GABRIEL
Quando desligou o carro, em frente a porta da casa, suspirou. O dia tinha sido muito cansativo, se reunira com vários advogados a respeito da mudança da cláusula de casamento do contrato dos sócios. Era uma cláusula abusiva e sem nenhum respaldo legal, mas até o momento, não obtivera nenhum resultado favorável.
Retirou o cinto de segurança e desceu do carro, andou lentamente até a porta que foi aberta antes que ele chegasse ao último degrau. Otávio, o mordomo o esperava, como em todas as noites.
- Boa noite, Sr. Gabriel. - o mordomo saudou, sempre sério e polido.
- Boa noite, Otávio. - falou entregando o casaco – José está dormindo?
- A Sra. Isadora deu o jantar a ele e logo depois os dois subiram para o quarto do pequeno senhor.
Gabriel não disse nada, apenas assentiu.
- O senhor gostaria que servisse o jantar? - o empregado perguntou.
Gabriel olhou para o relógio antes de responder, passava das dez horas da noite, nem tinha percebido que já era tão tarde e nem sentia fome.
- Não. Pode ir descansar.
O empregado fez um pequeno gesto de concordância e se retirou. Gabriel subiu as escadas e foi até o quarto do filho. Ao abrir a porta se surpreendeu com o que viu: encontrou o menino e a moça que era sua esposa dormindo abraçados. O pequeno repousava a cabeça no coração da mulher, do mesmo jeito que ele fazia com a mãe, nos raros momentos em que ficavam juntos.
A cena mexeu com Gabriel. Ele sabia que o filho era carente, mesmo quando Letícia era viva. A mulher fora uma boa mãe, na medida do possível, mas por causa dos problemas psiquiátricos, ela estava na maioria das vezes sob efeito dos remédios e os momentos bons entre os dois poderiam ser contados nos dedos.
Ele pensou que o filho não aceitaria a moça tão facilmente, afinal ele vinha apresentando comportamento rebelde com frequência. Era bom ver aquela cena, embora fosse necessário proteger o menino, afinal a moça só ficaria um ano, nem um dia a mais.
Decidiu que seria melhor que a moça fosse dormir no quarto, por isso foi até o lado em que a garota estava deitada e ao tocar em seu ombro, para acordá-la, pegou nas pontas de seus cabelos ondulados que pareciam seda em seus dedos. Um cheiro adocicado vinha da massa de cabelos castanhos, o homem teve vontade de aproximar o rosto e inalar aquela simples mecha de cabelo, mas percebeu o quanto estava agindo de maneira inapropriada. Afastou-se e, sem nem mesmo olhar para trás, saiu do quarto.
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ISADORA
Isadora estava deitada embaixo de um enorme carvalho que havia no jardim da Mansão. Já passara três dias e, apesar de estar familiarizada com José e os empregados, sentia muita falta do pai. Não sabia o que Fernando tinha dito a ele, se ele estava em casa, se alimentando ou tomando os remédios.
Não tinha acesso a celular e nem via nenhum aparelho telefônico pela casa. Precisava conversar com a diretora do colégio em que lecionava e, talvez, ligar para o pai e ouvir a voz dele por alguns minutos.
Gabriel era um homem fechado. Não sorria, mal falava e pouco ficava em casa. Na maioria das noites, ela adormecia com José, enquanto contava histórias para o garoto dormir. Quando levantava e ia para o quarto trocar de roupa, encontrava o cômodo arrumado e limpo, como se ninguém tivesse dormido ali.
Ela preferia não ver seu “marido”, a verdade era que sentia medo do homem. Não ia mentir dizendo que queria a companhia dele, ele era bastante assustador, principalmente quando olhava para ela sério, os olhos perfurantes que pareciam fazer um raio-x dela, aquela cicatriz em seu rosto só o deixava mais sombrio.
- Tia Isadora! - ouviu a voz de José vindo pelo jardim.
O pequeno era amoroso e curioso, sempre estava disposto a aprender, mas todo dia quando chegava da Escola vinha uma reclamação diferente da professora. O menino conversava na sala e não queria fazer as tarefas. Infelizmente, precisava falar com o pai dele.
- Oi, meu amor. - Isadora falou, enquanto se levantava e abraçava a criança – Como foi na Escola?
- Tudo bem. - o menino respondeu sorrindo – Hoje me comportei.
- Muito bem, querido. - ela o abraçou novamente e depositou um beijo na bochecha rosada da criança – Vamos, vamos tomar banho e nos arrumar para o almoço.
De mãos dadas, entraram na casa e nem perceberam que um par de olhos os observavam com raiva.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Fernanda Figueiroa
sei não a morte da esposa tem coisa aí por trás
essa cunhada hum hum
2024-09-29
3
Patricia M
essa Irene gosta bem do Gabriel kkkkk não duvido nada
2024-09-24
0
Vilma Alice
Eita que a peçonha já tá fervendo o veneno pra atacar a presa.
O "marido" mencionou que a esposa dele mãe do José tinha problemas psiquiátrico s,me veio um pensamento assim:será que a cunhada dele não tava envenenando a mulher dele para ela enlouquecer ou até morrer????Ficando assim o caminho livre pra ela o conquistar e ficar com a fortuna dele??????
2024-08-28
1