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Seis meses depois do ocorrido...

Estava eu no restaurante, atendendo alguns clientes, quando meu celular tocou. Era do hospital. O coração disparou; um pressentimento sombrio tomou conta de mim. Pediram que eu comparecesse com urgência. Imediatamente, pensei que algo ruim poderia ter acontecido com Wallace.

Sai correndo em direção ao hospital, meu coração angustiado e a mente cheia de temores. Quando cheguei lá, procurei uma enfermeira e, entre lágrimas, perguntei o que estava acontecendo. Ela me respondeu com calma: —Aguarde um momento. O médico pediu para te ligar porque você vem aqui todos os dias cuidar do paciente.

Mas logo fui surpreendida por homens acompanhados da polícia. Eles estavam ali para levar Wallace embora. Disseram que ele estava ilegal no país e precisava ser deportado para sua terra natal. O médico interveio, afirmando que o estado de saúde dele não era bom para uma viagem e que isso poderia agravar ainda mais sua condição. Mas eles insistiam em levá-lo rapidamente.

Desesperada, liguei para Lucas, pedindo sua ajuda. Entrei no quarto e encontrei o oficial da justiça, que me informou que Wallace tinha que ser deportado porque era um refugiado sem documentos para permanecer no Brasil.

Senti minhas forças se esvaírem e me deixei cair na cadeira ao lado dele. Peguei sua mão entre as minhas e acariciei seu rosto com carinho. Com a voz embargada pela tristeza, implorei: —Por favor, senhor, não o leve embora...

Eu não sei viver sem ele. Já está sendo tão difícil vê-lo assim, deitado nessa cama de hospital, e agora vocês vêm aqui dizendo que vão tirá-lo de mim. Eles me olham e falam: —Entendo você, mas é a lei. Ele não pode permanecer no Brasil. A única forma seria se ele tivesse filhos e esposa.

Olhei para ele e respondi com desespero: —Mas é exatamente isso! Ele é meu marido!—As lágrimas começaram a escorregar pelo meu rosto. A mulher que estava com eles me lançou um olhar cético e disse: —É impossível que ele tenha se casado com você.

A raiva subiu em mim como uma tempestade, e a vontade de dar um tapa na cara dela era quase incontrolável. Mas ela era uma oficial da justiça; como eu poderia agir assim? O oficial olhou para mim e perguntou: —Você está de brincadeira, não é?— Eu respondi que não. Ele então perguntou quantos anos eu tinha. —Uns 15?—Ele disse, com uma expressão de descrença. —Não, 21, —eu retruquei. Ele me olhou como se não pudesse acreditar na minha idade.

Nesse momento, Lucas entrou como um raio de esperança. —Olá, bom dia! Sou Lucas Vegas, advogado da senhora Laís Linn Della Mont.—Ao ouvir o sobrenome Della Mont, a mulher ficou visivelmente alarmada; seus olhos se arregalaram enquanto olhava para o oficial de justiça e exclamava: —É impossível!— Lucas então retirou uma pilha de documentos e entregou-a a ela. Em seguida, eles saíram do quarto.

Fiquei ali, com o coração quase saindo pela boca, um turbilhão de pensamentos invadindo minha mente. O medo me consumia: e se o levassem embora? E se algo acontecesse com ele no caminho? A verdade é que estou tão acostumada a tê-lo ali comigo que não sei se consigo vê-lo partir.

Segurando sua mão, deitei minha cabeça em seu peito e as lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto. Beijei seu rosto suavemente e o abracei com força, como se tivesse medo que ele desaparecesse a qualquer momento e isso pode acontecer a qualquer momento. Esperei ansiosamente pelo retorno daqueles homens e do Lucas, torcendo para saber o que decidiriam. As lágrimas continuavam a cair; eu estava aterrorizada, pois nosso casamento foi realizado apenas 15 dias depois que ele entrou em coma.

