Isadora
Depois que José foi dormir após o almoço, Isadora sentou-se
embaixo da sua árvore preferida no jardim, pegou o celular e discou o número de
sua casa. Após alguns toques, ouviu a voz de seu querido pai.
- Papai. - disse\, emocionada.
- Filha\, minha querida! - o senhor respondeu com a voz
embargada.
Os dois conversaram amenidades, Isadora perguntou se o pai
estava se cuidando, tomando os remédios e se alimentando. O homem pedia perdão
por ter feito a filha pagar a sua dívida, mas a moça preferiu não dizer que já
quase nem lembrava o que a levou até ali.
- Esse homem mau levou você de mim!
- Papai\, o senhor Gabriel não é mau. - ela disse – Ele é bom
comigo, me trata bem. Eu realmente gosto daqui, não se preocupe. - garantiu ao
homem.
Depois de mais um pouco de conversa e perguntar sobre todos
na vizinhança, eles desligaram, com Isadora prometendo que ligaria no dia
seguinte.
A moça suspirou e se sentiu aliviada com aquela conversa,
ouvir a voz do pai trouxera-lhe paz, ela sabia que em breve iria encontrá-lo,
faltava apenas… onze meses.
#
Gabriel
Estava concentrado tentando entender um contrato importante
quando Otávio entrou esbaforido no escritório.
- Senhor.
- O que houve\, Otávio? - ele perguntou levantando-se rápido
ao ver a fisionomia do outro.
- Há um homem lá embaixo. Ele diz que levará a senhora
Isadora embora, mesmo contra a vontade dela.
Gabriel saiu do escritório e desceu as escadas, encontrou um
homem mais novo que ele, de olhos claros e cabelos castanhos, segurando o braço
de sua esposa com força, enquanto brandia uma arma.
Aquele imbecil de novo?
- Theo\, eu não vou com você. - ela dizia chorando\, tentando
se soltar.
- Isadora\, eu vi nesse jornal\, você e esse gângster juntos.
- ele jogou o jornal aos pés de Gabriel\, nele havia uma foto dos dois de braços
dados, no dia do jantar.
- Solte a minha esposa. Agora! – mandou\, o ódio em seus
olhos assustaria qualquer um, menos aquele idiota.
- Você\, Gabriel Maldonado\, não vai tirar Isadora de mim! – o
outro gritou – Eu a conheço há mais tempo!
- Theo\, você está doido? Você só é meu amigo\, me larga. -
ela se desequilibrou e acabou caindo no chão.
Foi a oportunidade que Gabriel esperava para avançar no
outro, que assustado, ergueu a arma e disparou.
#
Isadora
Isadora viu a cena acontecer em câmera lenta. No exato
momento em que Theo disparou a arma, ela gritou e correu em direção a Gabriel,
que caiu instantaneamente no chão. Olhou para o local em que Theo estava antes,
mas o viu correndo pelo jardim, tentando fugir dos seguranças.
- Gabriel…. - disse\, chorando – Gabriel… - ela o sacudiu um
pouco, enquanto as lágrimas molhavam o peito do homem, se misturando com o
sangue dele.
Ele tentou dizer algo, mas não conseguiu. O tiro atingira
seu ombro e a ferida sangrava profusamente.
- Sr. Otávio\, chame uma ambulância! - Isadora gritava
enquanto abraçava o corpo do homem que era seu marido – Vai ficar tudo bem,
Gabriel. Vai ficar tudo bem.
Após alguns minutos, a ambulância chegou. O médico avaliou o
ferimento e disse que Gabriel precisaria de uma cirurgia para retirada da bala.
Isadora acompanhou o homem na ambulância, segurando a mão dele, nem sabia se
queria confortá-lo ou ser confortada pelo contato entre os dois.
