#2

ISADORA

As aulas do turno da tarde tinham terminado, Isadora se

despedia de seus pequenos alunos quando a secretária da escola entrou correndo

na sala, chamando pela moça.

- Você precisa vir até a secretaria. Há um telefonema. -

Anne disse, afoita – É sobre seu pai.

A professora sentiu um aperto no peito e, sem pensar, saiu

correndo junto com a outra moça. Se estavam ligando para a Escola, o assunto

era bastante sério.

- Alô? - perguntou\, aflita\, não estava preparada para ouvir

o pior.

- Alô\, Isadora? - a voz masculina disse do outro lado da

linha – Aqui é o Fernando. O tio José foi preso hoje cedo.

Fernando e Isadora eram amigos de infância, tinham crescido

no mesmo bairro, se tratavam como irmãos. A mãe dele, tia Neide, era sua única

referência de como uma mãe deveria ser. O rapaz era policial, por isso que ele

estava ligando para ela.

- Fernando\, o que aconteceu?”- falou desesperada.

- Isadora\, acho melhor você vir até aqui\, explicarei melhor.

- o rapaz disse\, misterioso – Estou esperando por você.

Ela desligou o telefone e ignorou as perguntas que Anne

fazia. Pegou um táxi que vinha passando pela rua, sem entender o que

acontecera, mas, com certeza, era um engano. Seu pai não faria nada para ser

preso, ele era um homem muito honesto, com certeza aquilo era um engano.

#

GABRIEL

Gabriel estava bastante inquieto. Perdera o dia quase todo

naquela delegacia que exalava um cheiro estranho de café velho, tudo porque

aquele homem enlouqueceu e o ameaçou com uma tesoura de jardim quando foram até

a casa despejá-lo. Nunca imaginou que o velho Silveira ficaria tão agressivo de

repente.

Olhava as mensagens no celular quando, ao levantar os olhos,

viu uma moça de cabelos castanhos longos e revoltos, trajando calça jeans e

camiseta verde, além de um par de tênis brancos desgastados, entrar correndo na

delegacia. Ela parecia desesperada.

- Onde está meu pai? - ela dizia – O nome dele é José. José

Silveira.

Não houve tempo para que a recepcionista respondesse, uma

vez que o policial que atendera a ocorrência (e que na opinião de Gabriel

parecia muito novo para ser um policial, tinha cara de bebê) saiu da sala e

veio falar com a moça. A garota se jogou nos braços do rapaz, parecia que os

dois protagonizavam um filme água com açúcar. A cena causou náusea em Gabriel,

ele não tinha paciência para cenas melosas. Os dois ficaram abraçados em plena

delegacia de polícia, pareciam bem íntimos.

- Fernando\, onde está papai? Como ele está? - perguntou\,

aflita.

- Dora\, calma. - o rapaz disse\, levando-a até a sala – Vamos

conversar.

Gabriel ficou refletindo sobre aquela cena. Então aquela era

a filha do velho Silveira. O homem sempre falava o quanto a filha era

maravilhosa, esforçada e bonita. Interessante. Tão interessante como passar

horas naquela delegacia. Revirou os olhos e atendeu o telefone que tocava

insistentemente. Seu sócio, Leonardo, estava chamando.

- Gabriel\, nós tínhamos uma reunião com os outros sócios. -

o outro homem falou, chateado.

- Eu sei\, Leonardo\, mas houve um problema na execução do

Silveira. - o rapaz suspirou – Estou na delegacia. - falou, calmamente, como se

falasse as horas.

- Delegacia? Gabriel você tinha que estar aqui! - o outro

sibilou – Você sabe a pressão que os outros sócios estão fazendo.

- Leonardo\, eles não podem me tirar da presidência da

empresa só por que estou viúvo. - Gabriel disse despreocupado – Aliás, que

cláusula idiota foi essa que colocamos no contrato societário? Por que o

presidente precisa ser um homem casado? Essa empresa foi construída por nós,

nós mandamos nela! - disse rilhando os dentes, deixando a raiva tomar conta

dele.

- Gabriel\, não é bem assim. - o outro falou aos sussurros\,

provavelmente estava perto dos outros sócios – Eles nos ajudaram quando a

empresa estava em crise. O contrato foi feito por eles, provavelmente nunca

imaginaram que você se casaria com a Letícia… e nós não esperávamos que ela

morresse tão repentinamente.

- Leonardo… - Gabriel falou\, já pronto para ser rude com o

sócio e melhor amigo, mas foi interrompido pelo policial com cara de criança,

que o chamava para entrar na sala. - Depois conversamos. - e desligou,

ignorando os apelos do amigo.

Gabriel entrou na sala e sentou em uma cadeira que o

policial indicou, de frente para onde a moça, possivelmente a namorada dele,

estava. Percebeu que a garota se assustou com sua aparência, ele sabia que

aquela marca no seu rosto assustava a todos, o que só fez com que a raiva que

ele sentia aumentasse.

- Isadora\, este é Gabriel Black. Como expliquei\, ele é dono

da empresa que hipotecou sua casa. Tio José não teve dinheiro para pagar a

hipoteca e a empresa foi executar a dívida com uma ordem de despejo. - o rapaz

repetiu a história - Tio José não aceitou e quis agredir o Sr. Gabriel.

- Sr. Gabriel\, por favor\, perdoe meu pai. - a moça pediu\,

enquanto chorava copiosamente. Era impressionante o brilho dos olhos castanhos,

eles eram grandes e pareciam muito inocentes, o pedido era genuíno, mas Gabriel

não tinha mais coração para se comover - Ele está velho e doente. Eu juro que

pagarei a dívida, mas por favor, retire a queixa contra meu pai. - ela

suplicou.

- Como você conseguiria me pagar\, menina? - ele perguntou

com ar de escárnio, olhando para os sapatos desgastados que já tinham visto

dias melhores – Seu pai me deve quase quinhentos mil reais.

A moça arregalou os olhos, desesperada. Pelo visto, o velho

não explicara o tamanho da dívida para a filha.

- Se o senhor puder parcelar\, com certeza\, conseguirei

pagar. - pediu, sem ter muita certeza do que dizia. - Eu trabalho na escola do

bairro, o senhor pode me encontrar lá, eu darei todo o meu salário a você. -

garantiu.

Gabriel olhou para a moça e observou bem o rosto, cabelo,

corpo. Era inegável que a moça era muito bonita, mesmo que sua aparência fosse

bem simples. E era uma professora… Além do mais, obviamente ela não sabia nada

sobre ele, nem sobre sua família. De repente, Gabriel teve uma ideia. Uma ideia

que poderia resolver seus dois maiores problemas naquele momento.

- Tudo bem\, eu posso perdoar a dívida e tirar a queixa

contra seu pai. - ele viu o rosto da moça se iluminar completamente – Desde que

você trabalhe para mim.

- Claro\, eu posso trabalhar para você! - disse sorrindo\,

aliviada, como se nem acreditasse na sorte que tinha. - O que vou fazer?

- Você será minha esposa.

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Comments

Edivania Gomes

Edivania Gomes

em qie época se passa essa história em não existia médico para fazer uma plástica nele não dinheiro ele tem

2024-10-09

3

Joana Sena

Joana Sena

Caramba 😱

2024-10-05

0

Patricia M

Patricia M

eita ele foi direto ao ponto kkkk

2024-09-24

2

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