Ele parou e perguntou o que eu estava fazendo ali. Eu estava tão apavorada e, sem provas dos homens que haviam desaparecido, respondi:
— O homem está preso no carro! Ele sofreu um acidente e parece ter batido a cabeça com força.
Olhando para mim com preocupação, ele disse:
— Você tem certeza de que ele ainda está vivo?
— Não sei! — respondi, a voz tremendo. — Mas precisamos ajudar!
Ele hesitou por um momento, mas então decidiu:
— Tudo bem, vou descer para ver o que posso fazer.
Nós levamos o homem para o hospital. Enquanto caminhávamos, encontrei uma carteira de identidade em seu bolso e disse:
— Olha! O nome dele é Wallace Della Mont.
Rodrigo olhou para mim, preocupado.
— Será que ele vai ficar bem?
No meio daquela lama, era impossível ver o semblante de Wallace. Uma equipe médica o levou para dentro, e eu fiquei aguardando junto com Rodrigo. Após mais de duas horas de espera, o médico finalmente apareceu.
— Como ele está? — perguntei ansiosamente.
O médico respirou fundo antes de responder:
— Ele sofreu um traumatismo craniano e passou por uma cirurgia. A recuperação dele dependerá de muitos fatores.
A ansiedade tomou conta de mim. Perguntei:
— Existe alguma esperança?
O médico olhou nos meus olhos e disse:
— É importante não ter muitas expectativas. Ele corre o risco de entrar em coma. Esse estado pode durar uma semana, um mês ou até mesmo ser permanente.
Senti meu coração afundar. Olhei para Rodrigo e murmurei:
— O que eu vou dizer à minha mãe?
Rodrigo sugeriu:
— Você pode dizer que está cuidando de um amigo. Não precisa contar tudo.
Eu balancei a cabeça em concordância, mas a preocupação ainda me consumia.
— Eu não posso dizer que é um desconhecido... Minha mãe me criticaria muito e talvez nem me deixasse ficar aqui!
Rodrigo colocou a mão em meu ombro e disse:
— Fique calma! Vai ficar tudo bem.
Eu respirei fundo, tentando reunir coragem enquanto aguardávamos notícias sobre Wallace.
Quando entrei no quarto, vi que o homem era lindo. Sentei-me em uma cadeira, passando a noite toda observando aquele desconhecido. Pensava que era para eu estar morta, mas ele me salvou. Imagens do que aconteceu passaram pela minha cabeça e fiquei apavorada. Sempre que fechava os olhos, via aqueles momentos horríveis.
Na manhã seguinte, retornei para casa às 6 horas. Precisava descansar um pouco antes de trabalhar às 9. Minha mãe estava preocupada e me perguntou:
— Você está bem, filha? Olha essa sua perna!
Eu forcei um sorriso e respondi:
— Está tudo bem, mãe! Não precisa se preocupar comigo.
Ela me observou de perto e insistiu:
— O que aconteceu? Você parece tão abalada...
Decidi não contar a verdade. Apenas disse:
— Eu ajudei um desconhecido que teve um acidente de carro e acabei me machucando.
Ela franziu a testa, mas não questionou mais. Eu sabia que se falasse sobre o homem que queria me matar, ela piraria.
— Como você se machucou? — ela perguntou.
— Eu... eu caí — menti, tentando parecer convincente. — Foi só isso.
Minha mãe ainda parecia desconfiada, mas aceitou a resposta. Então ela perguntou:
— E quem é esse amigo?
Eu hesitei por um momento antes de responder:
— O nome dele é Wallace Della Mont.
Ela balançou a cabeça, pensativa.
— Não conheço. É cliente seu?
— Isso! — confirmei rapidamente. — Ele é um cliente do trabalho. Nunca o vi antes, mas... ele pareceu precisar de ajuda.
Minha mãe suspirou aliviada e foi até a cozinha preparar algo quente para mim.
— Aqui está uma sopa quentinha — ela disse ao voltar. — Você precisa se alimentar e descansar.
Agradeci enquanto tomava a sopa e tentei relaxar um pouco antes de começar meu dia de trabalho. Depois de um banho revigorante, me joguei no sofá.
Enquanto olhava para o teto, não conseguia parar de pensar em Wallace. A imagem dele era tão marcante... E eu só esperava que ele ficasse bem.
Percebi minha mãe me olhando com desconfiança. Forcei um sorriso e perguntei:
— O que foi, mãezinha?
Ela fitou meus olhos e disse, firme:
— Seja sincera, Laís. Primeiro você disse que se machucou ajudando um desconhecido, agora está dizendo que é um amigo. Por que está mentindo para mim, para sua mãe?