Só conseguia pensar que aquilo era culpa dela, afinal Theo
era seu amigo e fora ali para salvá-la. Mas a jovem não queria ser salva,
tentou explicar a ele que o sr. Gabriel era um homem bom, que estava cuidando
dela e a tratava com respeito, mas o amigo não quis saber e acabou por fazer
aquela desgraça.
Theo mostrava o jornal e perguntava porquê Isadora escolhera
Gabriel e não ele. A moça não o reconhecia mais. Eles nunca tiveram nada além
de amizade, mas agora a moça percebia que isso era apenas da parte dela. Theo
tinha outras intenções, mas a jovem nunca percebeu.
Quando chegaram ao hospital, o homem foi levado com urgência
para a sala de cirurgia, ele continuava desacordado, enquanto Isadora ficava
ali, aflita, aguardando notícias.
#
Gabriel
Acordou sentindo o ombro direito pegando fogo. A dor era
lancinante. Quando abriu os olhos percebeu que estava em um hospital. Lembrou
dos últimos acontecimentos e se agitou. O que teria acontecido com ela? Ele
teria levado sua esposa? Tentou arrancar os fios que o ligavam às máquinas, mas
um toque suave o impediu. O homem olhou para a dona da mão e o alívio tomou
conta de si. Ela estava ali com ele, tudo estava bem.
- Sr. Gabriel\, não se mexa\, ou os pontos vão abrir. - ela
pediu, tentando deitá-lo novamente – Vou chamar uma enfermeira.
- Espere. - ele disse\, a voz rouca – Você está bem?
Gabriel percebeu que os olhos da moça se encheram de
lágrimas.
- Sr. Gabriel\, a culpa foi minha. Theo enlouqueceu.
- Ele era seu namorado? – perguntou\, mesmo sem querer ouvir
a resposta caso fosse afirmativa.
Sabia que não tinha esse direito, o casamento era apenas de
aparências, mas queria saber.
- Não! Ele nunca foi mais do que um amigo. - disse indignada
– Nós nos conhecemos desde pequenos, crescemos juntos. Ele é só meu amigo, não
entendo por que ele fez isso com o senhor.
- Por favor… - Gabriel disse fechando os olhos – Pare de me
chamar de senhor.
- Desculpe. É o hábito. - respondeu enquanto ajeitava os
travesseiros atrás da cabeça do homem e provocava fisgadinhas em seu ombro (e
em seu coração) – Vou chamar uma enfermeira e avisar que você acordou.
Gabriel permaneceu de olhos fechados, ouviu os passos dela
se afastando e suspirou.
- Sr. Gabriel? - uma voz masculina disse. Ele abriu os olhos
e viu um rapaz vestido de jaleco ao lado da sua esposa.
- Meu nome é Pablo\, sou seu médico. - o homem então começou
a falar sobre seu estado de saúde que era estável, a cirurgia tinha sido
simples, tiraram o projetil, mas ele teria que ficar em repouso por dez dias,
ou então os pontos abririam e poderia infeccionar. No dia seguinte, pela manhã,
ele poderia ir para casa, mas deveria ficar em repouso, o homem lembrou.
- Você ouviu\, não é\, Sr. Gabriel? - a moça disse se sentando
na cadeira ao lado da cama – Repouso. Não pode fazer esforço.
Ele olhou para ela, desistiu de corrigi-la quanto ao
“senhor”, revirou os olhos e fingiu que dormia. Até parece que ele ia ficar dez
dias deitado, era um homem de negócios, muito atarefado, não era um tiro que ia
pará-lo.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Luci Feer
caramba, já deu nos nervos, ela ficar chamando ele de senhor.
2025-02-25
1
MARCIA GUIMARÃES
Ela tem deficiência mental?
Já contei seis vezes que ele pediu pra não chamar de " senhor" e a chatinha continua....
Ta estressando essa repetição.
2024-12-17
2
Anonymous
O Sr. Gabriel tem que ter muito cuidado a segurança da casa é ineficiente
2024-10-01
1