#19

Gabriel

Quando a porta se fechou, Gabriel tirou os olhos da cotação

de ações que nem prestava atenção. Deus, onde tinha amarrado seu burrico? Ele

não tinha dormido, passara a noite velando o sono dela, que dormira logo na

primeira página da história.

José e ele riram da jovem que cochilava com a cabeça apoiada

no braço da poltrona.

- Papai\, ela vai ficar com dor no pescoço\, não é melhor

acordá-la?

- Não\, filho\, vamos deixá-la descansar. – ele disse enquanto

se levantava com um pouco de dificuldade. Não ia negar que ainda estava um

pouco tonto e com a cabeça doendo

Gabriel foi até o sofá, ergueu a moça nos braços, com

cuidado e a colocou na cama. José cobriu o corpo dela com o edredom e depositou

um beijo em sua bochecha.

- Papai\, vou me deitar aqui do lado dela.

O homem assentiu e o menino se ajeitou ao lado da jovem,

enquanto ele deitou-se no sofá e ficou velando o sono dos dois.

Ele observava os cabelos dela derramados no travesseiro, uma

cascata castanha sedosa e brilhante, que o fascinava. As ondas sedosas eram

hipnotizantes.

Pensou se não estava louco. Ele nunca agira assim, nem mesmo

com Letícia, que ele considerava o grande amor de sua vida e também sua grande

decepção amorosa.

Quando amanheceu, acordou o filho e o levou para fazer as

obrigações matinais, antes que a sua esposa acordasse e se sentisse

envergonhada por ter dormido. Ele sabia que a esposa ficaria mortificada, por

isso se retirou antes que ela acordasse.

#

Isadora

Isadora não sabia onde enfiar a cara. José contara a todos

que ela dormiu contando uma história para ele e Gabriel. O menino estava

achando divertidíssimo vê-la sem jeito.

Foram juntos para a mesa na sala de jantar, onde Estela,

Irene e Rafael já estavam.

-Bom dia. - disse para todos.

Gabriel chegou logo depois, dando um resmungo geral. Deus, o

homem sempre era carrancudo.

- Querido\, só soubemos do seu acidente hoje. Por que não nos

avisou? - Irene perguntou.

- Não foi nada demais\, cunhada. – disse de maneira seca\, seu

jeitinho natural.

- Eu poderia ter cuidado de você\, Gabriel. - Estela falou e

Isadora sentiu raiva ao ouvir isso. Será que ela não sabia que o homem era

casado?

Aquela era uma forma de tratar um homem comprometido?

Era um casamento fake, mas a mulher não sabia disso! Ela

tinha que respeitá-la.

- Eu cuidei dele. - falou – O médico veio e dei o remédio

para o se… Gabriel. Ele está melhor, graças a Deus. – disse enquanto cruzava os

braços na frente do peito e fechava a cara.

O homem a olhou longamente com uma expressão estranha, que

Isadora poderia jurar que era orgulho. Até parecia que um sorriso mínimo

despontava em seus lábios.

Estela não falou mais nada, mas Isadora ainda conseguia

sentir o olhar dela queimando sobre si. Fingiu não perceber, enquanto falava

com José, evitaria conflitos com ela, mas queria ser respeitada, afinal, para

todos, ela era a esposa de Gabriel e não deixaria que a outra a humilhasse.

#

Gabriel

Gabriel se trancou no escritório e se deitou num dos sofás

que ficavam por ali. Com um sorriso raro no rosto, relembrou o momento em que

Isadora falou com Estela como se estivesse com ciúme. Fechou os olhos

deliciando cada detalhe da cena.

Os olhos castanhos tinham escurecido de tanta raiva e a voz

suave se mostrara um pouco mais dura. A boca da esposa se tornara uma linha

fina de tanto que a mulher crispava os dentes.

Será que a sua jovem esposa estava mesmo com ciúme?

Ela ficava linda com ciúme, os olhos aumentavam o tamanho

das pupilas e sua boca era projetada para a frente num biquinho.

- Sr. Gabriel? - ele ouviu a voz dela o chamando e abriu os

olhos.

O homem não cansava de pensar no quanto ela era bonita e em

como seu coração se remexia dentro do peito quando a via.

- Sr. Gabriel\, o senhor está bem?

Pena que ela insistia em chamá-lo de senhor.

- Senhor não. - ele disse se levantando e se aproximando da

moça – Por que você não entende?

- Erm… - ela desviou o olhar\, mas o homem continuou indo em

sua direção, enquanto ela recuava, até suas costas encostarem na parede –

Senhor Gabriel… - ela repetiu e ele não aguentou mais. Deixaria claro que não

era senhor para ela.

Colocou uma mão em cada lado da cintura dela e viu quando as

pupilas da jovem ficaram enormes.

- Senhor não. - sussurrou – Eu já falei. - ele deu um leve

beijo em sua bochecha – Você – beijou a outra bochecha – é – beijou a ponta do

nariz – minha esposa. - aproximou-se perigosamente da boca e de repente sentiu

todo o corpo sacolejando.

Abriu os olhos e viu que estava sonhando.

Isadora o olhava assustada, segurando seu ombro.

Gabriel levantou rapidamente e tentou se recompor.

Tudo não passara de sonho, ele não fez nenhuma besteira.

- Gabriel\, vim trazer seu remédio. - ela lhe entregou um

comprimido e um copo de água – Precisa de algo mais? - quis saber.

- Preciso ficar sozinho. – disse ríspido e a moça saiu do

escritório.

Gabriel estava perdido.

Gabriel estava MUITO perdido.

Porque agora ele queria sentir o gosto daqueles lábios, os

braços dela em volta dele, queria acariciar os cabelos da esposa e se entregar

àquele sentimento que estava lhe consumindo.

Mais populares

Comments

Celia Silva

Celia Silva

aff demorando muito pelo menos rolar o beijo

2025-02-22

0

Valdeneide Seloni

Valdeneide Seloni

tá ficando interessante

2025-02-16

0

Vó Ném

Vó Ném

Bota paixão nisso 💘❤️💘❤️💘❤️💘❤️

2025-02-09

0

Ver todos

Baixar agora

Gostou dessa história? Baixe o APP para manter seu histórico de leitura
Baixar agora

Benefícios

Novos usuários que baixam o APP podem ler 10 capítulos gratuitamente

Receber
NovelToon
Um passo para um novo mundo!
Para mais, baixe o APP de MangaToon!