capítulo -3

—Vamos rezar para que, nesse período, ele acorde. Será muito arriscado retirá-lo desse estado apenas com os recursos públicos. — disse o médico.

Fiquei ali sentada, olhando para aquele homem, segurei sua mão e comecei a conversar com ele como se ele pudesse me ouvir.

— Ei, não se preocupe. Vou dar um jeito, vai ficar tudo bem. Eu prometo.

Acabei adormecendo na cadeira, com a cabeça em sua barriga, segurando sua mão. Quando amanheceu, fui para casa, mas passei direto na casa do Lucas. Ele é meu melhor amigo, advogado e sempre me ajuda quando preciso. Foi assim desde a infância.

— Bom dia, Lucas!

— Bom dia, Lili! Que milagre você aparecer aqui! Ainda lembra que tem um amigo?

— Ah, Lucas, eu sempre lembro de você! A questão é que ando muito ocupada. Vim aqui para conversar como sua cliente. Preciso da sua orientação.

— O que aconteceu?

— Tenho um amigo internado que entrou em coma. O problema é que ele não é do nosso país e não conheço a família dele. Ele precisa de tratamento e o médico disse que se o tirarmos daqui pode haver consequências. Como advogado, você não pode fazer nada para que ele continue recebendo tratamento aqui no Brasil? Afinal, é uma vida.

Lucas me olha e sorri.

— Sim, eu tenho uma ideia. Mas parece loucura.

— Como assim?

— Nesse caso, se ele não tem todos os documentos para permanecer no Brasil, poderia ficar se tivesse filhos ou fosse casado.

— Nossa! Essa é a segunda vez que ouço isso. O médico também mencionou que para ele continuar recebendo os medicamentos seria necessário um casamento.

— E como ele vai se casar se está em coma? — perguntei, confusa.

— Então, Laís, se você quiser que ele permaneça aqui, não pode dizer que ele é apenas seu amigo. Você vai ter que dizer que ele é seu namorado ou noivo. Assim, posso providenciar um casamento provisório até ele melhorar. Depois, vocês se divorciam.

— Lucas, isso parece uma loucura! Não acha?

— Sim, eu acho. Nunca ouvi falar de alguém que casasse com outra pessoa provisoriamente. Mas tem um problema nessa história: quem vai se ferrar é você. — disse Lucas sorrindo

— Por quê? — perguntei confusa

— Porque você vai estar casando com um vegetal! O sonho de toda mulher é a lua de mel, e você não vai ter nenhuma! (risos)

— Mas não tem problema! Se você quiser, na sua noite de núpcias, eu posso substituir ele! (risos)

— Você não tem jeito mesmo, Lucas!

— Para com isso! Brincadeira tem hora. Se não parar, nunca mais vou olhar na sua cara nem falar com você!

— Como assim? Nunca mais vai olhar na minha cara? Você não vai conseguir viver sem mim!

— Você é muito convencido mesmo, não é?

— Claro! Eu sou irresistível!

Caímos na gargalhada.

— Agora falando sério, Lucas. Você pode realmente fazer isso?

— Você está falando sério, Laís? Quer mesmo casar com um homem em coma só para que ele receba tratamento?

— Sim, eu quero. — Ele salvou minha vida murmurei para mim mesma

— Tudo bem, se é isso que você quer, eu vou providenciar. Me dá uns dias que eu cuido de tudo — disse Lucas. — desacreditado

— Tudo bem, obrigado, Lucas! Agora eu só preciso falar com a mamãe e contar toda a situação para ela.

— De nada, minha amiga! Você sabe que eu faria qualquer coisa por você.

Voltei para casa e contei tudo para a mamãe. Ela não gostou muito da ideia, mas entendeu a situação. Nos abraçamos e choramos juntas. Ela disse:

— Você parece tanto com seu pai, meu amor.

Choramos novamente. Falar do papai sempre nos trazia muita saudade; é difícil acreditar que ele se foi.

