#18

ISADORA

Era isso.

Ela matara Gabriel Maldonado.

Quando o homem desmaiou, Isadora chorou desesperadamente.

Otávio voltou para o quarto e não entendeu nada quando ela repetiu várias vezes

que tinha assassinado o homem.

Poucos minutos depois, o Dr. Emanuel, o mesmo que examinara

Isadora há alguns dias, chegou e examinou o homem. Como ela imaginara, era

concussão. Gabriel ficaria bem logo, mas não poderia dormir durante a noite ou

corria o risco de entrar em coma.

- E você? Melhorou da garganta? – o médico perguntou

sorrindo.

- Sim\, doutor. Estou bem.

- Que bom. Bem\, venho amanhã ver nosso paciente. – ele disse

– Cuide bem dele. – o homem piscou o olho e saiu, acompanhado do mordomo.

- Eu estou bem\, não precisava chamar o médico. – o homem

teimoso disse, depois que a porta foi fechada.

- Sr. Gabriel\, por favor\, me perdoe! – disse novamente e

dessa vez chorava muito.

O homem se levantou da poltrona, lentamente, e foi até ela,

segurou as mãos que cobriam o rosto dela e então limpou suas lágrimas com todo

cuidado.

- Chega. - ele disse baixinho – Não é necessário isso. –

disse enquanto limpava as lágrimas – E não me chame de senhor.

Ela se calou e, então, os dois ficaram se encarando. O

coração dela batia rápido como quisesse fugir para algum lugar.

O momento entre os dois foi interrompido quando a porta foi

aberta e Otávio entrou. Isadora saiu do quarto para que o mordomo ajudasse o

patrão a trocar a roupa e fazer sua higiene pessoal.

Enquanto isso, Isadora desceu e preparou uma sopa de legumes

para o marido, a mesma sopa que fazia para o pai quando ele ficava doente.

Tentou segurar o choro, enquanto preparava a sopa, Vilma

tentava acalmá-la, afirmando que ela não era culpada. Depois que terminou,

subiu e voltou para o quarto.

O homem estava sentado com as costas apoiadas na cabeceira

da cama, ele conversava com o filho.

- Tia!

- Meu amor\, vamos ajudar seu pai a comer.

- Eu posso comer sozinho\, pode ir jantar com José. - ele

disse, ríspido. Isadora assentiu, mas antes que saísse, Anne chegou e chamou o

menino para jantar, depois que eles saíram, o casal ficou sozinho e a esposa

observou o marido ingerir todo o conteúdo do prato.

- Vou para o sofá. Você fica na cama. - o homem disse após

comer, tentando levantar.

- Não\, fique aí. - ela pediu – Você não pode dormir. Vou

observá-lo durante a noite. - ela sorriu para o homem que continuava sério.

Antes que ele pudesse responder, José entrou no quarto

trazendo seu cachorro de pelúcia e um livro de histórias. O menino queria ficar

ao lado do pai, pois se assustou com o que acontecera, então para Isadora seria

mais fácil mantê-lo acordado.

O pequeno se acomodou ao lado do pai, abraçando o homem,

repousando a cabeça em seu peito. Sentiu um quentinho no peito ao ver a cena e,

então, iniciou a leitura para os dois.

Isadora se espreguiçou longamente na cama super confortável.

Arregalou os olhos ao perceber que estava na cama. Sentou-se rapidamente e olhou

para os lados, estava deitada sozinha.

Deus, ela tinha que ter ficado a noite acordada, velando o

sono do Sr. Gabriel, seu marido. E se ele tivesse morrido durante a noite e

Otávio não quis acordá-la?

Levantou e saiu em desabalada carreira, mas freou quando

achou Gabriel na mesa do escritório, olhando para a tela do computador.

- Bom dia. - ele disse calmamente.

- Como assim\, bom dia? - disse indignada – Ontem o senhor

teve uma concussão.

- Hoje já estou melhor. - falou sem nem mesmo olhar para ela

– Não me chame de senhor. - lembrou.

Ela olhou o homem com cuidado. Ele parecia muito bem, vestia

um conjunto de moletom azul-marinho, só para variar. Isadora se aproximou e

tocou o calombo que ainda estava na cabeça dele e arrancou um gemido do mesmo.

- O s… quer dizer\, você deveria descansar. - ela repetiu.

- Estou descansando. Não vou trabalhar hoje. - respondeu

atento à tela do computador que exibia alguns gráficos.

Deus, que homem teimoso, era mais teimoso que o seu pai!

- Tudo bem\, vou ver José. – disse\, com raiva\, indo para o

quarto do menino.

- Espere. - ele chamou. Gabriel levantou da cadeira e trouxe

uma pequena sacola nas mãos. - Para você.

Ela abriu o pacote e encontrou um celular. Era um aparelho

moderno, muito melhor do que aquele que ela deixou em casa. Olhou do aparelho

para o homem, sem compreender.

- É uma forma de você se comunicar com seu pai\, afinal você

não é uma prisioneira aqui. - explicou – E eu também posso querer falar com

você quando estiver longe.

Ela não sabia o que dizer, só que estava bastante emocionada

com aquele gesto. Ela ouviria a voz do pai, saberia se ele estava bem, eles até

poderiam se falar todos os dias.

Isadora não se conteve e abraçou Gabriel com bastante força,

enquanto sentia os olhos ardendo pelas lágrimas de felicidade. De tudo que ele

lhe dera, a oportunidade de falar com o pai era o melhor presente de todos.

- Obrigada\, muito obrigada\, sr. Gabriel. - ela sorriu.

O homem revirou os olhos em resposta e voltou para a mesa,

mas antes de sentar, lembrou mais uma vez:

- Não me chame de senhor.

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Comments

Vó Ném

Vó Ném

Totalmente e agora vai cair de quatro pela donzela kkkkkkkk

2025-02-09

0

Alessandra Torres

Alessandra Torres

esse guerreiro já foi abatido kkkkk

2024-12-12

1

Patricia M

Patricia M

kkkkkk ela tem que parar de chamar ele de senhor kkkko

2024-09-25

2

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