Ela me olha aguardando eu falar alguma coisa, mas faço uma cara de suspense e quando olho, tenho a ideia de lhe provocar.
– Acho que preciso de mais um pouco para julgar melhor!
Ela me olha engraçado, mas não nega, levando novamente mais uma colher a minha boca. Eu faço cara de quem estar analisando e todos ali agora prestam atenção em mim, o que me dar muita vontade de rir. Agora olho para a Amanda com um olhar sério.
– Mais um pouco, por favor, estou com uma pequena dúvida.
– Você estar de brincadeira comigo, né? Você gostou tanto que estar querendo comer o meu, mas não vou te dar mais. Você não comeu antes porque não quis.
– Ninguém me ofereceu isso aí, não! Tenho certeza que eu teria aceitado se tivessem me oferecido.
Nesse momento começamos uma briga por conta daquela sobremesa, o que faz mais uma vez todos rirem novamente. Aqueles momentos com a Amanda estavam sendo surpreendente para mim, eu estava realmente começando a me sentir eu mesmo, porém limitado a uma cadeira, mas às vezes até disso eu esquecia.
– Prometo que vou fazer uma travessa apenas para você, Sr. Adam! – A Madalena fala. Olho para a Amanda e dou língua para ela.
– Tão adulto da sua parte dar língua para os outros! – Ela fala debochando de mim. Dou língua de novo para ela, o que a faz rir.
– Bem, crianças, fico muito lisonjeada com a presença de vocês aqui na minha cozinha, mas já que todos já comeram, preciso organizar ela, porque tenho outros afazeres para cumprir. – Madalena nos expulsa de sua cozinha.
– Pois é, Sr. Adam, também temos alguns exercícios para fazer, então vamos voltar, porque hoje o senhor só estar enrolando. – Amanda fala para mim.
Então sigo com a cadeira para o quarto e ela me segue logo atrás. Minha mãe permanece na cozinha, dizendo que iria fazer a lista com a Madalena, mas hoje nem é final de semana ainda, como ela vai fazer lista de compras. Acho que minha mãe quis apenas nos dar um tempo sozinhos. Assim que entramos no quarto, ela me questiona.
– E aí, sabichão, foi tão ruim assim, estar na companhia de outras pessoas?
– Sabichão? Jura? Cadê a mulher adulta agora?
– Você que estar querendo fugir da pergunta, porque sabe que eu estava coberta de razão. – Ela fala me olhando de forma como se falasse “diga aí se não estou certa”.
– O que ganho se admitir que você tinha razão?
– Não acredito que você estar barganhando comigo uma resposta, mesmo quando tenho certeza dela. – Ela fala rindo, o que me faz rir também.
Então ela se aproxima de mim que ainda estou na cadeira e do nada senta no meu colo, o que me deixa mais que surpreso. Ela me encara um momento e analisa minha expressão, então do nada leva sua boca a minha, e eu correspondo aquele beijo, que acaba mais cedo do que queria.
Então ela me olha surpresa e envergonhada pelo que fez, percebo pelo seu olhar assustado. Tudo aquilo aconteceu porque ela havia realmente baixado a guarda e eu tinha mostrado quem era antes do acidente.
– Adam, por favor, me perdoe por isso. Juro que nunca me aconteceu, melhor dizendo juro que nunca mais vai se repetir. Não podia ter feito isso, você é meu paciente. Aí meu Deus, que vergonha, que falta de profissionalismo. Acho melhor ir embora.
Ela pega a bolsa e eu vou até a porta com minha cadeira, mas apenas para a impedir de sair. De forma nenhuma vou deixá-la sair sem falar o que penso antes. Então quando ela para na minha frente, a estou encarando.
– Posso falar agora? – Ela me olha envergonhada e apenas afirma com a cabeça. – Agora você que estar julgando o que aconteceu entre a gente, porque meu olhar de surpresa foi que não imaginei que você me enxergasse dessa forma, mas adorei descobrir. E se você não percebeu, eu também correspondi ao beijo, só acho que ele terminou rápido demais. – Ela me olha surpresa agora, o que me faz rir. – Você acha que eu não queria poder fazer isso primeiro? Mas infelizmente eu ainda não tenho como me movimentar, mas não ficaria chateado se você pudesse repetir novamente o que fez.
– Você é louco, Adam! Sua mãe me contratou para recuperar seus movimentos, não para eu me aproveitar de você.
– Agora você vai me tratar como um coitado, Amanda? Alguém que os outros podem se aproveitar? Bem diferente do discurso que você me deu a um tempo atrás.
– Não é isso, Adam, me expressei mal, ok? O que quis dizer é que não é profissional esse tipo de relação médico/paciente. As pessoas não veriam isso com bons olhos, me julgariam e julgariam meu trabalho também. Não posso permitir que isso aconteça.
– E cadê aquela mulher que me falava que as outras pessoas só podem te fazer sentir inferior se você permitir? O conselho só serve para mim?
– Adam é complicado! Precisa existir ética entre médico/paciente para que o tratamento tenha sucesso.
– Então vou te pedir um único favor, pode ser? – Olho para ela, que me olha desconfiada, mas assente. – Dez minutos sem que você pense que é minha médica, podemos simplesmente passar a chave na porta se isso te deixar mais confortável. – Ela nega com a cabeça. – Por favor, Amanda, eu te peço que me faça sentir normal pelo menos nesses 10 minutos.
Ela me olha em dúvida, sei que não estou sentindo isso sozinho, mas percebo receio no seu olhar, mas não vou permitir que ela pense demais, então levo a cadeira para mais junto dela.
– Por favor! Prometo que não vou te julgar e nem julgar seu tratamento. Isso permanecerá entre a gente e ninguém jamais vai saber. – Ela então desvia da cadeira e passa por mim.
Aquilo realmente me deixou muito triste. Talvez eu só tivesse me iludindo com o que houve, e, na verdade, ela simplesmente agiu por impulso e tudo não passou de um momento para ela. Aquilo realmente me deixou decepcionado.
Então sinto suas mãos no meu pescoço e ela se coloca ao meu lado e senta novamente no meu colo, ela tem uma expressão tímida, e eu infelizmente não posso fazer muito por ela, então ficamos nos olhando, na verdade, nos encarando, ela leva sua mão ao meu rosto e faz um delicado carinho ali, o que me faz fechar os olhos e desfrutar daquele contato. Então sinto seus lábios no meu, e eles são macios. O beijo dela é delicioso, apesar de muito delicado.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 93
Comments
Vanda Farias de Oliveira
Aí sim 👍
2025-01-21
0
Maia Maia
Só precisa ter dinheiro, isso ele tem. Tem cadeiras inteligentes motorizados com comando até por piercing na língua, onde tetraplégica conseguem movimentar a própria cadeira pra onde quiserem. A dele deve ser uma parecida
2024-08-13
4
Jô
só não entendi uma coisa, como ele consegue movimentar a cadeira? ele não está paralisado do pescoço para baixo?
2024-07-29
0