GABRIEL
O casal entrou no prédio de mãos entrelaçadas. As mãos da
moça estavam frias e Gabriel a apertou com um pouco mais de força, tentando
confortá-la.
Gabriel era um empresário muito conhecido e respeitado.
Quando casou com Letícia as pessoas não ficaram tão surpresas, pois já vinham
em um relacionamento longo de quase cinco anos e a mulher era de uma família
importante. Mas agora, por onde passavam, as cabeças se viravam para
observá-los.
Isadora não era conhecida no meio dele e também o homem não
era dado a agir por impulso. Aquele casamento repentino, com certeza,
surpreendia a todos e, consequentemente, poderia levantar suspeitas.
Além disso, sua esposa estava deslumbrante, percebia os
olhares interessados dos homens e os curiosos das mulheres. Sua mulher,
sozinha, era um evento.
Leonardo veio até eles sorrindo. Ele percebeu que o sócio
olhava para a moça ao seu lado com bastante interesse, observando-a da cabeça
aos pés. Sentiu uma certa raiva e uma (improvável) vontade de dar um soco no
amigo.
- Bem-vindos. - Leonardo disse – Você está linda\, Isadora.
Gabriel fechou a cara e o amigo percebeu, afinal se
conheciam há bastante tempo para decifrar a expressão corporal um do outro. O
sócio riu mais largamente.
- Vamos. Algumas pessoas estão nos esperando. - disse\,
levando o casal até uma mesa cheia de homens velhos e suas esposas. Eram os
sócios da empresa.
Leonardo fez as apresentações e Gabriel percebeu o olhar
desaprovador da maioria deles. Claro, os velhos pensavam que poderiam tomar o
controle da empresa dele apenas por aquela cláusula ridícula.
Quando conseguiram escapar das garras dos velhos, foram para
outras mesas, conversaram com parceiros de negócios, pessoas que eram mais agradáveis e não
queriam dar uma rasteira em Gabriel.
O homem apresentava a esposa e parecia que todos estavam
deslumbrados por ela. Ele entendia, pois também sentia o mesmo.
A certa altura da noite, percebeu que Isadora estava cansada
com tudo aquilo, então discretamente, a levou para o terraço do local, onde
poderiam sentar e tomar um pouco de ar fresco.
Os dois sentaram em um banco e Isadora suspirou, cansada. O
homem a observou atentamente, enquanto ela mantinha os olhos fechados e a
cabeça descansava no espaldar do banco.
Assim ele poderia observá-la sem medo de ser surpreendido.
Ela era tão bonita, parecia tão serena daquela forma, que Gabriel não se
conteve e levou a mão até seu rosto, acariciando-o.
A moça abriu os olhos e o fitou, assustada. Aqueles enormes
olhos achocolatados eram maravilhosos e Gabriel não cansava de encará-los. Ele
via a inocência estampada neles, poderia fitá-la por horas a fio, sem cansar.
Isadora, de repente, desviou o olhar e o dirigiu para o céu.
- Quando eu tinha tempo lá em casa\, sempre deitava no jardim
para observar as estrelas. - contou sorrindo, lembrando da época em que,
provavelmente, era feliz.
- Eu nunca perco tempo com essas coisas. - Gabriel disse\,
parecendo ríspido, mas era apenas um fato. Ele era um homem prático, não perdia tempo com esse tipo de coisa.
- Claro\, você é um homem ocupado demais para isso. - ela
sorriu – Eu sinto falta daquelas noites. Eu sinto falta do meu pai. – disse a
última parte baixinho, como se falasse apenas para si mesma.
Antes que ela pudesse falar mais, foram interrompidos por um
homem que gostaria de falar com Gabriel. Era um parceiro da empresa, então,
infelizmente, ele não poderia mandar o homem pastar. Saíram do terraço e
voltaram para dentro, assim não tiveram mais oportunidade de conversar
sozinhos.
Gabriel queria saber mais dela, da vida, das lembranças boas
que ela tinha. O mundo de Isadora parecia bem melhor do que o dele, tudo era
mais simples e colorido.
Quando foram embora já era madrugada, Isadora tirou os
saltos altos enquanto gemia de dor e adormeceu assim que entrou no carro.
Gabriel queria continuar a conversa do terraço, queria saber mais sobre a vida
dela, mas decidiu que não seria aquele o momento certo.
Ao chegar em casa, o homem desligou o carro e observou a
moça dormindo durante alguns minutos. Devagar, saiu do veículo e a levou, com
cuidado, no braços até o quarto deles.
Durante o percurso ele inalava o cheiro dela, sentindo-se
atordoado com a fragrância floral que vinha dela. Ele a colocou com cuidado na
cama e, então, Isadora abriu os olhos.
Ela não estava assustada com a presença dele ali. Os dois se
encararam e então, de repente, ela levou a mão até o rosto dele e, com a ponta
dos dedos, desenhou a cicatriz em seu rosto.
Gabriel sentia um rastro ardente onde os dedos dela tocavam,
era uma deliciosa tortura.
- Minha adorável fera. – ela sussurrou antes de adormecer
novamente.
O homem fechou os olhos e suspirou. O fogo dentro dele era
como lavas mexendo lentamente, por isso saiu rapidamente do quarto. Aquilo
estava indo longe demais, não gostava daquilo.
Ou gostava até demais.
Foi para o escritório, onde passaria mais uma noite insone,
pensando na besteira que fez ao casar-se com ela.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Zete Campos
eles estão apaixonados mas não assume nem Gabriel e ela .
2025-02-03
0
Alexandra Moreira da Silva
estão apaixonados mas não assumem os sentimentos
2025-01-12
0
Suelana Azevedo
maravilhoso
2024-10-10
2