Após fazer uma avaliação por todo o corpo do Adam, verificando onde ele poderia ter algum tipo de sensibilidade, resolvi começar com os exercícios para seus braços. Aquela era a parte mais fácil do tratamento. Depois de quase 1h o Adam começa a reclamar, e aí eu entendo de onde vem o fato de ele ainda não ter recuperado os movimentos. Deixo ele na cama, vou até minha bolsa, pego meus fones de ouvidos e retorno até ele.
– Como você não para de reclamar, mesmo não sentindo nada, estou colocando meus fones de ouvidos, assim evito escutar sua voz irritante.
– Você não se atreveria!
– Paga para ver, então. – Digo colocando uma música no meu celular e colocando meus fones de ouvidos.
Depois disso, noto que o Adam parou de reclamar. Ele sabe que vai fazer papel de bobo, falando sozinho. Continuo massageando, alongando e conectando os eletrodos do aparelho que trouxe ao seu braço e ombro. A eletroestimulação ajuda um pouco no meu trabalho. Trabalharei a cada 2 dias um membro diferente e assim acompanharei o resultado que vamos tendo.
A Carla chega com o almoço do Adam, então libero ele para poder se alimentar. De repente observo a Carla nervosa, explicando ao Adam que vai precisar se ausentar, ele estar reclamando de alguma coisa, e a vejo se encaminhar até mim.
– Amanda, você poderia fazer a gentileza de dar o almoço do Adam? A enfermeira ainda não chegou e vou precisar me ausentar. Aconteceu uma urgência com uma conhecida.
– Tudo bem, Carla! Pode ir, eu te ajudo com isso.
– Obrigada mesmo, Amanda, sei que não é sua obrigação.
Dessa forma, ela me entrega o prato e saiu apressada do quarto. Vou até o Adam que estar me observando com o semblante fechado. Pego a colher com o alimento e levo até sua boca. Acho que depois de umas quatro colheradas, aquele menino mimado informa que não quer mais comer. Olho para o prato e o mesmo encontra-se quase intacto.
– Você vai comer mais um pouco! Como quer se recuperar se não se alimenta direto?
– Estou cheio, não vou comer mais nada! – Aquele ogro diz.
– Você estar cheio mesmo, ou seu orgulho estar ferido por eu estar te alimentando? Deixe de ser criança e abra essa boca! – Falo com a colher próxima a boca dele.
– Não quero sua irritante!
Não acredito que ele me chamou daquela forma. Olho para ele com um olhar atravessado. Vou até a mesa e coloco o prato ali e começo a recolher as coisas. Pego tudo que é meu e começo a colocar na bolsa, enquanto ele me observa. Quando coloco a bolsa no ombro e me preparando para sair, ele resolve perguntar o que estou fazendo.
– Disse a você que isso é um trabalho de equipe e se você não estivesse disposto a se ajudar eu não perderia meu tempo. Sua alimentação é extremamente importante para sua recuperação, ela que dará forças a seus músculos, além dos exercícios, e se você prefere se comportar como uma criança mimada se recusando a comer por orgulho, não tenho nada a fazer aqui.
– Você não pode ir embora! Minha mãe saiu, vai me deixar sozinho aqui?
– Agora você faz questão da presença da sua mãe? Toda vez que ela estar aqui o vejo a trata de forma rude. Agora que vai ficar sozinho, descobre que precisa dela? Acho que você precisa descobrir os valores das pessoas antes de perdê-las.
– Tudo bem, eu vou terminar de comer. Né isso que você quer?
– Você vai me prometer comer todos os dias, não só agora. Você vai cumprir sua promessa?
– Sempre cumpro o que prometo! – Ela fala emburrado.
– Ótimo, criança! – Falo colocando minha bolsa sobre a mesa novamente e pegando o prato.
Adam não fala mais uma palavra, mas se alimenta, esvaziando seu prato. Carla retorna uma hora depois e se surpreende em encontrar o prato vazio, o que me faz crer que o Adam não tem se alimentado direto. Quando término os exercícios com o Adam, resolvo ir conversar com a Carla a respeito da alimentação de seu filho.
Nesse mesmo momento a enfermeira entra para fazer o CAT no Adam, observo que ele me olha meio constrangido, então digo que vou me retirar da sala para dar uma maior privacidade ao Adam. Já vi aquele procedimento ser feito várias e várias vezes, tanto que também sei fazê-lo, mas compreendo que não seja agradável para ele que eu esteja na sala. O CAT nada mais é que o esvaziamento da bexiga por completo, com a utilização de um cateter, introduzido pelo canal da uretra, ou seja, pelo pênis. No caso dele isso é necessário a cada 4/5 horas para evitar infecção urinária. No momento que estou saindo, a Carla me encontra no corredor.
– Preciso conversar com você a respeito da alimentação do Adam. – Falo
– O que houve? Seguimos uma tabela feita pela nutricionista.
– Ela estar perfeita, mas observei que ele não estar querendo comer. Isso estar acontecendo sempre?
– Depois do acidente ele começou a comer menos que antes.
– Isso não pode acontecer, Carla. É importante que ele se alimente bem, o corpo dele precisa disso, então da próxima vez que eu não estiver e ele se recusar a comer ameace informando que serei avisada.
– Você fez algo para ele comer tudo, estou certa?
– Ameacei parar com o tratamento, como falei somos uma equipe. Se ele não se alimentar, os músculos não vão conseguir se recuperar.
Nesse momento a enfermeira abre a porta informando que já terminou o procedimento, então entramos.
– Adam terminamos por hoje! Vou deixar os exercícios para amanhã e nos vermos em 2 dias. Por favor, não deixe seu lado birrento tomar conta de você, é necessário fazer o que estou pedindo, mesmo que você não acredite nos resultados.
– Não sou criança para ter lado birrento. – Ele fala de forma grossa.
– Mas se comporta como uma. Vou indo agora, me deixe orgulhosa amanhã. Ligarei para saber como foi.
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Atualizado até capítulo 93
Comments
marluce afleite
kkkkkkkk
2024-10-01
0
Amanda Nascimento
Muito hilário os dois! kkkkk
2024-05-18
6
Expedita Oliveira
Belíssimo capítulo... Parabéns, Parabéns!!! ❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❣️❤️❤️❤️❤️❤️❤️❤️👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏👏🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹🌹
2024-02-27
4