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Laís narrando:

Depois de algum tempo naquele lugar tão lindo, olhando as estrelas ao lado do amor da minha vida, voltamos para casa. Percebi que o Wallace estava um pouco distante, parecia preocupado. Imagino que seja por conta da sua perda de memória. Sei que não é fácil para ele estar em um mundo completamente diferente, sem lembrar de quem ele é, sabendo que está correndo risco e que alguém tentou matá-lo.

Também sei que eu estou correndo esse risco. Minha única preocupação é por conta da minha mãe, mas eu amo o Wallace e não vou desistir dele por sentir medo. Ao lado dele, me sinto a mulher mais segura do mundo. Sei que é um risco que tenho que correr. Não sei da sua vida passada ou se ele tem alguém especial onde viveu, mas, durante o tempo em que ele me amar, serei inteiramente dele.

Chegamos em casa por volta das 2h30 da manhã. Tomamos um banho e dormimos abraçadinhos até o clarear do dia.

No restaurante do Davi

Às 8h30, nos levantamos, fizemos nossa higiene matinal, nos arrumamos e fomos para o restaurante do Davi. Assim que cheguei, a Clarice veio correndo me abraçar. Ela disse:

— Sinto muito por tudo o que aconteceu com você. Fiquei com muito medo.

Eu a abracei de volta e respondi:

— Está tudo bem.

A Clarice é minha melhor amiga. Ela vive com a tia desde que os pais morreram, mas é humilhada todos os dias pela família, principalmente pela prima Carla, que sempre joga na cara que ela vive de favor. Mas essa não é a realidade. Ela contribui todos os dias com as despesas da casa, paga o aluguel do quartinho dos fundos onde mora, trabalha no restaurante e, quando chega em casa, ainda tem que cuidar da casa e do jantar. Antes de vir para o trabalho, ela ainda prepara o almoço e o café. É assim a vida dela todos os dias.

Por isso, sempre que termino o expediente, vou ajudá-la na cozinha. A Clarice trabalha lavando louça, e eu sirvo as mesas. Meu maior sonho seria cozinhar, mas não tenho curso para isso, apesar de todos que comem minha comida acharem maravilhosa. As únicas pessoas que provaram foram as da comunidade, quando sou convidada a cozinhar em festas.

Davi veio nos cumprimentar:

— Bom dia, Laís.

— Bom dia, chefe — respondi.

Ele olhou para mim e perguntou:

— Você está bem? Por que veio trabalhar hoje? Eu te dei uns dias de folga. Você passou por uma situação muito difícil, precisa descansar. Sei que não é fácil o que você viveu, e realmente sinto muito.

Eu balancei a cabeça e disse:

— Está tudo bem. Ele não teve culpa de nada.

Davi só ficou bravo comigo por eu ter jogado água na cara dele.

Peço licença e vou para o quartinho me arrumar para começar a atender os clientes. A Clarice vai comigo. Hoje, ela parece um pouco nervosa. Não sei o que aconteceu, mas, depois do expediente, vou convidá-la para sair e conversar um pouco. Com certeza, deve ser coisa da Lúcia ou da prima dela.

Davi e Wallace se cumprimentaram e seguiram para o escritório. Coloquei a touca e o uniforme e fui atender os clientes.

A invasão do restaurante

Eu estava atendendo um casal quando, de repente, quatro homens invadiram o restaurante. Eles carregavam pedaços de pau. Percebi na hora que eram vândalos. Todo mundo começou a gritar em desespero, mas um deles olhou diretamente para mim e disse:

— É ela! Pegue-a!

Meu coração parecia sair pela boca. Inconscientemente, gritei:

— Wallace, socorro!

O homem agarrou meu braço e me puxou com brutalidade, dizendo:

— Vem comigo, por bem ou por mal.

Fiz força para impedir que me arrastassem, mas ele era muito forte. Chutei o pé dele com força, tentando me soltar. O homem ficou furioso e levantou a mão para me bater.

Antes que sua mão tocasse em mim, Wallace agarrou o braço dele no ar. Sem muita força, torceu seu pulso, olhando nos olhos do homem como se nada estivesse acontecendo. Ele foi torcendo, e o homem se contorceu de dor até se ajoelhar aos pés dele.

Vi quando os outros homens partiram para cima com os pedaços de pau. Gritei desesperada:

— Cuidado!

Antes mesmo de fechar a boca, um dos homens foi lançado e caiu em cima de uma mesa. Ele foi acertado com um soco no estômago e, pelo visto, saiu voando com o impacto.

O outro se aproximou e, antes de levantar o porrete para bater no Wallace, recebeu um chute e uma cotovelada. O cara caiu desmaiado no chão.

Antes que o terceiro se aproximasse, Wallace foi ao seu encontro. Eu nunca vi tamanha rapidez. Ele pulou por cima de três mesas. Aquilo foi inacreditável! Nunca tinha visto alguém pular tão alto.

Antes que o quarto homem saísse pela porta, Wallace pulou em cima dele com o pé estendido, acertando seu peito. Com o impacto, o homem atravessou a porta voando.

A gangue do Jones

Quando olhei para fora, meu coração afundou. Havia mais de 15 pessoas lá fora, de moto. Aquilo me deixou completamente abalada. Eu sabia que era a gangue do Jones.

Assim que viram os quatro homens desmaiados, ficaram furiosos. Um deles gritou:

— Você sabe quem eu sou? Como ousa tocar nos meus amigos?

Wallace olhou para ele e disse friamente:

— Vou te dar cinco minutos para vocês saírem daqui. Se não quiserem se machucar, é melhor irem embora. Eles receberam o que mereceram por importunar, principalmente a minha esposa.

Ele continuou, com voz firme:

— É melhor que vocês tenham noção de que essa cidade não é de vocês. Vocês não mandam aqui em nada. É melhor se retirarem antes que eu perca o pouco de paciência que ainda me resta.

Depois de dizer isso, ele fez menção de entrar, mas um dos homens gritou:

— Peguem ele!

Assim que dois caras se aproximaram, Wallace fez um movimento rápido, fechou os punhos e acertou um deles no rosto. O cara caiu no chão, com o nariz quebrado e sangrando muito. Ele começou a gritar de dor.

Enquanto isso, o outro foi acertado no estômago com uma cotovelada. O pedaço de pau que estava em sua mão foi tomado com tanta rapidez que ele nem viu o que aconteceu.

Wallace caminhou tranquilamente, como se estivesse em uma passarela, em direção aos homens, sem nenhum pingo de medo. Seu olhar era pura fúria.

Os caras investiram contra ele, começando a chutar, mas Wallace se defendia apenas com os punhos. Ele fechou o punho e acertou outro homem no rosto.

De repente, um dos caras pulou em cima dele com uma perna esticada, tentando acertá-lo. Wallace levantou o joelho e segurou a perna do homem no ar. O impacto foi tão forte que o osso do homem quebrou, e ele caiu no chão gritando de dor.

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