GABRIEL
O joalheiro foi embora com um largo sorriso no rosto,
desejando felicidades no casamento dos dois. Claro, o homem tinha ganho uma pequena
fortuna naquela manhã.
- E então? - Gabriel quis saber\, observando a sua esposa que
olhava para a mão esquerda com um olhar assustado.
- E se eu perder uma dessas alianças? - quis saber\, sem
desgrudar os olhos da mão.
-Não acontecerá. - Gabriel garantiu.
Era engraçado ver a moça atordoada com as joias.
- Agora vamos\, temos que ir resolver mais uma coisa.
Eles se levantaram e saíram do escritório. Antes o homem deu
algumas orientações à secretária, disse que voltaria apenas mais tarde e que
procurasse Leonardo caso precisasse.
Foram de carro, sempre em silêncio, até uma loja de roupas
femininas num bairro nobre da cidade. Gabriel percebeu que a jovem estava
tímida, escolhia poucas peças e mal olhava para ele.
Ao contrário das mulheres que estava habituado, sua esposa
parecia envergonhada por aceitar coisas caras. Ela era surpreendente.
- Você não gostou daqui? Podemos ir em outra loja. - falou\,
enquanto ela fingia ver umas roupas que a vendedora mostrava.
- Não é isso\, eu apenas não estou familiarizada com esse
luxo todo. - respondeu baixinho, para que a vendedora que estava perto não
ouvisse.
Gabriel assentiu e pediu para que a vendedora escolhesse
roupas para o dia a dia, para festas e para ir à praia. Ela experimentou tudo e
o homem disse que levaria tudo que foi separado, mesmo sob o olhar assustado da
moça, que tentou protestar, mas ele ignorou. A mulher de Gabriel Maldonado
teria tudo da mais alta qualidade (mesmo que aquela mulher fosse ficar apenas
um ano).
Saíram da loja carregados de sacolas. Gabriel guardou tudo
no porta-malas e já estava pronto para ir embora quando viu Isadora olhando uma
vitrine de uma loja que vendia brinquedos.
- Olha\, para o José. - disse sorrindo enquanto apontava para
um carrinho de madeira que estava exposto numa loja.
Gabriel olhou para a mulher e sentiu aquela mesma sensação
estranha de ser aquecido por dentro. Os olhos castanhos estavam brilhantes
enquanto o fitava. Ela lembrara do filho dele e não era fingimento.
- Você não acha que ele ia gostar? - ela perguntou sorrindo.
E, então, com aquele sorriso que lhe iluminava os olhos,
Gabriel teve certeza que estava perdido e casar com aquela moça foi a maior
besteira que fez.
#
ISADORA
Isadora olhou sua imagem no espelho, novamente, sem se
reconhecer. Vestia um traje verde-escuro longo, de alças finas que deixava seu
colo à mostra. Os cabelos estavam presos em um coque, somente alguns cachos
soltos adornavam o rosto da moça, que tinha uma maquiagem leve.
Sentia-se estranha, aquele vestido era novo, fora um dos que
Gabriel comprara no dia anterior. A jovem nunca vestira algo tão caro e
sofisticado como aquele traje.
Suspirou ao ouvir a porta do quarto sendo aberta, sabia que
não era José, o menino sempre entrava falando alto e correndo, anunciando sua
chegada. Ouviu passos firmes e o perfume masculino do homem com quem se casara.
Ela o olhou através do espelho, aproximando-se lentamente.
Gabriel a encarava, sério, sem novidades quanto a isso. Ele se aproximou e
ficou atrás dela, a imagem dos dois no espelho formava um casal bonito.
Gabriel trajava um terno negro, com camisa também negra e
gravata verde (que o nó ainda não estava feito).
Deus, aquele homem gostava mesmo de preto!
Ele a olhava através do espelho com a mesma expressão de
sempre: sombria. Algo no olhar dele não a assustava mais, agora ela sentia
pequenos arrepios na base da coluna e talvez uma leve pressão no estômago, não
era medo e ela preferia não saber do que se tratava.
Ele permanecia sério enquanto a fitava, era difícil saber se
tinha gostado ou não, se estava adequada para a ocasião.
Isadora decidiu virar-se de frente para o homem e,
automaticamente, começou a fazer o nó da gravata dele, do mesmo jeito que fazia
com o pai, quando ele precisava sair.
Não pensou em falar nada, apenas se empenhou a fazer o nó da
gravata, como sempre fez com o querido pai. Ela sentia os olhos de Gabriel a
observando com atenção.
- Você acha que estou bem? Ou preciso de uma maquiagem mais
pesada? - perguntou preocupada, terminando o nó, alisando, sem perceber, o
peitoral dele.
