#14

Gabriel

O homem olhou sua esposa saindo do escritório e suspirou.

Aquele casamento estava virando uma bola de neve. Além de não ter ajudado em

nada sua situação na empresa, ainda tinha aquela estranha sensação que tomava

conta do seu peito quando a via.

Fora a fixação que ele sentia pelos cabelos dela. Os fios

cor de chocolate pareciam uma cascata sedosa nas costas dela, além do cheiro

que eles exalavam.

No momento em que ela apareceu toda sonolenta com os cabelos

desarrumados, Gabriel foi tomado por uma sensação quente que o preenchia por

dentro. Ele queria tocar os fios, levá-los ao nariz e inalar o cheiro, até

ficar inebriado.

Escondeu a cabeça entre as mãos. Não poderia ser o que ele

achava que era. Jurou nunca mais amar ninguém depois de Letícia, pois foi quando

percebeu que o amor só trazia mágoas e desgraça.

Ele não ia se deixar hipnotizar por aqueles olhos inocentes fascinantes

e nem por aqueles cabelos castanhos que pareciam tão brilhantes como seda...

ele queria passar os dedos entre os cachos, inalar o cheiro e se inebriar...

Maldição!

Estava ficando louco e, levemente, obsessivo.

O homem levantou-se e praguejou algumas vezes, tornando-se

mais rabugento do que o habitual.

#

DIA SEGUINTE...

Isadora

A jovem coçou os olhos, ainda sonolenta. Durante o domingo

descansou muito. José pediu para ficarem no quarto assistindo a desenhos e ela

entendia que aquela era forma do pequenino cuidar dela.

Apesar disso, ainda sentia o corpo dolorido e sua voz

permanecia rouca. A verdade é que ela se sentia desnorteada, tanto pelo quase

afogamento, quanto com a possibilidade de o pai descobrir sobre o casamento.

Ela sabia que se ele soubesse entenderia errado. O pai era um homem cheio de

princípios, nunca aceitaria que a filha se casasse para pagar a dívida dele.

O pai era sua referência, seu porto seguro, não suportaria

vê-lo decepcionado com ela.

Entrou no quarto de José e encontrou a criança dormindo,

serenamente. Ela observou o pequeno e lembrou o quanto ele estava triste, entre

um desenho e outro, ele dizia que nunca mais ia à praia.

Decidiu não acordar o menino tão cedo e desceu para a sala

de jantar, onde encontrou Gabriel, sentado à mesa, bebericando uma xícara de

café e lendo o jornal.

- Bom dia. - disse\, baixinho\, a voz rouca.

- Bom dia. Como você está? - ele perguntou abaixando o

jornal e a olhando de cima a baixo. Diferente do olhar que Estela lhe dera no

outro dia, percebeu que Gabriel a observava procurando algum indício que não

estava bem por causa do quase afogamento.

- Estou bem. – sorriu\, tímida e sentou-se no mesmo lugar de

sempre, ao lado da cadeira que José ocupava.

Naquela manhã só havia os dois na mesa, ainda era muito cedo

e os outros moradores estavam dormindo.

Gabriel dissera no dia anterior que José ficaria aos

cuidados dos empregados, assim ela não se preocupava.

- Vamos primeiro ao médico\, você precisa tomar algum remédio

para a garganta. – o dono da casa avisou, com os olhos no jornal.

- Não é necessário. Me sinto bem.

- Nós iremos ao médico. – disse encerrando o assunto.

Gabriel abaixou o jornal e a encarou. O olhar dele exalava

poder e autoridade.

- Depois que sairmos do médico\, iremos até a empresa. Um

joalheiro vai nos encontrar lá. - ela o olhou sem entender – Alianças. –

pontuou mostrando uma das mãos.

Ela assentiu e torceu as mãos no colo, nervosamente. Não

conseguiu comer muito e logo terminou o café. Os dois levantaram da mesa, e

foram até o pátio onde o carro de Gabriel estava estacionado.

Os dois fizeram todo o trajeto até clínica em silêncio.

Isadora torcia a alça da bolsa no colo, sem parar.

- Chegamos. – ele disse enquanto estacionava o veículo num

pátio arborizado.

- Isso é um hospital? – perguntou\, olhando o prédio

espelhado, que mais parecia um hotel.

- Uma clínica. – ele corrigiu – Vamos. – disse enquanto

descia do carro.

Os dois andaram lado a lado, em silêncio. Ela olhou para o

homem e ele tinha colocado os mesmos acessórios da praia: um boné e um óculos

escuros, que deixavam seu rosto quase todo oculto.

Entraram no prédio e se dirigiram à recepção, onde um rapaz

os recebeu simpaticamente.

- Preciso ver o dr. Emanuel. – ele disse\, sem retribuir o

‘bom dia’ do recepcionista, o que Isadora achou bem mal educado da parte dele –

Sou Gabriel Maldonado. – disse entregando o documento de identificação.

O rapaz assentiu e logo levou os dois para o quinto andar,

um lugar bem espaçoso e decorado suntuosamente.

- Podem sentar aqui\, daqui a pouco o médico chegará.