Senti meu coração apertar. Abaixei a cabeça e murmurei:
— Tive medo da senhora não permitir que eu fosse ver ele.
Ela suspirou, como se estivesse tentando entender a situação.
— Filha, eu nunca vou proibir você de fazer o que quiser porque confio em você. Você tem muito juízo e sei que jamais vai fazer alguma coisa errada. Mas nunca mais minta para mim, mocinha. Por mais difícil que seja, eu prefiro a verdade.
Abracei minha mãe, sentindo o calor dela me confortar. Pedi perdão, mas mesmo assim sabia que não podia contar a real história. Não queria vê-la preocupada ou adoecendo por minha causa; isso me deixaria ainda mais culpada.
Ela deu um beijo em minha testa e disse:
— Filha, saia do sofá e vá deitar no quarto. Descansar direito porque esse sofá só vai te deixar com o corpo todo doido.
Segui seu conselho e fui para o quarto. Oito e quarenta da manhã, minha mãe me acorda suavemente.
— Filha, levanta! Você precisa ir para o trabalho para não se atrasar.
Agradeci e ela me deu um beijo no rosto antes de eu sair correndo em direção ao restaurante.
Entrei pelos fundos, já quase atrasada, tentando ajeitar meu cabelo enquanto passava pela cozinha.
— Bom dia, chefe! — cumprimentei, tentando esconder meu nervosismo.
Ele me olhou com um sorriso e respondeu:
— Bom dia! Laís Que bom que você chegou!
Hoje o dia tá parecendo que vai ser puxado. Coloca logo o seu uniforme e vai atender aquelas mesas ali que já estão esperando há um tempão.
— Ok, chefe! Estou indo! — respondi rapidamente, tentando deixar as preocupações de lado. Davi apenas sorriu balançando a cabeça em negação pela palavra chefe.
Passei o dia inteiro trabalhando, mas minha mente não parava de pensar naquele homem estranho e bonito. O jeito como ele estava machucado e a forma como havia falado sobre estar envenenado me deixavam inquieta. Quando Davi me liberou mais cedo, às 16 horas, um alívio percorreu meu corpo. Fui para casa, tomei um banho rápido e me joguei na cama, exausta. O sono me pegou e acordei às 19:00 horas.
— Meu Deus! Já estou atrasada! — exclamei, pulando da cama e correndo para me arrumar. Tinha que ir correndo para o hospital.
Ao chegar lá, fui direto ver o Wallace. Perguntei às enfermeiras como ele estava reagindo ao tratamento, e elas informaram que nada tinha mudado; ele continuava dormindo. Fiquei olhando aquele homem alto e bonito, machucado na cama, refletindo sobre suas palavras. Por que ele disse que estava envenenado? Quem era realmente aquele homem?
Essas eram perguntas que só ele poderia responder, mas infelizmente ele estava ali, inconsciente. O médico se aproximou assim que soube que eu havia chegado.
— Você conhece a família dele? — perguntou.
Infelizmente, eu não conhecia. Pensei comigo mesma: "Eu nem conheço ele direito", mas não queria dizer isso ao médico; poderia acabar sendo expulsa do hospital. Ele explicou que o estado de Wallace era complicado porque ele não era do país e os recursos públicos não estavam dispostos a pagar pelo tratamento dele.
— Ele precisa ser transferido para a terra dele — disse o médico com um semblante sério. — O problema é que o coma pode se agravar ainda mais.
Fiquei preocupada e perguntei:
— Mas por que ele não pode fazer o tratamento aqui no Brasil?
O médico respondeu:
— Para permanecer aqui, ele precisa estar casado com uma brasileira, infelizmente não tem o visto para permanecer.
Meu coração disparou ao ouvir isso. Wallace teria apenas um mês no Brasil antes de ser enviado de volta à sua terra natal. O peso daquela informação me deixou inquieta. O que eu poderia fazer para ajudar? Eu mal conhecia aquele homem, mas sentia uma conexão estranha com ele.
A cada minuto que passava ao lado de sua cama, eu sabia que precisava descobrir mais sobre sua história antes que fosse tarde demais...
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Atualizado até capítulo 75
Comments
Ágatha.Dickens
ainda estou me perguntando como foi que ela conseguiu atirar no bandido no capítulo anterior e salvou ela. agora ela está querendo salvar ele
2025-03-17
0
Maria Lúcia Santos
os sentimentos o desespero é surpreendente a forma que essa autora se expressa na escrita
2025-03-16
0
Maria Lúcia Santos
muito emocionante e a autora define os sentimentos dos personagens perfeitamente
2025-03-16
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