O oficial de justiça poderia levar em conta que esse casamento foi, na verdade, uma tentativa desesperada de mantê-lo no Brasil. Durante esses seis meses em que estive ao seu lado no hospital, algumas vezes vi seus olhos se abrirem, o que me enchia de alegria e esperança. Mas logo percebia que era apenas um vislumbre do estado do coma; ele permanecia sem expressão, como se estivesse distante de mim.

Acabei adormecendo com a cabeça em seu peito, quando fui despertada por uma mão apertando o meu pulso e me puxando. Abrindo os olhos sonolenta, vi que era a mulher que acompanhava o oficial de justiça. —Saia de perto do paciente. Precisamos levá-lo, ela ordenou. As lágrimas voltaram a escorregar pelo meu rosto enquanto implorava para que não fizessem isso. —Ele pode ter problemas por conta da viagem!, —eu gritei, desesperada.

O oficial olhou para mim com compaixão, mas sua voz era firme: —Sinto muito, mas precisamos levá-lo. Mesmo que você seja casada com ele, vocês se casaram depois do coma e o ato da consumação pode nunca ter ocorrido.— Nesse momento, me senti envergonhada por ser virgem; se eu não fosse, poderia afirmar que isso havia acontecido entre nós.

Abracei Wallace com toda a força que tinha, mas a mulher agarrou meu braço e começou a me arrastar com força. Foi então que senti um abraço forte me envolvendo; em questão de segundos, vi a mulher caída no chão. Tudo aconteceu tão rápido! Virei-me para ver o que tinha ocorrido e ouvi Wallace dizer:

—Solte-a! Não a machuque! — Meu coração acelerou sentir vontade de me jogar em seus braços

Mas nessa hora as máquinas ao redor começaram a apitar rapidamente, e o médico correu para ver o que estava acontecendo. Meu coração disparou; eu não sabia se estava mais assustada ou aliviada. A pressão da situação era insuportável.

Será que ele está bem? Será que é real ou eu apenas sonhei? Wallace está realmente acordado ou é só mais um estágio do coma?

O médico pediu para que todos nós saíssemos do quarto, me tirando dos pensamentos e uma equipe médica entrou rapidamente, ocupando o espaço que antes era só meu. Saí dali com relutância, mas meu coração estava em festa. Ele estava acordado! A vida pulsava de volta em Wallace, e isso era tudo que eu precisava saber.

Assim que saí do quarto, não consegui conter a felicidade. Abracei Lucas com toda a força que tinha, quase chorando de alívio e alegria. —Ele está acordado! Ele realmente acordou!, —eu exclamava, ainda tentando processar o que havia acontecido.

—Lucas, lembrei-me de , algo estranho,

—O que Lili?

—quando Wallace abriu os olhos, a mulher que estava com o oficial de justiça deu três passos para trás e, em seguida, desapareceu como se nunca tivesse estado ali.

—Isso realmente me parece estranho

Fiquei perplexa. Quem era ela? Por que ela reagiu daquela forma? A cena me deixou intrigada e confusa.

Enquanto Lucas tentava me acalmar, minha mente girava em torno da mulher misteriosa. O que ela sabia? Qual era o seu papel nessa história? Mas a alegria de saber que Wallace estava acordado superava todas as incertezas.

Decidi focar no presente. A equipe médica cuidaria dele agora,

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Comments

Ágatha.Dickens

Ágatha.Dickens

tadinha da Laís 😢 imagino o sofrimento dela depois de seis meses ele já é muito importante pra ela. mais difícil é perder seu marido Antes de se conhecerem

2025-03-17

0

Maria Lúcia Santos

Maria Lúcia Santos

coitada da Laís está comendo de perder o marido que nem conhece ela

2025-03-16

0

Maria Lúcia Santos

Maria Lúcia Santos

eu sabia que essa moça estava apaixonada pelo gostosão

2025-03-15

0

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