Depois que desligo aquela ligação, minha mãe comemora. Fiz isso por ela, mas também muito curioso em saber o que aquela coisinha irritante poderia fazer para mudar meu quadro. O hospital sempre mandou os melhores especialistas para fazer meu tratamento. O que ela poderia fazer de diferente deles, que poderia resultar em algo positivo? Isso estava curioso em descobrir, mas com a língua coçando para dizer a minha mãe que estava certo, aquela coisinha irritante nada poderia fazer para reverte minha situação.
Quando minha mãe saiu do meu quarto, me deixando sozinho mais uma vez, me vi pensando naquela médica. Analisando bem, o que mais me irritou foi que comecei a notar o quanto ela era linda, não queria ter esses pensamentos a respeito dela. Quando a tratei com grosseria, imaginei que ela fosse se retrair, igual à maioria dos profissionais que estiveram aqui comigo, mas me enganei completamente, ela simplesmente olhou para mim, disse o que eu merecia escutar, e simplesmente me ignorou, aquela atrevida. Desde o meu acidente ninguém havia me tratado daquela forma, sem pena alguma e sem considerar o meu estado, e tenho que confessar que gostei daquilo.
Há muito tempo não abria um sorriso, nem sabia se seria capaz disso, mas o simples fato de lembrar como ela ficou irritadinha, me fez sorrir. Quando ela atendeu aquela ligação estando apenas de toalha, esqueci que minha mãe estava presente, e quando me dei conta já tinha soltado uma gracinha para ela. Sei que minha mãe ficou imaginando coisas que não existiam, então antes dela sair fui logo cortando sua imaginação. Mas durante o resto do dia aquela irritante de toalha não saiu de minha mente. Fiquei me perguntando que tipo de compromisso ela teria. Será que ela é comprometida? Que pergunta mais tola, ela nunca olharia para alguém como eu, preso numa cadeira de roda. Para ela não serei mais do que um novo trabalho.
No dia seguinte, minha mãe aparece no quarto toda feliz acompanhada da senhorita estressadinha. Ela me olha mais uma vez, e tenho que confessar que realmente ela é muito linda. Não é nenhuma modelo de capa de revista, alta, magra, nada disso. Mas tem uma altura mediana, curvas no lugar certo, lábios carnudos e que olhos, eram tipos caramelos ou mel, não sei ao certo, mas te prendiam neles. Sua postura era extremamente profissional e me olhava com uma certa incerteza.
– Bom dia, Sr. Adam! Como o senhor estar hoje?
– Bom dia, Dra. Amanda! Acho que da mesma forma que estive ontem e outros dias antes de ontem.
– Vejo que seu humor é bem azedo, é com todo mundo, ou eu sou a premiada? – Aquela atrevida pergunta.
– Não se preocupe Amanda, isso é com todos! Sobra até para nossos funcionários pessoais. – Minha mãe fala antes que eu tenha a oportunidade de responder.
– Todos me olham como um inválido!
– O senhor pode ser um arrogante, estupido e idiota Sr. Adam, mas invalido só o senhor se coloca nessa posição.
Não pude acreditar que aquela coisinha irritante falou aquilo e me olhava me desafiando a responder. Minha mãe ficou tentando esconder o sorriso que ela estava no rosto, e simplesmente baixou a cabeça. Olhei para aquela coisinha na minha frente e quando estava preste a falar poucas e boas para ela, simplesmente ela não permitiu, levantou a mão me fazendo calar.
– Teria o maior prazer em debater isso com o senhor, mas como falei meu tempo é precioso e acredito que o senhor esteja interessado em saber como vamos trabalhar para sua melhora, então precisamos ser objetivos. Trabalho 12/24 no Whittier Hospital, no dia em que estiver trabalhando, deixarei os exercícios que quero que faça com sua enfermeira e ela e na minha folga, passarei com o senhor 6h por dia. Não vou aceitar grosserias de sua parte, sem reclamações e se eu perceber que o senhor não estar se dedicando ao meu tratamento, simplesmente deixo de vir.
– Sim, senhora comandante! – Respondo sem conseguir abri mão da ironia.
Ela me olha sem acreditar na minha resposta, mas ignora. Então informa que precisa que eu deite na cama, então começa todo um processo para que isso aconteça. Preciso ser içado novamente até a cama e lá ela faz toda uma espécie de reconhecimento do meu corpo. Fiquei sem graça por estar de fralda, mas eu não tinha controle algum sobre meu corpo. Enquanto ela me apalpava para ter noção de minha sensibilidade, eu estava com raiva de mim mesmo por não sentir a mão dela em minha pele, e depois estava mais irritado ainda por ter aqueles pensamentos.
Na maior prática do mundo ela conseguiu me virar de bruços. Normalmente a enfermeira precisava da ajuda da minha mãe e vice-versa, mas aquela mulher me virou como se eu não pesasse nada. E isso me deixou surpreso.
– Nossa, você virou o Adam, como se ele não pesasse nada, estou surpresa! – Minha mãe fala como lendo meus pensamentos.
– Isso só é prática, Carla. Depois de um tempo, isso se torna fácil. Mas espero que isso não seja necessário para você. Como falei não sei se será possível o Adam recuperar todos os movimentos, mas ele terá mais autonomia, mais adiante.
– Deus te ousa, Amanda!
Todos os lugares que ela foi massageando eu nada sentia. Com uma única exceção, o pescoço. Então ela falou que iria precisar de alguns outros tipos de tratamento paralelo, alguns que poderiam ser feitos em casa por profissionais capacitados, no caso da acupuntura e outro precisaria ir até uma clínica especializada.
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Atualizado até capítulo 93
Comments
Vanda Farias de Oliveira
E disso que o Adam estava precisando alguém que não olhe com pena e trate normalmente
2025-01-21
0
Cleidilene Silva
nossa o caso dele e bem complicado.
2025-01-13
0
Maia Maia
Bom que ela não alisa ele rss
2024-08-10
3