ISADORA
Era isso.
Ela matara Gabriel Maldonado.
Quando o homem desmaiou, Isadora chorou desesperadamente.
Otávio voltou para o quarto e não entendeu nada quando ela repetiu várias vezes
que tinha assassinado o homem.
Poucos minutos depois, o Dr. Emanuel, o mesmo que examinara
Isadora há alguns dias, chegou e examinou o homem. Como ela imaginara, era
concussão. Gabriel ficaria bem logo, mas não poderia dormir durante a noite ou
corria o risco de entrar em coma.
- E você? Melhorou da garganta? – o médico perguntou
sorrindo.
- Sim\, doutor. Estou bem.
- Que bom. Bem\, venho amanhã ver nosso paciente. – ele disse
– Cuide bem dele. – o homem piscou o olho e saiu, acompanhado do mordomo.
- Eu estou bem\, não precisava chamar o médico. – o homem
teimoso disse, depois que a porta foi fechada.
- Sr. Gabriel\, por favor\, me perdoe! – disse novamente e
dessa vez chorava muito.
O homem se levantou da poltrona, lentamente, e foi até ela,
segurou as mãos que cobriam o rosto dela e então limpou suas lágrimas com todo
cuidado.
- Chega. - ele disse baixinho – Não é necessário isso. –
disse enquanto limpava as lágrimas – E não me chame de senhor.
Ela se calou e, então, os dois ficaram se encarando. O
coração dela batia rápido como quisesse fugir para algum lugar.
O momento entre os dois foi interrompido quando a porta foi
aberta e Otávio entrou. Isadora saiu do quarto para que o mordomo ajudasse o
patrão a trocar a roupa e fazer sua higiene pessoal.
Enquanto isso, Isadora desceu e preparou uma sopa de legumes
para o marido, a mesma sopa que fazia para o pai quando ele ficava doente.
Tentou segurar o choro, enquanto preparava a sopa, Vilma
tentava acalmá-la, afirmando que ela não era culpada. Depois que terminou,
subiu e voltou para o quarto.
O homem estava sentado com as costas apoiadas na cabeceira
da cama, ele conversava com o filho.
- Tia!
- Meu amor\, vamos ajudar seu pai a comer.
- Eu posso comer sozinho\, pode ir jantar com José. - ele
disse, ríspido. Isadora assentiu, mas antes que saísse, Anne chegou e chamou o
menino para jantar, depois que eles saíram, o casal ficou sozinho e a esposa
observou o marido ingerir todo o conteúdo do prato.
- Vou para o sofá. Você fica na cama. - o homem disse após
comer, tentando levantar.
- Não\, fique aí. - ela pediu – Você não pode dormir. Vou
observá-lo durante a noite. - ela sorriu para o homem que continuava sério.
Antes que ele pudesse responder, José entrou no quarto
trazendo seu cachorro de pelúcia e um livro de histórias. O menino queria ficar
ao lado do pai, pois se assustou com o que acontecera, então para Isadora seria
mais fácil mantê-lo acordado.
O pequeno se acomodou ao lado do pai, abraçando o homem,
repousando a cabeça em seu peito. Sentiu um quentinho no peito ao ver a cena e,
então, iniciou a leitura para os dois.
Isadora se espreguiçou longamente na cama super confortável.
Arregalou os olhos ao perceber que estava na cama. Sentou-se rapidamente e olhou
para os lados, estava deitada sozinha.
Deus, ela tinha que ter ficado a noite acordada, velando o
sono do Sr. Gabriel, seu marido. E se ele tivesse morrido durante a noite e
Otávio não quis acordá-la?
Levantou e saiu em desabalada carreira, mas freou quando
achou Gabriel na mesa do escritório, olhando para a tela do computador.
- Bom dia. - ele disse calmamente.
- Como assim\, bom dia? - disse indignada – Ontem o senhor
teve uma concussão.
- Hoje já estou melhor. - falou sem nem mesmo olhar para ela
– Não me chame de senhor. - lembrou.
Ela olhou o homem com cuidado. Ele parecia muito bem, vestia
um conjunto de moletom azul-marinho, só para variar. Isadora se aproximou e
tocou o calombo que ainda estava na cabeça dele e arrancou um gemido do mesmo.
- O s… quer dizer\, você deveria descansar. - ela repetiu.
- Estou descansando. Não vou trabalhar hoje. - respondeu
atento à tela do computador que exibia alguns gráficos.
Deus, que homem teimoso, era mais teimoso que o seu pai!
- Tudo bem\, vou ver José. – disse\, com raiva\, indo para o
quarto do menino.
- Espere. - ele chamou. Gabriel levantou da cadeira e trouxe
uma pequena sacola nas mãos. - Para você.
Ela abriu o pacote e encontrou um celular. Era um aparelho
moderno, muito melhor do que aquele que ela deixou em casa. Olhou do aparelho
para o homem, sem compreender.
- É uma forma de você se comunicar com seu pai\, afinal você
não é uma prisioneira aqui. - explicou – E eu também posso querer falar com
você quando estiver longe.
Ela não sabia o que dizer, só que estava bastante emocionada
com aquele gesto. Ela ouviria a voz do pai, saberia se ele estava bem, eles até
poderiam se falar todos os dias.
Isadora não se conteve e abraçou Gabriel com bastante força,
enquanto sentia os olhos ardendo pelas lágrimas de felicidade. De tudo que ele
lhe dera, a oportunidade de falar com o pai era o melhor presente de todos.
- Obrigada\, muito obrigada\, sr. Gabriel. - ela sorriu.
O homem revirou os olhos em resposta e voltou para a mesa,
mas antes de sentar, lembrou mais uma vez:
- Não me chame de senhor.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Vó Ném
Totalmente e agora vai cair de quatro pela donzela kkkkkkkk
2025-02-09
0
Alessandra Torres
esse guerreiro já foi abatido kkkkk
2024-12-12
1
Patricia M
kkkkkk ela tem que parar de chamar ele de senhor kkkko
2024-09-25
2