Nem se quer, notei quando os médicos saíram. Só me dou conta que o tempo passou quando minha mãe se aproxima de mim e pergunta se desejo alguma coisa.
– Quero mãe! Quero sentir meu corpo novamente, será que isso será possível?
Minha mãe me olha com tristeza, e sei que se fosse possível ela trocaria de lugar comigo sem pensar duas vezes. Estou com muita raiva contida, e a única parte do meu corpo que eu desejava que não estivesse funcionando nesse momento, é a única que não me deixa em paz, minha cabeça.
– Vou chamar a enfermeira para mudar você de posição, isso vai ser bom para sua circulação. Se tudo dê certo, em breve estaremos em casa.
– Obrigado, mãe. Talvez seja bom mudar de posição, já gravei cada detalhe desse teto. – Respondo com ironia.
Minha mãe sai sem falar mais nada. Depois de mais um tempo, minha mãe volta com duas enfermeiras. Nesse momento sinto meus lábios secos e tenho vontade de beber água.
– Mãe, a senhora pode pegar um pouco de água para mim?
– Claro, meu amor!
Quando ela volta com um copo e um canudo é que me dou conta que nem isso vou poder mais fazer sozinho. Minha vontade é de jogar esse copo longe, mas também não tenho esse poder. Olho para minha mãe e parece que ela consegue ler meus pensamentos.
– Não adianta você ficar assim, meu filho. Isso não ajudará você a nada. Estou aqui para o que você precisar e não vou sair de seu lado. Tudo isso pode ser temporário como a própria médica falou. Você apenas terá que ter paciência e muita força de vontade.
– Eu sei, mãe, me desculpe. Mas é revoltante você nem ser quer poder beber água sozinho. Sei que a senhora não tem culpa do que me aconteceu e agradeço por estar aqui comigo. Falando nisso, você tem notícias do Christopher e da Emily? Eles não vieram me visitar?
Minha mãe olha para mim, como se não soubesse o que falar. Seus olhos enchem de lágrimas e as vejo escorrer. Nesse momento, começo a me preocupar, lembro da Emily passando mal no banco traseiro, será que o que ela teve foi grave? Olho para minha mãe, e ela por diversas vezes abre e fecha a boca como se não soubesse o que dizer.
– Mãe, só diga se eles estão bem, por favor!
– Eles não resistiram ao acidente, meu filho. Você foi o único que sobreviveu dentro daquele carro.
– Não, mãe, isso não pode ser verdade. Por favor, diga que é brincadeira. Eu não posso ter matado eles, por favor, mãe.
Nesse momento sinto um peso enorme no meu coração, nem me dou conta que estou gritando até escutar um enfermeiro, solicitar a presença do médico, escuto ao longe minha mãe gritando meu nome, enquanto a enfermeira tenta contê-la. Os bips dos aparelhos que antes estavam me incomodando, começam a ficar distante, e eu me deixo ser levado por aquela calmaria.
Quando desperto, não sei onde exatamente estou, até virar a cabeça e ver minha mãe dormindo naquele sofá totalmente desconfortável. Então lembro de tudo que aconteceu. Do pesadelo que nesse momento encontra-se minha vida, e me pergunto porque Deus também não me levou. Por que tive que ser o único a ficar preso aqui nessa cama, sem poder mover meu corpo? O que foi que fiz, para que Deus me tirasse tudo que eu mais amava? Que Deus cruel é esse? Nesse momento a única coisa que eu desejava é que Ele fosse benevolente e me levasse também. Minhas lágrimas escorrem pelo meu rosto e devo ter feito algum tipo de som, porque minha mãe desperta e vem até a cama, com seus olhos avermelhado, enxuga meu rosto e sai em disparada pela porta, quando retorna uma enfermeira e acredito ser uma médica a acompanha.
– Olá Sr. Adam, sou a Dra. Suzane, como o senhor se sente?
– Um verdadeiro lixo, se assim eu posso classificar meu estado. Eu só queria ter morrido naquele acidente, seria pedir muito?