Ele não respondeu, foi até o guarda-roupa e retirou uma
caixa de tamanho médio de lá. Mistério era o sobrenome do homem.
Ele foi até ela, abriu a tampa da caixa e mostrou seu
conteúdo. Era um colar de pequenos diamantes que quase deixou a moça cega, de
tanto que reluzia.
-Não posso usar isso, é caro demais. - disse segurando o
pescoço, como se fosse impedi-lo de colocar o acessório caro nela.
Gabriel, que visivelmente estava economizando palavras
naquele dia, retirou o colar da caixa e, mesmo sob protestos, o colocou nela.
Isadora sentiu os dedos do homem tocarem seu pescoço
suavemente e uma espécie de choque desceu por sua espinha.
Olhou novamente para o reflexo dos dois no espelho e de uma
forma estranha, combinavam. O contato visual deles foi quebrado quando José
entrou correndo no quarto, chamando Isadora.
- Tia\, você está linda! - o menino falou\, impressionado.
Isadora se abaixou e deu um beijo na bochecha rosada do
garotinho. Os dois saíram do quarto de mãos dadas, seguidos por Gabriel.
- Querido\, vou pedir a Irmã Vilma que fique aqui com você no
quarto, até que durma. - Isadora disse, enquanto o menino se deitava na cama,
abraçando seu cachorrinho de pelúcia preferido.
- Tia\, você parece uma princesa. Não é\, papai? - o menino
perguntou ainda parecendo deslumbrado com a aparência dela.
- Sim\, José. - o homem respondeu. - Agora durma.
- Tia\, você vai me contar tudo da festa amanhã? - o menino
pediu.
- Claro\, meu amor. - ela beijou a bochecha dele mais uma
vez.
O garotinho acenou para os dois e o casal saiu do quarto.
Vilma já vinha subindo a escada para ficar com o menino.
Desceram as escadas e encontraram Estela e Irene esperando
pelos dois.
A irmã de Irene tinha o mesmo olhar reprovador. A mesma
aparência de alguém que sente um cheiro ruim muito forte. Parecia que a mulher
reservara toda sua raiva para Isadora e ela nem sabia porquê.
- Boa noite\, Gabriel. - Irene disse.
Sentiu a mão do homem na sua e, com um breve boa noite de
resposta da parte dele, os dois saíram.
- Eu estou com medo. - Isadora falou baixinho quando já
estavam no carro a caminho do local do jantar.
Ele a olhou e colocou a mão em cima das duas mãos que ela
mantinha no colo, assustando a jovem.
A mão dele era áspera, mas ele a apertou suavemente, um
gesto de apoio que ela não esperava dele.
- Você estará comigo\, não há motivo para ter medo. – disse
simplesmente.
Isadora assentiu e tentou entender o que sentiu com aquele
toque. Ele retirou a mão e de repente sentiu um frio, parecia que algo faltava
nela.
Algo estava mudando entre eles e ela não sabia o que era ou
fingia que não sabia. Era estranho.
Aquele 'relacionamento' não existia, era só fachada, ela teria que tomar muito
cuidado para não se envolver demais.
Minutos depois o carro parou em frente a um edifício que
exalava riqueza, vários carros estavam parando nas imediações e pessoas muito
bem-vestidas desciam dos automóveis. As mulheres eram elegantes e lindas,
enquanto os homens pareciam lordes ingleses que ela lia nos livros clássicos de
romance.
Isadora teve ímpeto de correr, mas não conseguiria com
aquela roupa e muito menos com aqueles sapatos de saltos altos.
Onde se metera? Nunca seria sofisticada ou adequada para
estar entre aquelas pessoas finas. Era apenas uma moça pobre, uma professora da
periferia... como se metera em toda aquela confusão?
Gabriel abriu a porta do carro e ofereceu a mão para a moça.
Estava tão nervosa que nem percebera o homem saindo do veículo.
Eles se olharam e sabiam que, a partir daquele momento,
deveriam agir como um casal recém-casado e apaixonado.
Ela nem sabia como um casal apaixonado agia.
Pensou em desistir.
Pediria clemência a ele.
Olhou fundo nos olhos negros dele e lembrou o quanto ele
poderia ser carrasco. Ele nunca a perdoaria se ela fugisse, o pai acabaria
preso e, consequentemente, morreria. O idoso não resistiria no ambiente da
prisão.
Com um suspiro, aceitou a mão que ele oferecia, saiu do
carro e, juntos entraram no prédio.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Rosângela Simões
queria fotos
2025-01-11
0
Patricia M
Isadora não desista kkkkk
2024-09-25
2
Euridice Neta
Gabriel aceita que doi menos, você está apaixonado por ela e vice-versa!!
2024-08-10
3