09

— Por todos os deuses!! - passo por Skoll correndo, indo direto para as escadas, esquecendo completamente a ferida parcialmente curada em minha coxa.

Aesmir e Skoll me seguem de perto, se entre olhando com cumplicidade antes que o loiro agarre a minha cintura e salte as escadas comigo em seus braços, só me colocando no chão quando já estamos do lado de fora da casa, junto com todos os outros, que observam perplexos o movimento nos limites da propriedade, mal percebendo nossa chegada.

Alguns cochichos se espalham entre os lobos, enquanto eu sinalizo para Skoll, pedindo que traga a minha capa pendurada no hall de entrada do casarão. Sem perder tempo, caminho em passos firmes até estar fora dos portões encantados.

Poucos metros á minha frente, Hati está em sua forma animal, cercado por um grupo de licantropos também em suas formas selvagens, rosnando e uivando de forma ameaçadora. Julgando pela respiração irregular de meu amigo, estou um pouco atrasada.

— Hey!!! - Grito o mais alto que consigo, atraindo a atenção de todos para mim. Meus olhos encontram os de Hati por um momento antes de pousarem sobre a figura familiar do líder dos licantropos. - Já chega!!!

Pego a capa que Skoll estende para mim e continuo avançando até estar lado a lado com o moreno, que agora se encontra de volta em sua forma humana. Apoiado sobre um joelho e com suor escorrendo por sua pele exposta, ele ergue o olhar para mim, determinado e furioso.

— Volta pra casa, Heletria. Agora. - ele manda como se eu fosse uma criança, seus olhos passando rapidamente pelo meu curativo agora manchado de sangue, enquanto um rosnado baixo escapa de sua garganta. - Eles vão me pagar caro por terem machucado você.

Seus olhos estão mais assustadores que nunca, mas parecem abrandar um pouco ao olharem para mim. Ele cerra os punhos e volta a encarar com fúria o lobisomem em sua frente. Sem roupas e com as veias saltadas por todos os seus músculos tensionados e expostos, percebo que ele não pretende voltar pacificamente comigo para a propriedade.

Por um instante, me pego admirada por sua beleza. E lisonjeada que esteja tão determinado a lutar por mim. Ninguém nunca se arriscou tanto por minha causa até hoje. Mas rapidamente volto a realidade, preocupada com as consequências de sua atitude, e com o risco ao qual estamos expostos todos nós. Afasto o medo do meu peito, controlando o tremor que se espalha pelo meu corpo.

Suspiro, colocando minha capa sobre os ombros do homem. Ele se vira bem rápido e me olha completamente confuso, com as pupilas dilatando adoravelmente ao me ver sorrir. Hati franze o cenho antes de aceitar minha mão estendida para ajudá-lo a ficar de pé.

— Obrigada por se importar tanto. Mas eu cuido disso agora. Apenas fique por perto para voltarmos para casa juntos e confie em mim, pode ser? - Aperto a mão dele, olhando em seu olhos com confiança antes de me afastar, dando alguns passos á frente na direção do inimigo.

Assim que me aproximo, com um olhar ameaçador e um sorriso forçado e arrogante no rosto, os subordinados de Licaão recuam, rosnando para mim. Vejo o medo cruzar seus olhares, mas minha encenação calculada não tem o mesmo efeito em seu líder, que fareja o ar na minha direção e emite um ruído que parece uma risada.

— Eu consigo sentir o cheiro do seu medo e sangue, feiticeira... Veio até aqui para morrer com seu cãozinho? - a voz grave envia um arrepio pela minha espinha.

— O sangue até pode ser meu, mas estou certa de que o medo está vindo dos seus companheiros... Eu diria que lamento decepcionar, só que eu estaria mentindo. - cerro os punhos, cravando as unhas nas palmas das minhas mãos para me impedir de vacilar. Meu sorriso aumenta. - Você está se esquecendo que aqui ainda é meu território. Assim como toda essa floresta.

— Você invadiu o meu território para resgatar aqueles cãezinhos. Está roubando de mim e ainda cobra respeito, bruxa estúpida? - ele rosna mais alto para mim, mostrando suas presas enormes e garras afiadas.

— Não se precipite, Senhor Lobo. - o encaro com uma expressão vazia, canalizando meu poder no solo abaixo de nós, mas minha única resposta é um leve tremor, apenas forte o bastante para abalar a confiança dos lobos negros. - Eu não estou cobrando, estou avisando. E como deve ter percebido, eu não sou uma pessoa muito paciente.

— Eu vim buscar aquilo que me pertence. Devolva a garota, Aesmir, e me entregue as cabeças dos dois cãezinhos gêmeos. Eu permito que fique com os outros, eles não têm serventia para mim.

— Não tenho nada para devolver. Eles são todos meus amigos agora, e estão todos sob a minha proteção. Se quiser colocar suas patas desprezíveis em qualquer um deles, é melhor que esteja pronto para morrer.

Diante a minha recusa, os licantropos avançam.

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Comments

Valda Martins

Valda Martins

Eita o outro agora aparece

2024-04-06

0

Silvia Araújo

Silvia Araújo

muito bom

2024-01-23

1

Carla Andrade

Carla Andrade

sensacional

2023-05-26

1

Ver todos

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