IRENE
A mulher observava a cena amorosa no jardim. Sentia o estômago borbulhando de raiva.
- Inferno, quem é essa intrusa! - falou com ódio – A mulher mal chegou e conquistou o pequeno bastardo!
Viu os dois entrando na Mansão de mãos dadas e seu ódio aumentou.
Era extremamente necessária uma intervenção.
URGENTE!
Esperou que os dois entrassem, pegou o celular e discou o número da irmã mais nova que morava em Londres.
- Estela, você tem que voltar.
- Bom dia para você também, irmã, querida. - a outra mulher respondeu, sarcástica.
Irene trincou os dentes, tentando controlar a raiva que vinha borbulhando há dias, desde que aquela estranha chegara. O sarcasmo da irmã não ajudava em nada.
- Estela, eu não tenho tempo para brincadeiras! Ele casou de novo! - disse, os dentes trincados de raiva.
Irene ouviu o suspiro da irmã do outro lado. Apostava que Estela estava revirando os olhos do outro lado da linha.
- E o quê você quer que eu faça, irmã? Mate essa também?
- Cale a boca! - Irene sibilou, trincando os dentes – Nunca mais diga isso! Você tem que voltar e fazer com que ele se interesse por você.
- Por Deus, irmã! - a mulher disse sem paciência – Você sabe que Gabriel não vai se apaixonar por mim! Nós tentamos isso há anos, além disso, eu estou bem aqui, conheci pessoas novas e até estou conhecendo melhor um rapaz...
- Estela, cale-se! - gritou - Estou mandando você voltar! - a irmã mais velha disse – Não esqueça que sou eu quem mantém sua boa vida! Se você não fizer o que mando, cortarei sua mesada! - encerrou a ligação sem dar oportunidade de a outra responder.
Andou de um lado para outro, nervosa. Não aceitaria aquela criatura em sua casa. Durante muitos anos lutou para conquistar a confiança de Gabriel, estava quase conseguindo que ele e a irmã se casassem quando Letícia apareceu e estragou tudo.
Irene teve que resolver esse problema e agora ele aparecia com aquela mocinha sem classe, uma camponesa imunda… aquela menina nunca seria a senhora daquela casa.
Ela era quem merecia não só a casa, mas toda a fortuna daquela família, por isso garantiria que aquela pequena intrusa saísse dali o mais rápido possível.
Por bem ou por mal.
Viva ou morta.
#
Duas semanas depois…
ISADORA
A moça abriu os olhos e a primeira coisa que viu foi uma massa de cabelos cacheados no seu rosto. Naqueles dias em que estava naquela casa, sempre dormia com José. O pequeno adormecia enquanto ela criava alguma história sobre príncipes que salvavam princesas em apuros.
Ela observou a criança dormindo e sentiu um aperto no peito, era impressionante que em tão pouco tempo ela e o menino criaram um laço tão forte de amizade. Não queria imaginar como seria a separação quando o contrato acabasse. O menino era especial para ela e talvez o sr. Gabriel permitisse que visitasse o garotinho quando ela voltasse para casa.
Acariciou os cabelos encaracolados do pequeno e ele acabou acordando.
- Bom dia, tia! - o menino falou, sorrindo.
- Bom dia, meu amor. - ela beijou a bochecha do garoto – Vamos nos arrumar para o café?
O menino concordou e levantou sem reclamar. Enquanto ele foi para o banheiro fazer a higiene pessoal, ela foi até o quarto que “dividia” com o “marido”, precisava trocar de roupa e se arrumar. Entrou no quarto sem se preocupar com “seu marido”, já que passava de oito horas da manhã e o homem acordava com as galinhas. Em duas semanas, ela mal vira o homem.
Abriu a porta do banheiro, distraída, e talvez por isso deu um grito ao encontrar o sr. Gabriel só com uma toalha branca em volta dos quadris. Ele estava de costas para a porta, então tudo que ela viu foi uma massa de músculos bem definidos, com certeza ele deveria passar muito tempo em aparelhos de musculação. A pele alva contrastava com uma tatuagem do lado esquerdo e algumas cicatrizes avermelhadas espalhadas. Observou uma gotícula de água percorrendo toda a extensão das costas dele, estava hipnotizada, quando recuperou os sentidos, deu outro grito de susto, fechou a porta rapidamente e gritou “perdão” várias vezes, enquanto cobria os olhos com as mãos.
Como ela olharia para o homem de novo? Não sabia onde enfiar a cara, desejou que o chão abrisse e ela caísse numa cratera profunda.
Estava tão acostumada a usar aquele quarto que esqueceu que o homem também usava o cômodo.
- Pode tirar as mãos dos olhos. - ouviu ele dizendo, depois de um tempo, que não sabia precisar quanto, pois estava com os olhos cobertos desde o momento em que fechou a porta do banheiro.
- Não, prefiro assim. - ela respondeu – Por favor, Sr. Gabriel, perdão.
- Pode olhar, já me vesti. - ele puxou as mãos dela, mas Isadora continuava com os olhos bem fechados. - Eu sei que não é nada agradável olhar para mim, mas já cobri meu corpo deformado. Infelizmente a cicatriz do rosto não é possível esconder. - concluiu, rispidamente.
Então a moça abriu os olhos, imediatamente. Ele realmente estava vestido, trajava calças jeans pretas, camisa azul-escura e tênis preto. Além disso, os cabelos molhados não estavam contidos pelo gel, caíam livremente sobre um olho, dando um ar ainda mais sombrio ao homem.
- Desculpe, Sr. Gabriel, mas não esperava que o senhor ainda estivesse em casa. Já passa das oito horas da manhã.
- Hoje é sábado e não irei até o escritório. - falou, secamente – E seria bom que você não me chamasse de senhor ou as pessoas começarão a estranhar. - concluiu.
- Tudo bem. - ela continuou olhando para o homem que estava sempre sisudo, parecia sempre com raiva – Vou descer para dar o café de José. - e saiu correndo sem esperar que ele falasse.
Assim que saiu do quarto pensou sobre o ocorrido. A verdade é que tinha se assustado em vê-lo só de toalha, é verdade que as costas dele tinham cicatrizes, mas não era repugnante. Tudo foi tão rápido que só viu aquele homem enorme, forte, só de toalha, dentro do banheiro. Ela nunca tinha visto homens em tais situações, nem mesmo o pai.
Respirou fundo várias vezes enquanto ia buscar o garoto para o café da manhã, precisava se acalmar antes que ele a encontrasse e percebesse o nervosismo dela.
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Atualizado até capítulo 53
Comments
Lélia Braga
,ela tem que descobrir quem é a cunhada pra poder se defender
2025-02-03
0
Patricia M
que cunhada bangida quer ficar com o dinheiro pra ela
2024-09-24
2
Sonia
Esse irmão e cunhada não tem casa não?
2024-08-25
2