Petter havia aparecido na hora certa, caído do céu como um milagre; exatamente quando precisávamos de um.
Dalgaren observava o garoto com uma feição confusa, como se estivesse tentando reconhecê-lo de alguma forma, mas falhava sempre que tentava.
— Quem é aquele demônio? Eu nunca o vi por aqui — Seu olhar permanecia fixo em Petter.
— PETTER! — Gritei sem perceber.
Instantaneamente levei minhas mãos até minha boca, em sinal de silêncio. Dalgaren me olha e então diz
— Você o conhece?
— Sim, seu nome é Petter, sobrinho do Boutrix.
Sua reação de choque era perfeitamente compreensível.
— O QUE VOCÊ DISSE? — Falou completamente espantado — Sobrinho do Boutrix? — Ele parecia pensar — Então, quer dizer, que ele é filho da RAINHA! Era só o que faltava.
— Não! Não, Petter não é ruim, ele cresceu na superfície, está comigo.
— Espera, espera, espera, um demônio? Na superfície? Como isso é possível?
— Beatrix não o quis, e o deu a uma família adotiva. É uma longa história Dalgaren, não há tempo, temos que ajudá-lo.
— Você está certo! Vamos nos aproximar de vagar. Venha — Ele fala segurando em minha mão.
Caminhamos lentamente, tentando nos aproximar, sem que nossa presença fosse notada. Um clima de tensão podia ser sentido, nada era dito, apenas a espera, de que alguém desse o primeiro passo, o primeiro ataque. E ele veio, mas não dá forma esperada; Dalgaren, sem avisar nada, pulou no olho do furacão, me levando junto; todos subitamente se espantaram, Petter arregalou seus olhos em nossa direção, Dalgaren ainda estava a segurar minha mão.
— O QUE SIGNIFICA ISSO? EU VENHO TE SALVAR, E VOCÊ APARECE DE MÃOS DADAS COM OUTRO? — Petter grita de repente.
— Petter, não crie caso, Dalgaren arriscou sua vida para me salvar.
— Uma vez traidor, sempre traidor, não é? Dalgaren — Um demônio se pronuncia — Outra vez vai trair os seus, pelo escolhido.
— Me perdoe por isso meu irmão, mas essa história já está a perdurar por muito tempo.
— Maravilha! Mas da para desgrudar essa mão dele? — Petter diz ríspido
— Perdoe-me meu príncipe — Dalgaren solta minha mão imediatamente — Vamos acabar logo com isso.
Dalgaren se coloca a minha frente, mas eu o impeço de me proteger; me posicionei ao seu lado, e mesmo ainda não sabendo como, pensei em minha espada, e rapidamente o portal se abriu; coloquei minha mão direita, e de lá, puxei a espada, a tão temida besta dourada, e vendo as reações de espanto e medo a ela, percebo que todos a conheciam muito bem.
— A besta dourada! — Dalgaren diz admirado — Como? Quem é você?
— Agora não, Dalgaren, depois eu te conto tudo.
Subitamente a batalha começou, não pretendíamos estendê-la desnecessáriamente. Precisávamos apenas de uma distração, para nos permitir passar pelo portal, sem que uma guerra se iniciasse no submundo.
Petter atacou primeiro, concentrou todo seu poder, e disparou tenpestades de raios, um a um, derrubou a todos sem que pudéssemos acompanhar seus movimentos, somente o clarão de seus ataques podia ser visto, mas o impacto nublava nossa visão. Quando nos demos conta do que havia acontecido, Petter estava parado bem a minha frente, e todos os dez demônios ao chão.
— Você não é o único com truques novos, meu amor — Ele diz sorrindo
— Convencido! — Sorrio de volta.
— Vamos? Antes que meu tio resolva aparecer.
Sem esperar, Petter agarra minha cintura abruptamente, e com suas longas asas, voa para fora do submundo, deixando todos para trás.
— Ele não pensa em mais ninguém — Reclama Bermac — É o que nós ganhamos per seguí-lo.
Derek apenas gargalha com seu comentário
— Deixe-o Bermac, Petter sempre foi meio egoísta, e está apaixonado.
— É bondade sua falar meio. Ele esquece que nem todo mundo aqui sabe VOAR — Ele enfatiza olhando para o portal.
— Venha, eu levo vocês — Dalgaren se oferece.
Bermac e Derek se posicionam nos braços de Dalgaren, e rapidamente, todos saem de lá, sabendo que não seriam seguidos, pois sem a permissão de Boutrix, nenhum demônio saía do submundo.
