#15

GABRIEL

O joalheiro foi embora com um largo sorriso no rosto,

desejando felicidades no casamento dos dois. Claro, o homem tinha ganho uma pequena

fortuna naquela manhã.

- E então? - Gabriel quis saber\, observando a sua esposa que

olhava para a mão esquerda com um olhar assustado.

- E se eu perder uma dessas alianças? - quis saber\, sem

desgrudar os olhos da mão.

-Não acontecerá. - Gabriel garantiu.

Era engraçado ver a moça atordoada com as joias.

- Agora vamos\, temos que ir resolver mais uma coisa.

Eles se levantaram e saíram do escritório. Antes o homem deu

algumas orientações à secretária, disse que voltaria apenas mais tarde e que

procurasse Leonardo caso precisasse.

Foram de carro, sempre em silêncio, até uma loja de roupas

femininas num bairro nobre da cidade. Gabriel percebeu que a jovem estava

tímida, escolhia poucas peças e mal olhava para ele.

Ao contrário das mulheres que estava habituado, sua esposa

parecia envergonhada por aceitar coisas caras. Ela era surpreendente.

- Você não gostou daqui? Podemos ir em outra loja. - falou\,

enquanto ela fingia ver umas roupas que a vendedora mostrava.

- Não é isso\, eu apenas não estou familiarizada com esse

luxo todo. - respondeu baixinho, para que a vendedora que estava perto não

ouvisse.

Gabriel assentiu e pediu para que a vendedora escolhesse

roupas para o dia a dia, para festas e para ir à praia. Ela experimentou tudo e

o homem disse que levaria tudo que foi separado, mesmo sob o olhar assustado da

moça, que tentou protestar, mas ele ignorou. A mulher de Gabriel Maldonado

teria tudo da mais alta qualidade (mesmo que aquela mulher fosse ficar apenas

um ano).

Saíram da loja carregados de sacolas. Gabriel guardou tudo

no porta-malas e já estava pronto para ir embora quando viu Isadora olhando uma

vitrine de uma loja que vendia brinquedos.

- Olha\, para o José. - disse sorrindo enquanto apontava para

um carrinho de madeira que estava exposto numa loja.

Gabriel olhou para a mulher e sentiu aquela mesma sensação

estranha de ser aquecido por dentro. Os olhos castanhos estavam brilhantes

enquanto o fitava. Ela lembrara do filho dele e não era fingimento.

- Você não acha que ele ia gostar? - ela perguntou sorrindo.

E, então, com aquele sorriso que lhe iluminava os olhos,

Gabriel teve certeza que estava perdido e casar com aquela moça foi a maior

besteira que fez.

#

ISADORA

Isadora olhou sua imagem no espelho, novamente, sem se

reconhecer. Vestia um traje verde-escuro longo, de alças finas que deixava seu

colo à mostra. Os cabelos estavam presos em um coque, somente alguns cachos

soltos adornavam o rosto da moça, que tinha uma maquiagem leve.

Sentia-se estranha, aquele vestido era novo, fora um dos que

Gabriel comprara no dia anterior. A jovem nunca vestira algo tão caro e

sofisticado como aquele traje.

Suspirou ao ouvir a porta do quarto sendo aberta, sabia que

não era José, o menino sempre entrava falando alto e correndo, anunciando sua

chegada. Ouviu passos firmes e o perfume masculino do homem com quem se casara.

Ela o olhou através do espelho, aproximando-se lentamente.

Gabriel a encarava, sério, sem novidades quanto a isso. Ele se aproximou e

ficou atrás dela, a imagem dos dois no espelho formava um casal bonito.

Gabriel trajava um terno negro, com camisa também negra e

gravata verde (que o nó ainda não estava feito).

Deus, aquele homem gostava mesmo de preto!

Ele a olhava através do espelho com a mesma expressão de

sempre: sombria. Algo no olhar dele não a assustava mais, agora ela sentia

pequenos arrepios na base da coluna e talvez uma leve pressão no estômago, não

era medo e ela preferia não saber do que se tratava.

Ele permanecia sério enquanto a fitava, era difícil saber se

tinha gostado ou não, se estava adequada para a ocasião.

Isadora decidiu virar-se de frente para o homem e,

automaticamente, começou a fazer o nó da gravata dele, do mesmo jeito que fazia

com o pai, quando ele precisava sair.

Não pensou em falar nada, apenas se empenhou a fazer o nó da

gravata, como sempre fez com o querido pai. Ela sentia os olhos de Gabriel a

observando com atenção.

- Você acha que estou bem? Ou preciso de uma maquiagem mais

pesada? - perguntou preocupada, terminando o nó, alisando, sem perceber, o

peitoral dele.

