O tempo tem passado rápido demais, já faz dois meses que estamos aqui nos EUA. Apesar de falarem que os americanos são muito frios em relação a interações humanas, moramos num edifício que a maioria dos moradores são estrangeiros, e temos uma vizinha muito calorosa. A Madalena é uma senhora mexicana que trabalha como cozinheira numa mansão no bairro rico aqui na Califórnia. Um amor de pessoa.
Por esses dias ela me falou que sua patroa estava muito triste pelo filho que sofreu um acidente e que havia perdido os movimentos do pescoço para baixo. Então ela perguntou se eu poderia ajudá-lo. Deduzi que o rapaz deveria ter sofrido alguma lesão na medula, então falei que primeiro precisava verificar as extensões das lesões que ele sofreu e analisar os exames que foram feitos, para só assim poder dizer se posso ajudar.
Na semana seguinte a patroa dele mandou o motorista nos buscar em casa para que eu pudesse analisar o quadro do rapaz. Quando chegamos lá, fiquei admirada pela mansão, mas o que me surpreendeu foi descobrir que a mãe do rapaz era brasileira igual a mim, então tivemos uma conexão logo de cara. Perguntei se poderia olhar os seus exames, por um momento tive dúvidas se poderia ajudá-lo, porque com o dinheiro que eles tinham, acredito que os melhores especialistas já haviam passado por ali.
Paramos diante de um quarto. Enquanto a Carla conversava comigo, mesmo sem tirar minha atenção dela, tinha aprendido a analisar todo meu ângulo de visão. De onde vim, isso era muito importante, você não poderia dar mole ao acaso. Observei um rapaz jovem sentado na cadeira de roda apropriada para as necessidades dele, o quarto era arejado e ele provavelmente tinha uma boa mobilidade com aquela cadeira.
Quando a Carla resolveu nos apresentar, notei o quanto ele era bonito. Imaginei que ele fosse tão receptivo quanto a Carla, mas estava completamente enganada. O que ele tinha de bonito, ele tinha de arrogante. Depois que ele perguntou a Carla se eu fazia milagres, juro que tive vontade de virar as costas e ir embora, mas sabia que a pobre da mãe dele estava contando comigo. Então simplesmente resolvi o ignorar, apesar dele ser o paciente.
Olhando os exames que ele havia feito, pude deduzir que o acidente tinha sido bem grave. Nunca tinha visto ninguém com esse tipo de lesão em ambos os braços. Pelo tempo que ele vinha fazendo fisioterapia, já era para ele ter recuperado um pouco mais de movimento, então imaginei duas coisas, ou os médicos estavam aplicando os exercícios errados, ou o paciente não ajudava muito, e se eu tivesse que escolher uma das opções, seria a segunda.
Quando aquele ogro fez questão de menosprezar minha capacidade, não segurei a minha língua. Deixei claro para ele que iria me dirigir apenas a Carla, sendo a pessoa que fez questão da minha presença ali. Se ele me ofender, não vou considerar o fato dele estar em uma cadeira de rodas. Isso não dar o direito dele de ser desrespeitoso com as pessoas.
Ignorei aquele grosso mais uma vez e me dirigir a mãe dele, informando a ela meu parecer médico. Quando ela me perguntou esperançosa se eu aceitava tratá-lo, tive vontade de dizer um “NÃO” definitivo, mas ela não merecia isso. Então disse a ela para conversar com seu filho primeiro, porque eu não iria fazer milagre, ele teria que querer ser tratado, teria que ser um trabalho em equipe, e se não fosse assim eu não perderia meu tempo ali.
Quando cheguei em casa encontrei com a Nayara sentada no sofá. Ela, vendo meu humor, logo perguntou.
– Que bicho te mordeu, amiga? Nunca te vi irritada dessa forma. – Minha amiga pergunta preocupada.
– Nayara, por que o meu astral atrai tanto cara ogro para minha vida?
– O que houve, Amanda? – Minha amiga pergunta rindo.
