Laís narrando:
Passei a noite inteira chorando nos braços do Wallace. Eu não acredito que a minha mãe fez isso comigo. Ela, que sempre disse que me apoiaria em tudo e que acreditava em mim, agora, no momento que eu mais precisei, me virou as costas. Isso tem doído dentro da minha alma.
Assim que amanheceu o dia, saímos da caverna para o lado onde estava aquele rio maravilhoso. Me deparei com um paraíso tropical. Era o lugar mais lindo que eu já tinha visto em toda a minha vida. Mas nós ainda estávamos apreensivos, pois eu não conhecia nada dali, e o Wallace também não se lembrava de nada.
Entramos naquele rio e tomamos um banho bem gostoso. Pegamos água para beber em uma nascente. Era lindo ver a água jorrando e a areia branquinha subindo.
O Wallace estava pensativo e um pouco distante. Não sei se ele estava arrependido por eu estar ali com ele ou se era porque ele não se lembrava de nada.
No restaurante
Chegou a hora do trabalho, e fomos para o restaurante. Assim que chegamos, a tal da Allegra já começou a me encher, dizendo que eu estava chegando tarde demais.
Olhei no relógio. Era o mesmo horário que eu entrava todos os dias. Ela disse que ia descontar do meu salário. Não respondi nada, apenas passei e fui me arrumar para começar o expediente.
Ela me chamou de irresponsável e disse que, se eu vacilasse assim mais uma vez, ela me jogaria na rua.
Percebi que realmente esse não é o meu dia. Além de ser expulsa da minha comunidade e de a minha mãe ter me virado as costas, ainda estou sendo importunada no trabalho.
A rotina no trabalho
Os dias foram passando, e todos os dias eu ia para o trabalho. Como de costume, eu entrava às 9h e saía às 18h. Mas agora essa tal de subgerente começou a pegar no meu pé. Eu tenho que chegar às 7h30 e só saio depois das 19h30.
E todo esse tempo, o Davi está viajando. A Clarice se recuperou dos seus ferimentos e também voltou a trabalhar. Por conta de ser minha amiga, ela também está sendo afligida pela Allegra todos os dias.
Ela não faz questão de esconder que é por minha causa. Eu só não sei o que eu fiz para essa mulher tão infeliz estar agindo dessa forma. Chego até a pensar que tudo isso é inveja. Talvez ela tenha interesse no Wallace, e, como sabe que eu sou a esposa dele, esteja fazendo isso de propósito.
Eu tenho notado todos os dias a forma como ela olha para ele. Sempre que ele não está prestando atenção, ela não tira os olhos dele. Às vezes, eu a pego olhando escondida. Finjo que não estou vendo, mas, para marcar território, eu sempre mostro como é o nosso relacionamento, para que ela tenha certeza de que não tem chance nenhuma com ele.
A chuva e o beijo
Hoje está chovendo bastante, e já passa das 20 horas, mas ainda estamos aqui no restaurante, esperando a chuva passar. Então, aproveito esse momento para ficar bem agarradinha com o amor da minha vida.
Observei a Allegra me olhando através de um espelho. Falei no ouvido do Wallace, e ele também percebeu. Ele pegou na minha cintura, me puxando mais para ele, me colocando no meio das suas pernas. Segurou minha nuca e me puxou para um beijo completamente apaixonado.
No meu ouvido, ele disse:
— Não importa quantas mulheres me olham e me desejam. Eu sou exclusivamente seu e de mais ninguém.
Sorri e aproveitei aquele momento. Sei que amanhã vou ser muito castigada por ela. Tudo o que ela puder fazer para botar defeito no meu trabalho, ela vai fazer. Tenho até medo dela colocar o Davi contra mim e eu ser demitida.
O gerente e a Allegra
Já o gerente trata todo mundo bem, mas até parece que ele tem medo dela. Às vezes, eu escuto ela falar com ódio, e ele tão somente abaixa a vista e entra para o escritório. Tem uma coisa muito errada no meio de tudo isso, mas quem sou eu para falar alguma coisa, se foi o próprio Davi que a colocou aqui?
A comunidade e o Kendrick
Quando a chuva passou, já era mais de 21 horas. Fomos embora e acabamos descobrindo que, depois da nossa partida da comunidade, um homem tomou posse do local e obrigava todos os moradores a trabalhar para ele. Ele dizia que mandava lá e que todos eram seus súditos.
Todos os que se negavam a fazer o que ele queria, ele os castigava, como se fosse um rei e todos os moradores fossem seus escravos.
O Wallace perguntou se eu queria que ele fizesse alguma coisa para libertar aquele povo. Então, respondi que não:
— Se eles não se preocuparam comigo e me expulsaram, por que eu tenho que me preocupar com eles?
Fingi indiferença, mas estava morrendo por dentro. Não queria mostrar para o Wallace que eu me preocupava tanto. Ele poderia ficar um pouco sentido, mas a verdade é que eu estava morrendo por dentro e preocupada com a minha mãe.
O retorno do Wallace
Chegamos em casa, e eu estava muito cansada. Ultimamente, tenho ficado esgotada por causa da subgerente me sobrecarregando de trabalho.
Dormi logo depois de um copo de leite morno que o Wallace me deu. Eu estava tão cansada que quase nem tomei. Ele teve que me apoiar no seu corpo, me segurando e colocando o leite na minha boca. Eu apaguei por completo.
Senti o Wallace me beijar e a sua voz bem distante dizer:
— Volto logo.
Mas eu estava com tanto sono que não consegui abrir os olhos.
**Cena 7: O machucado do Wallace**
Na manhã seguinte, assim que acordei, percebi que o Wallace estava machucado. Perguntei o que tinha acontecido.
Ele tão somente sorriu e disse:
— Fica tranquila. Não é nada demais. Eu estou bem.
Fiquei olhando para ele e perguntei mais uma vez:
— Amor, o que aconteceu? Você não estava machucado ontem, quando disse que voltava logo. Você foi para onde?
Ele disse que havia ido para a comunidade. Arregalei os olhos e perguntei o que ele foi fazer. Ele explicou que foi ver como estava a situação.
— Ao chegar lá, vi um homem machucando uma criança. Eu não me contive e fui ajudar. Acabei indo muitas pessoas para cima de mim e me machuquei — disse ele.
Fiquei preocupada. Abracei-o com força e comecei a chorar.
Perguntei se ele tinha visto a minha mãe. Ele falou que sim e que ela chorou muito e pediu desculpas para ele.
— Na hora em que pediram para que eu fosse embora, foi porque acharam que eu era o problema. Mas, na verdade, tudo o que eles queriam era que nós fôssemos embora de lá. Eles sabiam que, se o Kendrick tentasse tomar o lugar, eu não ia permitir. Eu era a única pessoa que impedia ele de dominar toda a comunidade.
Fiquei em silêncio por um momento, tentando processar tudo. Então, perguntei:
— Quem é ele, Wallace?
Ele olhou para mim, com uma expressão séria, e respondeu:
— Kendrick Miller.
Ele fez uma pausa, como se estivesse tentando se lembrar de algo, e acrescentou:
— De alguma forma, aquele nome me é familiar. É como se eu o conhecesse de algum lugar, mas não consigo lembrar de onde.
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Atualizado até capítulo 75
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