Ele não respondeu, foi até o guarda-roupa e retirou uma

caixa de tamanho médio de lá. Mistério era o sobrenome do homem.

Ele foi até ela, abriu a tampa da caixa e mostrou seu

conteúdo. Era um colar de pequenos diamantes que quase deixou a moça cega, de

tanto que reluzia.

-Não posso usar isso, é caro demais. - disse segurando o

pescoço, como se fosse impedi-lo de colocar o acessório caro nela.

Gabriel, que visivelmente estava economizando palavras

naquele dia, retirou o colar da caixa e, mesmo sob protestos, o colocou nela.

Isadora sentiu os dedos do homem tocarem seu pescoço

suavemente e uma espécie de choque desceu por sua espinha.

Olhou novamente para o reflexo dos dois no espelho e de uma

forma estranha, combinavam. O contato visual deles foi quebrado quando José

entrou correndo no quarto, chamando Isadora.

- Tia\, você está linda! - o menino falou\, impressionado.

Isadora se abaixou e deu um beijo na bochecha rosada do

garotinho. Os dois saíram do quarto de mãos dadas, seguidos por Gabriel.

- Querido\, vou pedir a Irmã Vilma que fique aqui com você no

quarto, até que durma. - Isadora disse, enquanto o menino se deitava na cama,

abraçando seu cachorrinho de pelúcia preferido.

- Tia\, você parece uma princesa. Não é\, papai? - o menino

perguntou ainda parecendo deslumbrado com a aparência dela.

- Sim\, José. - o homem respondeu. - Agora durma.

- Tia\, você vai me contar tudo da festa amanhã? - o menino

pediu.

- Claro\, meu amor. - ela beijou a bochecha dele mais uma

vez.

O garotinho acenou para os dois e o casal saiu do quarto.

Vilma já vinha subindo a escada para ficar com o menino.

Desceram as escadas e encontraram Estela e Irene esperando

pelos dois.

A irmã de Irene tinha o mesmo olhar reprovador. A mesma

aparência de alguém que sente um cheiro ruim muito forte. Parecia que a mulher

reservara toda sua raiva para Isadora e ela nem sabia porquê.

- Boa noite\, Gabriel. - Irene disse.

Sentiu a mão do homem na sua e, com um breve boa noite de

resposta da parte dele, os dois saíram.

- Eu estou com medo. - Isadora falou baixinho quando já

estavam no carro a caminho do local do jantar.

Ele a olhou e colocou a mão em cima das duas mãos que ela

mantinha no colo, assustando a jovem.

A mão dele era áspera, mas ele a apertou suavemente, um

gesto de apoio que ela não esperava dele.

- Você estará comigo\, não há motivo para ter medo. – disse

simplesmente.

Isadora assentiu e tentou entender o que sentiu com aquele

toque. Ele retirou a mão e de repente sentiu um frio, parecia que algo faltava

nela.

Algo estava mudando entre eles e ela não sabia o que era ou

fingia que não  sabia. Era estranho.

Aquele 'relacionamento' não existia, era só fachada, ela teria que tomar muito

cuidado para não se envolver demais.

Minutos depois o carro parou em frente a um edifício que

exalava riqueza, vários carros estavam parando nas imediações e pessoas muito

bem-vestidas desciam dos automóveis. As mulheres eram elegantes e lindas,

enquanto os homens pareciam lordes ingleses que ela lia nos livros clássicos de

romance.

Isadora teve ímpeto de correr, mas não conseguiria com

aquela roupa e muito menos com aqueles sapatos de saltos altos.

Onde se metera? Nunca seria sofisticada ou adequada para

estar entre aquelas pessoas finas. Era apenas uma moça pobre, uma professora da

periferia... como se metera em toda aquela confusão?

Gabriel abriu a porta do carro e ofereceu a mão para a moça.

Estava tão nervosa que nem percebera o homem saindo do veículo.

Eles se olharam e sabiam que, a partir daquele momento,

deveriam agir como um casal recém-casado e apaixonado.

Ela nem sabia como um casal apaixonado agia.

Pensou em desistir.

Pediria clemência a ele.

Olhou fundo nos olhos negros dele e lembrou o quanto ele

poderia ser carrasco. Ele nunca a perdoaria se ela fugisse, o pai acabaria

preso e, consequentemente, morreria. O idoso não resistiria no ambiente da

prisão.

Com um suspiro, aceitou a mão que ele oferecia, saiu do

carro e, juntos entraram no prédio.

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Comments

Rosângela Simões

Rosângela Simões

queria fotos

2025-01-11

0

Patricia M

Patricia M

Isadora não desista kkkkk

2024-09-25

2

Euridice Neta

Euridice Neta

Gabriel aceita que doi menos, você está apaixonado por ela e vice-versa!!

2024-08-10

3

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