– A Madalena, nossa vizinha, comentou com a patroa dela sobre meu trabalho. Então, a Carla, a patroa da Madalena, pediu para que eu fosse avaliar seu filho. Fiquei surpresa porque eles moram numa mansão incrível em Bel Air, então imaginei que provavelmente só os melhores especialistas deviam ter passado por lá. Quando conheci o filho dela entendi porque nenhum especialista conseguiu reverter o quadro dele. Mas o cara é um completo idiota, acho que o cara deve pensar que o fato de ser cadeirante lhe dar o direito de ser um grosso. Acho que por isso ninguém consegue aplicar o tratamento certo nele.
– Bel Air? Só pessoas da alta sociedade mora lá. Você sabe o nome dele para podermos verificar quem ele era antes do acidente?
– Adam Connor pelo que estava nos exames. – Depois de um tempo, a Nayara me olha surpresa.
– Amiga, sabe de quem se trata esse grosso que você foi visitar? Nada menos que o jogador profissional de futebol americano Adam Connor. Uma estrela em ascensão na época do acidente. Coincidentemente na mesma época que chegamos aqui. E ele não foi a única vítima, Amanda. – Minha amiga me olha como se entendendo o humor daquele idiota. – No acidente morreram a namorada e o melhor amigo dele que estavam no carro que ele dirigia.
Olho surpresa para a Nayara. O cara deve ter ficado bem mal na época. Talvez por isso ele não aceite o tratamento que muitos devem ter tentado. Ele pode se sentir culpado pelo acidente. Muitas vezes é isso que acontece com as vítimas. Eles ficam tão traumatizados que não aceitam nenhum tipo de tratamento que o faça melhorar, às vezes sendo necessário um acompanhamento psicológico em paralelo.
– Mas ainda assim, Nayara, eu não aceitarei as grosserias daquele idiota. Não mudei de país para isso. Se ele não pode controlar aquela língua dele dentro da boca, também não sou obrigada a conter a minha, caso ele aceite o tratamento.
– Acho que vou gostar de assistir essa novela! Será que terá romance no final? Não posso negar que o cara é gato. – Nayara fala soltando uma gargalhada.
– Ah, Nayara, vai procurar uma trouxa de roupa para lavar e não me amola, já basta aquele imbecil.
Me levanto indo para meu quarto e deixando minha amiga tendo uma crise de riso na sala de nosso apartamento. Vou direto para meu banheiro, preciso de um banho para renovar as energias. Assim que estou concluindo meu banho, escuto meu telefone tocando. Enrolo uma toalha em meus cabelos e outra em meu corpo, e atendo antes que a ligação se encerre.
– Alô? – Falo afobada ainda tentando manter a toalha nos meus cabelos molhados.
– Tem certeza que você não é cega Dra. Amanda? É uma chamada de vídeo, não uma chamada de voz.
Eu pego o celular, que estava apoiado em meu ombro e cabeça e olho para a tela. Não acreditando em quem estava ligando. Isso só poderia ser pegadinha mesmo.
– O que você deseja Sr. Adam?
– É assim que você costuma atender seus clientes? Isso seria interessante se fosse antes do acidente.
– Tenho certeza que antes do acidente, o senhor não necessitaria de meus serviços.
– Você tem razão! Podemos começar novamente? Me desculpe pela minha grosseria, estou disposto a escutar o que você tem a falar sobre o tratamento. Poderemos nos encontrar amanhã?
– Preste muita atenção, Sr. Adam, fui muito clara com sua mãe, se o senhor não estiver disposto a se ajudar, não vou perder meu tempo, sendo muito valioso para outras pessoas.
– Se estou ligando, é porque estou disposto a aceitar o que a senhora tem a oferecer. Posso aguardar a senhora amanhã?
– Peça para seu motorista me buscar no mesmo horário! Agora preciso ir, tenho um compromisso. – E desligo aquela ligação, com meu coração acelerado. Por que todo esse nervosismo?
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 93
Comments
Moreira Ana Claudia
amando o livro
2025-02-10
0
Doraci Bahr
gostei
2024-11-28
0
Lilian Sousa
kkkkkkkkk
2024-09-02
0