Já na floresta vermelha, nós seguimos de volta a Torre Sheldorn; durante mais da metade do caminho, todos caminharam em silêncio, Petter fizera questão de segurar minha mão, e pensativo, as palavras de Dalgaren vieram a minha cabeça, o nome Iteak não saía de minha mente, então parei abrupto, me virei na direção de Derek, e perguntei.
— Derek? Por acaso você conhece Iteak?
Seus olhos se arregalarão em instantâneo.
— Onde ouviu esse nome? — Ele pergunta atônito
— Dalgaren me contou a história de Benjamin e Iteak. Por que ele o abandonou?
Dalgaren apenas ouvia em silêncio
— Ele fez o que tinha que ser feito — Responde ríspido.
— Como assim? O dever de um Itaxhak, não é proteger seu escolhido? Então porquê ele não fez isso?
— Entenda Jimmy, que nem tudo saiu como planejado, nós tínhamos que ter um plano b
— E esse plano b, por acaso era eu?
— Por favor entenda, eu fiz tudo o que me era possível, mas as coisas saíram do controle
— Você? Como assim você? — Estranhei seu comentário
Sua feição de espanto cresceu, ele se virou de costas e passou a mão em seus cabelos, atordoado, como se tivesse cometido um erro, até uma voz pacífica roubar a atenção.
— Conte a eles Iteak, conte a verdade a eles, está na hora.
Subitamente Teledom apareceu, surpreendendo a todos; olhos de admiração e curiosidade surgiram, ninguém queria acreditar.
O que ele estava fazendo aqui?
Derek respirou fundo, olhou fixo para Teledom, que apenas sorriu de lado consentindo seu próximo movimento.
— Tudo bem! — Ele fala se virando — Sou eu, está bem, eu sou Iteak
— Você? — Dalgaren parecia desacreditar — PORQUÊ O ABANDONOU? PORQUÊ O DEIXOU PARA MORRER — O demônio se descontrola indo para cima de Derek.
Rapidamente tentei impedí-lo.
— Dalgaren calma, deve haver alguma explicação para isso, por favor, mantenha a calma — Ele apenas me olhava.
Seus olhos estavam marejados, então ele suspira pesado, e da as costas.
— Não foi culpa do Iteak, eu o mandei esquecê-lo
— Mas porquê? Ele não era bom o suficiente para você? Então você simplesmente decidiu substituí-lo?
— Não Dalgaren, não. Benjamin era minha criação, e eu o amava tanto quanto os outros. Só eu sei o quanto me doeu ter que deixá-lo lá, mas eu vejo tudo, eu sei que Benjamin não conseguiria, então tive que ir pessoalmente.
— Eu não entendo — Dalgaren diz já em prantos.
— Por favor, me perdoe! Mas para garantir a sobrevivência de todo os meus filhos, eu tive que sacrificar alguns, Benjamin sabia dos riscos quando aceitou a missão, eu não o briguei a ir, você o conheceu, sabe que ele faria de tudo para salvar alguém.
— Sim, eu sei. Ele daria a própria vida por você.
— Espera! — Interrompi a conveesa — Então quer dizer que, se Benjamin não tivesse morrido, eu nem teria sido criado? — Subitamente a raiva me consumiu — Como o senhor pode dizer que não o obrigou a isso? O senhor apagou toda minha vida, me jogou aqui contra a minha vontade, sem saber o que fazer, e nunca me perguntou se eu queria fazer parte disso.
— Jimmy, me desculpe, mas não havia mais tempo.
— Não havia mais tempo? Então eu devo simplesmente aceitar esse destino maluco? Eu devo MORRER por um mundo que nem me pertence? — Seus olhos se arregalarão em choque — O QUE FOI? VOCÊ ACHOU MESMO QUE EU NÃO SABIA?
Teledom olha para Derek em busca de uma resposta, mas o mesmo se mostrava tão surpreso quanto ele.
— Não, não foi ele que me contou!
— Espera, do que ele está falando? — Petter interrompe — Ninguém disse nada sobre morrer, você só me mandou ficar longe dele
— Boutrix estava certo! Você também sabia? — Digo olhando Petter — O QUE MAIS ESTÃO ESCONDENDO DE MIM?
— Jimmy, meu amor, por favor acredite em mim, Derek falou que ia te contar, na hora certa. Não era para você ficar sabendo antes. AQUELE MALDITO DEMÔNIO.
— Aquele maldito demônio, foi o único que não mentiu para mim. Todos vocês, mentem o tempo todo, mesmo agora, continuam mentindo na MINHA CARA.