– Eu entendo seus sentimentos, Sr. Adam. Isso pode ser revoltante, mas isso só dificulta sua recuperação, sem falar que o senhor estar sendo cruel com sua mãe. Nenhuma mãe, deseja perder o filho.
– Do que adianta eu ficar aqui, e só dar trabalho a ela? Tenho certeza que ela estaria melhor sem mim.
– De forma nenhuma, meu amor! Você é minha vida, Adam!
– Vamos fazer o seguinte, vou autorizar um calmante para o senhor poder descansar mais um pouco. Vejo que o senhor ainda continua bem agitado, e vou solicitar um psicólogo para poder lhe acompanhar.
– Por favor, doutora, não quero dormir novamente, prometo que vou tentar me acalmar. – Falo desesperado, preciso obter mais informação do que aconteceu.
– O senhor tem certeza, Sr. Adam? – Ela me analisa, enquanto eu apenas afirmo. – Tudo bem, se não perceber melhoras no seu quadro, vou autorizar a enfermeira a lhe dar um calmante.
Minha mãe me observa com uma tristeza no olhar. Nunca a tinha visto assim, mesmo nas épocas difíceis, minha mãe matinha um olhar alegre. Hoje não consigo enxergar isso nela, não sei se pelo que falei ou se pelo meu estado, ou ainda pelos dois juntos, o que acredito ser o provável.
– O que houve, mãe? Eu preciso saber desde o início, por favor! – Ela me olha em dúvida, mas após alguns segundos começa a relatar.
– Naquele dia da sua vitória, meu sexto sentido falava que algo ruim iria acontecer, eu só não sabia o quer. Quando recebi sua mensagem dizendo que tinha chegado em segurança, tentei tranquilizar meu coração, mas o sexto sentido de mãe não falha. Era ainda início da madrugada quando recebi a ligação da polícia informando sobre seu acidente.
– Eles relataram como o acidente ocorreu? Só lembro de ter me distraído por um momento porque a Emily não estava muito bem no banco traseiro. Depois não lembro de mais nada.
– Segundo o relatório da polícia, seu carro foi atingido por outro veículo em alta velocidade. Apesar de encontrarem vestígios de algo no seu organismo, o nível era bem baixo, o que lhe isentou da responsabilidade pelo acidente, porém o outro motorista estava com níveis muito elevados, e segundo relatos de testemunhas oculares, que presenciaram o acidente, ele avançou o sinal, inclusive algumas dessas testemunhas afirmaram que pela velocidade, ele nem se deu conta que ali era um cruzamento. Após seu carro ser atingido ele capotou várias vezes, a sua sorte foi o cinto de segurança. A Emily e o Christopher estavam sem o cinto e os mesmos foram arremessados a vários metros do carro no momento do impacto.
– E o outro motorista?
– Também morreu no local. Todos ficaram se perguntando como você conseguiu sobreviver, mesmo quando seu carro ficou totalmente destruído pelo impacto. Você ficou 15 dias em coma meu amor. Quando me ligaram informando que você havia acordado, eu não acreditei, Deus te deu uma segunda chance, Adam.
– Que segunda chance é essa, mãe? Me deixando sem movimentos do pescoço para baixo, necessitando de todo mundo para qualquer coisa.
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Atualizado até capítulo 93
Comments
Janndiacira De Fatima Ferreira
Todos estavam errados , a não combinar com o volante de um carro ou moto deveriam ter ido ao Uber. Todos foram irresponsáveis..
2024-12-13
0
Vanda Farias de Oliveira
Deus deu essa chance ele só tem que agarraram ela,mas deve ser muito difícil pra um atleta aceitar essa situação
2025-01-21
0
Solaní Rosa
Adam tá culpando Deus se eles tivessem juizo não tinham saído ele era o que tava menos bêbado e foi atrás da Emilly e do Chistopher que estavam bêbados
2024-04-16
7