Observei que havia mais armas ali, além de um colchão com ainda mais armas. Fiquei pensando no que aquilo tudo significava, mas não consegui chegar a uma conclusão. Pensei comigo mesmo:
— Será que eu sou um bandido?
Guardei tudo de volta no mesmo lugar e saí dali em passos largos, forçando a mente para lembrar algo, mas sem sucesso.
Ao chegar em casa, contei a novidade para Laís. Ela ficou muito feliz, abraçou meu pescoço e beijou meus lábios, dizendo:
— Agora me sinto mais segura com você lá.
Concordei com ela. Almoçamos juntos, e eu a chamei para dar um passeio pela comunidade. Eu estava muito feliz, pois, apesar de todas as coisas ruins que haviam acontecido, finalmente conseguimos nos entender como um casal.
Saímos abraçados, com sorrisos nos lábios. Era uma sensação incrível, como se estivéssemos vivendo um momento mágico. Eu não sabia se estava com minha namorada ou minha esposa, pois tudo ainda era muito recente para mim. Há poucos dias, eu havia acordado de um coma e descoberto que estava casado. Em um mês, Laís me conquistou completamente com seu jeito meigo e doce.
Tudo o que eu queria naquele momento era fazer dela a mulher mais feliz do mundo. Mas não conseguia tirar da minha cabeça o que aquele desgraçado havia dito:
— Quem é essa tal de Bárbara que está tentando intimidar minha esposa? E por que ela quer machucá-la?
Tenho certeza de que isso está relacionado ao meu passado, mas por que não consigo me lembrar de nada? O que me levou a perder a memória? Será que foi uma pancada na cabeça ou o veneno que ingeri, como havia mencionado durante a tempestade?
De uma coisa eu tenho certeza: jamais vou permitir que alguém a machuque de novo.
Percebi que, por onde passávamos, todos na comunidade nos observavam. Mesmo sabendo que éramos casados, nunca havíamos demonstrado afeto em público. Os homens da comunidade pareciam babar pela Laís, sempre olhando para ela, sorrindo e se insinuando.
Eu sabia que isso ia acabar, pois não permitiria que ninguém ficasse cortejando minha esposa na minha frente. Segurei a cintura de Laís para mostrar àquele bando de homens babacas quem mandava e que ela já tinha dono.
Puxei-a para mais perto de mim e beijei seus lábios com doçura. Aquele beijo era demorado e ardente, e dava para ver que era o beijo de um homem completamente apaixonado. Ela não fez objeção, abraçou meu pescoço e retribuiu o beijo com toda a intensidade.
Sussurrei em seu ouvido:
— Amor, não quero esconder nada de você. Realmente, não lembro de nada sobre minha vida, mas hoje encontrei algo que me deixou preocupado.
Expliquei a ela sobre o carro queimado na divisa da cidade e como ele me parecia familiar. Imagens começaram a aparecer em minha mente, mas não eram claras. Lembrei-me de uma trilha e de uma pedra grande que me parecia familiar. Em meu pensamento, eu me vi tirando aquela pedra do lugar.
— Me aproximei e rolei a pedra. Havia uma passagem para o outro lado, e dentro dessa caverna estava cheia de armas. Havia também um colchão. Tive a lembrança de ter colocado aquela bolsa lá, com todas aquelas granadas. Tive a sensação de que não acabava ali, que havia uma passagem para o outro lado.
Forcei a mente para lembrar algo, mas só consegui uma terrível dor de cabeça. Então, coloquei a pedra no lugar e voltei para casa.
— Laís, eu não sei se sou uma pessoa boa ou um bandido.
Ela segurou meu rosto com as duas mãos e me beijou com toda a intensidade, dizendo:
— Sei que você não é um bandido nem uma pessoa ruim. Não precisa se preocupar. Uma hora ou outra, você vai se lembrar de tudo. Só tenha paciência, meu amor.
Ela continuou:
— Seja o que for que você venha descobrir, estou do seu lado e não vou te abandonar por nada.
Sorri para ela e voltei a beijar seus lábios. Meu maior medo era perder Laís, mas ela prometeu que não me abandonaria. Então, tenho forças para enfrentar qualquer coisa.
Em outro lugar, um homem elegante senta em sua cadeira de ouro e encara os três homens à sua frente com fúria descomunal. Ele diz:
— Será que vocês podem me dizer como um homem, completamente paralisado pelo efeito de um veneno poderoso, consegue escapar de quatro assassinos treinados?
Um dos homens olha para ele e responde:
— Não sabemos informar, jovem mestre. A verdade é que, quando saímos de lá, ele parecia morto. Não havia nenhuma respiração. Eu mesmo verifiquei. Não deu tempo de dar fim ao seu corpo porque havia uma jovem presente. Íamos tirar a vida dela também, mas, de repente, um carro apareceu. Não queríamos ser descobertos, então partimos, trazendo meu irmão, que foi morto por ele.
O homem elegante dá um soco furioso na mesa, assustando todos os presentes, e grita:
— Se vocês estão tão bem informados, por que não deram fim à vida do desgraçado de uma vez? Como é que um homem passa seis meses em coma, e vocês, como grandes incompetentes, não conseguem matá-lo?
O homem tenta se justificar novamente:
— Todas as vezes que tentamos ir ao hospital para matá-lo, havia uma moça presente. Não podíamos fazer nada com ela lá.
O homem elegante interrompe, furioso:
— Mas não precisamos nos preocupar, certo? Ele acordou, mas não lembra de nada. Se até agora ele não me procurou, é porque realmente não tem memória.
Ele continua, gritando:
— Vocês têm noção do que pode acontecer se ele lembrar de tudo? Se ele descobrir quem ele é, nenhum de nós escapará para contar a história. Ele é o melhor dos melhores!
Ele se levanta, caminhando pela sala, e diz:
— Foi por isso que consegui enganá-lo e envenená-lo. Nesse período, vocês deveriam tê-lo matado, mas nem assim cumpriram a missão. Eu não tolero falhas!
Ele olha para os homens com desprezo:
— Não vou correr o risco de perder tudo o que construí, tudo o que conquistei, por causa de incompetentes como vocês.
Ele ordena:
— Retornem ao Brasil e levem quantos homens forem necessários. Destruam a vida do Wallace. Só não quero erros dessa vez.
Ele faz uma pausa e acrescenta:
— Soube que a esposa dele é muito linda. Quero que a tragam até mim. Quero festejar depois da morte dele e desfrutar do seu corpinho gostoso.
Ele finaliza, com um tom ameaçador:
— Só lembrem-se: mesmo sem memória, ele ainda é um Shinobi Della Mont.
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Atualizado até capítulo 75
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