Wallace narrando
Voltamos para onde estávamos vivendo. Assim que chegamos, sentei-me e puxei a Laís para o meu colo. Contei tudo o que havia encontrado no cofre: o dinheiro, as barras de ouro e o laptop. Ela ficou pensativa, mantendo-se calada o tempo todo. Não sabia se sua reação era pelo fato de eu ter um cofre cheio de riquezas enquanto vivíamos em condições modestas, ou se ela estava preocupada com a origem daquele dinheiro.
Quando abri o laptop, deparei-me com uma série de fotos íntimas minhas com uma mulher. Nas imagens, parecíamos um casal apaixonado: em algumas, estávamos abraçados; em outras, nos beijando.
Laís levantou do meu colo em lágrimas e correu para fora. Levantei-me rapidamente e fui atrás dela. Peguei-a pela mão, puxei-a para perto de mim, beijei seus lábios e a abracei com força.
— Meu amor, não fique assim — disse, tentando acalmá-la. — Eu não sei quem é essa mulher. Se um dia ela significou algo para mim, ficou no passado.
Ela chorou e respondeu:
— Ela pode ser sua mulher, Wallace. Desde o início, eu sabia que a qualquer momento você poderia lembrar de tudo e voltar para sua vida anterior.
Coloquei dois dedos em seus lábios e falei:
— Minha mulher é você, Laís. É com você que quero viver todos os dias da minha vida.
Beijei seus lábios com desejo e um medo imenso de perder a mulher da minha vida. Comecei a tirar nossas roupas, espalhando-as pela areia. Precisava estar dentro dela, sentir que nada havia mudado entre nós.
Deitei-a na areia, abri suas pernas e me posicionei entre elas. Entrei nela com cuidado, tomando precauções para não machucar nosso filho. Beijei seus lábios sem parar, enquanto ela me abraçava forte, suas mãos percorrendo minhas costas. Nossas lágrimas se misturavam, e nossos gemidos denunciavam o prazer que sentíamos juntos.
Gozamos ao mesmo tempo. Envolvi seu corpo com meus braços, cheirei seu pescoço e sussurrei, ainda ofegante:
— Amor, não me deixe por um erro do passado. Eu te amo e não conseguiria viver sem você e nosso filho.
Ela me abraçou mais forte e disse:
— Amor, eu nunca vou te deixar, porque te amo mais que tudo na minha vida. Mas tenho medo de que, quando você recuperar a memória, me abandone por não se lembrar mais de mim. E agora, sabendo que existe outra mulher, meu medo e insegurança só aumentam.
— Amor — respondi —, nada neste mundo, nem ninguém, poderá apagar o amor que sinto por você.
Entramos no rio abraçados e tomamos banho juntos, grudados um no outro. Enquanto isso, eu tentava lembrar quem era aquela mulher, mas algo me dizia que não era o que parecia. Ao olhar para a foto dela, não senti nada além de repulsa. Fiquei pensando: será que não trabalhávamos juntos e tudo aquilo era uma farsa? Ao olhar para ela, não senti desejo ou atração. Sei que não me lembro de nada, mas o amor verdadeiro jamais se perde. Disso, eu tenho certeza.
Fomos para a cama e dormimos agarrados, com a Laís deitada no meu peito, ouvindo cada batida do meu coração, que pulsava por ela.
O dia amanheceu, e nos arrumamos para ir ao trabalho. Peguei uma das armas que havia dentro da caverna e a escondi entre minhas roupas. Depois de tudo o que aconteceu, não poderia mais vacilar. Precisava proteger minha família. Não permitiria que nada acontecesse com minha princesa e nosso filho.
Assim que chegamos ao restaurante, a subgerente nos recebeu. Ela abriu um sorriso para mim, mas fechou a cara ao ver a Laís. Olhei para ela, confuso, e perguntei:
— Você tem algum problema com minha esposa?
Ela respondeu, com um tom frio:
— Não, só acho que ela é irresponsável. Não gosto de pessoas assim.
Fiquei furioso.
— No mundo, não existe pessoa mais responsável do que a Laís. Qual é o seu problema? Por que a trata dessa forma? Não vou permitir que você ou qualquer outra pessoa a difame. É melhor medir suas palavras e pedir desculpas a ela.
A Laís sorriu, olhou para mim e disse:
— Amor, não precisa. Mesmo que ela peça desculpas, não será de coração. Eu não preciso de pessoas falsas na minha vida.
Sorri para ela e dei-lhe outro beijo. A subgerente ficou surpresa e saiu imediatamente, trancando-se no escritório com o gerente. Pelo menos, naquele dia, minha princesa não precisaria lidar com aquela mulher.
No fim do expediente, passamos pela comunidade para ver se tudo estava bem. Descobrimos que Kendrick Miller havia partido, mas a comunidade estava devastada. As lavouras, a horta e os pés de frutas estavam destruídos, furados por balas. Algumas casas estavam em ruínas, sem portas, pois os invasores as arrombaram. Muitas pessoas ainda estavam machucadas, e faltava até comida.
A Laís abraçou a mãe e foi cercada por todos, que pediram desculpas pelo modo como a trataram e pediram que ela voltasse. Mas ela me surpreendeu ao dizer:
— Não vou retornar. Ajudarei no que for preciso, mas não quero mais conviver com vocês. Quando mais precisei de ajuda, todos viraram as costas. Família de verdade se apoia em qualquer situação, não apenas nos momentos bons.
Abracei-a e disse:
— Amor, não tem problema. Se quiser voltar, tudo bem.
Ela olhou para mim e respondeu:
— A única coisa que eu quero já tenho: você.
Sorri e a enchi de beijos, sem me importar com quem estava olhando.
Mais tarde, em casa, conversei com a Laís:
— Amor, você acha que todo aquele dinheiro no banco é realmente meu? Preciso pegar alguns daqueles documentos para ler e entender do que se trata.
Ela sorriu e respondeu:
— Não sei, mas está tudo nas suas mãos. Pode ser seu ou de alguém que confia muito em você.
— Será que é por isso que estão atrás de mim? — perguntei. — Será que sou um bandido e roubei todo esse dinheiro?
Ela riu e disse:
— Você não tem cara de ladrão. Eu sei disso.
— Mas o amor é cego — brinquei.
Ela sorriu novamente e respondeu:
— Eu sinto dentro da minha alma, mesmo antes de te conhecer e me apaixonar por você.
Sorri, dei-lhe um beijo apaixonado e dormimos agarrados, como sempre.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 75
Comments