#20

Isadora

Depois que José foi dormir após o almoço, Isadora sentou-se

embaixo da sua árvore preferida no jardim, pegou o celular e discou o número de

sua casa. Após alguns toques, ouviu a voz de seu querido pai.

- Papai. - disse\, emocionada.

- Filha\, minha querida! - o senhor respondeu com a voz

embargada.

Os dois conversaram amenidades, Isadora perguntou se o pai

estava se cuidando, tomando os remédios e se alimentando. O homem pedia perdão

por ter feito a filha pagar a sua dívida, mas a moça preferiu não dizer que já

quase nem lembrava o que a levou até ali.

- Esse homem mau levou você de mim!

- Papai\, o senhor Gabriel não é mau. - ela disse – Ele é bom

comigo, me trata bem. Eu realmente gosto daqui, não se preocupe. - garantiu ao

homem.

Depois de mais um pouco de conversa e perguntar sobre todos

na vizinhança, eles desligaram, com Isadora prometendo que ligaria no dia

seguinte.

A moça suspirou e se sentiu aliviada com aquela conversa,

ouvir a voz do pai trouxera-lhe paz, ela sabia que em breve iria encontrá-lo,

faltava apenas… onze meses.

#

Gabriel

Estava concentrado tentando entender um contrato importante

quando Otávio entrou esbaforido no escritório.

- Senhor.

- O que houve\, Otávio? - ele perguntou levantando-se rápido

ao ver a fisionomia do outro.

- Há um homem lá embaixo. Ele diz que levará a senhora

Isadora embora, mesmo contra a vontade dela.

Gabriel saiu do escritório e desceu as escadas, encontrou um

homem mais novo que ele, de olhos claros e cabelos castanhos, segurando o braço

de sua esposa com força, enquanto brandia uma arma.

Aquele imbecil de novo?

- Theo\, eu não vou com você. - ela dizia chorando\, tentando

se soltar.

- Isadora\, eu vi nesse jornal\, você e esse gângster juntos.

- ele jogou o jornal aos pés de Gabriel\, nele havia uma foto dos dois de braços

dados, no dia do jantar.

- Solte a minha esposa. Agora! – mandou\, o ódio em seus

olhos assustaria qualquer um, menos aquele idiota.

- Você\, Gabriel Maldonado\, não vai tirar Isadora de mim! – o

outro gritou – Eu a conheço há mais tempo!

- Theo\, você está doido? Você só é meu amigo\, me larga. -

ela se desequilibrou e acabou caindo no chão.

Foi a oportunidade que Gabriel esperava para avançar no

outro, que assustado, ergueu a arma e disparou.

#

Isadora

Isadora viu a cena acontecer em câmera lenta. No exato

momento em que Theo disparou a arma, ela gritou e correu em direção a Gabriel,

que caiu instantaneamente no chão. Olhou para o local em que Theo estava antes,

mas o viu correndo pelo jardim, tentando fugir dos seguranças.

- Gabriel…. - disse\, chorando – Gabriel… - ela o sacudiu um

pouco, enquanto as lágrimas molhavam o peito do homem, se misturando com o

sangue dele.

Ele tentou dizer algo, mas não conseguiu. O tiro atingira

seu ombro e a ferida sangrava profusamente.

- Sr. Otávio\, chame uma ambulância! - Isadora gritava

enquanto abraçava o corpo do homem que era seu marido – Vai ficar tudo bem,

Gabriel. Vai ficar tudo bem.

Após alguns minutos, a ambulância chegou. O médico avaliou o

ferimento e disse que Gabriel precisaria de uma cirurgia para retirada da bala.

Isadora acompanhou o homem na ambulância, segurando a mão dele, nem sabia se

queria confortá-lo ou ser confortada pelo contato entre os dois.