Eles sentaram nas poltronas brancas e macias da recepção e

Isadora aproveitou para observar o lugar. As paredes brancas estavam decoradas

com obras de artes estranhas, talvez abstratas, que pareciam originais. Todo o

espaço tinha poltronas macias, onde os pacientes sentavam e poderiam ver

televisão, ler uma revista ou simplesmente deitar e dormir.

Pelo menos foi o que ela imaginou.

- Vamos. – Gabriel disse interrompendo o devaneio da mulher.

Segundos depois entraram na sala do médico, que os recebeu

com alegria.

- Bom dia\, Gabriel! Que alegria vê-lo!

- Pena que não posso dizer o mesmo. – respondeu calmamente

fazendo Isadora abrir a boca, chocada, com a falta de educação daquele homem.

O médico riu.

- Não se preocupe\, senhorita. Eu e Gabriel nos conhecemos há

tempo demais para que eu me importe com o jeito dele.

O homem parecia um pouco mais velho que Gabriel, era

grisalho, tinha os olhos azuis gentis e um sorriso bondoso.

Gabriel disse o que acontecera e a razão de estar ali. O

médico ouviu tudo com atenção e anotou algumas coisas. Depois, levou Isadora

até a mesa de exames e verificou seus sinais vitais, sua garganta, seus braços,

TUDO.

- Bem\, ela está com uma leve inflamação na garganta. – ele

disse enquanto escrevia – Um pouco de antibiótico e logo ficará bem.

O médico entregou os papéis a Gabriel e logo o casal estava

no carro, rumo à empresa. Mais uma vez o trajeto foi feito em silêncio, Isadora

observava a paisagem, as casas e prédios suntuosos que ela nunca vira antes,

afinal morava em um bairro bem afastado.

Após alguns minutos, o carro parou em frente a um prédio

enorme. Gabriel desceu e ela o seguiu.

- A partir de agora devemos agir como um casal. - ele falou

e segurou sua mão, puxando-a para dentro do edifício, sem deixar que ela

raciocinasse.

As poucas pessoas que estavam ali àquela hora saudavam

Gabriel e a olhavam com curiosidade, o que só piorava o seu nervosismo.

Subiram até o décimo oitavo andar, quando as portas do

elevador abriram Isadora viu um lugar muito luxuoso. Uma senhora estava sentada

atrás de uma mesa, quando ela viu Gabriel levantou-se rapidamente.

-Bom dia, Sr. Gabriel. - a mulher olhou para Isadora – Bom

dia, Sra. Isadora.

Gabriel assentiu para a (possivelmente) secretária, enquanto

Isadora apenas a olhou assustada por ela saber seu nome. O casal entrou numa

sala enorme que era decorada em tons negros, uma mesa com duas cadeiras para as

visitas e uma para o chefe, além de um armário no canto. Além disso, havia uma

janela enorme que tinha vista para o mar.

- Sente-se. – ele indicou uma das cadeiras em frente à mesa

e sentou na cadeira do chefe. Ficou olhando algumas pastas até o telefone da

mesa tocar e a secretária avisar que o joalheiro havia chegado.

Segundos depois um homem de meia-idade, alto e esguio,

entrou no escritório com uma mala de rodinhas. Ele cumprimentou Gabriel e

Isadora efusivamente e já foi logo tirando as coisas de dentro da mala. Eram os

mais variados anéis, de todos os tipos e gostos e, para Isadora, caros demais

para um casamento que só duraria um ano.

E se ela perdesse? Como pagaria?

Gabriel olhou cuidadosamente cada anel, até que pegou um e

mostrou a ela.

- Ah\, essa é uma aliança de ouro rosé\, com diamantes e

topázio. Muito bonita. - o joalheiro descreveu.

Isadora concordava que era bonito, mas achava que era muito

caro.

- Você gostou? - Gabriel quis saber.

- Sim. - respondeu e sussurrou – Mas acho muito caro para um

casamento falso.

Gabriel apertou a mão dela para que calasse a boca e colocou

o anel no seu dedo anelar esquerdo. Serviu perfeitamente.

- Anil\, ficaremos com esse. Agora precisamos ver as alianças

de casamento. - o marido disse ignorando os protestos da esposa.

O homem mostrou vários tipos de anéis sem adornos, Gabriel

examinou minunciosamente até escolher um par de anel de ouro muito grossas,

daria para ver que eram casados há uns dez quilômetros de distância. Parecia um

pneu.

De caminhão.

Ele colocou o anel no mesmo dedo do outro anel e aprovou o

resultado. Depois colocou o outro par no próprio dedo e assim estava terminado,

estavam casados realmente.

“Idiota, vocês já estavam casados antes!” - Isadora se

repreendeu olhando a mão que agora tinha dois anéis que juntos custariam uma

casa, um carro e uma pequena ilha no Caribe.

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Comments

Patricia M

Patricia M

Isadora comedo de perde a aliança kkkko

2024-09-25

1

Eunice Ramos

Eunice Ramos

Autora não entendo a preocupação da Isadora,pelo valor das alianças ,JA que ela casou com homem rico até agora ele não comprou roupa p ela ,está muito esquisita está história ,está mal esclarecida ela abandonou o 2 serviço ,e pior abandonou o pai.

2024-08-27

1

Mateus Oliveira

Mateus Oliveira

kkkkk

2024-08-17

1

Ver todos

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