#4

GABRIEL

Gabriel não sabia onde estava com a cabeça quando inventou

aquilo. Como poderia ter feito esse tipo de chantagem? Sabia que era uma pessoa

má, mas estava realmente impressionado com seu nível de maldade.

- Vamos nos casar num cartório do centro da cidade. -

Gabriel falou, nunca olhando para sua futura esposa – Eu conheço o tabelião de

lá, ele nos casará sem necessidade de correr os proclamas.

- Tudo bem. - a moça respondeu\, limpando as lágrimas que

insistiam em cair – Posso pegar algumas roupas na minha casa? - perguntou.

- Não será necessário. - o homem respondeu\, seco –

Providenciarei roupas para você.

Olhou de soslaio e teve quase certeza que as roupas de

Letícia serviriam naquela moça, isso serviria por aquela noite. No dia

seguinte, ele providenciaria roupas novas para ela.

Ao chegarem no cartório foram direto para a sala do tabelião

que recebeu Gabriel com alegria. Gabriel explicou ao amigo a situação e, após

alguns ajustes, o homem concordou em realizar o casamento, ali mesmo, naquela

sala. Como testemunhas, chamou dois servidores do cartório e depois de algumas

assinaturas estava feito. Os dois tinham casado.

Após a cerimônia, Gabriel olhou para Isadora, tentando

decifrar o que ela pensava. A moça parecia confusa, enquanto mantinha o olhar

perdido no chão. Alguma parte do seu coração que ainda tinha vida se encolheu,

sentindo vergonha dele, da maldade que ele estava fazendo, mas logo se

recuperou. Precisava daquela moça para manter o controle das ações da empresa e

ela também o ajudaria com José, que estava rebelde desde a morte da mãe. Em um

ano, depois de mudar o estatuto da empresa e mandar o filho para uma escola no

exterior, não precisaria mais daquela moça, eles se divorciariam e ela estaria

livre para viver como quisesse.

Após o casamento, o novo casal voltou para o carro do homem

e seguiram para a casa dele. De vez em quando o rapaz olhava para sua esposa

com o canto do olho e via a moça limpando as lágrimas do rosto. A garota talvez

pensasse que ele era um monstro e estava levando-a até a morte. Já era quase

noite quando os dois chegaram.

O carro parou em frente a um imenso portão preto que se

abriu magicamente para que o veículo passasse. Eles passaram pelas árvores que

havia pelo caminho, até que ele estacionou em um pátio, em frente a uma casa

enorme de dois andares. Ele olhou para a noiva e ela olhava tudo boquiaberta,

parecendo assustada.

- Vamos. - falou enquanto desligava o carro.

- Meu Deus\, essa casa parece enorme. - falou olhando para a

frente da Mansão, mas antes que Gabriel respondesse, uma voz infantil o trouxe

para a realidade.

- Papai! Papai! - ouviu o filho chamar e vir correndo na

direção deles – Papai, olha o avião que meu tio Rafael fez. - mostrou o

aviãozinho de papel.

- Muito bonito\, filho. - Gabriel respondeu – José\, preciso

te apresentar uma pessoa. Esta é… - ele tentou falar o nome da moça, mas não

conseguiu.

- Eu sou Isadora. - ela completou\, abaixou-se e ficou da

mesma altura que a criança, estendeu a mão e sorriu – Sou a nova assistente

pessoal do seu pai. - mentiu.

Ele não sabia de onde a garota tinha tirado essa história de

assistente pessoal, mas por enquanto seria o suficiente para justificar a

presença dela ali para o menino, não sabia como a criança agiria ao ver uma

mulher estranha chegar de repente e tomar o lugar da sua mãe.

- Eu sou José. - o menino disse sorrindo e apertando a mão

da moça – Srta. Isadora, você viu meu avião?

- Eu vi\, querido e é lindo. - ela respondeu\, sorrindo para o

menino – Mas não precisa me chamar de Srta.

O menino sorriu e assim os três entraram na casa, Isadora

conversando com José sobre brinquedos e outras coisas que Gabriel não fazia

ideia do que era. Ela realmente tinha jeito para crianças, talvez fosse o fato

de ser professora.

Assim que entraram encontram Irene e Rafael, o irmão e a

cunhada de Gabriel, além de Otávio, o mordomo.

- Boa noite. - a mulher saudou – Temos convidados hoje\,

Gabriel querido?

Irene era uma mulher baixinha, de cabelos negros e curtos,

que tinha os olhos afiados como os de uma águia, ela era sua cunhada há dez

anos, mas Gabriel tentava falar com ela apenas o necessário.

- Otávio\, por favor\, leve José para se preparar para o

jantar. - depois que os dois saíram, Gabriel falou para a cunhada – Essa é a

minha nova esposa.