Nada fora dito, um silêncio estarrecedor pairou pelo ar. Ninguém teve coragem de falar nada. Apenas balancei a cabeça em negação, e segui na frente.
— JIMMY? — Grita Petter.
— Deixe-o, na Torre vocês conversaram.
Petter corre em minha direção, seguido por Bermac e Dalgaren. Derek permanecia com teledom.
— Eu disse que ele não ia aceitar.
— Escute Iteak...
— Derek — Interrompe.
— Derek — Ele suspira pesado — Jimmy irá até ele, não o impeça, deixe-o ir. Ele precisa ver a verdade com seus próprios olhos, só então, poderá decidir seu caminho; não posso obrigá-lo a seguir a luz, ele tem que escolher seu destino.
— E se ele escolher a escuridão? Vai matá-lo também? Depois e só fazer outro, não é? Até que as coisas saíam como você quer.
— Por favor Ammian, não me condene. Eu estou tentando concertar as coisas.
— Você fala em concertar as coisas, mas eu ainda estou preso aqui. Você não me deixa voltar, também não me permite morrer. O que mais você quer que eu faça?
— Eu prometo que vou concertar tudo. Por hora, só cuide dele por mim, por favor Ammian.
— Entenda. Tudo o que eu faço, e para proteger Jimmy, não é por você.
Eles se olharam por longos segundos, e Teledom partiu em seguida. E por mais que as lágrimas de Derek quisessem descer, ele não se permitiu chorar, suspirou fundo, e logo nos alcançou.
Só tinham dois barcos, para seis pessoas, e por mais que pudéssemos ir sem problemas; eu não conseguia encará-los. As palavras de Boutrix não saíam de minha cabeça — Se quiser saber a verdade sobre a sua vida, diga "meu demônio" e eu virei correndo.
Seria loucura ir até Boutrix por livre e espontânea vontade, mas se eles se recusam a me contar a verdade, o único jeito será ir atrás dela eu mesmo.
Parei de repente a um passo do barco, me virei para o lado, e caminhei no sentido oposto a eles.
— Jimmy? Jimmy? O que está fazendo? — Petter grita tentando me parar.
— Eu vou sozinho, nos vemos na Torre — Apenas disse e continuei andando.
— Não, de jeito nenhum, eu não vou deixar você ir sozinho.
— Porquê? Será que nem isso eu posso decidir? — Parei abrupto
— Jimmy...
— Tudo bem meu príncipe — Dalgaren o interrompe — Eu o protegerei.
Petter reluta, mas me vendo seguir sozinho, ele percebe que não havia escolhas, então Dalgaren começa a me seguir; e eles pelo Rio.
Eu não fazia ideia de como chegar a Torre Sheldorn, nem se eu estava no caminho certo, mas o fato era, que de uma forma ou de outra, eu chegaria lá. Dalgaren me seguia, me olhando o tempo todo, como se quisesse dizer algo, e por longos segundos ele reluta, até que descuide falar.
— Olha Jimmy, eu sei como é não ter escolhas — Ele toma minha atenção —Eu vivi por muito tempo seguindo as ordens da família principal, achando que aquilo era a meu destino, de todos os demônios, até conhecer Benjamin, Teledom estava certo, ele não fez por obrigação, ele sabia que ia morrer, e tentou mesmo assim.
Suas palavras mexeram comigo, talvez eu não estivesse olhando a situação da maneira correta; quer dizer, Sr Benjamin sabia que ia morrer, e mesmo assim seguiu seu caminho, com coragem. E eu agindo como uma criança.
Então
Vou honrar minha promessa, terminar o que Sr Benjamin começou, mas para isso, preciso saber a verdade, para que os erros do passado não sejam repetidos.
— Dalgaren, preciso te pedir um favor
Ele me olha como se já estivesse certo em fazê-lo.
— O que quiser, estarei com você.
— Ótimo, porquê eu preciso falar com Boutrix, e quero que venha comigo.
— Mas porquê? Por que quer voltar? Não vamos conseguir sair uma segunda vez.
— Ninguém falou em voltar — Sorrio de lado — Ele vira até mim.
— Mas como?
— Confie em mim.
Ele apenas concordou, então, escondidos na floresta vermelha, era chegada a hora de invocar Boutrix.
Fechei meus olhos, me concentrando em tudo o que o demônio havia me dito, Dalgaren estava atrás de mim, apenas a observar o que eu faria; suspirei fundo soltando o ar e falando logo em seguida
— Meu demônio.
Submundo, Palácio de pedra
— Finalmente Jimmyzinho! — Boutrix sorri e logo desaparece.
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Atualizado até capítulo 56
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