Gabriel
Quando a porta se fechou, Gabriel tirou os olhos da cotação
de ações que nem prestava atenção. Deus, onde tinha amarrado seu burrico? Ele
não tinha dormido, passara a noite velando o sono dela, que dormira logo na
primeira página da história.
José e ele riram da jovem que cochilava com a cabeça apoiada
no braço da poltrona.
- Papai\, ela vai ficar com dor no pescoço\, não é melhor
acordá-la?
- Não\, filho\, vamos deixá-la descansar. – ele disse enquanto
se levantava com um pouco de dificuldade. Não ia negar que ainda estava um
pouco tonto e com a cabeça doendo
Gabriel foi até o sofá, ergueu a moça nos braços, com
cuidado e a colocou na cama. José cobriu o corpo dela com o edredom e depositou
um beijo em sua bochecha.
- Papai\, vou me deitar aqui do lado dela.
O homem assentiu e o menino se ajeitou ao lado da jovem,
enquanto ele deitou-se no sofá e ficou velando o sono dos dois.
Ele observava os cabelos dela derramados no travesseiro, uma
cascata castanha sedosa e brilhante, que o fascinava. As ondas sedosas eram
hipnotizantes.
Pensou se não estava louco. Ele nunca agira assim, nem mesmo
com Letícia, que ele considerava o grande amor de sua vida e também sua grande
decepção amorosa.
Quando amanheceu, acordou o filho e o levou para fazer as
obrigações matinais, antes que a sua esposa acordasse e se sentisse
envergonhada por ter dormido. Ele sabia que a esposa ficaria mortificada, por
isso se retirou antes que ela acordasse.
#
Isadora
Isadora não sabia onde enfiar a cara. José contara a todos
que ela dormiu contando uma história para ele e Gabriel. O menino estava
achando divertidíssimo vê-la sem jeito.
Foram juntos para a mesa na sala de jantar, onde Estela,
Irene e Rafael já estavam.
-Bom dia. - disse para todos.
Gabriel chegou logo depois, dando um resmungo geral. Deus, o
homem sempre era carrancudo.
- Querido\, só soubemos do seu acidente hoje. Por que não nos
avisou? - Irene perguntou.
- Não foi nada demais\, cunhada. – disse de maneira seca\, seu
jeitinho natural.
- Eu poderia ter cuidado de você\, Gabriel. - Estela falou e
Isadora sentiu raiva ao ouvir isso. Será que ela não sabia que o homem era
casado?
Aquela era uma forma de tratar um homem comprometido?
Era um casamento fake, mas a mulher não sabia disso! Ela
tinha que respeitá-la.
- Eu cuidei dele. - falou – O médico veio e dei o remédio
para o se… Gabriel. Ele está melhor, graças a Deus. – disse enquanto cruzava os
braços na frente do peito e fechava a cara.
O homem a olhou longamente com uma expressão estranha, que
Isadora poderia jurar que era orgulho. Até parecia que um sorriso mínimo
despontava em seus lábios.
Estela não falou mais nada, mas Isadora ainda conseguia
sentir o olhar dela queimando sobre si. Fingiu não perceber, enquanto falava
com José, evitaria conflitos com ela, mas queria ser respeitada, afinal, para
todos, ela era a esposa de Gabriel e não deixaria que a outra a humilhasse.
#
Gabriel
Gabriel se trancou no escritório e se deitou num dos sofás
que ficavam por ali. Com um sorriso raro no rosto, relembrou o momento em que
Isadora falou com Estela como se estivesse com ciúme. Fechou os olhos
deliciando cada detalhe da cena.
Os olhos castanhos tinham escurecido de tanta raiva e a voz
suave se mostrara um pouco mais dura. A boca da esposa se tornara uma linha
fina de tanto que a mulher crispava os dentes.
Será que a sua jovem esposa estava mesmo com ciúme?
Ela ficava linda com ciúme, os olhos aumentavam o tamanho
das pupilas e sua boca era projetada para a frente num biquinho.
- Sr. Gabriel? - ele ouviu a voz dela o chamando e abriu os
olhos.
O homem não cansava de pensar no quanto ela era bonita e em
como seu coração se remexia dentro do peito quando a via.
- Sr. Gabriel\, o senhor está bem?
Pena que ela insistia em chamá-lo de senhor.
- Senhor não. - ele disse se levantando e se aproximando da
moça – Por que você não entende?
- Erm… - ela desviou o olhar\, mas o homem continuou indo em
sua direção, enquanto ela recuava, até suas costas encostarem na parede –
Senhor Gabriel… - ela repetiu e ele não aguentou mais. Deixaria claro que não
era senhor para ela.
Colocou uma mão em cada lado da cintura dela e viu quando as
pupilas da jovem ficaram enormes.
- Senhor não. - sussurrou – Eu já falei. - ele deu um leve
beijo em sua bochecha – Você – beijou a outra bochecha – é – beijou a ponta do
nariz – minha esposa. - aproximou-se perigosamente da boca e de repente sentiu
todo o corpo sacolejando.
Abriu os olhos e viu que estava sonhando.
Isadora o olhava assustada, segurando seu ombro.
Gabriel levantou rapidamente e tentou se recompor.
Tudo não passara de sonho, ele não fez nenhuma besteira.
- Gabriel\, vim trazer seu remédio. - ela lhe entregou um
comprimido e um copo de água – Precisa de algo mais? - quis saber.
- Preciso ficar sozinho. – disse ríspido e a moça saiu do
escritório.
Gabriel estava perdido.
Gabriel estava MUITO perdido.
Porque agora ele queria sentir o gosto daqueles lábios, os
braços dela em volta dele, queria acariciar os cabelos da esposa e se entregar
àquele sentimento que estava lhe consumindo.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Celia Silva
aff demorando muito pelo menos rolar o beijo
2025-02-22
0
Valdeneide Seloni
tá ficando interessante
2025-02-16
0
Vó Ném
Bota paixão nisso 💘❤️💘❤️💘❤️💘❤️
2025-02-09
0