O gélido ar quase trincava meus lábios, somente os passos leves que desciam as escadas, podiam ser ouvidos — como um sussurro inaudível de quem caminhava sobre uma estrada de ovos, que não podiam jamais serem quebrados.
Corpo e alma trêmiam, um sopro nos alcançava na escuridão profunda de pedra; fosse o medo ou o frio, continuávamos a adentrar a escuridão, como quem fugia do pavor de encarar a si mesmo no espelho. Corações palpitantes acompanhavam o arrepio da pele, com a mente presa ao futuro incerto, de que somente o som do bater do coração, fosse suficiente para acordá-los.
Adentramos o primeiro andar, onde Dalgaren, Leon, Bermac, Win e outros repousavam nas celas do subterrâneo Sheldorn. Mas algo chamara a atenção.
— Eles ficam muito bem juntos! — Paramos admirando Red e Win a dormirem juntos.
— Sim, ficam sim. Mas Red não conta logo a verdade a ele.
— É! Ele deveria aproveitar o curto tempo que nos resta — Sorri tristonho
— Não fale assim, nós vamos conseguir.
Observávamos os dois a dormirem serenos; até a mesma voz de outrora roubar a cena novamente.
— Pequeno anão, seu príncipe lhe chama — Açougueiro aparece gritando repentino.
Eu não disse nada, apenas observei a feição tranquila de Derek, que apenas consentiu com um meigo sorriso, e logo eu me virei para subir novamente.
Ao me aproximar do quarto, vejo Petter com o tronco desnudo, gotas d'água escorrendo por sua pele branca, e apenas uma fina calça branca quase transparente guardava seu corpo.
— Me chamou? — Perguntei passando os olhos por seu corpo.
Assim que percebeu minha presença, o demônio úmideceu seus lábios com a língua, sorriu de lado e caminhou sem falar uma palavra; passou desviando minha presença e trancou a porta atrás de mim.
— Chamei sim! Você sumiu de repente, eu senti sua falta — Ele sussurra baixo em meu ouvido
Petter se posicionou atrás de mim, passou suas mãos agarrando minha cintura, enquanto deixava leves selares em meu rosto.
— O que deu em você hoje? — Sorri entrelaçando nossas mãos.
— Eu estou com saudades de você, ultimamente você só tem me ignorado — Ele finge tristeza — Eu só tive você para mim uma vez, não acha que eu mereço uma recompensa? Por tudo o que passamos nos últimos anos?
— Petter, não faça isso! — Ele deixava vários selares em meu pescoço — Temos muitas coisas para fazer, não é hora para pensar nisso.
— E quando vai ser? — O demônio parecia indignado — Nós não paramos nunca, se não tirarmos uns minutinhos para nós, então não faz sentido estarmos juntos.
— Não faça drama! Quando terminarmos, teremos todo tempo do mundo.
— Continue se iludindo com isso, mas sabe que não é verdade...
— E o que você quer que eu faça?
— Pare de me recusar, escolhido
— Não Petter! Vá se vestir, temos muito a fazer.
Me desvencilhei de seus braços, e o empurrei na cama, o vendo sorrir igual a um pervertido.
— Então é assim que você quer jogar, não é? Tudo bem, eu gostei.
— O QUE? Não. Fique aí. Pare de me olhar assim! — Pedi firmemente
— Me peça tudo menos isso! — Ele diz umedecendo os lábios.
— O que está fazendo? — Falei enquanto o observava levantar e caminhar em minha direção.
— Fique quieto!
Conforme ele se aproximava, eu andava para trás, tentando fugir de suas investidas, mas sou impedido pela parede, que se mostrara mais próxima do que o imaginado. E agora, tão perto de mim, ele começa a alisar meu abdômen, subindo seus toques cada vez mais.
— Pare! — Digo baixinho — Alguém pode chegar...
E de repente, ele cessa minhas palavras com sua boca, em um beijo calmo, que não fora correspondido no começo, mas logo concedi a ele meu controle.
O demônio não era apenas dono do meu coração e de minha alma, mas de todo o meu corpo também.
Com a mão em minha nuca, ele puxa meu cabelo com certa força, erguendo meus rosto em sua direção, e logo continua o beijo, mas dessa vez, mais intenso, com mais desejo; seu corpo queimava como o inferno, logo ele desce sua mão direita até o fino tecido de minha blusa, e sem demora, retira com certa presa, as roupas que já incomodavam em meu corpo, trilhando um caminho com sua boca, por todo meu abdômen, no segundo seguinte, estava ele, ajoelhado em minha frente, percorrendo todo meu corpo com suas firmemente.
Com as mãos em meu abdômen, ele começa seu trabalho; o interior de sua boca era quente, tão quente quanto seu corpo, e toda a migalha de controle que eu achava que tinha, se esvaiu. Eu já não estava lúcido...
Permaneci com meus olhos fechados, arfando leve, e em um impulso automático, enrrosquei minha mão esquerda em seu cabelo, movimentando sua cabeça cada vez mais rápido.
Tudo estava perfeito, e naquele quarto escuro só se ouvia os barulhos de sua boca e os gemidos vindos de minha parte, mas não demorou muito até outro barulho ser ouvido, barulho esse que me fez arregalar os olhos tão assustado até eles arderem.
— Jimmy? JIMMY — Barulhos são ouvidos na porta
— É o Derek...
Mas Petter não ligou, continuou seu trabalho agora mais rápido, mais intenso que antes.
— P-Petter... n-não....
— Xiu! Geme baixinho, eles vão te ouvir... — Ele para apenas para me olhar.
— Jimmy, o que está fazendo? Precisamos conversar — Derek insistia.
— E-EU JÁ V-VOU — Tentei parecer o mais normal possível
O demônio apenas sorria do meu desespero. Até que ele para abruptamente, com seus olhos fixos em mim, ele agarra minha cintura apertando com força, e em um impulso ríspido, vira meu corpo até que fique de costas para ele, entrelaçando nossas mãos na parede; seus beijos faziam meu corpo inteiro se arrepiar, suas mãos iam e viam, apertando cada parte.
— Tente não gemer agora, sim? — Ele se aproxima de meu ouvido sussurrando baixo.
— P-Petter! P-pare...
— Você quer mesmo que eu pare? — Ele solta um leve sorriso — Tente mentir melhor então.
Sua mão subiu até meu pescoço, erguendo minha cabeça com força, em seguida, tapando minha boca, e iniciando a penetração suavemente.
[...]
O tempo passou sem que eu percebesse, realmente, não havia mais o mínimo senso de percepção dentro daquele quarto. Nossos corpos permaneciam jogados na cama, as roupas espalhadas por todo o quarto, e com um sorriso bobo, Petter me olhava sem desviar o olhar.
E durante o resto da nossa tarde, permiti me afundar no vazio daquela imensidão avermelhada, e entre sorrisos ele beijava minha testa, um beijo casto e demorado, apenas para que eu soubesse
Que ele sempre me pertenceria.
Não importava o que acontecesse
Não importava onde estivéssemos
Petter sempre pertenceria a mim, nossas almas sempre se encontrariam
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Atualizado até capítulo 56
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