguém sabia o que fazer.
— Espera! Me conte de novo o que houve — Derek dizia a Petter.
— Ele colocou um colar negro com uma pedra vermelha nele. E depois disso, ele ficou estranho, com olhos avermelhados — Petter respondera com cabeça baixa
— Claro! Como eu não vi isso — O Guardião parecia ter entendido — Um feitiço de amor, é tão óbvio.
— O QUE? — O demônio se atenta — Você está dizendo, que Jimmy, o meu Jimmy, está enfeitiçado? Ele acha que ama aquele MALDITO
Petter se descontrola, andando sem parar no curto espaço que restara
— Se irritar não vai adiantar nada — Disse Bermac sereno
— Tudo bem, mas e o tal Leviak? Ele não pode fazer alguma coisa?
— Isso depende, provavelmente, Boutrix usou um feitiço forte o suficiente, para bloquear o contato entre as almas. Se for isso, não podemos contar com ele, só nos resta, quebrar o tal feitiço — Derek fala encarando o nada.
— E COMO EU FAÇO ISSO? COMO VAMOS TRAZÊ-LO DE VOLTA? — Petter grita segurando o braço do guardião
— Primeiro você vai se acalmar e soltar meu braço — O mesmo obedece — Aí! Agora, eu não sei como, sem saber qual feitiço ele usou. Mas podemos tentar retirar o colar dele.
Para Petter aquela solução parecia ridiculamente simples.
Mas teria que servir.
Ele traria seu amor de volta, custe o que custar.
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Atualizado até capítulo 56
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