Só conseguia pensar que aquilo era culpa dela, afinal Theo

era seu amigo e fora ali para salvá-la. Mas a jovem não queria ser salva,

tentou explicar a ele que o sr. Gabriel era um homem bom, que estava cuidando

dela e a tratava com respeito, mas o amigo não quis saber e acabou por fazer

aquela desgraça.

Theo mostrava o jornal e perguntava porquê Isadora escolhera

Gabriel e não ele. A moça não o reconhecia mais. Eles nunca tiveram nada além

de amizade, mas agora a moça percebia que isso era apenas da parte dela. Theo

tinha outras intenções, mas a jovem nunca percebeu.

Quando chegaram ao hospital, o homem foi levado com urgência

para a sala de cirurgia, ele continuava desacordado, enquanto Isadora ficava

ali, aflita, aguardando notícias.

#

Gabriel

Acordou sentindo o ombro direito pegando fogo. A dor era

lancinante. Quando abriu os olhos percebeu que estava em um hospital. Lembrou

dos últimos acontecimentos e se agitou. O que teria acontecido com ela? Ele

teria levado sua esposa? Tentou arrancar os fios que o ligavam às máquinas, mas

um toque suave o impediu. O homem olhou para a dona da mão e o alívio tomou

conta de si. Ela estava ali com ele, tudo estava bem.

- Sr. Gabriel\, não se mexa\, ou os pontos vão abrir. - ela

pediu, tentando deitá-lo novamente – Vou chamar uma enfermeira.

- Espere. - ele disse\, a voz rouca – Você está bem?

Gabriel percebeu que os olhos da moça se encheram de

lágrimas.

- Sr. Gabriel\, a culpa foi minha. Theo enlouqueceu.

- Ele era seu namorado? – perguntou\, mesmo sem querer ouvir

a resposta caso fosse afirmativa.

Sabia que não tinha esse direito, o casamento era apenas de

aparências, mas queria saber.

- Não! Ele nunca foi mais do que um amigo. - disse indignada

– Nós nos conhecemos desde pequenos, crescemos juntos. Ele é só meu amigo, não

entendo por que ele fez isso com o senhor.

- Por favor… - Gabriel disse fechando os olhos – Pare de me

chamar de senhor.

- Desculpe. É o hábito. - respondeu enquanto ajeitava os

travesseiros atrás da cabeça do homem e provocava fisgadinhas em seu ombro (e

em seu coração) – Vou chamar uma enfermeira e avisar que você acordou.

Gabriel permaneceu de olhos fechados, ouviu os passos dela

se afastando e suspirou.

- Sr. Gabriel? - uma voz masculina disse. Ele abriu os olhos

e viu um rapaz vestido de jaleco ao lado da sua esposa.

- Meu nome é Pablo\, sou seu médico. - o homem então começou

a falar sobre seu estado de saúde que era estável, a cirurgia tinha sido

simples, tiraram o projetil, mas ele teria que ficar em repouso por dez dias,

ou então os pontos abririam e poderia infeccionar. No dia seguinte, pela manhã,

ele poderia ir para casa, mas deveria ficar em repouso, o homem lembrou.

- Você ouviu\, não é\, Sr. Gabriel? - a moça disse se sentando

na cadeira ao lado da cama – Repouso. Não pode fazer esforço.

Ele olhou para ela, desistiu de corrigi-la quanto ao

“senhor”, revirou os olhos e fingiu que dormia. Até parece que ele ia ficar dez

dias deitado, era um homem de negócios, muito atarefado, não era um tiro que ia

pará-lo.

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Comments

Luci Feer

Luci Feer

caramba, já deu nos nervos, ela ficar chamando ele de senhor.

2025-02-25

1

MARCIA GUIMARÃES

MARCIA GUIMARÃES

Ela tem deficiência mental?
Já contei seis vezes que ele pediu pra não chamar de " senhor" e a chatinha continua....
Ta estressando essa repetição.

2024-12-17

2

Anonymous

Anonymous

O Sr. Gabriel tem que ter muito cuidado a segurança da casa é ineficiente

2024-10-01

1

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