#

ISADORA

Percebeu que a mulher baixinha e de cabelos negros e lisos

ficou assustada com aquela informação, a boca dela abriu em um “O”, mas não

disse nada. Já o homem alto, magro e um pouco calvo que estava do lado dela

pareceu realmente feliz, abriu um sorriso tão largo que chegava aos olhos.

- Que felicidade\, Gabriel! - o homem abraçou o irmão – Você

encontrou o amor de novo!

- Calma\, querido Rafael. - a mulher disse ao esposo que

parecia muito feliz – Calma.

O olhar da mulher era avaliador, ao contrário do marido, ela

não parecia fácil de enganar. Irene olhava para Isadora, com sua visão de

raio-x, um pouco intimidadora.

- Eu sou Isadora. - ela disse estendendo a mão para o homem

que a apertou firmemente e sorriu, ele não parecia em nada com o irmão, era

simpático, muito sorridente e parecia um pouco desgrenhado.

A cunhada não quis cumprimentá-la com a mão, apenas

assentiu, no rosto exibia um sorriso que não chegava aos olhos.

- Esses são Rafael\, meu irmão mais velho e Irene\, esposa

dele, minha cunhada. - Gabriel explicou.

- Gabriel\, como isso aconteceu tão rápido? - a cunhada quis

saber.

- Eu já a conhecia\, cunhada. - o homem respondeu\, seco\, o

tom era definitivo, não admitia mais perguntas – Ela trabalha em uma filial da

empresa e então aconteceu. - resumiu, duro e encerrou o assunto por ora.

O homem puxou Isadora pelo braço e juntos subiram as

escadas, ignorando qualquer questionamento que pudesse ser feito pelos

familiares. Isadora nem percebeu que o homem a levava, estava impressionada com

a casa, tudo exalava luxo e riqueza.

Ele abriu uma das inúmeras portas que havia no corredor e,

assim que se viram sozinhos, Gabriel falou:

- Você ficará no mesmo quarto que eu\, mas não se preocupe\,

não dormiremos juntos. - ele garantiu.

- Senhor Gabriel\, não seria melhor que eu ficasse em outro

quarto? – falou, nervosa. Não queria ficar no mesmo quarto que aquele homem

estranho que acabara de conhecer.

- Não\, isso não será possível. Minha cunhada está

suspeitando da história. – respondeu, enquanto entravam em um amplo escritório

todo decorado com pinturas em preto e branco, o local era bastante estoico

assim como seu dono. - Ela é uma das sócias da minha empresa, não pode saber

que esse casamento é falso.

A moça o olhou, confusa.

- Segundo o contrato societário da minha empresa\, o sócio

presidente deve ser casado. - ele suspirou chateado - Uma cláusula que eu não

concordo, mas colocaram depois que a empresa entrou em crise e precisamos abrir

o capital para sócios de fora. Então ninguém pode saber que nosso casamento é

falso. - ele olhou para a moça, sério – Acredito que no período de um ano

conseguirei mudar isso, os negócios estão indo bem, em breve não precisarei

mais dos sócios, assim poderemos dissolver esse casamento sem maiores

problemas.

- Tudo bem\, Sr. Gabriel. - concordou\, sem questionar.

- Não é bom que você me chame de senhor. - ele sorriu\, um

sorriso minúsculo que tocava apenas o canto dos lábios dele, sarcástico –

Querida esposa.

A moça deu um sorriso sem graça e logo os dois voltaram para

o corredor, em silêncio. Gabriel abriu uma das inúmeras portas e então eles estavam

num quarto, assim como o escritório, o cômodo exalava um ar masculino, decorado

com cortinas e colcha escuras, além de quadros abstratos preto-e-branco que

adornavam as paredes.

O homem foi até o imenso guarda-roupa que ficava no canto e

abriu uma porta, dentro havia roupas femininas penduradas em cabides.

- São as roupas da minha falecida esposa. - Gabriel disse\,

seco – Por enquanto, você pode usar estas,

assim que possível providenciaremos roupas que sejam do seu gosto. Você pode se acomodar, irei para o escritório, preciso

falar com meu sócio sobre o acordo que deixará claro as condições do nosso

casamento.

A garota assentiu mais uma vez e suspirou quando o homem saiu pela porta, certa de que sua vida nunca mais seria a mesma.

Mais populares

Comments

Vó Ném

Vó Ném

Vai girar caidinho por ela....rsrsrsrs

2025-02-09

0

Patricia M

Patricia M

já ele amanssa kkkkk e vai ficar derretido feto manteiga kkkkk

2024-09-24

2

Euridice Neta

Euridice Neta

Lidar com um homem frio, magoado é demais pra uma pessoa simples, meiga e humilde como Isadora

2024-08-10

3

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!