Depois de um tempo, tomei um banho, pois precisava trabalhar. Nos meus dias de folga, ajudo na comunidade. Aqui, todo mundo se empenha um pouco: aqueles que não têm trabalho fora ajudam com os serviços comunitários.

Os serviços comunitários incluem reformas nas casas de moradores que não têm condições financeiras para pagar. Também trabalhamos com hortas, cuidando das fruteiras e de alguns legumes. Temos plantado bananas, laranjas, e maçãs, além de hortaliças como alface, rúcula e couve. Nos legumes, cultivamos cenouras, tomates e batatas.

Depois, todos esses alimentos são distribuídos entre os moradores em partes iguais, dependendo da quantidade de pessoas que vivem em cada casa. Além disso, também fazemos reformas nas escolas, no posto de saúde e na casa de farinha, onde é fabricada a farinha. É lá que tiramos a tapioca para fazermos nossas deliciosas refeições.

É incrível ver como a comunidade se mobiliza e se apoia em momentos difíceis. Cada pequeno esforço traz um grande impacto na vida de cada morador.

Os dias foram passando e a minha rotina continuou. Todos os dias, eu ia para o trabalho e, do trabalho, ia direto para o hospital. De algum jeito estranho, eu me acostumei a passar as noites sentada na poltrona ao lado do leito daquele desconhecido.

Hoje é minha folga, então tirei o dia para ficar no hospital cuidando do Wallace. Ajudei a enfermeira a limpá-lo e trocá-lo. Observo cada traço do seu rosto e corpo. Meu Deus, que homem lindo, apesar de algumas cicatrizes no corpo. Troco a roupa dele e começo a passar hidratante na sua pele com movimentos suaves. Escuto uma batida na porta e vou atender.

É o Lucas. Ele disse que foi me procurar no trabalho, mas descobriu que eu estava de folga. Sorrio para o Lucas e pergunto:

— É sobre o casamento?

Ele diz que sim. Ele me entrega alguns papéis para eu assinar, me abraça e dá um beijo na minha testa antes de sair. Eu me sento ao lado de Wallace e começo a conversar com ele, pegando em sua mão.

— Eu espero de verdade que, quando você acordar, não fique bravo comigo pelo que estou fazendo. Essa foi a única forma que encontrei para você continuar fazendo seu tratamento. O médico disse que, se você sair daqui pelos recursos públicos, poderia ter consequências sérias ou até mesmo a morte. Eu não quero isso para você, Wallace. E o único jeito era que você fosse casado com uma brasileira. Por isso, menti para todo mundo, dizendo que você é meu namorado. O Lucas é o meu melhor amigo, confio nele, e tudo vai dar certo. Desde quando éramos crianças, ele sempre cuidou de mim. Por isso sei que ele vai cuidar de tudo para o nosso casamento. Quando você acordar, a gente resolve essa situação. Depois de um tempo, fingimos que brigamos e dizemos que não deu certo, e nos divorciamos.

Mas nessa hora, eu escuto os bips dos aparelhos e começo a gritar pelos médicos. Eles vêm e me tiram do quarto por um tempo para tentar acalmá-lo, e eu fico pensando se ele estava me escutando. Quando o dia amanheceu, fui para casa e, no dia seguinte, o Lucas aparece com a certidão de casamento nas mãos.

É tão estranho. Eu que sempre sonhei em casar vestida de branco, ter uma linda festa, tinha tantos sonhos e, de repente, me encontro casada com um homem que nem conheço e que está preso numa cama de hospital. E nem sei se vai acordar um dia. Ou se não vai me odiar pelo que fiz.

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Comments

Maria Lúcia Santos

Maria Lúcia Santos

eu acho que mesmo em coma ele pode ouvir por isso os aparelhos começaram a pintar

2025-03-16

0

Maria Lúcia Santos

Maria Lúcia Santos

caraca ela é uma moça com um coração maravilhoso mas acho que ela está apaixonada por ele

2025-03-15

0

Maria Lúcia Santos

Maria Lúcia Santos

porque ele ficaria bravo moça tudo que você está fazendo é para o bem dele

2025-03-16

0

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